O cantor alagoano Sandro Becker, de 71 anos, conhecido por sucessos dos anos 80, teve a prisão domiciliar revogada pela Justiça de Pernambuco. A medida permite que ele retome a agenda de shows, especialmente no período junino, quando a demanda por artistas de forró e música nordestina costuma aumentar.
A decisão foi tomada após pedido da defesa, que argumentou que a restrição de locomoção impedia o artista de trabalhar e gerar renda para negociar a dívida. A tornozeleira eletrônica deve ser retirada nesta quinta-feira (11), em Caruaru, no Agreste pernambucano.
Sandro Becker, nome artístico de Emanuel do Vale Trindade, foi preso em 27 de março durante um evento em um hotel da cidade. Ele respondia a um mandado por dívida de aproximadamente R$ 200 mil em pensão alimentícia.
Dívida originada de acordo judicial
O débito refere-se a um acordo anterior de pensão para um filho do cantor. Segundo a defesa, um imóvel foi oferecido como forma de pagamento, mas a Justiça considerou um valor inferior ao de mercado reivindicado pela família, o que manteve a cobrança do saldo restante.
O advogado Marinésio Luz explicou que o bem entregue não cobriu o total exigido, gerando o débito atual. A defesa agora planeja uma audiência para discutir um novo acordo de quitação.
Justiça prioriza capacidade produtiva
Na decisão, o juiz considerou que a prisão domiciliar com tornozeleira comprometia diretamente a atividade profissional de Sandro Becker, que depende de viagens e apresentações. O período de junho é apontado como o mais rentável para o cantor.
“Ele vive de fazer shows. Esse período de junho é o período em que ele mais poderia trabalhar”, destacou o advogado ao citar trecho da sentença. Não foram impostas novas medidas cautelares, pois o juiz entendeu que o artista tem residência fixa e longa carreira comprovada.
Carreira marcada por hits com duplo sentido
Sandro Becker ganhou destaque nos anos 80 com músicas de letras picantes, como “A Velha Debaixo da Cama”, “O Gato Tico” e “Julieta”. Em 1986, ele participou do programa Cassino do Chacrinha, na TV Globo, o que ampliou sua visibilidade nacional.
O caso ilustra um dilema comum para artistas de média carreira no Nordeste: a dependência de shows ao vivo para sustento, especialmente em épocas festivas, e os desafios de conciliar obrigações financeiras antigas com a rotina de trabalho irregular.

