Ibovespa tem a maior queda de 2024 até aqui entre 15 bolsas; rankingPor Carolina Costa
Atualizado 3 min de leitura
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O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira (B3), apresentou a maior queda de 2024 até o momento entre 15 das principais bolsas do mundo, de acordo com um ranking elaborado por Einar Rivero, sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria. Até o dia 30 de maio, o Ibovespa acumulava uma queda de 14,82% quando ajustado para dólares.
Causas da Queda do Ibovespa
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam três principais razões para a acentuada queda da bolsa brasileira nos primeiros cinco meses de 2024:
- Juros Altos nos Estados Unidos
- Fraqueza da Economia Chinesa
- Cenário Fiscal Preocupante no Brasil
1. Juros Altos nos Estados Unidos
Segundo Jefferson Laatus, estrategista-chefe da Laatus Capital, os investidores iniciaram o ano com a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, começasse a cortar as taxas de juros no primeiro trimestre de 2024. No entanto, isso não aconteceu, e a perspectiva de cortes ainda está distante. Atualmente, os juros americanos estão entre 5,25% e 5,50% ao ano, e a maioria dos investidores acredita que uma queda só deve ocorrer no último trimestre do ano.
Taxas de juros altas nos Estados Unidos atraem investidores para os títulos públicos americanos, considerados os mais seguros, retirando dinheiro de mercados de risco, como a bolsa de valores brasileira.
2. Atividade Econômica na China
A China, principal parceiro comercial do Brasil, começou o ano com expectativas de grandes investimentos em infraestrutura para reaquecer sua economia. No entanto, a atividade econômica chinesa continua mais fraca do que o esperado. Um exemplo disso é a queda das ações da Vale, que despencaram quase 20% no ano, puxando o Ibovespa para o campo negativo. A menor demanda chinesa por minério de ferro, uma commodity crucial para o Brasil, contribuiu para essa queda.
3. Preocupações Internas no Brasil
No cenário interno, a questão fiscal brasileira tem deixado os investidores receosos. Em abril, o governo alterou a meta fiscal, propondo déficit zero em 2025, em vez do superávit de 0,5% anteriormente projetado. André Colares, presidente da Smart House Investments, explica que a percepção de risco fiscal elevado e a alteração da meta fiscal contribuíram para a volatilidade do mercado e reduziram as expectativas de cortes na taxa Selic.
Em seu último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu o ritmo de cortes na taxa Selic para 10,5% ao ano, após uma série de quedas mais acentuadas. O Bank of America comentou em relatório que espera retornos de títulos brasileiros, dada a expectativa de juros elevados devido às preocupações fiscais.
Além disso, intervenções do governo em empresas com participação estatal, como a Petrobras, que teve mudança de presidente em maio, também diminuíram a confiança dos investidores, tanto domésticos quanto internacionais.
A queda do Ibovespa em 2024 reflete uma combinação de fatores globais e internos. Os juros altos nos Estados Unidos, a fraqueza da economia chinesa e as preocupações fiscais no Brasil têm impactado negativamente o índice. Para os investidores, é essencial monitorar esses fatores e considerar suas implicações ao tomar decisões de investimento.







