Regras do BPC/Loas passam por mudanças em 2025 com novos critérios de cadastramento e biometria

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INSS Foto: INSS - Foto: rafastockbr/Shutterstock.com

s regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), passarão por mudanças significativas em 2025. As alterações incluem exigências como o cadastro biométrico obrigatório e a atualização periódica do Cadastro Único (CadÚnico). Essas medidas integram um pacote de ajuste fiscal aprovado pelo Congresso Nacional e visam garantir maior segurança e controle no acesso ao benefício. No entanto, as mudanças têm gerado incertezas, especialmente entre beneficiários que vivem em áreas remotas ou enfrentam dificuldades de locomoção.

O BPC/Loas é um benefício assistencial que garante um salário mínimo mensal a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência que enfrentam barreiras socioeconômicas. Para ter direito ao benefício, é necessário que a renda per capita da família seja inferior a um quarto do salário mínimo. Atualmente, esse valor corresponde a R$ 379,50. Além disso, os solicitantes e seus familiares precisam estar inscritos no CadÚnico e possuir CPF regularizado.

As novas regras, que entrarão em vigor ao longo de 2025, também incluem ajustes no processo de solicitação e manutenção do benefício, buscando modernizar o sistema e reduzir fraudes. No entanto, especialistas alertam para possíveis dificuldades na implementação das mudanças, principalmente em áreas de difícil acesso e com baixa infraestrutura tecnológica.

Mudanças no cadastro biométrico e seus desafios

A exigência do cadastro biométrico para todos os beneficiários é uma das mudanças mais significativas. O procedimento busca aumentar a segurança e evitar fraudes no sistema, mas pode trazer desafios para pessoas que residem em regiões afastadas ou que têm limitações de mobilidade. Para atender a essa demanda, o governo estabeleceu um prazo de seis meses, prorrogável por igual período, para que o cadastramento seja realizado em locais sem infraestrutura adequada.

O objetivo do cadastro biométrico é garantir que o benefício seja pago apenas a quem realmente tem direito, mas especialistas apontam que a medida exige um planejamento robusto para evitar exclusões indevidas. É essencial que o governo amplie os pontos de atendimento e desenvolva soluções móveis para alcançar áreas rurais e comunidades isoladas.

Atualização obrigatória do CadÚnico e impacto nos beneficiários

Outra mudança relevante é a obrigatoriedade de atualização do CadÚnico a cada dois anos. O cadastro é utilizado para verificar a elegibilidade ao BPC/Loas e outros programas sociais do governo federal. A atualização periódica permitirá maior integração de informações entre os órgãos públicos, reduzindo erros e inconsistências.

Casos como o de João Carlos Barbosa, um beneficiário de 67 anos que teve o pagamento do BPC/Loas bloqueado por um erro no sistema do INSS, ilustram a importância de um sistema de dados eficiente. João Carlos foi erroneamente identificado como uma pessoa falecida devido à semelhança do nome com outro indivíduo. O problema só foi resolvido após intervenção judicial, destacando a necessidade de um processo mais rigoroso e confiável.

Beneficiários com deficiência e os desafios de acesso

O pacote de ajuste fiscal inicialmente incluía uma regra que restringia o BPC/Loas a pessoas com deficiência moderada ou grave, excluindo aquelas com deficiências leves. Embora a medida tenha sido vetada pelo presidente, ela gerou preocupação entre grupos vulneráveis. Pessoas como Andreia Raquel, mãe de Rafael, de 10 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista, já enfrentam dificuldades para obter o benefício. A mãe relata que os altos custos das terapias do filho, somados ao processo demorado de análise do INSS, comprometem sua capacidade de oferecer o suporte necessário.

Casos emblemáticos de transição entre benefícios

Beneficiários que desejam migrar para outro benefício enfrentam desafios semelhantes. Maria das Graças Ramos, de 77 anos, é um exemplo dessa situação. Desde 2019, ela busca a concessão da pensão por morte de seu marido, mas enfrenta atrasos e negativas por parte do INSS. A pensão, considerada mais vantajosa por ser vitalícia e incluir o 13º salário, garantiria maior estabilidade financeira para Maria. No entanto, o processo judicial para liberar o benefício segue parado em Brasília.

Revisão do INSS e notificações para regularização

O INSS também intensificou o pente-fino nos cadastros do BPC/Loas. Beneficiários com informações desatualizadas ou inconsistências no CadÚnico foram notificados para regularizar a situação. O prazo para atendimento varia entre 30 e 90 dias, dependendo do tamanho do município. Beneficiários que não atenderem à notificação terão o pagamento bloqueado, mas poderão reativá-lo após a regularização.

Pontos mantidos no benefício após negociações

Apesar das mudanças implementadas, algumas regras foram mantidas após negociações no Congresso. Entre os pontos preservados estão:

  • Permissão para que mais de um membro da mesma família receba o BPC/Loas, desde que atendam aos requisitos.
  • Cálculo da renda per capita sem incluir outros benefícios previdenciários recebidos por membros da família.
  • Critérios mais amplos para avaliar a deficiência, considerando as barreiras enfrentadas pelo indivíduo, e não apenas a incapacidade de realizar atividades básicas.

Estatísticas sobre o BPC/Loas e sua relevância

O BPC/Loas é uma política pública essencial para milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade. Em 2024, mais de 5 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo programa, com um custo anual superior a R$ 70 bilhões. O benefício representa uma importante fonte de renda para famílias que enfrentam dificuldades financeiras e sociais.

Impacto das mudanças e expectativas para o futuro

As alterações no BPC/Loas em 2025 refletem um esforço para modernizar e aprimorar o programa, mas também trazem desafios que exigem atenção. É fundamental que o governo invista em infraestrutura, treinamento de profissionais e campanhas de conscientização para garantir que todos os beneficiários tenham acesso às novas regras sem prejuízos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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