Nesta segunda-feira (09/09), o dólar apresentou leve queda frente ao real, contrariando a tendência global de alta da moeda norte-americana. A oscilação no câmbio reflete a expectativa do mercado sobre a política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, onde são esperadas mudanças nas taxas de juros que podem tornar o cenário mais favorável ao real. A previsão de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos EUA e a possível elevação da taxa Selic pelo Banco Central do Brasil nas próximas semanas geram um movimento de proteção ao real, fortalecendo a moeda brasileira.
Cotação do dólar no mercado
Às 15h40 desta segunda-feira, o dólar comercial registrava uma leve queda de 0,04%, sendo cotado a R$ 5,587 na compra e R$ 5,588 na venda. No mercado futuro, o contrato com vencimento mais próximo também apontava queda de 0,28%, alcançando 5.6005 pontos. No fechamento da última sexta-feira, o dólar à vista havia encerrado em alta de 0,30%, com a moeda norte-americana cotada a R$ 5,5895.
Apesar de a divisa ter iniciado o dia em alta, o cenário de fim de tarde indicava um enfraquecimento do dólar, devido ao diferencial de juros que se desenha entre Brasil e Estados Unidos.
Expectativas sobre a Selic e o Fed
O mercado internacional aguarda com ansiedade o próximo movimento do Federal Reserve, que deve realizar um corte de 25 pontos-base na taxa de juros americana na próxima semana. Essa redução reforça a previsão de que os juros nos EUA continuarão a ser ajustados de maneira gradual, o que impacta diretamente as moedas de economias emergentes, como o real.
No Brasil, a expectativa de alta da Selic ganha força. O relatório Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, indicou que o mercado agora projeta três aumentos de 25 pontos-base ainda em 2024, o que elevaria a taxa básica de juros dos atuais 10,50% para 11,25% ao ano. Esse movimento seria uma resposta à necessidade de controle inflacionário e também visa tornar o real mais atraente para os investidores, já que o aumento da Selic torna mais caro apostar contra a moeda brasileira.
Cenário global e desempenho do real
No cenário internacional, o dólar avançava frente a outras moedas, impulsionado pela expectativa de que o Fed será menos agressivo na redução dos juros. O corte de 25 pontos-base, ao invés de 50 pontos-base, reflete a preocupação com o equilíbrio entre o combate à inflação e o estímulo à economia nos EUA. Ainda assim, o real conseguiu se destacar entre as moedas emergentes, mostrando um desempenho melhor do que outras moedas ligadas a commodities.
Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, essa resistência do real deve-se ao cenário doméstico de elevação dos juros. “A projeção do Focus consolidou a visão de que o carrego será mais robusto no câmbio. Isso protege a moeda brasileira, pois torna mais caro apostar contra o real”, afirmou Borsoi. Ele também destacou que, apesar de moedas atreladas a commodities não estarem performando bem globalmente, o real encontra mais suporte graças ao cenário interno de juros altos.
O impacto no mercado brasileiro
A possível elevação da Selic não apenas fortalece o real, mas também atrai investidores estrangeiros em busca de melhores rendimentos. A taxa de juros elevada no Brasil torna os investimentos mais atraentes, o que contribui para a entrada de capital estrangeiro no país, aliviando as pressões sobre o câmbio e diminuindo a volatilidade do dólar.
Por outro lado, a manutenção de juros elevados por um período prolongado pode impactar o crescimento econômico, à medida que encarece o crédito e desestimula o consumo. No entanto, a prioridade do Banco Central parece ser o controle inflacionário, o que explica a expectativa de novas altas da Selic até o final de 2024.
Projeções para o dólar e a economia
Analistas acreditam que o dólar continuará a oscilar em torno de R$ 5,50 a R$ 5,60 nas próximas semanas, conforme o mercado ajusta suas expectativas sobre a política monetária dos dois países. A dinâmica entre o corte de juros nos EUA e a alta no Brasil deve favorecer a estabilidade do real, mas eventos globais, como a recuperação da economia americana e a evolução da guerra comercial entre potências, podem trazer volatilidade para o mercado de câmbio.
O real, sendo uma moeda de uma economia emergente, continua vulnerável a choques externos, mas o cenário atual, com uma política monetária restritiva no Brasil, parece ser um fator de suporte para a moeda.
Cenário econômico no Brasil
Com a Selic se mantendo em níveis elevados, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar o crescimento econômico e o controle inflacionário. O aumento das taxas de juros afeta diretamente o consumo e os investimentos internos, mas é visto como necessário para conter os efeitos da inflação, que continua a ser uma preocupação central.
Por outro lado, o fortalecimento do real pode contribuir para reduzir a pressão sobre os preços dos produtos importados, especialmente em um momento em que os preços de commodities no mercado internacional estão mais voláteis.
Considerações sobre o futuro do câmbio
O cenário de curto prazo aponta para uma possível valorização do real em relação ao dólar, caso a Selic continue a subir e o Fed opte por manter cortes graduais nos EUA. No entanto, os fatores globais ainda pesam nas expectativas sobre a moeda brasileira, especialmente em relação às decisões econômicas de grandes potências e eventos inesperados que possam alterar o equilíbrio atual do mercado financeiro global.

