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Bap expõe dívidas de R$ 56 milhões e aciona clubes na Fifa por inadimplência com o Flamengo

Flamengo
Flamengo - Foto: A.RICARDO / Shutterstock.com

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, trouxe à tona uma situação financeira preocupante no clube. Em uma reunião com conselheiros realizada na última quinta-feira, ele revelou que encontrou uma inadimplência de R$ 56,2 milhões sem qualquer tentativa de cobrança por parte da gestão anterior. Esse montante envolve dívidas de clubes brasileiros e europeus relacionadas a negociações de jogadores, muitas delas sem ação formal na Fifa até agora. Bap deixou claro que sua gestão não pretende facilitar a vida dos inadimplentes e já acionou as equipes devedoras na entidade máxima do futebol, exigindo o pagamento com multas e juros.

Com 80 dias à frente do Rubro-Negro, o dirigente detalhou casos emblemáticos que exemplificam o problema. Jogadores como Daniel Cabral, André Luiz e Igor Jesus, formados nas categorias de base do clube, foram negociados com times do exterior, mas os valores acordados não chegaram aos cofres do Flamengo. A postura firme de Bap foi resumida em uma frase que ecoou entre os presentes: “Não deva ao Flamengo que a gente expõe seu nome”. A declaração reforça a intenção de tornar pública a situação dos devedores como forma de pressão.

Entre os exemplos citados, está o caso do Internacional, que ainda deve R$ 4 milhões pela compra de Thiago Maia, e clubes portugueses como Estrela Amadora e Leixões, envolvidos em transações que somam milhões de euros não pagos. A gestão atual busca reverter esse cenário, que considera reflexo de uma administração negligente no passado, e promete medidas duras para recuperar os valores devidos ao Flamengo.

Detalhes das dívidas reveladas por Bap

Casos de inadimplência na Europa e no Brasil

A exposição das dívidas feita por Bap trouxe números e nomes que chamaram a atenção. Um dos casos mais gritantes envolve o meia Daniel Cabral, que tinha contrato com o Flamengo até outubro deste ano e foi liberado sem custos para o Estrela Amadora, de Portugal, em maio de 2024. O jogador, que integrou seleções de base do Brasil, saiu sem gerar retorno financeiro, algo que o presidente classificou como um erro grave da gestão anterior. Outro exemplo é o de André Luiz, vendido ao mesmo Estrela Amadora por 500 mil euros em abril de 2024 e depois revendido ao Rio Ave por 720 mil euros, mas o Flamengo não viu nenhum centavo desses valores.

Igor Jesus, atualmente no Los Angeles FC, também está na lista. Negociado inicialmente com o Estrela Amadora por 2 milhões de euros em agosto de 2024, ele foi repassado ao clube americano por 1,8 milhão de euros adicionais. Dos 3,6 milhões de euros que o Flamengo deveria receber, apenas 200 mil euros foram pagos. Bap destacou que o Estrela Amadora e o Leixões, ambos controlados pelo mesmo dono, não ofereceram garantias de pagamento, e as gestões passadas não tomaram medidas para cobrar os valores na Fifa.

No Brasil, o Internacional aparece como um dos principais devedores. A transferência de Thiago Maia, em junho de 2024, foi acertada por 4 milhões de euros, mas o pagamento não foi concluído. O Flamengo chegou a notificar o Colorado na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF em novembro do ano passado, mas a dívida segue em aberto. Recentemente, o Rubro-Negro bloqueou uma tentativa de revenda do jogador ao Santos, exigindo garantias bancárias que não foram apresentadas.

Valores que escaparam do Flamengo

Somando todas as transações citadas por Bap, o Flamengo deixou de receber 9,9 milhões de euros de um total de 10,1 milhões de euros negociados apenas nos casos detalhados. Isso inclui ainda Werton e Gabriel Noga, transferidos ao Leixões por 1 milhão e 100 mil euros, respectivamente, em julho de 2024, sem que o clube carioca recebesse os valores. Outro caso é o de Diego dos Santos, liberado sem custo ao Paços Ferreira, também em Portugal, no mesmo mês. A gestão anterior não acionou nenhum desses clubes na Fifa, o que permitiu que a inadimplência se acumulasse.

A cifra de R$ 56,2 milhões, segundo Bap, engloba outras dívidas além das especificadas, mas os exemplos apresentados já mostram o tamanho do problema. Ele afirmou que o clube vendeu jogadores por cerca de 10 milhões de euros no último ano, mas recebeu apenas 200 mil euros. Essa disparidade motivou a decisão de acionar os devedores na Fifa, com a inclusão de multas e juros para compensar as perdas. A medida é vista como um recado claro: o Flamengo não aceitará mais prejuízos silenciosos.

Medidas adotadas pela nova gestão

Ações na Fifa e pressão pública

Diante do cenário herdado, a gestão de Bap agiu rapidamente. Todos os clubes europeus inadimplentes foram notificados na Fifa, com processos abertos para cobrança dos valores devidos, acrescidos de penalidades financeiras. A estratégia visa não apenas recuperar o dinheiro, mas também estabelecer um precedente para futuras negociações. O presidente enfatizou que não haverá acordos ou descontos, reforçando uma postura rígida contra os devedores. A exposição pública dos nomes dos clubes, como Estrela Amadora, Leixões e Internacional, é parte dessa tática para aumentar a pressão.

Além disso, o Flamengo tem usado sua influência em negociações recentes para proteger seus interesses. No caso de Thiago Maia, o clube vetou a transferência do jogador do Internacional para o Santos por falta de garantias bancárias, mesmo não sendo mais dono dos direitos do atleta. A ação foi interpretada internamente como uma forma de alertar outros clubes sobre as consequências de não honrar compromissos com o Rubro-Negro.

Cronograma das negociações problemáticas

Para entender a dimensão do problema, é útil observar o calendário das transações que geraram a inadimplência:

  • Abril de 2024: André Luiz é vendido ao Estrela Amadora por 500 mil euros; revenda ao Rio Ave por 720 mil euros não é paga ao Flamengo.
  • Maio de 2024: Daniel Cabral é liberado ao Estrela Amadora sem custos.
  • Junho de 2024: Thiago Maia é transferido ao Internacional por 4 milhões de euros, valor não pago.
  • Julho de 2024: Werton (1 milhão de euros) e Gabriel Noga (100 mil euros) são negociados com o Leixões; Diego dos Santos vai ao Paços Ferreira sem custo.
  • Agosto de 2024: Igor Jesus é vendido ao Estrela Amadora por 2 milhões de euros e revendido ao Los Angeles FC por 1,8 milhão de euros, com apenas 200 mil euros pagos ao Flamengo.

Esse cronograma mostra que as perdas se concentraram em um período de cinco meses, evidenciando falhas na gestão anterior na condução das transferências e na cobrança dos valores.

Impactos e próximos passos

Prejuízo financeiro e lições para o futuro

O impacto dos R$ 56,2 milhões não recebidos vai além dos números. Para um clube como o Flamengo, que tem uma das maiores arrecadações do futebol brasileiro, a perda representa recursos que poderiam ser investidos em contratações, infraestrutura ou na base. A saída de jogadores como Daniel Cabral e Igor Jesus sem retorno financeiro é especialmente sensível, já que ambos passaram anos sendo formados no Ninho do Urubu, o centro de treinamento rubro-negro. Bap classificou essas negociações como um desperdício do potencial econômico da base do clube.

A gestão atual planeja revisar os processos de transferência para evitar que situações semelhantes se repitam. Isso inclui a exigência de garantias mais sólidas em contratos internacionais e um acompanhamento mais rigoroso das parcelas devidas. A experiência com o Estrela Amadora e o Leixões, que pertencem ao mesmo grupo empresarial, também levanta a necessidade de maior investigação sobre a estrutura de propriedade dos clubes compradores antes de fechar negócios.

Clubes devedores em alerta

A postura de Bap coloca os clubes inadimplentes em uma posição delicada. Com os processos na Fifa em andamento, equipes como Internacional, Estrela Amadora e Leixões podem enfrentar sanções caso não regularizem suas dívidas. As penalidades previstas pela entidade incluem multas adicionais, proibição de registrar novos jogadores ou até perda de pontos em competições, dependendo da gravidade e da reincidência. Para o Flamengo, o objetivo é claro: recuperar o que é devido e enviar uma mensagem ao mercado de que o clube não tolerará mais descumprimentos.

No cenário nacional, o caso de Thiago Maia mantém o Internacional sob os holofotes. A notificação na CNRD e o bloqueio da negociação com o Santos mostram que o Flamengo está disposto a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger seus interesses. A relação entre os dois clubes, que já foi marcada por rivalidade em campo, agora ganha um novo capítulo nos bastidores do futebol brasileiro.

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