O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta semana o calendário oficial de pagamentos do PIS/Pasep para o ano de 2025, referente ao ano-base 2023. Este benefício, derivado dos recursos arrecadados originalmente pelo PIS e Pasep, atende milhões de trabalhadores da iniciativa privada e do setor público em todo o país. O abono salarial, que pode chegar a um salário mínimo, será pago entre os meses de fevereiro e dezembro de 2025, conforme o mês de nascimento dos beneficiários ou o número de inscrição no Pasep.
De acordo com os dados do governo, cerca de 25,8 milhões de trabalhadores terão acesso ao abono salarial, o que representará a injeção de R$ 30,7 bilhões na economia nacional. Este recurso, essencial para complementar a renda de trabalhadores de baixa renda, é uma das principais ferramentas do governo federal para mitigar desigualdades econômicas e sociais, além de estimular o consumo e o aquecimento econômico.
O pagamento, organizado de forma escalonada, tem como objetivo evitar aglomerações e oferecer maior comodidade aos beneficiários. Com a nova tabela de valores, que acompanha o aumento do salário mínimo para R$ 1.502, os valores do abono serão proporcionais ao tempo de serviço do trabalhador no ano-base.
Calendário de pagamento do PIS/Pasep 2025
Os pagamentos começarão em 17 de fevereiro de 2025 e se estenderão até o final do ano, de acordo com o mês de nascimento dos beneficiários do PIS e o número de inscrição para os servidores que recebem pelo Pasep. Confira o cronograma:
- Nascidos em janeiro: a partir de 17 de fevereiro
- Nascidos em fevereiro: a partir de 17 de março
- Nascidos em março e abril: a partir de 15 de abril
- Nascidos em maio e junho: a partir de 16 de junho
- Nascidos em julho e agosto: a partir de 15 de julho
- Nascidos em setembro e outubro: a partir de 15 de agosto
- Nascidos em novembro e dezembro: a partir de 15 de setembro
Todos os pagamentos poderão ser sacados até 29 de dezembro de 2025, prazo final para os beneficiários retirarem seus valores.
Quem tem direito ao PIS/Pasep 2025?
Para receber o abono salarial, os trabalhadores precisam atender a alguns critérios estabelecidos pelo governo. Entre os principais requisitos estão:
- Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.
- Ter recebido uma remuneração média de até dois salários mínimos mensais no ano-base de 2023.
- Ter trabalhado ao menos 30 dias com carteira assinada no ano de referência, de forma consecutiva ou não.
- Ter os dados informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) ou no eSocial.
Essas condições são essenciais para garantir a elegibilidade ao benefício. Qualquer inconsistência nas informações registradas pode comprometer o recebimento.
Valores proporcionais ao tempo de serviço
O valor do abono salarial é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base de 2023, variando entre R$ 125,17 (para quem trabalhou apenas um mês) e R$ 1.502 (para quem trabalhou durante os 12 meses). Confira os valores previstos:
- 1 mês trabalhado: R$ 125,17
- 3 meses trabalhados: R$ 375,50
- 6 meses trabalhados: R$ 751,00
- 9 meses trabalhados: R$ 1.126,50
- 12 meses trabalhados: R$ 1.502,00
Essa proporcionalidade garante uma distribuição justa e alinhada à contribuição do trabalhador ao longo do período.
Origem e história do PIS/Pasep
Criados na década de 1970, os programas PIS (Programa de Integração Social) e Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) nasceram com o objetivo de fomentar a integração social e assegurar uma distribuição mais justa de renda entre trabalhadores. A unificação dos fundos em 1975 resultou na criação do Fundo PIS/Pasep, que passou a ser gerido de forma centralizada pela Caixa Econômica Federal (PIS) e pelo Banco do Brasil (Pasep).
Desde 1989, os recursos arrecadados pelo fundo foram destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que financia o pagamento do seguro-desemprego, do abono salarial e de outros programas voltados para o desenvolvimento socioeconômico. Em 2020, o Fundo PIS/Pasep foi incorporado ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas o pagamento do abono salarial permaneceu inalterado.
Mudanças propostas no PIS/Pasep
Nos últimos meses, o governo federal, através do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a intenção de implementar mudanças nos critérios de elegibilidade do abono salarial. Atualmente, o benefício é concedido a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. No entanto, a proposta sugere que o teto inicial seja reduzido para R$ 2.640, com reajustes anuais baseados na inflação, até atingir o equivalente a um salário mínimo e meio.
As alterações, que serão implementadas gradualmente até 2035, têm como objetivo concentrar os recursos nos trabalhadores de menor renda, promovendo maior equidade na distribuição do benefício. Esse modelo permitirá uma transição menos abrupta para os beneficiários e reduzirá os custos do programa no longo prazo.
Impacto econômico e social do abono salarial
Com a destinação de R$ 30,7 bilhões para o pagamento do PIS/Pasep em 2025, o governo espera fortalecer a economia brasileira, especialmente em regiões onde a vulnerabilidade social é maior. Esse valor representa um aumento significativo no poder de compra dos beneficiários, que geralmente utilizam o recurso para pagar dívidas, adquirir bens de primeira necessidade ou realizar pequenos investimentos.
Além disso, o abono salarial tem um impacto multiplicador no comércio local, incentivando o consumo e gerando empregos indiretos em setores como varejo e serviços. Em um cenário de recuperação econômica, o programa desempenha um papel essencial na sustentação da demanda interna.
Dicas para acessar o benefício
Os trabalhadores podem consultar sua elegibilidade e obter informações sobre os pagamentos utilizando os seguintes canais:
- Aplicativo Carteira de Trabalho Digital: oferece informações detalhadas sobre o abono salarial.
- Central de Atendimento Alô Trabalho: pelo telefone 158, permite consultas rápidas.
- Agências bancárias: beneficiários do PIS devem procurar a Caixa Econômica Federal, enquanto os do Pasep podem consultar no Banco do Brasil.
Depoimentos e relatos de beneficiários
O impacto do PIS/Pasep é frequentemente destacado pelos próprios beneficiários. Para Ana Cláudia, empregada doméstica, o abono salarial é essencial para complementar o orçamento familiar. “Utilizo o benefício para pagar contas e comprar materiais escolares para meus filhos no início do ano”, conta. Já Carlos Eduardo, porteiro, considera o recurso um alívio em tempos de dificuldade financeira. “Com o que recebo, consigo quitar dívidas e evitar apertos maiores”, relata.
Curiosidades sobre o PIS/Pasep
- O PIS foi criado para beneficiar trabalhadores da iniciativa privada, enquanto o Pasep atende servidores públicos.
- A unificação dos fundos em 1975 visou simplificar a gestão dos recursos e ampliar o impacto social do programa.
- Em 2020, o Fundo PIS/Pasep foi incorporado ao FGTS, mas as políticas de pagamento aos trabalhadores permaneceram ativas.
Crescimento do programa ao longo dos anos
Desde a sua criação, o PIS/Pasep passou por diversas adaptações para se alinhar às mudanças econômicas e sociais do país. Em seus primeiros anos, os recursos eram direcionados exclusivamente para a formação de patrimônio dos trabalhadores. Com o tempo, o programa se tornou uma ferramenta de redistribuição de renda, integrando-se a outras políticas públicas, como o seguro-desemprego.
Hoje, o abono salarial é uma das políticas mais importantes para a proteção social no Brasil, garantindo maior estabilidade financeira para milhões de trabalhadores formais.

