The Substance conquista 5 indicações ao Oscar e revoluciona o gênero de terror na premiação

Abertura em ritmo acelerado marcou a temporada de premiações deste ano, com destaque para o filme “The Substance”, dirigido por Coralie Fargeat e estrelado por Demi Moore. Lançado com uma proposta ousada de body horror, o longa surpreendeu ao garantir cinco indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor atriz. A trama, que mistura gore extremo com uma crítica ácida à misoginia e ao etarismo em Hollywood, não apenas conquistou público e crítica, mas também quebrou barreiras históricas ao colocar o terror no centro das atenções da Academia. Com um orçamento de 17,5 milhões de dólares e uma arrecadação global de 76 milhões, o sucesso comercial se soma ao impacto cultural, evidenciando a força do gênero em abordar temas profundos e atuais.
Demi Moore, aos 62 anos, vive um momento de redenção em sua carreira com o papel de Elisabeth Sparkle, uma estrela de Hollywood descartada pela indústria ao completar 50 anos. A indicação ao Oscar de melhor atriz, sua primeira em mais de quatro décadas de atuação, reflete o reconhecimento tardio de um talento que já brilhou em clássicos como “Ghost” e “G.I. Jane”. A transformação física e emocional exigida pelo papel, aliada aos efeitos visuais impactantes, posiciona a performance como uma das mais comentadas da temporada.
Enquanto isso, a presença de “The Substance” entre os indicados a melhor filme sinaliza uma mudança rara na percepção da Academia sobre o terror. Historicamente negligenciado, o gênero agora ganha espaço com uma narrativa que vai além do susto, oferecendo uma reflexão visceral sobre a pressão estética e o descarte de mulheres na indústria do entretenimento. A combinação de elementos grotescos e uma mensagem social potente tem gerado debates intensos entre os votantes.
Caminho até o Oscar: uma jornada de sangue e coragem
When the spotlight turned to “The Substance” no Festival de Cannes, poucos imaginavam que o filme se tornaria um marco na temporada de premiações. A estreia mundial foi recebida com aplausos fervorosos, e a ousadia de Coralie Fargeat ao explorar o body horror com uma perspectiva feminina chamou a atenção. A trama acompanha Elisabeth, que, após ser demitida por um executivo sexista interpretado por Dennis Quaid, recorre a uma droga experimental que promete criar uma versão jovem e “perfeita” de si mesma, vivida por Margaret Qualley. O resultado é uma espiral de violência física e psicológica, com cenas que desafiam os limites do espectador. A indicação de Fargeat a melhor direção a torna a única mulher na categoria este ano, um feito que reforça a relevância do filme.
Breaking barriers parece ser o lema desta produção. Além de melhor filme e direção, “The Substance” também foi reconhecido nas categorias de melhor roteiro original e melhor maquiagem e cabelo, esta última uma homenagem ao trabalho impressionante de próteses e efeitos especiais. A transformação de Moore em uma figura envelhecida e deformada, com detalhes como uma corcunda extrema e pele flácida, é um dos pontos altos do longa, enquanto Qualley brilha como a jovem Sue, carregando a arrogância da juventude em contraste com a vulnerabilidade de Elisabeth.
A ascensão do filme não foi sem obstáculos. O excesso de gore, com cenas como uma mulher emergindo de um corte nas costas de outra ou órgãos caindo de um macacão, afastou parte dos espectadores mais sensíveis. Mesmo assim, a bilheteria robusta e o boca a boca positivo provaram que o público está disposto a mergulhar nessa experiência única, especialmente por sua capacidade de misturar entretenimento com crítica social.
Por que o terror merece mais respeito na Academia?
Rarely has a horror film penetrated the Oscars com tanta força quanto “The Substance”. Em quase 100 anos de premiação, apenas sete filmes do gênero foram indicados a melhor filme, com “O Silêncio dos Inocentes” sendo o único a vencer, em 1991. A indicação de Fargeat como melhor diretora a coloca na mira de se tornar a segunda cineasta a ganhar o prêmio por um terror, seguindo os passos de Jonathan Demme. Já Moore, se triunfar, será a sétima atriz a conquistar um Oscar por uma atuação no gênero, um número que reflete o histórico de marginalização dessas produções pela Academia.
A resistência ao terror muitas vezes vem de sua associação com sustos baratos e violência gratuita, mas “The Substance” desafia esse preconceito. A narrativa explora a violência autoinfligida por Elisabeth e Sue como reflexo de uma sociedade que rejeita mulheres por sua idade ou aparência. A cena em que Moore, sem próteses, esfrega a pele enquanto aplica e remove maquiagem diante do espelho, é um dos momentos mais crus do filme, mostrando a dor de uma mulher que se vê pelos olhos de uma indústria cruel.
During the awards season, outros filmes de terror também deixaram sua marca, como “Nosferatu”, de Robert Eggers, que recebeu indicações técnicas, e “Longlegs”, com Nicolas Cage. Apesar disso, atores como Toni Collette, de “Hereditário”, e Lupita Nyong’o, de “Nós”, seguem como exemplos de performances memoráveis ignoradas em anos anteriores, evidenciando que a aceitação do gênero ainda tem um longo caminho a percorrer.
Cronologia do sucesso: do Festival de Cannes às nomeações
Tracking the journey of “The Substance” revela um trajeto impressionante. Aqui está um resumo dos principais marcos do filme até o Oscar:
- Maio: Estreia mundial em Cannes, com recepção calorosa e primeiras críticas elogiando a ousadia de Fargeat e a entrega de Moore.
- Setembro: Lançamento nos cinemas, alcançando 76 milhões de dólares em bilheteria mundial.
- Janeiro: Moore vence o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical, destacando em seu discurso a importância do reconhecimento ao terror.
- Fevereiro: Anúncio das cinco indicações ao Oscar, consolidando o filme como um dos favoritos da temporada.
A campanha de premiações foi impulsionada por eventos como o Critics Choice Awards, onde Moore também saiu vitoriosa, reforçando sua narrativa de retorno triunfal após anos de papéis menos expressivos.
Destaques grotescos que definem o filme
Visceral é a palavra que melhor descreve as cenas de “The Substance”. O filme não economiza em imagens perturbadoras, usadas para reforçar sua mensagem. Alguns dos momentos mais marcantes incluem:
- Uma sequência em que Elisabeth injeta a droga com uma agulha ameaçadora, seguida pela emergência de Sue de sua coluna partida.
- Órgãos soltos caindo de um macacão desabotoado, simbolizando a deterioração física da protagonista.
- A transformação final em “Monstro Elisasue”, uma criatura híbrida que explode em sangue e vísceras antes de dissolver em goo.
Esses elementos, combinados com a nudez prolongada e os close-ups de corpos femininos, dividiram opiniões. Enquanto alguns veem uma crítica à objetificação, outros questionam se o filme não acaba reproduzindo o olhar masculino que pretende condenar.
Impacto cultural e a voz de Demi Moore
At 62, Demi Moore emerges como um símbolo de resiliência em “The Substance”. Sua vitória no Globo de Ouro, em janeiro, foi um marco pessoal. Em seu discurso, ela lembrou como foi rotulada como “atriz de pipoca” no início da carreira, incapaz de ser levada a sério, e como o papel de Elisabeth Sparkle mudou essa percepção. A indicação ao Oscar, anunciada em fevereiro, é vista como um reconhecimento não apenas de sua atuação, mas de uma trajetória marcada por altos e baixos em Hollywood.
A força de Moore reside em sua vulnerabilidade exposta. A cena em que ela chora no chuveiro, sem maquiagem ou efeitos, contrasta com as transformações grotescas do filme, oferecendo um vislumbre da mulher por trás da estrela. Esse momento, desprovido de artifícios, é apontado como um dos mais poderosos da temporada.
O que torna “The Substance” único?
Beyond the gore, o filme se destaca por sua abordagem política. A crítica ao sexismo e ao etarismo em Hollywood ressoou com o público, especialmente mulheres que se identificam com a luta de Elisabeth para permanecer relevante. A escolha de Fargeat de exagerar o grotesco serve como um espelho hiperbólico da realidade, onde a pressão por juventude e beleza leva a extremos.
A indicação a melhor roteiro original celebra a habilidade de Fargeat em tecer uma história que é ao mesmo tempo um pesadelo visual e uma sátira mordaz. A colaboração com Moore e Qualley eleva o texto, com ambas entregando performances que oscilam entre o trágico e o absurdo.
Concorrência acirrada na reta final
Heading into the Oscars, “The Substance” enfrenta adversários de peso. Na categoria de melhor atriz, Moore compete com Cynthia Erivo, de “Wicked”, e Mikey Madison, de “Anora”, ambas elogiadas por suas atuações em filmes de gêneros distintos. Já em melhor filme, a disputa inclui títulos como “The Brutalist” e “Emilia Pérez”, que também abordam temas sociais complexos.
A categoria de direção coloca Fargeat contra nomes consagrados, enquanto a maquiagem e cabelo de “The Substance” rivaliza com o trabalho técnico de “Nosferatu”. A imprevisibilidade da votação mantém o suspense, mas a presença do terror entre os indicados já é vista como uma vitória por si só.
Legado do filme para o futuro do terror
Shifting perceptions about horror é um dos maiores feitos de “The Substance”. A indicação a cinco Oscars, anunciada em fevereiro, não apenas valida o trabalho de Fargeat e Moore, mas abre portas para que o gênero seja levado mais a sério. Diretores como Jordan Peele e M. Night Shyamalan já pavimentaram esse caminho, mas a abordagem visceral do body horror traz uma nova camada à discussão.
O sucesso do filme pode inspirar cineastas a explorar narrativas ousadas, sabendo que há espaço para reconhecimento além das categorias técnicas. Para Moore, o momento é uma chance de redefinir sua carreira, enquanto para o terror, é um passo rumo a uma aceitação mais ampla na elite de Hollywood.
