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Elias Gleizer o “Jairo Turíbio” em Tieta morreu aos 81 anos após queda em escada rolante e deixou legado na TV brasileira

Elias Gleizer em tieta
Elias Gleizer em tieta - Foto: reprodução TV globo

Elias Gleizer, conhecido por papéis marcantes como Jairo Turíbio na novela Tieta, faleceu em 2015, aos 81 anos, após um acidente que chocou o meio artístico. O ator, que nunca se casou nem teve filhos, sofreu uma queda em uma escada rolante, resultando em graves complicações de saúde. A reprise de Tieta na Globo, em exibição atualmente, reacende a memória de seu talento e trajetória, que atravessaram décadas na teledramaturgia brasileira. Filho de imigrantes judeus poloneses, Gleizer construiu uma carreira de 56 anos, deixando um legado de personagens inesquecíveis em mais de 50 produções, entre novelas, teatro e cinema.

A morte do ator, causada por falência circulatória decorrente de uma broncopneumonia, encerrou uma vida dedicada à arte. Internado após o acidente, ele enfrentou dias de luta no hospital devido à perfuração de um pulmão e à fratura de cinco costelas. Apesar da tragédia, sua história continua viva nas telas e na memória de fãs e colegas, como Bruno Gagliasso, que o chamou de “avô querido” em uma homenagem emocionada. A seguir, detalhes de sua trajetória e os desdobramentos desse episódio que marcou o fim de uma era.

Nascido em São Paulo, em 1934, Elias Gleizer — originalmente Ilicz Glejzer — encontrou no teatro e na televisão um espaço para expressar seu dom. Desde os 12 anos, quando foi convidado a atuar enquanto tocava violino em uma orquestra juvenil, ele trilhou um caminho que o levaria a ser um dos rostos mais reconhecidos da TV brasileira. Sem herdeiros diretos, seu legado é composto por papéis que tocaram gerações, como o carismático Vô Pepe, de Era uma Vez, e o Tio Zé, de Sonho Meu.

Início de uma carreira brilhante

Filho de um sapateiro polonês que fugiu da perseguição na Europa, Elias Gleizer teve uma infância simples em São Paulo. A música foi seu primeiro contato com a arte, incentivado pelo pai a estudar violino. Aos 12 anos, enquanto se apresentava em uma orquestra, um diretor de teatro percebeu seu potencial e o convidou para atuar. Esse momento mudou sua vida. Anos depois, em 1956, ele conquistou o prêmio de melhor ator em um festival amador, um reconhecimento que abriu as portas para a televisão. Em 1959, estreou na TV Tupi, onde permaneceu por quase duas décadas, participando de 25 novelas, como Nino, o Italianinho (1969) e Simplesmente Maria (1989).

Após o fechamento da Tupi em 1980, Gleizer passou por emissoras como Bandeirantes e SBT antes de chegar à Globo, onde consolidou sua fama. Na emissora carioca, foram mais de 25 produções, incluindo sucessos como Explode Coração (1995) e Sinhá Moça (2006). Seu carisma e versatilidade o tornaram uma presença constante nas telas, muitas vezes interpretando figuras paternas ou religiosas — ele chegou a fazer dez padres em novelas, algo que mencionava com humor em entrevistas.

O ator também marcou presença no cinema e no teatro, mas foi na televisão que alcançou o auge. Papéis como o Jairo de Tieta, atualmente reprisado, mostram sua capacidade de dar vida a personagens complexos e cativantes. Sua dedicação à profissão era tanta que, mesmo sem formar uma família, ele se via realizado na arte, como revelou em depoimentos ao Memória Globo.

Sucesso e carinho do público

Elias Gleizer conquistou o público com interpretações que misturavam ternura e autenticidade. Na Globo, seus papéis mais lembrados incluem o Tio Zé, de Sonho Meu (1993), e o Vô Pepe, de Era uma Vez (1998), que se tornaram ícones para o público infantil. Em Tieta (1989), seu Jairo Turíbio trouxe leveza e humor à trama, enquanto em Caminho das Índias (2009) ele emocionou como o avô de Bruno Gagliasso. A associação com figuras de avô ou padre era tão forte que o próprio ator brincava sobre isso, destacando sua versatilidade em papéis religiosos.

Além das novelas, Gleizer participou de minisséries como Chiquinha Gonzaga (1999) e de produções mais recentes, como Flor do Caribe (2013). Seu último trabalho foi uma participação especial em Boogie Oogie (2014), onde viveu um relojoeiro. Ao longo de 56 anos de carreira, ele acumulou um repertório impressionante, transitando entre gêneros e gerações com naturalidade.

A ausência de uma vida familiar tradicional não diminuía seu brilho. Em entrevistas, ele dizia que suas “crianças” eram os personagens e os colegas de cena. “Tenho cara de vovô, mas fiz mais padres que avôs”, comentava, rindo, ao relembrar os mais de dez religiosos que interpretou na TV.

Acidente fatal e despedida

Em maio de 2015, a vida de Elias Gleizer tomou um rumo trágico. Durante um deslocamento, o ator caiu em uma escada rolante, sofrendo um acidente que resultou em fraturas graves. Cinco costelas quebradas e um pulmão perfurado o levaram à internação imediata. Apesar dos esforços médicos, ele desenvolveu broncopneumonia, uma complicação respiratória que evoluiu para falência circulatória. No dia 16 de maio, aos 81 anos, Gleizer faleceu, deixando amigos, fãs e colegas em luto.

O sepultamento ocorreu no Cemitério Israelita de Vilar dos Teles, no Rio de Janeiro, em uma cerimônia discreta, mas marcada por homenagens. Bruno Gagliasso, que contracenou com ele em Caminho das Índias, publicou uma mensagem emocionada nas redes sociais, chamando-o de “meu avô querido” e lamentando sua partida. Outros artistas, como atores e diretores que trabalharam com Gleizer, também expressaram tristeza e admiração pelo legado deixado.

A seguir, alguns marcos da carreira de Elias Gleizer em forma de lista para destacar sua trajetória:

  • Estreia na TV Tupi em 1959, com 25 novelas na emissora.
  • Papéis icônicos como Jairo Turíbio (Tieta) e Vô Pepe (Era uma Vez).
  • Participação em mais de 50 produções entre TV, teatro e cinema.
  • Último trabalho em Boogie Oogie (2014), como relojoeiro.

Cronologia de uma vida dedicada à arte

A trajetória de Elias Gleizer pode ser resumida em momentos-chave que mostram sua evolução como artista. Nascido em 1934, ele começou no teatro aos 12 anos e, em 1956, já recebia prêmios por sua atuação. Sua estreia na TV veio em 1959, e ao longo das décadas seguintes ele se tornou um nome indispensável na teledramaturgia. Aqui, um breve cronograma de sua carreira:

  • 1934: Nascimento em São Paulo, filho de imigrantes judeus poloneses.
  • 1946: Primeiro contato com o teatro, via orquestra juvenil.
  • 1956: Prêmio de melhor ator em festival amador.
  • 1959: Estreia na TV Tupi.
  • 1989: Sucesso como Jairo Turíbio em Tieta.
  • 2014: Última aparição em Boogie Oogie.
  • 2015: Falecimento aos 81 anos.

Esses marcos ilustram como Gleizer transformou oportunidades em uma carreira sólida, marcada por persistência e talento.

Impacto na teledramaturgia brasileira

A morte de Elias Gleizer foi um golpe para a televisão brasileira, que perdeu um de seus atores mais carismáticos. Sua habilidade de interpretar figuras paternas trouxe calor a tramas como Sonho Meu e Anjo de Mim (1996), enquanto sua versatilidade o levou a papéis variados, de padres a relojoeiros. Em 56 anos de atuação, ele trabalhou com gerações de artistas, deixando uma marca que vai além das telas.

O acidente que o vitimou também levanta questões sobre segurança em espaços públicos. Escadas rolantes, embora comuns, podem representar riscos, especialmente para idosos. No caso de Gleizer, a gravidade das lesões sofridas mostra como um incidente aparentemente simples pode ter consequências fatais. Sua partida precoce interrompeu uma carreira ainda ativa, já que ele seguia em produções até o ano anterior à morte.

Com a reprise de Tieta, o público tem a chance de revisitar um dos papéis mais queridos de Gleizer. A novela, exibida originalmente em 1989, mantém sua relevância e destaca o talento de um ator que, mesmo sem família própria, construiu um legado de afeto e admiração na TV brasileira.

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