Cid Moreira, um dos maiores nomes da televisão brasileira, faleceu aos 97 anos, deixando um legado indiscutível no jornalismo do país. Conhecido por sua voz grave e inconfundível, ele se tornou a figura mais emblemática do Jornal Nacional (JN), que apresentou por 26 anos. Durante esse período, sua presença na bancada foi essencial para consolidar o telejornal como o mais assistido do Brasil, além de ter desempenhado um papel importante na história da televisão brasileira.
Nascido em 27 de setembro de 1927, em Taubaté, interior de São Paulo, Cid Moreira começou sua carreira no rádio ainda jovem, na década de 1940. Com sua habilidade única de transmitir emoção e impacto através da voz, ele rapidamente se destacou e, em pouco tempo, migrou para a televisão. Sua entrada no Jornal Nacional ocorreu em 1969, ano da criação do telejornal, e ele permaneceu como âncora até 1996.
O impacto no Jornal Nacional
O Jornal Nacional, quando estreou, era uma inovação no jornalismo brasileiro, sendo o primeiro telejornal transmitido em rede nacional. Cid Moreira estava lá desde o início, e seu icônico “boa noite” passou a ser um marco diário para milhões de brasileiros. Ao longo de sua trajetória no JN, ele apresentou aproximadamente 8 mil edições, tornando-se um recordista na bancada do noticiário. Com seu estilo único e formal, Cid Moreira conseguiu conquistar a confiança do público, tornando-se a principal referência em credibilidade jornalística.
Em uma das ocasiões mais lembradas de sua carreira, Cid quebrou o protocolo ao anunciar a morte do poeta Carlos Drummond de Andrade em 1987. No encerramento daquela edição, ele finalizou o jornal com a frase “E agora, José?”, um verso do famoso poema do escritor, emocionando os espectadores e mostrando uma faceta mais sensível em um telejornal tradicionalmente rígido.
A vida após o Jornal Nacional
Mesmo após deixar o Jornal Nacional em 1996, Cid Moreira continuou sua carreira na televisão e no rádio. Ele se dedicou a narrar a Bíblia em projetos audiovisuais, consolidando ainda mais sua imagem de uma das vozes mais marcantes do Brasil. Seu trabalho com a narração bíblica foi elogiado e reconhecido tanto por seu público quanto pela crítica, mostrando a versatilidade de sua voz, que conseguiu transitar de temas jornalísticos para narrativas religiosas com a mesma imponência.
Além de seu trabalho na comunicação, Cid também teve destaque por seu estilo de vida longe das câmeras. Morando em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, ele levava uma vida discreta com sua esposa, Fátima Sampaio, e sempre esteve envolvido em projetos relacionados à espiritualidade e à leitura da Bíblia, algo que marcou seus últimos anos.
O legado de Cid Moreira
Cid Moreira não foi apenas uma referência no jornalismo televisivo, mas também uma figura que atravessou gerações. Sua forma de narrar e apresentar as notícias influenciou e inspirou muitos outros profissionais do meio, que viam nele um exemplo de rigor, profissionalismo e serenidade. Até os dias de hoje, sua voz é lembrada por ser uma marca registrada dos tempos áureos do telejornalismo brasileiro.
Sua morte, que ocorreu no dia 3 de outubro de 2024, em Petrópolis, trouxe uma grande comoção nacional. Amigos, jornalistas e personalidades lamentaram sua partida, destacando a importância de Cid Moreira para a comunicação no Brasil. Apesar de suas últimas semanas terem sido marcadas por uma pneumonia, ele sempre manteve sua postura forte e serena, mesmo diante dos desafios da idade avançada.
O impacto de Cid no jornalismo moderno
Ao longo de sua carreira, Cid Moreira não apenas apresentou notícias, mas também construiu uma maneira própria de fazer isso, com uma dicção impecável e uma voz que transmitia confiança e segurança. Em uma época em que as fake news e as redes sociais dominam o fluxo de informações, figuras como Cid Moreira se tornam ainda mais importantes, representando um tempo em que a credibilidade e a apuração rigorosa eram os pilares do jornalismo.
Os números e os marcos da carreira de Cid falam por si: mais de 26 anos no Jornal Nacional, cerca de 8 mil edições apresentadas, e uma legião de telespectadores que, até hoje, o consideram uma das maiores vozes da história da TV brasileira.
Cronologia da carreira de Cid Moreira:
- Década de 1940: Início da carreira no rádio.
- 1969: Estreia no Jornal Nacional como apresentador principal.
- 1987: Quebra de protocolo ao anunciar a morte de Carlos Drummond de Andrade.
- 1996: Saída do Jornal Nacional após 26 anos no comando do telejornal.
- Década de 2000: Lançamento de projetos de narração da Bíblia.
- 2024: Falece aos 97 anos, em Petrópolis, RJ.
Cid Moreira foi mais do que um jornalista e apresentador; ele foi uma voz que guiou gerações de brasileiros em momentos importantes da história do país. Sua partida deixa um vazio, mas seu legado, marcado pela ética e pelo compromisso com a informação, continuará sendo uma referência para todos aqueles que atuam ou que aspiram atuar no jornalismo.
Com sua presença inconfundível, ele se tornou um símbolo de um tempo em que a televisão era a principal fonte de informação da população e soube adaptar-se a novos formatos e desafios. Cid Moreira sempre será lembrado como a voz que acompanhou o Brasil ao longo de décadas.

