Ferroviária renasce e garante vaga na Série B: a revolução sob o comando de BertolucciPor Thiago Lemos
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Filippo Bertolucci, jovem herdeiro de um dos maiores agentes do futebol, lidera a gestão que reconduziu a Ferroviária à Série B após 30 anos de luta e reestruturação.
A Ferroviária de Araraquara, clube tradicional do interior paulista, alcançou a tão esperada volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Depois de uma ausência de 30 anos, a ascensão da equipe marca o ápice de um processo de transformação liderado por Filippo Bertolucci, filho do influente agente de futebol Giuliano Bertolucci. O jovem empresário assumiu a gestão da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) da Ferroviária em dezembro de 2022, e desde então, a Locomotiva voltou aos trilhos do sucesso, conquistando dois acessos consecutivos.
O início de uma nova era: Filippo Bertolucci à frente da SAF
A transformação da Ferroviária em SAF foi um processo longo, marcado por desafios. Quando Filippo, conhecido no meio esportivo como “Pipo”, assumiu o controle do clube, a equipe enfrentava sérios problemas de organização e infraestrutura. A má gestão anterior culminou no rebaixamento do time à Série A2 do Campeonato Paulista em 2023, apesar dos esforços de jogadores como John Kennedy, emprestado pelo Fluminense. O rebaixamento, embora traumático, foi o ponto de partida para uma completa reformulação interna.
Segundo Bertolucci, a demora no processo de aquisição e a falta de tempo para preparar a equipe para o estadual comprometeram o desempenho no início de sua gestão. No entanto, a reorganização começou de imediato, com mudanças estruturais na equipe e no corpo técnico. Demissões importantes, como as de Rodrigo Possebon, Nando Carandina e Rogério Cuniyochi, abriram caminho para uma nova abordagem de gestão.
Reestruturação e nova filosofia: os passos para o sucesso
Com a saída de figuras antigas, Júnior Chávare, conhecido por seu trabalho de desenvolvimento de talentos, assumiu o cargo de diretor executivo da SAF e liderou o processo de reestruturação da Ferroviária. Infelizmente, Chávare faleceu em fevereiro de 2024, mas seu impacto no clube foi inegável. Sob sua direção, a equipe construiu um ambiente vencedor, que levou ao acesso à Série C do Campeonato Brasileiro ainda em 2023, mesmo ano do rebaixamento no Paulista.
O trabalho de Chávare e a nova filosofia imposta por Bertolucci se mostraram acertados. A Ferroviária passou a investir em jovens talentos e jogadores comprometidos com o projeto a longo prazo. A liderança de Saulo, goleiro experiente, e de Ronaldo Alves, zagueiro de destaque, foi fundamental para manter a estabilidade da equipe, enquanto novas contratações trouxeram uma energia renovada ao clube.
A paciência, o trabalho árduo e as decisões estratégicas levaram a Ferroviária de volta ao caminho do sucesso. O clube não apenas conquistou a Série C, como também conseguiu o vice-campeonato da Série D, garantindo seu retorno à Série B nacional.
O impacto da SAF na transformação da Ferroviária
A Ferroviária foi um dos primeiros clubes do Brasil a adotar o modelo de gestão empresarial. Antes mesmo de se tornar uma SAF, o clube já havia passado por um processo de municipalização de seu estádio, o que permitiu que continuasse operando mesmo em períodos de crise financeira. O modelo de gestão empresarial trouxe uma nova perspectiva ao futebol do interior, permitindo maior profissionalização e planejamento a longo prazo.
A chegada de Bertolucci consolidou essa abordagem empresarial. Ele afirma que, apesar de o clube ter uma empresa por trás, a prioridade no momento é a reestruturação e o fortalecimento da Ferroviária, e não o retorno financeiro. “O trabalho aqui é mais por causa do que por dinheiro”, destacou Filippo, evidenciando seu comprometimento com a história e a comunidade que o clube representa. Segundo ele, o impacto da Ferroviária vai além do futebol, pois “aqui é mais que um clube, é uma cidade”.
O futuro promissor da Locomotiva
Com o retorno à Série B, a Ferroviária agora figura entre os 40 principais clubes do Brasil. Além do prestígio esportivo, a ascensão traz consigo uma série de vantagens financeiras, como maiores cotas de televisão e prêmios da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Isso permitirá que o clube melhore ainda mais sua estrutura e continue atraindo talentos para compor o elenco.
Apesar de rumores sobre uma possível venda da SAF, Bertolucci negou qualquer intenção de se desfazer do clube. “Queremos conquistar ainda mais. Agora o objetivo é conseguir o acesso à Série A2 e continuar crescendo. Não temos interesse em vender o clube”, afirmou, assegurando a continuidade do projeto a longo prazo.
O retorno à Série B oferece à Ferroviária uma oportunidade única de consolidar seu crescimento e, quem sabe, almejar ainda mais. Com um calendário anual garantido, o clube poderá manter a consistência e dar sequência ao trabalho iniciado sob a gestão de Bertolucci.
Fatos que marcaram a revolução da Ferroviária
- Rebaixamento na Série A2: Embora tenha sido um golpe duro, o rebaixamento em 2023 foi o ponto de partida para uma transformação profunda na gestão do clube.
- Contratação de Júnior Chávare: Um dos momentos mais importantes na reconstrução da equipe foi a chegada de Júnior Chávare, que conseguiu montar um elenco vencedor e iniciar a caminhada rumo ao acesso.
- Dois acessos consecutivos: O time conseguiu, em dois anos, sair da Série D para a Série B, um feito histórico que colocou a Ferroviária de volta no mapa do futebol brasileiro.
- Modelo de gestão empresarial: Pioneira na adoção do modelo de SAF, a Ferroviária mostrou como a profissionalização da gestão pode transformar um clube, mesmo com desafios financeiros e esportivos.
Desafios e próximos passos
Apesar do sucesso recente, o caminho da Ferroviária na Série B não será fácil. A competição é uma das mais disputadas do futebol brasileiro, e o clube precisará continuar investindo em infraestrutura e elenco para se manter competitivo. O planejamento a longo prazo de Bertolucci, que inclui a sustentabilidade financeira do clube, será fundamental para garantir que a Ferroviária continue crescendo sem comprometer seu futuro.
Entre as prioridades, está o fortalecimento das categorias de base, garantindo a formação de novos talentos que possam, no futuro, brilhar com a camisa da Locomotiva. Além disso, a manutenção de um elenco forte e competitivo será crucial para que o time possa almejar voos ainda mais altos.
A Ferroviária, sob a liderança de Filippo Bertolucci, parece estar em um caminho sólido de crescimento e consolidação. O jovem empresário, com uma visão moderna e focada no desenvolvimento sustentável, tem demonstrado que o clube não é apenas uma paixão familiar, mas também um projeto com raízes profundas na cidade e um futuro promissor no futebol brasileiro.







