Saque-aniversário do FGTS: confira as datas e valores para resgatar até R$ 2.900

Saque Pis-Pasep

Saque Pis-Pasep - Foto: José Cruz/Agência Brasil

A espera de muitos trabalhadores brasileiros termina com o início do saque-aniversário do FGTS em 2025. Organizado pelo mês de nascimento, o calendário permite que os nascidos em janeiro retirem sua parcela a partir de 2 de janeiro, enquanto os de dezembro têm até 27 de fevereiro de 2026 para acessar o benefício. O valor disponível varia entre 5% e 50% do saldo total das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, acrescido de uma parcela adicional que pode chegar a R$ 2.900, dependendo do montante acumulado. Cerca de 37 milhões de pessoas aderiram à modalidade desde sua criação em 2020, movimentando mais de R$ 125,4 bilhões até agosto de 2024. O programa, gerido pela Caixa Econômica Federal, é uma alternativa para quem busca um reforço financeiro anual.

Optar pelo saque-aniversário exige atenção. A modalidade, diferente do saque-rescisão tradicional, impede a retirada integral do saldo em caso de demissão sem justa causa, limitando o trabalhador à multa rescisória de 40%. Para participar, é necessário aderir formalmente pelo aplicativo FGTS ou site oficial, processo que deve ser concluído até o último dia útil do mês de nascimento para garantir o pagamento no mesmo ano. Quem perder esse prazo só terá acesso ao valor no ano seguinte. O dinheiro é liberado automaticamente em contas indicadas ou pode ser sacado em canais físicos da Caixa.

Os valores sacados têm prazo de retirada de 60 dias a partir da data de início de cada período. Em 2025, o calendário abrange todos os meses, começando com os nascidos em janeiro e seguindo até os de dezembro, com um total de 12 etapas. Esse sistema escalonado evita congestionamentos nos pontos de atendimento e facilita o planejamento financeiro dos trabalhadores.

Quem pode sacar o FGTS no aniversário?

Ter direito ao saque-aniversário exige alguns critérios básicos. O trabalhador precisa possuir saldo nas contas do FGTS, sejam elas ativas (de empregos atuais) ou inativas (de empregos anteriores), e deve ter aderido à modalidade por meio dos canais oficiais da Caixa. Não há exigência de tempo mínimo de vínculo empregatício, mas o benefício é exclusivo para quem trabalhou formalmente, com carteira assinada, em algum momento, já que o fundo é alimentado por depósitos mensais de 8% do salário feitos pelo empregador.

FGTS – Foto: Brenda Rocha – Blossom/Shutterstock.com

A adesão é opcional e pode ser revertida, mas com condições. Quem decide voltar ao saque-rescisão precisa aguardar 25 meses após o pedido, período de carência que mantém o saldo bloqueado para saques integrais em caso de demissão. Até lá, o trabalhador continua elegível apenas ao saque-aniversário e à multa rescisória, se aplicável.

Calendário completo do saque-aniversário

O cronograma de 2025 segue uma lógica clara, baseada no mês de nascimento:

  • Nascidos em janeiro: 2 de janeiro a 31 de março
  • Nascidos em fevereiro: 3 de fevereiro a 30 de abril
  • Nascidos em março: 3 de março a 30 de maio
  • Nascidos em abril: 1º de abril a 30 de junho
  • Nascidos em maio: 2 de maio a 31 de julho
  • Nascidos em junho: 2 de junho a 29 de agosto
  • Nascidos em julho: 1º de julho a 30 de setembro
  • Nascidos em agosto: 1º de agosto a 31 de outubro
  • Nascidos em setembro: 1º de setembro a 28 de novembro
  • Nascidos em outubro: 1º de outubro a 31 de dezembro
  • Nascidos em novembro: 1º de novembro a 31 de janeiro de 2026
  • Nascidos em dezembro: 1º de dezembro a 27 de fevereiro de 2026

Esse calendário assegura que cada trabalhador tenha pelo menos dois meses para resgatar o dinheiro, com datas ajustadas para o primeiro dia útil do período.

Como calcular o valor do saque

O montante liberado no saque-aniversário depende do saldo total nas contas do FGTS. Uma tabela progressiva define a porcentagem a ser sacada, que varia de 50% para saldos até R$ 500 a 5% para valores acima de R$ 20 mil, com parcelas adicionais fixas que aumentam conforme o saldo. Por exemplo, quem tem R$ 1.000 pode sacar R$ 450 (40% mais R$ 50 de adicional), enquanto um saldo de R$ 10 mil permite retirar R$ 1.150 (10% mais R$ 650).

Trabalhadores com várias contas, como de empregos diferentes, têm o valor calculado sobre a soma de todos os saldos. A parcela máxima adicional, de R$ 2.900, é destinada a quem possui mais de R$ 20 mil acumulados, tornando o benefício mais atrativo para quem tem longo histórico de contribuições.

Passos para aderir ao benefício

Aderir ao saque-aniversário é um processo simples, mas exige ação do trabalhador. Pelo aplicativo FGTS, disponível para Android e iOS, basta fazer login com CPF e senha, selecionar a opção de adesão e indicar uma conta bancária para o depósito. O site da Caixa também oferece essa funcionalidade, com o mesmo procedimento. Após a escolha, o valor é liberado automaticamente no início do período correspondente ao mês de nascimento.

Quem já aderiu em anos anteriores não precisa repetir o processo, desde que não tenha solicitado retorno ao saque-rescisão. A simulação do valor disponível também pode ser feita no aplicativo, ajudando no planejamento do uso do dinheiro.

Impacto econômico do saque-aniversário

A modalidade movimenta bilhões na economia anualmente. Até agosto de 2024, mais de R$ 125,4 bilhões foram sacados por 37 milhões de trabalhadores desde 2020. Em 2025, a expectativa é que o volume continue alto, especialmente entre os meses de maior concentração de aniversariantes, como julho e agosto. Esse fluxo de recursos aquece o comércio local, com grande parte do dinheiro sendo usada em compras ou pagamento de dívidas.

Pequenos negócios, como mercados e lojas de eletrodomésticos, sentem o impacto positivo, sobretudo em cidades menores, onde o FGTS é uma fonte significativa de renda extra. A liberação anual também reduz a dependência de empréstimos para muitos trabalhadores, aliviando o orçamento familiar.

Diferenças entre saque-aniversário e saque-rescisão

O saque-aniversário e o saque-rescisão atendem a propósitos distintos. Enquanto o primeiro permite retiradas anuais parciais, o segundo é a modalidade padrão, garantindo o acesso ao saldo total do FGTS em caso de demissão sem justa causa, além da multa de 40% sobre o valor depositado pelo empregador. Quem opta pelo aniversário abre mão dessa retirada integral, recebendo apenas a multa em caso de dispensa.

Essa escolha tem implicações de longo prazo. O saque-rescisão é uma proteção contra imprevistos no emprego, enquanto o aniversário oferece flexibilidade para uso imediato do dinheiro. A decisão depende das prioridades de cada trabalhador, seja segurança ou acesso anual a recursos.

Canais para receber o dinheiro

Os valores do saque-aniversário são depositados prioritariamente em contas bancárias indicadas no aplicativo FGTS, em até cinco dias úteis após a liberação. Para quem não cadastra conta, o resgate pode ser feito em agências da Caixa, lotéricas ou terminais de autoatendimento, usando o Cartão Cidadão ou CPF e senha. O prazo de 60 dias para retirada evita perdas, mas exige planejamento para evitar filas nos canais físicos.

Em áreas rurais, os correspondentes bancários também facilitam o acesso, ampliando as opções para trabalhadores distantes de agências. A digitalização do processo, via Caixa Tem ou aplicativo FGTS, tem reduzido a necessidade de deslocamentos, especialmente em grandes cidades.

O que acontece se não sacar?

Deixar de retirar o dinheiro no prazo estipulado não gera perda permanente. O valor não sacado permanece na conta do FGTS, rendendo 3% ao ano mais a Taxa Referencial, e pode ser acessado em situações futuras previstas em lei, como compra de imóvel ou aposentadoria. No entanto, no contexto do saque-aniversário, o trabalhador só terá nova chance no ano seguinte, conforme seu mês de nascimento.

Esse mecanismo incentiva o uso planejado do benefício, mas também reflete a flexibilidade do programa. Em 2024, milhares de trabalhadores deixaram de resgatar os valores por desconhecimento das datas, o que levou a campanhas de conscientização por parte da Caixa.

Discussões sobre o futuro da modalidade

Desde 2024, o governo federal debate o fim do saque-aniversário. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defende que a modalidade enfraquece o papel do FGTS como proteção contra demissões, já que mais de 9 milhões de demitidos em 2024 não puderam sacar o saldo integral por terem aderido ao programa. Um projeto de lei foi anunciado para novembro de 2024, mas até abril de 2025 não houve avanços concretos no Congresso.

A proposta sugere substituir o saque-aniversário por crédito consignado mais acessível, com descontos diretos no salário. Parlamentares, porém, questionam os juros dessa alternativa, que podem superar os custos de antecipação do FGTS oferecidos por bancos. Enquanto o debate segue, a modalidade permanece ativa em 2025.

Benefícios e limitações do programa

O saque-aniversário oferece vantagens claras, como a possibilidade de usar o dinheiro anualmente para despesas imediatas ou investimentos. Para quem tem saldos altos, o valor adicional de até R$ 2.900 é um atrativo significativo. Por outro lado, a perda do saque integral em demissões é uma limitação que pesa na decisão de muitos trabalhadores, especialmente em tempos de instabilidade no mercado de trabalho.

A flexibilidade do programa é equilibrada por essa restrição. Famílias que dependem do FGTS como reserva de emergência podem preferir o saque-rescisão, enquanto quem tem outras fontes de segurança financeira vê no aniversário uma oportunidade de liquidez anual.

Curiosidades sobre o FGTS

Criado em 1966, o FGTS substituiu a estabilidade no emprego após 10 anos, oferecendo uma poupança forçada aos trabalhadores formais. O saque-aniversário, instituído em 2020, foi uma inovação do governo Bolsonaro para dar mais autonomia ao uso do fundo. Até então, os saques eram restritos a situações como demissão, compra de casa ou aposentadoria.

Hoje, o fundo acumula bilhões em depósitos, mas muitos trabalhadores desconhecem seu saldo. A digitalização via aplicativo FGTS tem mudado esse cenário, permitindo consultas rápidas e adesões sem burocracia.

Alternativas ao saque-aniversário

Quem não adere ao programa pode acessar o FGTS em outras situações. A compra de imóvel permite usar o saldo para entrada ou amortização de financiamentos, enquanto a aposentadoria libera o valor total acumulado. Calamidades públicas, como enchentes, também autorizam saques extraordinários, sujeitos a aprovação municipal.

Para os demitidos, o saque-rescisão segue como a principal opção, garantindo o saldo integral mais a multa. Essas alternativas ampliam as possibilidades de uso do fundo, atendendo a diferentes necessidades ao longo da vida.

Suporte para dúvidas e problemas

Resolver questões sobre o saque-aniversário é fácil com os canais da Caixa. O telefone 111 funciona todos os dias, enquanto o aplicativo FGTS oferece suporte 24 horas. Agências e lotéricas também atendem presencialmente, especialmente para quem enfrenta dificuldades com depósitos não realizados ou saldos inconsistentes.

Atualizar dados no aplicativo ou site evita bloqueios no pagamento. Em 2025, a expectativa é que a Caixa intensifique o atendimento nos meses de maior movimento, como janeiro e julho, para suprir a demanda.

Preparação para o resgate em 2025

Com o calendário em mãos, os trabalhadores devem se organizar para aproveitar o saque-aniversário. Verificar o saldo no aplicativo FGTS, confirmar a adesão e indicar uma conta bancária são passos essenciais. Para saques presenciais, levar documentos como CPF e Cartão Cidadão agiliza o processo.

O programa segue como uma ferramenta valiosa para milhões, equilibrando acesso imediato ao dinheiro com a função original do FGTS de proteger o trabalhador. Com datas definidas e valores claros, 2025 promete manter a modalidade como um recurso relevante no planejamento financeiro.

Veja Também