Peru ocupa o segundo lugar no uso diário de carteiras móveis

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Carteira de pagamento digital - ToucanStudios/ istockphoto.com Foto: Carteira de pagamento digital - ToucanStudios/ istockphoto.com

A sexta edição do Índice de Inclusão Financeira (IIF) 2026, apresentada pelo Banco de Ideas da holding financeira peruana Credicorp na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, em Lima, revelou que 69% da população do Peru possui carteiras móveis (aplicativos de pagamento pelo celular). O levantamento aponta que 51% desses usuários realizam transações todos os dias, o que coloca o país sul-americano na segunda posição em uso diário e na terceira em posse dessas ferramentas digitais entre oito nações avaliadas na América Latina.

Gerente de divisão de assuntos corporativos da Credicorp e do Banco de Crédito del Perú (BCP), apenas a Argentina supera o mercado peruano na adoção dos aplicativos, deixando para trás o Chile, que lidera o índice geral da região. “As principais portas de entrada hoje em dia ao sistema financeiro formal são as vias digitais, principalmente as carteiras e, em geral, os aplicativos móveis”, afirmou o executivo, em tradução livre.

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Hábitos de consumo nas carteiras móveis e queda no atendimento físico no Peru

Pagamento Pix Aproximação
Foto: Pagamento Pix Aproximação – Foto: romain-jorge/shutterstock.com

O crescimento dos meios eletrônicos alterou a rotina comercial dos cidadãos e reduziu a procura por estruturas bancárias tradicionais. O relatório da Credicorp destacou que “o Peru é o segundo país com maior uso diário de carteiras móveis” e detalhou a finalidade dessas transferências no orçamento doméstico. O diretor-executivo (CEO) da Credicorp, Gianfranco Ferrari, explicou o destino do dinheiro movimentado pelos celulares. “Por exemplo, 41% as utilizam para realizar pagamentos de alimentos e 39% para produtos do lar ou uso pessoal. Além disso, 51% dos usuários realizam pagamentos diariamente, a segunda proporção mais alta entre os países avaliados”, declarou Ferrari.

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A migração para as telas refletiu diretamente no esvaziamento dos canais presenciais. Em 2026, 49% dos cidadãos peruanos relataram não ter utilizado nenhum local físico de atendimento do sistema financeiro, como agências bancárias, agentes correspondentes ou caixas eletrônicos, registrando o percentual mais alto entre todos os países analisados pelo documento. No mesmo período de um ano, a frequência média de utilização de produtos financeiros no país subiu 24%, saltando de 11,9 vezes por mês em 2025 para 14,7 vezes mensais em 2026. Paralelamente, a fatia de habitantes que afirma não usar nenhum produto financeiro ao longo de um mês recuou de 49% para 40%, patamar similar ao registrado no Panamá.

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Interoperabilidade do BCRP e avanço do aplicativo Yape no mercado peruano

A expansão das transferências pelo celular no Peru foi impulsionada pela regulamentação do Banco Central de Reserva del Perú (BCRP, a autoridade monetária do país) e pela consolidação de plataformas locais como o aplicativo Yape, que contabiliza quase 17 milhões de usuários ativos em território peruano. Para Fernando Barrios, especialista em transações digitais, o uso dessas ferramentas ganhou força durante a pandemia e se multiplicou quando os diferentes sistemas passaram a se comunicar entre si. “Aqui no Peru existe um trabalho bem importante, coordenado pelo BCRP. Inicialmente, incorporaram-se algumas carteiras digitais, e depois entraram mais participantes no mercado. Isso permite que a interoperabilidade seja praticamente total aqui. Em outros países eu vi que não chegaram a esse nível de desenvolvimento”, disse Barrios.

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Barrios acrescentou que a concorrência comercial obriga o pequeno varejo a aderir ao sistema para não perder vendas para estabelecimentos vizinhos, embora ressalte que o modelo de transferências gratuitas entre pessoas físicas também é amplamente utilizado pelo setor informal. Já o diretor-executivo do banco BBVA Perú, Fernando Eguiluz, comparou o cenário local com o europeu. “A adoção que o peruano teve em relação aos meios digitais é assombrosa. Estive de férias no exterior, na Europa, não trazia um euro na minha carteira e não aceitavam cartões. Então, isso que parece engraçado e caricato no Peru não te acontece”, afirmou Eguiluz.

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Dados e pontuações do Índice de Inclusão Financeira 2026 da Credicorp

O estudo anual mede a relação da população com o setor bancário em uma escala de 0 a 100 pontos, cuja média regional latino-americana superou pela primeira vez a marca de 50 pontos. No recorte específico sobre compras feitas via carteiras móveis, o relatório técnico chegou a excluir o Chile e o México de determinadas comparações por contarem com bases amostrais reduzidas de usuários desse meio de pagamento.

  • Evento de lançamento: quarto Encuentro Regional de Desarrollo, realizado em Lima, no Peru, na segunda-feira (19).
  • Critérios de avaliação: três dimensões compostas por acesso (33,9 pontos no Peru em 2026, ante 34,3 em 2025), uso (subiu de 49,9 para 56,8 pontos) e qualidade percebida (passou de 60,3 para 60,9 pontos).
  • Média regional da América Latina em 2026: 50,1 pontos.
  • 1º lugar geral no IIF 2026: Chile, com 59,2 pontos.
  • 2º lugar: Argentina, com 56,9 pontos.
  • 3º lugar: Panamá, com 54,3 pontos.
  • 4º lugar: Equador, com 51,5 pontos.
  • 5º lugar: Colômbia, com 50,1 pontos (subiu dos 45,4 pontos registrados em 2025).
  • 6º lugar: Peru, com 47,7 pontos.
  • 7º lugar: Bolívia, com 47,5 pontos.
  • 8º lugar: México, com 46,7 pontos.

Evolução do Peru no índice da Credicorp desde 2021 e retração no crédito formal

Na série histórica iniciada na primeira edição do levantamento, em 2021, o Peru acumulou um crescimento de 9,8 pontos em cinco anos, o terceiro maior avanço entre os oito países monitorados. A pontuação geral peruana saiu de 37,9 pontos em 2021 para 39,8 em 2022, atingiu 43,3 em 2023, chegou a 46,1 em 2024 e marcou 47,0 em 2025, antes de alcançar os atuais 47,7 pontos. Apesar da alta de 0,7 ponto no último ano, o país perdeu uma posição no ranking geral para a Colômbia. Por outro lado, a parcela de cidadãos peruanos situada no nível mais alto de inclusão financeira — categoria classificada pelo estudo como nível “Alcançado” — chegou a 29% em 2026, quase o dobro dos 15% verificados em 2021.

O avanço nas transações diárias, contudo, não se repetiu na concessão de empréstimos. A proporção de peruanos que não possuem nenhum produto de crédito em uma instituição financeira formal subiu de 66% em 2025 para 68% em 2026, a taxa de exclusão de crédito mais elevada de todo o bloco estudado, superando o México e a Bolívia. Enrique Pasquel atribuiu esse resultado aos entraves estruturais da economia local. “Há muitos produtos financeiros que as pessoas ainda não usam por uma mistura de alta informalidade, falta de educação financeira e outras variáveis mais”, declarou o gerente da Credicorp, acrescentando que a ampliação da cobertura de internet em áreas sem sinal é indispensável para que os aplicativos bancários cheguem ao restante da população.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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