Delegada Maria Corsato é investigada após irmã encontrar R$ 1,8 milhão em pufe em Santo André

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Maria Corsato - Reprodução Foto: Maria Corsato - Reprodução

Maria Corsato é investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil após a irmã encontrar cerca de R$ 1,8 milhão escondidos em um pufe na casa dela, em Santo André. A contagem oficial registrou R$ 1.246.150 em reais, US$ 120 mil e € 12.675. A Secretaria da Segurança Pública confirmou a apreensão e a abertura de inquérito policial e procedimento correcional para apurar a origem dos valores e eventual responsabilidade criminal e administrativa da delegada.

A irmã acionou a Polícia Militar por volta das 14h30 do sábado (24 de outubro de 2026). Ela abriu o fundo do móvel com uma faca na residência do bairro Vila Scarpelli e encontrou os pacotes de cédulas e anotações. A ocorrência foi comunicada ao 2º Distrito Policial de Santo André e encaminhada à Corregedoria porque envolve uma delegada. Agentes tentaram localizar Maria Corsato na residência dela, mas não a encontraram.

Irmã aciona PM e Corregedoria conta R$ 1,25 milhão no pufe

O pufe media cerca de 50 centímetros de largura por 50 de comprimento. Policiais preservaram o local para perícia. Além das cédulas, apreenderam papéis com anotações que, segundo agentes, registravam entradas e saídas de dinheiro em espécie. Os valores foram acondicionados em sacos lacrados e levados à Corregedoria, onde a contagem foi feita. A SSP informou que as quantias serão encaminhadas para depósito judicial.

Maria Aparecida Rezende Corsato atua no 27º Distrito Policial, no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo. Ela tem mais de 30 anos de carreira na Polícia Civil. Nas eleições de 2026, concorreu a deputada estadual pelo União Brasil, recebeu 12.713 votos e ficou como suplente. Declarou patrimônio de R$ 2,87 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral.

dinheiro escondido em pufe - Reprodução/Polícia Civil
dinheiro escondido em pufe – Reprodução/Polícia Civil

Maria Corsato afirma que valor é herança de tia não partilhada

Em nota, a delegada afirmou que o dinheiro pertence a uma herança ainda não partilhada de uma tia, encontrada em 2023 e que estava em posse da irmã. “O episódio ocorreu alguns dias após ela ter ido ao local de trabalho do meu cunhado e provocado um escândalo. Como fiquei ao lado dele, ela se desentendeu comigo”, declarou. “Infelizmente, não é a primeira vez que ela age dessa maneira comigo quando está emocionalmente abalada ou é contrariada.”

Corsato atribuiu o episódio a conflito familiar e disse que a irmã enfrenta problemas emocionais e de alcoolismo. “Meus advogados já estão adotando as providências necessárias para prestar todos os esclarecimentos à Corregedoria, inclusive sobre a origem dos valores.” À Folha, informou que o procedimento é sigiloso. A defesa sustenta que a irmã sabia da existência das cédulas e que também seria beneficiada na partilha.

Delegada deixou móvel em 30 de setembro alegando busca

A irmã relatou que Corsato deixou o pufe na casa dela em 30 de setembro de 2026, quatro dias antes do primeiro turno das eleições. Alegou estar sendo procurada por uma suposta ordem de busca e apreensão. Policiais ouvidos afirmaram que não havia mandado em aberto contra a delegada. A Corregedoria investiga a procedência dos valores e a compatibilidade com o patrimônio declarado.

Corregedoria investiga origem e responsabilidade da policial

A SSP confirmou que a Corregedoria-Geral instaurou inquérito policial e procedimento correcional. Até o registro da ocorrência, Maria Corsato não havia sido localizada para prestar esclarecimentos. A investigação prevê depoimento da irmã e perícias. Não há, até o momento, indiciamento ou afastamento funcional.

Antecedentes incluem apuração em caso de Thiago Brennand

Em dezembro de 2022, a Corregedoria apurou a conduta de Corsato em um inquérito no qual o empresário Thiago Brennand acusava um casal de ameaça, difamação e injúria. A promotora apontou lacunas e imprecisões e afirmou que a delegada se recusara a registrar nova ocorrência contra ele. Corsato negou irregularidades na época. Ela também foi mencionada em documento da defesa da influenciadora Deolane Bezerra, que levantou suspeitas de possível abuso de autoridade. A alegação não comprova irregularidade.

A Corregedoria continua a apurar a origem do dinheiro apreendido em 24 de outubro de 2026 e a responsabilidade da delegada Maria Corsato.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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