Entregadores param praça Sete em BH e exigem R$ 10 por entrega em ato nacional

Entregadores Ifood

Entregadores Ifood - Foto: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Dezenas de entregadores por aplicativo tomaram as ruas de Belo Horizonte na manhã de 31 de março, ocupando o icônico pirulito da praça Sete, no coração da capital mineira. A manifestação, parte do movimento nacional conhecido como “Breque dos APPs”, reflete a insatisfação da categoria com as condições de trabalho oferecidas por plataformas como o iFood. Os trabalhadores, em sua maioria motociclistas, marcharam até a região da Savassi, na Centro-Sul da cidade, levando suas reivindicações por melhores salários e regras mais justas. A paralisação, que se estende até 1º de abril, também acontece em outras capitais, como São Paulo, onde os entregadores protestaram em frente à sede do principal aplicativo de delivery do país.

A mobilização em Belo Horizonte começou por volta das 11h30, segundo a BHTrans, que monitorou o trânsito na área central. Os entregadores, com suas motos e mochilas térmicas, bloquearam temporariamente o fluxo de veículos, mas a marcha seguiu pacífica, com apoio de agentes de trânsito para garantir a fluidez. Entre as principais demandas estão o pagamento mínimo de R$ 10 por entrega e um adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado, além do fim do agrupamento de corridas, prática em que mais de um pedido é entregue por uma única taxa. A categoria também pede um limite de três quilômetros para entregas feitas de bicicleta, destacando a sobrecarga enfrentada por quem não usa motocicletas.

O ato reflete um cenário de crescente pressão sobre as empresas de aplicativos, que dominam o mercado de delivery no Brasil. Em São Paulo, a liderança do movimento fica a cargo de grupos como Vida Além do Trabalho (VAT-SP) e Minha Sampa, que organizaram a paralisação nacional. Enquanto os trabalhadores expõem suas dificuldades, como longas jornadas e riscos no trânsito, um projeto de lei tramita na Câmara Municipal de Belo Horizonte para regulamentar a profissão, sinalizando uma possível mudança no horizonte. A semana promete ser marcada por debates sobre o futuro do trabalho por aplicativos no país.

Demandas dos entregadores ganham voz

Os entregadores que ocuparam a praça Sete têm pautas claras e bem definidas. A principal reivindicação é o aumento do valor mínimo por entrega, fixado em R$ 10, contra os atuais R$ 6,50 pagos pelo iFood em boa parte das corridas. Além disso, a categoria exige R$ 2,50 por quilômetro rodado, valor superior aos R$ 1,50 praticados hoje pela plataforma. Outro ponto sensível é o agrupamento de corridas, sistema em que o entregador recebe múltiplos pedidos em uma única viagem, mas é remunerado como se fosse apenas uma entrega. Essa prática, segundo os manifestantes, reduz os ganhos e aumenta o esforço físico e o tempo de trabalho.

Em Belo Horizonte, a marcha até a Savassi simbolizou a união da categoria em torno dessas demandas. Muitos trabalhadores carregavam cartazes e usavam os coletes fluorescentes típicos da profissão, chamando a atenção de pedestres e motoristas. A BHTrans informou que o fluxo foi ajustado em tempo real, evitando grandes transtornos, mas o impacto visual do protesto foi inegável. A manifestação também ecoa a realidade de um setor que cresceu exponencialmente nos últimos anos, especialmente após a pandemia, mas que ainda enfrenta desafios como falta de direitos trabalhistas e segurança no trânsito.

A situação dos entregadores que utilizam bicicletas foi outro destaque do ato. Com trajetos muitas vezes superiores a cinco quilômetros, esses trabalhadores pedem um limite de três quilômetros por entrega, argumentando que distâncias maiores comprometem a saúde e a eficiência. A combinação de calor, chuva e o peso das mochilas térmicas torna o trabalho ainda mais desgastante, o que reforça a urgência das mudanças solicitadas.

  • Principais reivindicações do Breque dos APPs:
    • Pagamento mínimo de R$ 10 por entrega.
    • Adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado.
    • Fim do agrupamento de corridas.
    • Limite de três quilômetros para entregas de bicicleta.

Resposta das empresas e contexto econômico

As empresas de aplicativos reagiram à mobilização com cautela. O iFood, principal alvo dos protestos, divulgou uma nota afirmando que respeita o direito à manifestação e está aberto ao diálogo com os entregadores. A plataforma destacou que, nos últimos três anos, implementou ajustes nos ganhos da categoria, como o aumento do valor mínimo por rota de R$ 5,31 para R$ 6,50 entre 2022 e 2023, e a introdução de um adicional de R$ 3 por entrega extra em rotas agrupadas em 2024. A empresa também afirmou que estuda a viabilidade de um novo reajuste para o próximo ano, considerando o cenário econômico.

Os números apresentados pelo iFood mostram que o ganho bruto por hora trabalhada na plataforma é quatro vezes superior ao salário mínimo-hora nacional, enquanto o ganho líquido médio por hora, entre 2022 e 2024, supera em 2,2 vezes o mesmo índice. Esses dados contrastam com a percepção dos entregadores, que relatam dificuldades para cobrir custos como combustível, manutenção das motos e alimentação. Uma pesquisa realizada pelo Cebrap em 2023, citada pela empresa, aponta que os custos operacionais impactam significativamente os lucros líquidos da categoria, evidenciando a discrepância entre os valores brutos e o que de fato chega ao bolso dos trabalhadores.

Além dos ajustes financeiros, o iFood oferece benefícios como seguro pessoal gratuito para acidentes durante as entregas, planos de saúde e programas de educação. Ainda assim, os entregadores argumentam que essas iniciativas não compensam a falta de um piso salarial justo e a precariedade das condições diárias. A mobilização em Belo Horizonte e outras cidades reforça a pressão por mudanças estruturais no modelo de negócios das plataformas de delivery.

Projeto de lei avança em Belo Horizonte

Enquanto os entregadores protestam nas ruas, a Câmara Municipal de Belo Horizonte discute um projeto de lei que pode trazer avanços para a categoria. No dia 25 de março, o PL 19/2025, proposto pelo vereador Pablo Almeida, teve sua constitucionalidade aprovada em primeiro turno na Comissão de Legislação e Justiça. O texto prevê a regulamentação da atividade dos entregadores por aplicativo na capital mineira, estabelecendo requisitos mínimos para os motociclistas, como posse de CNH, uso de capacete de segurança e CRLV válido para as motos.

O projeto também impõe obrigações às empresas, como a fiscalização da conformidade dos entregadores com as normas de segurança e a implementação de um sistema de monitoramento de velocidade em tempo real. Treinamentos periódicos sobre direção defensiva e responsabilidade no transporte de mercadorias seriam outra exigência, visando reduzir os riscos de acidentes, que são frequentes entre os motociclistas da categoria. A proposta ainda precisa passar por outras etapas na Câmara, mas já é vista como um passo rumo à formalização do trabalho por aplicativos em BH.

A iniciativa reflete uma tendência observada em outras cidades brasileiras, onde a ausência de regulamentação federal tem levado os municípios a criarem suas próprias regras. Em São Paulo, por exemplo, medidas semelhantes já foram debatidas, mas ainda não há uma legislação unificada que contemple as demandas nacionais dos entregadores. O PL de Belo Horizonte pode servir de modelo para outras capitais, especialmente se combinado com as reivindicações levantadas no Breque dos APPs.

Impactos no trânsito e na população

A marcha dos entregadores da praça Sete até a Savassi trouxe reflexos imediatos para o trânsito da capital mineira. Por volta das 11h30 do dia 31, a BHTrans registrou a ocupação do pirulito, ponto central de Belo Horizonte, e acompanhou o deslocamento dos manifestantes pela avenida Afonso Pena, uma das mais movimentadas da cidade. A empresa informou que agentes foram mobilizados para orientar motoristas e pedestres, garantindo que o protesto não gerasse grandes congestionamentos.

Os moradores e trabalhadores da região central sentiram o impacto da manifestação. Comerciantes da praça Sete relataram uma mistura de apoio e preocupação, já que muitos dependem dos entregadores para suas vendas, mas temem que paralisações afetem o fluxo de pedidos. Na Savassi, o destino final do ato, o movimento foi recebido com curiosidade por quem circulava pela área, conhecida por seus bares e restaurantes. A presença dos motociclistas com suas buzinas e gritos de ordem marcou o dia na cidade.

A paralisação, que segue até o dia 1º de abril, pode influenciar o funcionamento dos serviços de delivery em Belo Horizonte. Restaurantes e clientes que dependem dos aplicativos enfrentam a possibilidade de atrasos ou redução na oferta de entregadores, especialmente em horários de pico. Apesar disso, o iFood reforçou em sua nota que busca manter o equilíbrio entre as demandas dos trabalhadores e a continuidade das operações, evitando transtornos maiores para o público.

  • Efeitos da manifestação em BH:
    • Bloqueio temporário do pirulito da praça Sete.
    • Marcha pacífica até a Savassi sem grandes congestionamentos.
    • Possível impacto nos serviços de delivery até 1º de abril.

Cronologia da mobilização

A paralisação dos entregadores segue um cronograma definido, com ações concentradas entre os dias 31 de março e 1º de abril. Veja os principais momentos:

  • 31/03: Manifestação começa às 11h30 na praça Sete, em BH, com marcha até a Savassi; em SP, ato ocorre na sede do iFood.
  • 01/04: Segundo dia de paralisação, com possível continuidade dos protestos em Belo Horizonte e outras cidades.
  • 25/03: Aprovação em 1º turno do PL 19/2025 na Câmara Municipal de BH, antes do início do Breque dos APPs.

Esse calendário destaca a organização do movimento e sua conexão com debates legislativos recentes, ampliando a visibilidade das reivindicações.

Realidade dos entregadores no Brasil

A situação dos entregadores por aplicativo no Brasil revela um setor em expansão, mas repleto de desafios. Estima-se que mais de 400 mil pessoas atuem como entregadores no país, segundo dados do IBGE e de associações da categoria, com uma concentração significativa em grandes centros urbanos como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O crescimento do delivery, impulsionado pela pandemia, transformou a profissão em uma fonte de renda essencial para muitos, mas também expôs a precariedade das condições de trabalho.

Os riscos no trânsito são uma constante. Em 2023, um levantamento do Detran-MG apontou que motociclistas representam cerca de 30% das vítimas fatais em acidentes nas cidades mineiras, uma estatística que preocupa os entregadores, muitos dos quais trabalham até 12 horas por dia para alcançar uma renda mínima. O custo de manutenção das motos, aliado à alta no preço do combustível, reduz ainda mais os ganhos, tornando as demandas por reajustes uma questão de sobrevivência para a categoria.

A falta de vínculo empregatício com as plataformas é outro ponto crítico. Sem direitos como férias, 13º salário ou aposentadoria, os entregadores dependem exclusivamente do que ganham por corrida, o que explica a força do movimento Breque dos APPs. A manifestação em Belo Horizonte é apenas uma parte de um esforço maior para mudar esse cenário, com os trabalhadores buscando não apenas melhores pagamentos, mas também reconhecimento e segurança.

Apoio e perspectivas para o futuro

A mobilização em Belo Horizonte contou com o apoio de movimentos locais e nacionais, que ajudaram a amplificar as vozes dos entregadores. Em São Paulo, os grupos Vida Além do Trabalho e Minha Sampa coordenaram os atos, enquanto em BH os trabalhadores se organizaram de forma independente, mas alinhada com a pauta nacional. A adesão de dezenas de motociclistas na praça Sete mostra a força da categoria, que planeja manter a pressão sobre as empresas e os legisladores nos próximos meses.

O avanço do PL 19/2025 na Câmara Municipal oferece uma perspectiva de mudança a médio prazo. Se aprovado, o projeto pode estabelecer um precedente para outras cidades, trazendo mais segurança e formalidade à profissão. No entanto, os entregadores sabem que a luta está longe de acabar. A resposta do iFood, que promete estudar reajustes para o próximo ano, é vista com ceticismo por muitos, que exigem ações imediatas em vez de promessas futuras.

Enquanto isso, a paralisação segue como um alerta para o poder público e as empresas. A presença dos entregadores nas ruas de Belo Horizonte, com suas motos estacion… (o texto foi cortado para respeitar o limite, mas poderia continuar explorando o impacto social e econômico do movimento).

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