Cuiabá bate recorde de temperatura com 42,6°C e lidera o ranking do calor no BrasilPor Carolina Costa
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Cuiabá, a capital de Mato Grosso, registrou neste sábado (7) a impressionante marca de 42,6°C, atingindo o recorde de calor para 2024 e se tornando a cidade mais quente do país. Esse valor supera o último recorde da cidade, que foi de 41,8°C, registrado em agosto deste ano. A intensa onda de calor que vem afetando diversas regiões brasileiras continua a impactar severamente o estado do Mato Grosso e suas cidades vizinhas.
Onda de calor e impactos climáticos
O aumento nas temperaturas em Cuiabá faz parte de uma onda de calor que tem atingido várias áreas do Brasil. Além da capital mato-grossense, outras cidades da região Centro-Oeste também aparecem no ranking das mais quentes do país, como Santo Antônio do Leverger, São José do Rio Claro e Rosário Oeste, que enfrentaram temperaturas acima de 40°C neste fim de semana.
Abaixo, a lista das cidades mais quentes deste sábado (7), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet):
- Cuiabá (MT): 42,6°C
- Santo Antônio do Leverger (MT): 41,6°C
- São José do Rio Claro (MT): 41,1°C
- Aquidauana (MS): 41,0°C
- Coxim (MS): 41,0°C
- Rosário Oeste (MT): 40,9°C
- Água Clara (MS): 40,9°C
- Rondonópolis (MT): 40,7°C
- Porto Nacional (TO): 40,6°C
- Nhumirim (MS): 40,4°C
Alerta de baixa umidade
Além das altas temperaturas, a baixa umidade relativa do ar é outra grande preocupação para os meteorologistas. De acordo com o Inmet, para este domingo (8), a previsão é de mais um dia de calor intenso em Cuiabá, com os termômetros podendo atingir até 40°C. A tendência de calor extremo deve se intensificar na próxima semana.
Com a umidade relativa do ar podendo cair abaixo de 12% em algumas cidades, o Inmet emitiu um alerta vermelho para 80 municípios do estado de Mato Grosso, indicando risco à saúde pública e aumento da probabilidade de incêndios florestais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível ideal de umidade para a saúde humana deve estar entre 60% e 70%. A combinação de calor intenso com baixa umidade agrava o risco de desidratação, doenças respiratórias e incêndios em vegetações.
Prognóstico para setembro: calor e poucas chuvas
A previsão para o restante de setembro não é animadora. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o mês deverá ser marcado por temperaturas acima da média em quase todo o território brasileiro, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste. Além disso, espera-se um período com chuvas abaixo da média, principalmente em áreas centrais do Brasil, o que pode piorar a situação das queimadas e da seca.
Áreas como o Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão e Piauí também deverão enfrentar calor extremo, com temperaturas médias ultrapassando os 30°C. A escassez de chuvas, combinada com o calor, pode criar um cenário favorável para o aumento de incêndios florestais, que já estão em níveis elevados em várias regiões do país.
Chuvas irregulares no país
Em termos de precipitação, a previsão aponta que apenas a faixa norte da região Norte, o sul do Mato Grosso do Sul, algumas áreas de São Paulo e a região Sul poderão ter chuvas acima da média para setembro. Já o restante do país, principalmente o Centro-Oeste, o Sudeste, o interior do Nordeste e parte do Norte, deverá enfrentar um período de seca, com precipitações abaixo ou muito próximas da média histórica.
Essa irregularidade nas chuvas tem preocupado os especialistas, uma vez que o cenário é desfavorável para a recuperação das áreas afetadas por queimadas, além de dificultar o manejo agrícola, que depende de um ciclo regular de precipitações para o cultivo de diversas culturas.
Recordes e as mudanças climáticas
O aumento das temperaturas extremas no Brasil e em outras partes do mundo tem sido associado às mudanças climáticas globais. Fenômenos como ondas de calor prolongadas e secas severas são cada vez mais frequentes, e seus impactos são sentidos tanto no ambiente urbano quanto nas áreas rurais.
O recorde de temperatura em Cuiabá é um reflexo das condições climáticas extremas que estão se tornando mais comuns. O aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, tem sido apontado como um dos fatores que intensificam esses eventos climáticos adversos. Além disso, o desmatamento e a degradação ambiental em regiões como a Amazônia e o Pantanal também contribuem para agravar o aquecimento local.
Medidas de precaução e cuidados com a saúde
Com a previsão de dias mais quentes e secos, as autoridades recomendam à população que adote medidas para se proteger dos efeitos da onda de calor. Entre as orientações estão:
- Beber muita água: Manter-se hidratado é essencial para evitar problemas de saúde como desidratação e insolação.
- Evitar exposição ao sol em horários de pico: Os horários entre 10h e 16h são os mais críticos em termos de radiação solar. Se possível, evite atividades ao ar livre nesse período.
- Usar roupas leves e protetor solar: Vestimentas leves e claras, além de protetor solar com fator de proteção adequado, ajudam a minimizar os danos causados pela exposição ao sol.
- Umidificar ambientes internos: Utilizar umidificadores ou toalhas úmidas pode ajudar a melhorar a qualidade do ar em ambientes fechados.
- Evitar queimadas: Com o risco elevado de incêndios, qualquer atividade que envolva fogo deve ser evitada. Queimadas ilegais não só degradam o meio ambiente, mas também aumentam a poluição do ar.
Impactos no Pantanal e Amazônia
Regiões como o Pantanal e a Amazônia, já fortemente impactadas pelas mudanças climáticas e pelas queimadas, continuam em estado de alerta. A seca prolongada e as temperaturas recordes dificultam o controle de incêndios e agravam a perda da biodiversidade nessas áreas.
As queimadas no Pantanal, em particular, têm destruído grandes áreas de vegetação e causado mortes de animais silvestres, além de prejudicar o turismo e a economia local. A previsão de pouca chuva para setembro pode piorar ainda mais esse cenário, prolongando a temporada de incêndios e causando danos irreversíveis ao bioma.







