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Servidores do INSS em greve: propostas de reajuste salarial e impactos

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Foto: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com

MGI apresenta propostas de reajuste salarial para servidores do INSS em greve; nova rodada de negociações é aguardada

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) propôs duas alternativas de reajuste salarial aos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que estão em greve desde 10 de julho. As propostas incluem a incorporação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE) ao Vencimento Básico (VB), uma antiga demanda da categoria, e um reajuste acumulado para diferentes níveis de servidores, com variação de até 30,5% para cargos de nível superior.

Essas propostas contemplam servidores ativos, aposentados e instituidores de pensão, com os reajustes sendo aplicados em duas etapas: janeiro de 2025 e abril de 2026. As negociações avançam em um momento crítico, com parte significativa dos servidores em paralisação, o que já impacta o atendimento ao público em diversas regiões do país.

Reajustes Propostos para Diferentes Níveis

O MGI detalhou que o reajuste para servidores de nível superior (40 horas semanais) na classe especial V varia entre 28,7% e 30,5%, enquanto para o nível intermediário, as propostas variam de 28,3% a 29,9%. Já para o nível auxiliar, os reajustes ficam entre 24,7% e 25,1%. É importante lembrar que 9% de reajuste já foram aplicados em 2023, um avanço inicial nas negociações.

Caso as propostas sejam aceitas, essas mudanças salariais entrarão em vigor nos próximos anos, representando uma conquista significativa para os servidores, que reivindicam melhores condições salariais e de trabalho há anos. O impacto dessas medidas vai além do aumento no contracheque, representando também uma valorização da carreira dentro do serviço público.

Encontro com Entidades Representativas

Em 12 de julho, Alessandro Stefanutto, presidente do INSS, reuniu-se com representantes das entidades sindicais que defendem os interesses dos servidores do INSS. Durante a reunião, discutiu-se a pauta de reivindicações da categoria, com um foco claro em questões econômicas e organizacionais que influenciam diretamente a vida dos servidores.

Stefanutto ressaltou que questões não econômicas serão debatidas em mesas de negociação específicas, tanto no âmbito do INSS quanto no MGI, conforme determina a legislação vigente. Essa distinção entre os tipos de pautas é crucial para o andamento das negociações, que visam resolver não apenas questões salariais, mas também demandas relacionadas ao ambiente de trabalho e condições de ingresso na carreira.

Histórico de Negociações e Contexto Atual

O presidente do INSS lembrou que, em 2015, uma greve semelhante resultou na promessa de criação de uma mesa de negociação permanente para tratar de questões diversas do INSS, promessa essa que não foi cumprida até agora. O atual governo, através do secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo, comprometeu-se a finalmente estabelecer essa mesa, abordando temas como a exigência de nível superior para ingressar no INSS.

Essa mesa de negociação é vista como um passo fundamental para o diálogo contínuo entre o governo e os servidores, permitindo que questões estruturais e de carreira sejam discutidas e resolvidas de forma mais eficiente e menos conflituosa.

Debate no Senado sobre a Greve

Durante uma audiência pública no Senado que discutiu o modelo previdenciário brasileiro, Adroaldo da Cunha Portal, secretário do Regime Geral de Previdência Social, defendeu o fim da greve dos servidores do INSS. Ele destacou o papel crucial que esses profissionais desempenham no atendimento à população, afirmando que a carreira do INSS é uma das mais meritórias do serviço público federal.

Portal ressaltou ainda que o governo do presidente Lula já concedeu um reajuste de 9% aos servidores federais, após anos de congelamento salarial. Ele destacou que a proposta de reajuste oferecida aos servidores do INSS é equivalente à oferecida à Perícia Médica Federal, totalizando um aumento acumulado de 18%. Isso, segundo Portal, representa uma recomposição salarial que supera a inflação projetada para os próximos anos.

Impactos da Greve nas Agências do INSS

Desde o início da greve, o impacto tem sido significativo. Dados do sistema de frequência dos servidores mostram que, até as 11h da última segunda-feira, 3.292 servidores haviam aderido à paralisação, representando 18,5% do quadro de funcionários do INSS em todo o Brasil. Além disso, 183 das 1.572 Agências da Previdência Social (APS) no país estão fechadas, comprometendo o atendimento à população.

O movimento grevista também provocou um aumento nos pedidos de reconhecimento inicial de direitos, que saltaram de 1.353.910 para 1.506.608 desde o início da greve, representando uma alta de 11,27%. Além disso, quase 4.000 perícias médicas presenciais foram remarcadas, e cerca de 100.000 pessoas deixaram de ser atendidas, ampliando a fila de espera por serviços essenciais.

O Futuro das Negociações

Com as negociações ainda em andamento, tanto o MGI quanto os representantes dos servidores buscam um acordo que possa encerrar a greve e retomar o atendimento normal nas agências do INSS. A criação de uma mesa de negociação permanente e a implementação dos reajustes propostos são vistas como soluções de médio a longo prazo, que podem evitar futuros conflitos e garantir uma carreira mais atrativa para os servidores.

Enquanto isso, o impacto da greve continua a ser sentido em todo o Brasil, com milhões de brasileiros aguardando a resolução desse impasse para ter acesso aos serviços previdenciários de que dependem.