A partir de 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dará início a uma nova etapa do pente-fino, revisando cerca de 800 mil benefícios por incapacidade, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. O objetivo é verificar se os segurados ainda cumprem os requisitos legais para manter os pagamentos, em um esforço do governo para conter gastos previdenciários e direcionar recursos apenas a quem realmente necessita. A medida, que já foi aplicada em anos anteriores com resultados significativos, reacende o alerta para beneficiários que podem enfrentar cortes caso não atendam às exigências do processo.
Nos últimos anos, revisões semelhantes trouxeram impactos expressivos. Em 2019, por exemplo, mais de 260 mil benefícios foram suspensos após análises que identificaram irregularidades ou condições de saúde superadas. Para 2025, o INSS planeja usar tecnologia avançada, como cruzamento de dados com o Cadastro Único (CadÚnico) e sistemas de saúde, para acelerar a identificação de possíveis inconsistências. A convocação será feita por carta, SMS oficial (número 28041) ou notificação no aplicativo Meu INSS, e os segurados terão entre 45 e 90 dias para apresentar a documentação exigida, sob pena de suspensão dos pagamentos.
A operação abrange todo o território nacional, com maior concentração em estados populosos como São Paulo e Minas Gerais, onde o número de beneficiários é elevado. Para evitar transtornos, especialistas recomendam que os segurados mantenham dados atualizados no sistema do INSS e preparem laudos médicos recentes. A falta de resposta ou documentos insuficientes pode levar ao cancelamento definitivo do benefício, afetando diretamente a renda de milhares de famílias.
Quem está na mira da revisão de benefícios
Nem todos os beneficiários serão convocados, mas o INSS definiu alvos claros para o pente-fino de 2025. O foco está em três grupos principais: os recebedores do BPC que não atualizaram o CadÚnico há mais de 48 meses ou que não estão inscritos no sistema; os segurados do auxílio-doença que recebem o benefício há mais de dois anos sem reavaliação médica; e os aposentados por invalidez que não passaram por perícia nos últimos cinco anos. Esses critérios visam identificar casos em que a condição de incapacidade pode ter mudado ou onde há falhas cadastrais.
O BPC, que beneficia cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo idosos acima de 65 anos e indivíduos com deficiência em situação de vulnerabilidade, é um dos mais visados. Estima-se que 20% desses beneficiários possam estar com dados desatualizados, o que os coloca em risco imediato. Já o auxílio-doença, pago a trabalhadores temporariamente incapacitados, tem preocupado o INSS devido à ausência de perícias regulares, que deveriam confirmar a continuidade da necessidade do benefício.
No caso das aposentadorias por invalidez, atualmente concedidas a cerca de 1,2 milhão de brasileiros, a revisão busca atualizar informações sobre a saúde dos segurados. Muitos não passam por avaliação há anos, e o INSS quer verificar se a incapacidade persiste ou se houve recuperação parcial ou total. A tecnologia será aliada nesse processo, mas a responsabilidade de comprovar a condição recai sobre o beneficiário.
Como funciona o processo de convocação
O INSS adotará múltiplos canais para notificar os segurados em 2025. As convocações serão enviadas por carta ao endereço registrado, por mensagem SMS do número oficial 28041 e por alertas no aplicativo Meu INSS. Manter os dados de contato atualizados é essencial, já que a falta de resposta no prazo estipulado — que varia entre 45 e 90 dias — pode resultar na suspensão do benefício. Em alguns casos, o extrato bancário também trará avisos sobre a necessidade de revisão.
Após receber a notificação, o segurado deve acessar o Meu INSS com CPF e senha gov.br para verificar as pendências. Se for exigida perícia médica, o agendamento pode ser feito diretamente na plataforma, selecionando data e agência mais próxima. Para beneficiários do BPC, a atualização do CadÚnico deve ser realizada presencialmente no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município, um passo que não pode ser ignorado.
A preparação para a perícia é outro ponto crítico. Documentos como laudos médicos emitidos nos últimos seis meses, exames detalhados (raio-x, tomografia, etc.) e receitas de medicamentos são fundamentais. A ausência de provas atualizadas pode levar o perito a concluir que a incapacidade não existe mais, resultando em corte imediato. O processo exige organização e rapidez para evitar surpresas.
Documentação necessária para passar na perícia
Apresentar uma documentação robusta é a principal defesa contra o corte de benefícios. O INSS exige que os convocados levem à perícia médica itens como laudos recentes assinados por especialistas, exames clínicos que mostrem a extensão da incapacidade e receituários que comprovem tratamentos em curso. Relatórios de internações ou cirurgias recentes também podem ser incluídos para reforçar o caso.
A recomendação é que todos os documentos tenham menos de seis meses de emissão, garantindo que reflitam a condição atual do segurado. Para o BPC, além dos comprovantes médicos, é obrigatório apresentar o CadÚnico atualizado, já que o benefício depende de critérios de renda e vulnerabilidade social. A falta de qualquer item essencial pode comprometer a avaliação, aumentando o risco de suspensão.
Organizar esses papéis com antecedência é uma estratégia inteligente. Muitos beneficiários enfrentam dificuldades para obter laudos ou exames no curto prazo, especialmente no SUS, onde a demanda é alta. Por isso, agir assim que a notificação chegar — ou mesmo antes, se houver suspeita de convocação — pode fazer toda a diferença no resultado da revisão.
Calendário do pente-fino em 2025
O INSS estruturou o pente-fino de 2025 em fases ao longo do ano, com metas claras para atingir os 800 mil benefícios revisados:
- Janeiro a março: envio das primeiras convocações, priorizando casos com maior tempo sem perícia ou atualização;
- Abril a junho: realização das perícias iniciais e análise dos primeiros recursos;
- Julho a setembro: revisão de casos pendentes e novas convocações;
- Outubro a dezembro: finalização do processo e ajustes nos pagamentos.
O cronograma pode variar conforme a capacidade das agências e o volume de respostas. Regiões com alta densidade de segurados, como o Sudeste, devem concentrar esforços nos primeiros meses. O INSS alerta que atrasos na resposta ou na apresentação de documentos não prorrogam os prazos, reforçando a necessidade de atenção ao calendário.
O que fazer se o benefício for cortado
Perder o benefício após o pente-fino não é o fim da linha. Caso o pagamento seja suspenso, o segurado tem 30 dias para recorrer da decisão diretamente no Meu INSS, anexando novos documentos que comprovem a incapacidade ou regularidade cadastral. O recurso é analisado pelo próprio INSS, e a resposta pode demorar até 60 dias.
Se o recurso for negado, a alternativa é buscar a Justiça. Em 2023, cerca de 15% dos benefícios cortados em revisões anteriores foram restabelecidos por decisões judiciais, o que mostra que a via legal pode ser eficaz. No entanto, o processo exige tempo e, muitas vezes, assistência de um advogado, o que gera custos adicionais para quem já está sem renda.
Para evitar chegar a esse ponto, a prevenção é fundamental. Manter o CadÚnico em dia, checar regularmente o Meu INSS e ter um arquivo organizado com laudos médicos atualizados são medidas que reduzem o risco de corte. A proatividade pode ser a diferença entre manter ou perder o benefício.
Dicas práticas para segurados
Evitar problemas no pente-fino exige cuidados simples, mas essenciais. Aqui estão algumas orientações úteis:
- Atualize o CadÚnico regularmente, especialmente se recebe o BPC;
- Monitore o Meu INSS para notificações e pendências;
- Guarde laudos, exames e receitas dos últimos seis meses em local acessível;
- Responda às convocações dentro do prazo, mesmo que precise de ajuda para isso.
Essas ações minimizam o risco de suspensão e facilitam o atendimento às exigências do INSS. Para idosos ou pessoas com dificuldade de acesso à internet, contar com o suporte de familiares ou do CRAS é uma solução prática e eficaz.

