Por que os juros devem cair nos EUA e subir no Brasil?

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A expectativa em torno das decisões dos comitês de política monetária dos Estados Unidos e Brasil é grande. O Federal Open Market Committee (FOMC) e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil, ambos reunidos nesta quarta-feira (18/09), deverão seguir trajetórias opostas em relação às taxas de juros. Enquanto o FOMC deve iniciar um ciclo de cortes nos EUA, o Copom tende a aumentar a Selic. Mas o que explica esses movimentos contrastantes?

O cenário internacional e a perspectiva de desinflação nos EUA

Nos Estados Unidos, o otimismo sobre o controle da inflação e o desejo de evitar uma recessão parecem estar conduzindo o Federal Reserve (Fed) a dar início a cortes nos juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou essa possibilidade no simpósio de Jackson Hole, e as projeções mais recentes indicam que um ciclo gradual de redução está prestes a começar.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava até a semana passada que 66% das expectativas eram de um corte inicial de 25 pontos-base, embora recentemente a probabilidade de um corte maior, de 50 pontos-base, tenha ganhado força. Isso reflete a confiança crescente de que a economia dos EUA pode sustentar a desinflação sem cair em recessão, o que seria uma realização importante para o Fed.

No entanto, não se trata de uma decisão fácil. O mercado de trabalho ainda é um fator crucial na política monetária dos EUA, e o receio de que um “pouso forçado” da economia, ou seja, uma desaceleração muito brusca, poderia prejudicar os níveis de emprego. Por isso, o Fed deve adotar uma postura cautelosa, como aponta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. Ele espera que o ciclo de cortes seja iniciado com pequenas reduções de 0,25 ponto percentual.

Expectativas de inflação elevadas no Brasil

Por outro lado, o cenário brasileiro é mais desafiador. O Índice Equus de Precificação da Selic (IEPS), calculado pela Equus Capital, aponta uma probabilidade de 76,2% de que o Copom aumente a Selic em 0,25% nesta reunião. Um dos principais motivos para esse movimento é a teimosia da inflação brasileira, que segue elevada, especialmente no setor de serviços, mesmo após meses de tentativas de controle por parte do Banco Central.

A inflação dos serviços básicos está rodando em torno de 5%, enquanto os preços dos bens industriais, que estavam estabilizados, voltaram a subir, atingindo cerca de 3%. Isso alimenta a necessidade de o Banco Central reafirmar sua credibilidade, especialmente depois de uma decisão dividida no início do ano que levantou dúvidas sobre a estratégia da nova gestão, que assumirá em 2025.

As perspectivas de inflação no Brasil não se mostram animadoras, e a queda recente nos preços internacionais de commodities, como o petróleo, não foi suficiente para compensar a pressão sobre o câmbio e o aumento da atividade econômica no país. Esse conjunto de fatores faz com que a maioria dos economistas acredite em um novo aumento na taxa básica de juros.

O impacto das decisões nos mercados

Enquanto o Fed toma suas decisões com base em um cenário de “otimismo cauteloso”, com expectativas de que os cortes nos juros possam evitar uma recessão, o Brasil enfrenta um contexto mais delicado, no qual a inflação precisa ser contida com decisões mais agressivas.

O Goldman Sachs acredita que o ciclo de alta no Brasil não será tão pronunciado quanto outros bancos preveem, estimando uma taxa Selic em torno de 11,75% em janeiro. Já a XP Investimentos espera que a Selic atinja 12% no início do próximo ano, com aumentos graduais até lá.

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