Crise financeira do Corinthians: empresário Giuliano Bertolucci cobra R$ 78 milhões na JustiçaPor Thiago Lemos
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O Sport Club Corinthians Paulista atravessa uma das maiores crises financeiras de sua história recente. O clube enfrenta cinco processos judiciais movidos pelo empresário Giuliano Bertolucci, que totalizam uma cobrança de R$ 78 milhões. Essa dívida, acumulada ao longo das gestões dos ex-presidentes Roberto de Andrade, Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além do atual presidente Augusto Melo, impacta diretamente as finanças e o planejamento esportivo do clube.
Os valores cobrados por Bertolucci referem-se a diversas negociações realizadas nos últimos anos. Entre as dívidas estão contratos de aquisição de direitos econômicos de jogadores, empréstimos financeiros e intermediação de contratos. Com a aplicação de juros, multas e encargos, o valor da dívida mais que dobrou, agravando ainda mais a situação financeira do clube paulista.
O caso ganha relevância por envolver um dos empresários mais influentes do futebol mundial, conhecido por intermediar negociações milionárias e por ser responsável pela carreira de diversos atletas de renome internacional. O movimento de Bertolucci de ingressar na Justiça para cobrar o Corinthians é um reflexo das dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube nos últimos anos.
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— ge Corinthians (@ge_timao) January 9, 2025
Detalhamento das cobranças de Giuliano Bertolucci
Giuliano Bertolucci cobra o Corinthians por diferentes negociações que, juntas, totalizam um débito de R$ 78 milhões. O valor inclui juros e multas acumulados ao longo dos anos. Confira abaixo o detalhamento das dívidas:
- R$ 43,2 milhões: dívida referente à compra dos direitos econômicos do jogador Ramiro. O valor original da negociação era de R$ 26,4 milhões.
- R$ 24,57 milhões: empréstimo realizado por Bertolucci ao clube. O valor inicial do contrato de mútuo era de R$ 6 milhões.
- R$ 6,25 milhões: intermediação dos contratos dos jogadores Jô, Douglas Augusto e Léo Santos, além de direitos de imagem de Jô. Em 2021, o saldo dessa dívida era de R$ 3,82 milhões.
- R$ 3,72 milhões: intermediação da contratação do jogador Paulinho. O valor inicial era de R$ 2,8 milhões.
- R$ 322,4 mil: comissão referente à transferência do jogador Matheuzinho.
Essas cobranças fazem de Bertolucci o maior credor individual do Corinthians atualmente. Os valores elevados e a complexidade dos processos indicam que a situação financeira do clube está longe de ser resolvida.
A crise financeira e a relação com empresários
A crise financeira do Corinthians não é um problema recente. O clube tem acumulado dívidas com empresários e outros credores há anos, o que tem prejudicado sua capacidade de investimento e planejamento esportivo. Giuliano Bertolucci, por exemplo, sempre manteve uma relação próxima com o clube, intermediando a chegada de diversos jogadores importantes.
Outros empresários também têm grandes valores a receber do Corinthians. Entre os principais credores estão:
- Carlos Leite: R$ 62,5 milhões em créditos reconhecidos.
- André Cury: dívida de R$ 28,8 milhões.
- Paulo Pitombeira: empresário de Róger Guedes, com R$ 24,3 milhões a receber.
- Will Dantas: agente de Pedrinho, com uma dívida de R$ 16,4 milhões.
- Luisinho Piracicaba: créditos de R$ 9,55 milhões.
- Beto Rappa: R$ 9,25 milhões em dívidas.
Esses valores evidenciam que a dívida com empresários representa uma parcela significativa do passivo financeiro do clube.
Medidas adotadas pelo Corinthians para contornar a crise
Diante da pressão crescente dos credores, o Corinthians decidiu adotar algumas medidas para tentar reorganizar suas finanças. Em novembro de 2024, o clube apresentou à Justiça um pedido de adesão ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). Essa medida, prevista na Lei da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), permite que os clubes de futebol centralizem as dívidas cíveis em um único processo e apresentem um plano de pagamento coletivo.
Com o RCE, o Corinthians pretende:
- Evitar bloqueios de contas bancárias e penhoras que comprometam o funcionamento do clube.
- Reorganizar o fluxo financeiro para garantir que os compromissos com credores sejam cumpridos.
- Priorizar o pagamento de dívidas trabalhistas e fiscais.
- Manter as atividades esportivas sem grandes prejuízos.
O plano de pagamento apresentado pelo clube prevê a destinação de parte das receitas mensais para o pagamento das dívidas. No entanto, a eficácia dessa estratégia depende da capacidade do Corinthians em gerar receitas suficientes para honrar os compromissos assumidos.
Impacto no planejamento esportivo do clube
A crise financeira tem reflexos diretos no planejamento esportivo do Corinthians. O clube, que historicamente sempre esteve entre os maiores investidores do futebol brasileiro, tem enfrentado dificuldades para realizar contratações e reforçar o elenco.
Com recursos limitados, a diretoria tem priorizado acordos que não impliquem em grandes desembolsos imediatos. Isso tem afetado a competitividade do time em campo e gerado insatisfação na torcida, que cobra reforços e resultados melhores.
Nos últimos anos, o Corinthians perdeu jogadores importantes e não conseguiu repor peças à altura. A situação financeira delicada impede o clube de competir com outras equipes do Brasil e do exterior no mercado de transferências.
O histórico de dívidas acumuladas
A dívida do Corinthians com empresários não é um problema recente. Desde 2010, o clube tem acumulado débitos com agentes e empresas de intermediação. Em fevereiro de 2024, foi revelado que o clube devia R$ 217 milhões a sete empresários.
Entre os principais contratos não cumpridos estão:
- Empréstimos financeiros realizados por empresários para ajudar o clube em momentos de crise.
- Comissões de intermediação não pagas em transferências de jogadores.
- Direitos de imagem atrasados de atletas.
Esses contratos, firmados ao longo de diversas gestões, foram fundamentais para garantir a chegada de jogadores importantes ao clube, mas também contribuíram para o endividamento.
Perspectivas futuras e desafios do Corinthians
O Corinthians terá um longo caminho pela frente para resolver sua crise financeira. A adesão ao Regime Centralizado de Execuções é um passo importante, mas não será suficiente para resolver todos os problemas.
O clube precisa:
- Aumentar suas receitas: por meio de bilheteria, patrocínios, venda de jogadores e ações de marketing.
- Reduzir gastos desnecessários: evitando contratos inflacionados e renegociando dívidas.
- Melhorar a gestão financeira: adotando práticas de governança mais rígidas e transparentes.
O apoio da torcida será fundamental nesse processo. O Corinthians tem uma das maiores e mais fiéis torcidas do Brasil, que pode ser um diferencial para ajudar o clube a superar a crise.
Curiosidades sobre o empresário Giuliano Bertolucci
- Giuliano Bertolucci é considerado um dos empresários mais influentes do futebol mundial.
- Ele já intermediou negociações de jogadores como Oscar, Hulk e David Luiz.
- Bertolucci tem forte ligação com o mercado chinês, onde realizou diversas transações de alto valor.
- O empresário é próximo de Kia Joorabchian, outro nome influente no futebol.
- Sua empresa, Bertolucci Sports, tem sede em Londres.
Resumo das principais dívidas do Corinthians
- Dívida total com Bertolucci: R$ 78 milhões.
- Dívida com Carlos Leite: R$ 62,5 milhões.
- Dívida com André Cury: R$ 28,8 milhões.
- Dívida com Paulo Pitombeira: R$ 24,3 milhões.
- Dívida com Will Dantas: R$ 16,4 milhões.






