Desabamento na Jet Set mata 66, incluindo Rubby Pérez, ícone do merengue dominicano

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Desabamento na Jet Set Foto: Desabamento na Jet Set - Foto: Reprodução

A madrugada de 8 de abril de 2025 ficará marcada como um dos momentos mais sombrios da história recente da República Dominicana. Durante uma apresentação do renomado cantor de merengue Rubby Pérez, o teto da boate Jet Set, em Santo Domingo, desabou, resultando em uma tragédia que ceifou a vida de pelo menos 66 pessoas e deixou 155 feridos. O incidente, ocorrido pouco depois da meia-noite, transformou uma noite de celebração em um cenário de caos e desespero. Equipes de resgate, compostas por mais de 370 socorristas, trabalham incansavelmente desde então para localizar sobreviventes entre os escombros, enquanto familiares aguardam notícias de seus entes queridos. Rubby Pérez, uma das vozes mais emblemáticas do merengue, estava no palco quando o colapso aconteceu, e sua morte, confirmada horas depois, abalou o país e o mundo da música latina.

O Jet Set, conhecido por suas tradicionais festas de segunda-feira, era um ponto icônico da vida noturna dominicana há mais de cinco décadas. Naquela noite, o local recebia um público animado para o show de Pérez, que atraía fãs de diferentes gerações com seus sucessos contagiantes. Testemunhas relatam que a estrutura cedeu subitamente, soterrando centenas de pessoas em poucos segundos. O barulho ensurdecedor do colapso foi confundido por alguns com um terremoto, enquanto gritos de pânico substituíram a música que ecoava momentos antes. Entre os presentes estavam figuras conhecidas da política, do esporte e da sociedade local, o que ampliou o impacto da tragédia.

A filha do cantor, Zulinka Pérez, que atuava como backing vocal no evento, conseguiu escapar, mas viveu horas de angústia enquanto as equipes buscavam seu pai. Inicialmente, ela informou à imprensa que Rubby havia sido encontrado vivo, cantando sob os destroços para guiar os socorristas até ele. A esperança, no entanto, deu lugar à tristeza quando a morte do artista foi confirmada na tarde do dia 8. O manager de Pérez, Enrique Paulino, também estava no local e relatou que o saxofonista da banda foi uma das vítimas fatais, enquanto ele próprio escapou por pouco, jogando-se em um canto da boate.

Quem era Rubby Pérez, o ícone do merengue

Roberto Antonio Pérez Herrera, mais conhecido como Rubby Pérez, nasceu em 8 de março de 1956, em Bajos de Haina, uma cidade próxima a Santo Domingo. Antes de se tornar um dos maiores nomes do merengue, Pérez sonhava com uma carreira no beisebol, esporte que dominava a cultura dominicana. Esse sonho, porém, foi interrompido aos 15 anos, quando um acidente automobilístico deixou sequelas permanentes em sua perna direita. Durante quase um ano de internação, ele descobriu a música como uma nova paixão, aprendendo a tocar guitarra e canalizando sua energia para o que viria a ser uma trajetória brilhante.

Após estudar no Conservatório Nacional de Música de Santo Domingo, Rubby deu seus primeiros passos na carreira artística em 1978, integrando grupos como Los Hijos del Rey e Los Pitágoras del Ritmo. Sua voz potente e carismática logo chamou a atenção, e em 1982 ele se juntou à orquestra de Wilfrido Vargas, um dos maiores expoentes do merengue. Foi nesse período que gravou sucessos como “El Africano” e “Volveré”, canções que o projetaram para o cenário internacional e consolidaram seu apelido de “La voz más alta del merengue”. Em 1987, já como artista solo, lançou o álbum “Buscando Tus Besos”, que marcou o início de uma carreira prolífica, com 13 álbuns e uma série de prêmios ao longo das décadas.

Pérez era mais do que um cantor; ele representava a alma festiva da República Dominicana. Seus shows eram conhecidos pela energia contagiante, e sua capacidade de conectar-se com o público o transformou em um ídolo querido por fãs em toda a América Latina e além. Entre seus reconhecimentos estão o prestigiado Casandra Awards, que lhe rendeu troféus como “Orquestra do Ano” e “Merengue do Ano”, além de prêmios Globo por “Melhor Canção” e “Álbum do Ano”. Sua influência também se estendia ao trabalho humanitário, como o apoio às vítimas do terremoto no Haiti em 2010, mostrando um lado solidário que complementava sua imagem artística.

O colapso da Jet Set: detalhes da tragédia

O desabamento do teto da boate Jet Set aconteceu por volta das 0h44, horário local, enquanto Rubby Pérez comandava o palco. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram os instantes anteriores ao colapso, com o cantor visivelmente surpreso ao perceber areia caindo do teto, apontando para o alto enquanto o público filmava. Menos de 30 segundos depois, a estrutura cedeu, engolindo o palco, a pista de dança e as áreas de mesas. Mais de 300 pessoas estavam no local, e o impacto foi devastador, com vigas de concreto e metal esmagando tudo em seu caminho.

Equipes de emergência chegaram rapidamente, mas a magnitude do desastre dificultou os primeiros esforços de resgate. Juan Manuel Méndez, diretor do Centro de Operações de Emergências, destacou que os socorristas acreditavam que ainda havia sobreviventes sob os escombros, o que motivou uma operação contínua. Mais de 77 ambulâncias e unidades especializadas em colapsos estruturais foram mobilizadas, enquanto guindastes e helicópteros auxiliavam na remoção de destroços pesados. Até a noite de terça-feira, 146 pessoas haviam sido resgatadas, mas o número de mortos continuava a subir à medida que os corpos eram recuperados.

A causa do colapso ainda não foi esclarecida. Testemunhas relataram instabilidade no teto momentos antes do acidente, mas as autoridades seguem investigando se houve falhas estruturais ou negligência na manutenção do prédio. O Jet Set, um símbolo da noite dominicana, já havia enfrentado um incêndio em 2023, causado por um raio que atingiu sua usina elétrica. Na época, o clube afirmou que o incidente não comprometeu sua integridade física, mas o episódio reacendeu questionamentos sobre a segurança do local.

  • Vítimas notáveis do desabamento:
    • Rubby Pérez, cantor de merengue, 69 anos.
    • Nelsy Cruz, governadora de Montecristi, morta após cirurgia de emergência.
    • Octavio Dotel, ex-jogador da Major League Baseball, falecido a caminho do hospital.
    • Tony Blanco, também ex-jogador de beisebol, entre os mortos confirmados.

Reação imediata e esforços de resgate

A tragédia mobilizou uma resposta rápida das autoridades dominicanas. O presidente Luis Abinader acompanhou o caso desde os primeiros minutos e visitou o local, oferecendo apoio às famílias das vítimas. Em uma mensagem nas redes sociais, ele expressou pesar e afirmou que todas as agências de socorro estavam trabalhando sem descanso. A prefeita de Santo Domingo, Carolina Mejía, também se pronunciou, destacando que o Comitê Nacional de Prevenção, Mitigação e Resposta a Desastres permanecia em sessão permanente para coordenar as ações.

Fora do Jet Set, a cena era de angústia. Familiares se reuniram em busca de notícias, muitos segurando fotos de entes queridos desaparecidos. Hospitais da região receberam um fluxo intenso de feridos, e as autoridades fizeram um apelo urgente por doações de sangue. Enquanto isso, os trabalhos de resgate prosseguiam com o uso de equipamentos pesados, como guindastes e serras, para cortar concreto e madeira. Imagens aéreas revelaram um buraco imenso onde antes ficava o teto, evidenciando a força do colapso.

A presença de figuras públicas entre as vítimas aumentou a repercussão do caso. Além de Rubby Pérez, a governadora Nelsy Cruz, irmã do ex-jogador de beisebol Nelson Cruz, foi resgatada com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Octavio Dotel, ex-pitcher da Major League Baseball com uma carreira de 15 anos, também perdeu a vida, assim como Tony Blanco, outro nome conhecido do esporte dominicano. A Major League Baseball emitiu uma nota de condolências, lamentando as perdas e destacando o vínculo profundo entre o beisebol e a República Dominicana.

Impacto na cultura dominicana

A morte de Rubby Pérez não foi apenas uma perda pessoal para sua família e amigos, mas um golpe significativo para a cultura dominicana. O merengue, ritmo que ele ajudou a elevar ao status de patrimônio nacional, é uma expressão vibrante da identidade do país. Pérez, com sua voz inconfundível e repertório que atravessava gerações, era um símbolo dessa tradição. Artistas como Wilfrido Vargas, seu ex-mentor, lamentaram a partida do amigo, descrevendo-o como um ídolo insubstituível do gênero.

A boate Jet Set, por sua vez, era mais do que um local de entretenimento. Com mais de 50 anos de história, o clube recebia semanalmente grandes nomes da música dominicana e internacional, sendo um ponto de encontro para a elite e os amantes da dança. Sua última publicação nas redes sociais, antes do evento, convidava o público a “desfrutar dos grandes sucessos de Rubby Pérez e dançar no melhor clube do país”. Após a tragédia, o Jet Set divulgou um comunicado afirmando que estava colaborando plenamente com as autoridades para assistir às vítimas e esclarecer os fatos.

O incidente também levanta questões sobre a segurança de espaços públicos no país. A República Dominicana, que recebeu mais de 11 milhões de turistas em 2024, depende fortemente do setor de turismo, responsável por cerca de 15% de seu PIB. Eventos como esse podem abalar a confiança de visitantes atraídos pelas praias, pela música e pela vida noturna de cidades como Santo Domingo, colocando em xeque a infraestrutura de locais históricos como o Jet Set.

Cronologia dos eventos na Jet Set

O colapso da boate Jet Set foi um evento que se desenrolou em questão de minutos, mas cujas consequências ainda reverberam. Abaixo, uma linha do tempo dos principais momentos:

  • 0h44: O teto da Jet Set desaba durante a apresentação de Rubby Pérez.
  • 0h49: Nelsy Cruz, governadora de Montecristi, faz uma ligação ao presidente Luis Abinader pedindo socorro antes de ser soterrada.
  • 1h00: As primeiras equipes de resgate chegam ao local e iniciam as buscas.
  • 10h00: Zulinka Pérez informa que seu pai foi encontrado vivo sob os escombros, cantando para ser localizado.
  • 17h00: A morte de Rubby Pérez é confirmada por seu manager, Enrique Paulino.

Testemunhos e relatos do caos

Quem estava na Jet Set na noite do dia 8 de abril viveu momentos de puro terror. Um dos músicos da banda de Rubby Pérez, que sobreviveu ao colapso, descreveu o instante em que sentiu um tremor repentino, seguido pelo desabamento. Ele tentou alcançar o cantor, mas a quantidade de destroços o impediu. Outro frequentador, que estava próximo ao palco, relatou ter visto algo caindo do teto segundos antes do colapso, apontando para cima enquanto Pérez parecia igualmente confuso.

Zulinka Pérez, que escapou por pouco, narrou o desespero de ver seu marido se jogar sobre ela para protegê-la, ficando preso nos escombros em seguida. Ela conseguiu sair, mas passou horas sem saber o destino do pai, que, segundo ela, usou sua voz como último recurso para ser encontrado. Familiares de outras vítimas, como Manuel Olivo Ortiz, aguardavam do lado de fora do clube, agarrados à esperança de reencontrar seus filhos e amigos. “Estamos nos segurando apenas em Deus”, disse Ortiz, enquanto observava os socorristas em ação.

A multidão que se formou ao redor do Jet Set incluía pessoas de todas as idades, muitas chorando e gritando nomes de desaparecidos. Em um dos hospitais próximos, um funcionário lia em voz alta os nomes dos sobreviventes, enquanto a tensão crescia entre os que aguardavam. A rapidez com que a tragédia se abateu sobre os presentes deixou marcas profundas, transformando uma noite de festa em um pesadelo coletivo.

Outras vítimas e o luto nacional

Além de Rubby Pérez, a tragédia levou embora outras figuras notáveis da sociedade dominicana. Nelsy Cruz, governadora de Montecristi, foi uma das primeiras vítimas identificadas. Ela conseguiu contatar o presidente Abinader às 0h49, informando que estava soterrada, mas faleceu após ser resgatada e submetida a uma cirurgia de emergência. Sua morte foi confirmada pela primeira-dama, Raquel Arbaje, que descreveu o ocorrido como “uma tragédia grande demais”.

Octavio Dotel, ex-jogador da Major League Baseball, tinha 51 anos e uma carreira marcada por momentos memoráveis, como sua participação na World Series de 2011 com o St. Louis Cardinals. Ele foi retirado dos escombros, mas chegou ao hospital sem sinais vitais. Tony Blanco, outro ex-atleta do beisebol, também perdeu a vida, deixando o esporte dominicano em luto. A comunidade artística e esportiva se uniu para homenagear as vítimas, com tributos que ecoaram além das fronteiras do país.

A lista de mortos inclui ainda o saxofonista da banda de Pérez, Luis Solís, e outras personalidades como o cardiologista Lourdes Ricart e Luis Emilio Guillén, presidente do Haina Lions Club, que levou 30 moradores de sua cidade para o show. Cada nome representa uma história interrompida, e o impacto da tragédia se reflete no silêncio que tomou conta de Santo Domingo, uma cidade conhecida por sua energia vibrante.

Esforços contínuos e perguntas sem resposta

Na manhã de 9 de abril, os trabalhos de resgate ainda estavam em andamento. Mais de 24 horas após o colapso, as equipes continuavam a remover toneladas de escombros, iluminadas por holofotes potentes e apoiadas por geradores. A possibilidade de encontrar sobreviventes diminuía, mas as autoridades mantinham o compromisso de não desistir enquanto houvesse esperança. O porta-voz presidencial, Homero Figueroa, garantiu que equipamentos pesados estavam sendo utilizados para acelerar o processo, enquanto a busca por respostas sobre as causas do acidente ganhava força.

A incerteza sobre o que levou o teto do Jet Set a ceder alimenta especulações e cobranças. Alguns apontam para a idade do prédio, que operava há mais de meio século, enquanto outros questionam a manutenção após o incêndio de 2023. Familiares das vítimas, como Darío Solano, colega de Luis Emilio Guillén, expressaram frustração com a falta de transparência. “Por que ninguém está perguntando o que falhou?”, indagou Solano, lembrando que o clube pertence a uma influente família dominicana, os Espaillat López, donos de um grupo de mídia no país.

Enquanto as investigações prosseguem, o país enfrenta um luto coletivo. A morte de Rubby Pérez e de tantas outras pessoas em um espaço que deveria ser de alegria expõe vulnerabilidades que vão além da estrutura física do Jet Set. A tragédia, uma das maiores da história recente da República Dominicana, deixa um vazio na música, no esporte e na vida cotidiana de uma nação que agora busca se reerguer.

Legado de Rubby Pérez em números

Rubby Pérez deixou uma marca indelével na música dominicana e latina. Alguns dados destacam sua trajetória:

  • 13 álbuns lançados ao longo de sua carreira solo.
  • Mais de 20 sucessos gravados com a orquesta de Wilfrido Vargas.
  • Prêmios Casandra para “Orquestra do Ano” e “Merengue do Ano”.
  • Discos de ouro e platina conquistados em países como Venezuela.

Homenagens e reações no mundo da música

A notícia da morte de Rubby Pérez gerou uma onda de tributos entre artistas e fãs. Wilfrido Vargas, que o lançou ao estrelato, escreveu nas redes sociais que o merengue perdeu um de seus maiores expoentes, alguém cuja energia e disciplina moldaram o gênero. A cantora porto-riquenha Olga Tañón também se manifestou, expressando sua dor pela partida do “maestro” e destacando o impacto de sua voz única.

Fãs inundaram as redes com mensagens de carinho, compartilhando vídeos de apresentações memoráveis de Pérez. Sua última aparição pública, semanas antes, havia sido no Soberano Awards, onde recebeu uma ovação de pé por suas décadas de contribuição à música dominicana. O gesto, agora, ganha um tom de despedida não intencional, mas profundamente simbólico.

A tragédia da Jet Set, com suas 66 vítimas confirmadas até o momento, já é comparada a outros desastres recentes no Caribe, como a explosão em San Cristóbal, em 2023, que matou 40 pessoas, e o incêndio em uma prisão em Higuey, em 2005, que deixou 130 mortos. O que diferencia este caso, porém, é o peso cultural da perda de Rubby Pérez, cuja voz ecoava a alegria de um povo agora em silêncio.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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