Prefeito Fuad Noman falece em BH: Álvaro Damião assume após 80 dias de internação
A cidade de Belo Horizonte perdeu seu prefeito, Fuad Noman, nesta quarta-feira, 26 de março, aos 77 anos, após mais de 80 dias internado no Hospital Mater Dei, na Região Centro-Sul da capital mineira. Ele enfrentava complicações de um linfoma não-Hodgkin testicular, diagnosticado em 2024, que, mesmo em remissão, deixou sequelas graves em seu sistema imunológico. A morte, registrada às 11h27, foi causada por uma parada cardiorrespiratória seguida de choque cardiogênico, agravada por comorbidades como arritmia cardíaca e insuficiência renal aguda. Com o falecimento de Noman, que assumiu a prefeitura em março de 2022 e foi reeleito em 2024 com 53,73% dos votos, o vice-prefeito Álvaro Damião, do União Brasil, toma posse definitiva do cargo, encerrando um período de gestão interina iniciado em 3 de janeiro.
Desde sua última internação, em janeiro, Fuad Noman não pôde exercer suas funções, deixando a administração municipal nas mãos de Damião. A posse virtual do prefeito, realizada em 1º de janeiro de 2025, já sinalizava a gravidade de seu estado de saúde, comprometido por um tratamento quimioterápico intenso e danos neurológicos progressivos. Na noite de terça-feira, 25 de março, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória, foi reanimado, mas evoluiu para um quadro irreversível. A substituição definitiva por Álvaro Damião marca o fim de uma gestão interrompida por uma doença que consumiu os últimos meses de vida do prefeito, conhecido por sua dedicação à capital mineira.
A transição para o novo comando ocorre em um momento de luto e desafios administrativos. Eleito ao lado de Noman na chapa de 2024, Damião assume com a tarefa de dar continuidade aos projetos planejados para o mandato, como obras de infraestrutura e melhorias na saúde pública. A morte de Fuad Noman, após uma campanha eleitoral marcada por sua luta contra o câncer, deixa um vazio político em Belo Horizonte, enquanto a prefeitura se organiza para oficializar a posse do vice, que já vinha atuando desde o início do ano.
Declínio da saúde e impacto na gestão
Fuad Noman enfrentou uma deterioração rápida de sua condição nos últimos meses. O linfoma não-Hodgkin, identificado em meados de 2024, foi tratado com quimioterapia, alcançando remissão no final do ano passado. Contudo, os efeitos colaterais debilitaram seu sistema imunológico, abrindo espaço para complicações como pneumonia, sinusite e danos neurais periféricos. Esses problemas resultaram em dificuldades para falar, engolir e se movimentar, culminando em uma internação prolongada que começou em 3 de janeiro, apenas dois dias após a posse virtual.
Nos estágios finais, o quadro de Noman agravou-se com uma parada cardiorrespiratória na noite de 25 de março. A equipe médica do Hospital Mater Dei conseguiu reanimá-lo temporariamente, mas a insuficiência renal aguda e o choque cardiogênico que se seguiram tornaram a recuperação impossível. Medicamentos vasoativos e inotrópicos foram usados em doses elevadas para tentar estabilizar sua circulação, mas o coração, já comprometido pela arritmia, não resistiu. A substituição por Álvaro Damião, que vinha gerindo a cidade interinamente, foi formalizada após a confirmação da morte.
A campanha eleitoral de 2024, conduzida em meio ao tratamento contra o câncer, foi apontada como um fator que acelerou o desgaste físico de Noman. Mesmo assim, ele derrotou Bruno Engler no segundo turno, com 53,73% dos votos válidos, consolidando sua legitimidade como prefeito eleito. Sua ausência do cargo desde janeiro, porém, abriu caminho para que Damião assumisse um papel central na administração, uma transição que agora se torna permanente com o falecimento.
Cronologia dos eventos até a substituição
Os principais momentos que marcaram a saúde de Fuad Noman e a substituição por Álvaro Damião incluem:
- Julho de 2024: Diagnóstico de linfoma não-Hodgkin e início do tratamento.
- Outubro de 2024: Vitória nas eleições municipais contra Bruno Engler.
- 1º de janeiro de 2025: Posse virtual como prefeito reeleito.
- 3 de janeiro de 2025: Internação na UTI com insuficiência respiratória; Damião assume interinamente.
- 25 de março de 2025: Parada cardiorrespiratória e complicações finais.
- 26 de março de 2025: Morte às 11h27 e substituição definitiva por Álvaro Damião.
Álvaro Damião à frente da prefeitura
Com a morte de Fuad Noman, Álvaro Damião assume oficialmente a prefeitura de Belo Horizonte em um cenário de comoção e continuidade administrativa. Aos 47 anos, Damião é advogado e político experiente, com passagem pela Câmara Municipal antes de ser eleito vice-prefeito na chapa de Noman. Desde janeiro, ele vinha conduzindo a gestão interina, enfrentando desafios como chuvas intensas no início do ano e a elaboração do orçamento municipal para 2025. Sua posse definitiva ocorre sem necessidade de novas eleições, conforme prevê a legislação brasileira, já que o vice integra a chapa eleita.
A gestão de Damião terá de lidar com as expectativas deixadas por Noman, que planejava investimentos em mobilidade urbana e saúde pública para o novo mandato. Nos últimos meses, o vice-prefeito já participava de reuniões com secretários e lideranças locais, garantindo a continuidade de serviços essenciais. A morte de Noman, no entanto, impõe um novo ritmo à administração, que deve equilibrar o luto oficial com a execução de projetos em andamento, como a revitalização de praças e a expansão de corredores de transporte.
A experiência prévia de Damião na política local é vista como um ponto positivo para sua adaptação ao cargo. Durante os 80 dias de interinidade, ele manteve diálogo com vereadores e representantes da sociedade civil, sinalizando uma gestão colaborativa. A transição definitiva, agora confirmada, coloca sobre seus ombros a responsabilidade de honrar o legado de Noman enquanto imprime sua própria marca na administração da capital mineira.
Repercussão da morte e substituição
A notícia do falecimento de Fuad Noman abalou Belo Horizonte e reverberou entre aliados e adversários políticos. Bruno Engler, que disputou o segundo turno contra Noman em 2024, expressou condolências e reconheceu a dedicação do prefeito à cidade, apesar das divergências na campanha. Lideranças do PSD, partido de Noman, lamentaram a perda de um gestor experiente e destacaram sua vitória eleitoral como prova de sua conexão com a população. A substituição por Álvaro Damião foi recebida com expectativa por parte da classe política, que agora observa como o novo prefeito conduzirá os rumos da capital.
A população também sentiu o impacto da morte. Moradores de diferentes regiões de Belo Horizonte lembraram a postura acessível de Noman, que, mesmo em pouco tempo de mandato efetivo, deixou uma imagem de comprometimento. Sua luta contra o câncer, amplamente acompanhada durante a campanha, gerou empatia entre os eleitores, que agora se despedem de um líder eleito por mais de 50% dos votos válidos. A posse definitiva de Damião, por outro lado, traz um misto de continuidade e incerteza, enquanto a cidade se adapta à nova liderança.
Detalhes finais do quadro de Noman
Nos últimos dias de vida, Fuad Noman já não apresentava sinais de consciência. A infiltração neural causada pelo linfoma comprometeu seu sistema nervoso, levando a uma perda generalizada de funções motoras e cognitivas. A traqueostomia, realizada para auxiliar na respiração, foi um dos últimos procedimentos antes do colapso final. A parada cardiorrespiratória do dia 25 de março, seguida de insuficiência renal, marcou o início do fim, com o choque cardiogênico selando seu destino na manhã seguinte.
O uso intensivo de medicamentos para sustentar a pressão arterial e a força cardíaca reflete a gravidade do estado de Noman. A arritmia, uma condição preexistente, agravou ainda mais o quadro, enquanto o sistema imunológico debilitado não conseguiu combater as complicações sistêmicas. A substituição por Álvaro Damião, embora já prevista desde janeiro, ganha agora caráter definitivo, encerrando um capítulo na história política de Belo Horizonte.
Legado interrompido e nova liderança
A morte de Fuad Noman interrompe uma trajetória de décadas na vida pública. Economista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, ele passou por cargos como o Banco Central e a Secretaria de Estado de Fazenda antes de chegar à prefeitura. Sua gestão, iniciada em 2022 como substituto de Alexandre Kalil, foi marcada por esforços para estabilizar as finanças municipais. A reeleição em 2024, conquistada em meio a uma batalha contra o câncer, reforçou sua popularidade, mas a doença o impediu de cumprir o mandato.
Álvaro Damião, agora prefeito, assume com o desafio de dar sequência aos planos de Noman enquanto enfrenta as demandas de uma capital em transformação. A prefeitura declarou luto oficial, e homenagens ao ex-prefeito estão sendo organizadas por lideranças locais. A substituição, formalizada após a morte, abre um novo ciclo em Belo Horizonte, que se despede de Noman e acolhe Damião como seu novo gestor.
Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração








