Cruzeiro perde por 2 a 1 para Mushuc Runa e afunda na lanterna do grupo E da Sul-AmericanaPor Thiago Lemos
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A noite de quarta-feira foi mais um capítulo amargo para o Cruzeiro em 2025. Em um Mineirão de portões fechados, o time mineiro caiu por 2 a 1 diante do Mushuc Runa, modesto clube equatoriano, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Com o resultado, a equipe celeste segue sem pontuar no grupo E, consolidando-se na lanterna e aumentando a pressão sobre jogadores, comissão técnica e diretoria. O jogo, que deveria ser uma chance de recuperação após duas derrotas consecutivas, revelou um Cruzeiro apático, desorganizado e incapaz de transformar sua superioridade teórica em domínio prático.
O revés diante de um adversário que disputa apenas sua terceira participação em torneios continentais escancarou problemas crônicos. Apesar de contar com um elenco reforçado por nomes como Gabigol, Dudu e Matheus Pereira, contratados em uma janela de transferências ambiciosa, o Cruzeiro não conseguiu impor seu jogo. A posse de bola, que chegou a 72% ao longo da partida, não se traduziu em oportunidades claras. Foram apenas 10 finalizações, contra 12 do Mushuc Runa, que soube explorar as falhas defensivas e a falta de criatividade do time brasileiro.
Para o torcedor cruzeirense, o cenário é desolador. Em 14 partidas disputadas na temporada, o clube soma quatro vitórias, quatro empates e seis derrotas. A defesa, um dos pontos mais criticados, foi vazada em 13 jogos consecutivos, com exceção da estreia no Campeonato Mineiro contra o Tombense. O ataque, por sua vez, marcou apenas cinco gols sob o comando do técnico Leonardo Jardim, que acumula um aproveitamento de 33,3% em cinco jogos. A derrota para o Mushuc Runa foi o terceiro tropeço seguido, após perdas para o Unión de Santa Fe, na Sul-Americana, e para o Internacional, no Brasileirão.
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— Cruzeiro ???? (@Cruzeiro) April 10, 2025
Um jogo para esquecer no Mineirão
A partida contra o Mushuc Runa começou com o Cruzeiro tentando pressionar, mas sem sucesso. Nos primeiros 15 minutos, o time perdeu Matheus Henrique por lesão, o que já comprometeu o meio-campo. Enquanto isso, o adversário equatoriano, mesmo desfalcado de Tapiero no mesmo período, manteve-se firme na defesa e apostou em contra-ataques. O gol inaugural veio na primeira etapa, com Carlos Orejuela aproveitando um rebote do goleiro Cássio após uma falha na marcação celeste.
No segundo tempo, o Cruzeiro ensaiou uma reação. Aos 20 minutos, após uma confusão na arbitragem que paralisou o jogo por cerca de cinco minutos, um pênalti foi marcado a favor dos brasileiros. Gabigol converteu com frieza, empatando o placar em 1 a 1. A torcida, mesmo ausente fisicamente, parecia ganhar eco nas caixas de som do estádio, que reproduziam cânticos para simular o apoio. No entanto, a esperança durou pouco. Dez minutos depois, Bryan Bentaberry subiu mais alto que a zaga cruzeirense em uma cobrança de escanteio e cabeceou para decretar a vitória do Mushuc Runa.
O desempenho do time foi tão abaixo do esperado que até os jogadores reconheceram os erros. Cássio, em entrevista após o jogo, apontou “erros infantis” no sistema defensivo, enquanto o técnico Leonardo Jardim assumiu a responsabilidade pela derrota. A apatia em campo contrastou com a eficiência equatoriana, que, mesmo com uma folha salarial dez vezes inferior à do Cruzeiro, saiu de Belo Horizonte com três pontos e a liderança isolada do grupo E, com seis.
Números que pesam contra o Cruzeiro
Os números da partida reforçam a fragilidade do Cruzeiro. Apesar do domínio na posse de bola, o time finalizou menos que o adversário e não criou chances claras o suficiente para justificar um resultado diferente. O Mushuc Runa, por outro lado, foi cirúrgico: marcou dois gols em suas melhores oportunidades e segurou a pressão nos minutos finais. A estatística de 13 jogos seguidos sofrendo gols em 2025, agora ampliada para 14, é um sinal claro de que a defesa celeste precisa de ajustes urgentes.
- Posse de bola: Cruzeiro 72% x 28% Mushuc Runa
- Finalizações: Cruzeiro 10 x 12 Mushuc Runa
- Gols sofridos em 2025: 17 em 14 jogos
- Aproveitamento com Leonardo Jardim: 33,3% em cinco partidas
Pressão sobre Leonardo Jardim cresce
Leonardo Jardim, técnico português contratado para elevar o patamar do Cruzeiro, enfrenta um momento delicado. Em cinco jogos sob seu comando, o time venceu apenas uma vez, empatou duas e perdeu duas, sofrendo seis gols e marcando cinco. A derrota para o Mushuc Runa, em casa, intensificou as críticas da torcida nas redes sociais, onde muitos pedem sua saída. O treinador, no entanto, segue respaldado pela diretoria, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre seu futuro.
Antes do jogo, Jardim escalou o que tinha de melhor: Cássio no gol, uma zaga com Fabrício Bruno e Jonathan Jesus, e um ataque liderado por Gabigol, Dudu e Matheus Pereira. A ideia era usar um esquema com três meio-campistas para controlar o jogo, mas a execução falhou. O português reconheceu a culpa pelo resultado, mas também destacou a dificuldade de ajustar um elenco que, segundo ele, ainda não encontrou química em campo.
A pressão não se limita ao treinador. Pedro Lourenço, dono da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) que gere o clube, já havia cobrado publicamente uma resposta do time após os tropeços recentes. As palavras do dirigente, ditas na segunda-feira anterior ao jogo, ecoaram ainda mais alto após o revés no Mineirão. Ele questionou o retorno dos altos investimentos feitos nas últimas janelas, que trouxeram reforços de peso, mas não conseguiram transformar o Cruzeiro em uma equipe competitiva.
Mushuc Runa: o algoz improvável
Enquanto o Cruzeiro afunda, o Mushuc Runa celebra um feito histórico. Fundado em 2003 na cidade de Ambato, o clube equatoriano tem apenas 22 anos de existência e uma trajetória modesta. Sua ascensão à elite do futebol nacional veio em 2014, mas a equipe nunca havia brilhado em competições internacionais. Até esta temporada, eram apenas quatro jogos fora do Equador, com resultados discretos. Agora, com duas vitórias em dois jogos na Sul-Americana, o “Ponchito”, como é conhecido, lidera o grupo E com 100% de aproveitamento.
O time chegou ao Mineirão com um elenco simples, mas determinado. Vestidos com ternos de luxo e ponchos vermelhos, os jogadores mostraram personalidade desde o desembarque. Em campo, Carlos Orejuela e Bryan Bentaberry foram os destaques, enquanto o meia Cristian Penilla e o atacante Renny Simisterra ditaram o ritmo ofensivo. A vitória sobre o Cruzeiro foi a primeira de um clube equatoriano contra um brasileiro em Belo Horizonte pela Sul-Americana, um marco para o Mushuc Runa.
A diferença financeira entre os dois times é gritante. Enquanto o Cruzeiro investiu pesado em contratações, o Mushuc Runa opera com uma folha salarial estimada em dez vezes menos. Ainda assim, a eficiência equatoriana superou o estrelismo brasileiro, expondo as fragilidades de um projeto que, até agora, não decolou.
O drama na Copa Sul-Americana
Com a derrota, o Cruzeiro vive uma situação crítica na Copa Sul-Americana. O grupo E tem o Mushuc Runa na liderança com seis pontos, seguido por Palestino e Unión de Santa Fe, ambos com três. O time mineiro, zerado, precisará de uma campanha quase perfeita nas próximas quatro rodadas para sonhar com a classificação. Apenas o primeiro colocado avança diretamente às oitavas de final, enquanto o segundo disputa um playoff.
O próximo desafio será fora de casa, contra o Palestino, no Chile, no dia 24 de abril, às 21h30. Antes disso, o Cruzeiro terá compromissos pelo Brasileirão, onde também não vive um bom momento, ocupando o meio da tabela com uma vitória, um empate e uma derrota em três rodadas. A sequência de jogos será decisiva para definir se o time conseguirá reagir ou se afundará ainda mais na crise.
Falhas defensivas: o calcanhar de Aquiles
A defesa do Cruzeiro é um problema recorrente em 2025. Dos 17 gols sofridos em 14 jogos, muitos vieram de falhas individuais ou desatenção coletiva. Contra o Mushuc Runa, o primeiro gol nasceu de um rebote mal aproveitado por Cássio e uma marcação frouxa na área. O segundo, de um escanteio em que Bentaberry subiu livre, evidenciou a falta de organização na bola aérea, um ponto fraco que já havia sido explorado por adversários anteriores.
Cássio, ídolo do Corinthians e contratado para trazer segurança ao gol, não conseguiu evitar os dois tentos equatorianos. Após o jogo, o goleiro foi direto ao desabafar sobre os “erros infantis” da defesa, mas evitou apontar culpados. A zaga, composta por Fabrício Bruno e Jonathan Jesus, também não passou confiança, enquanto os laterais William e Kaiki tiveram atuação discreta. No meio, a saída precoce de Matheus Henrique desequilibrou o setor, deixando Lucas Romero e Walace sobrecarregados.
O técnico Leonardo Jardim já testou diferentes formações defensivas, mas nenhuma trouxe consistência. A média de 1,2 gol sofrido por partida na temporada é um reflexo da dificuldade em encontrar um sistema sólido. Enquanto isso, os adversários continuam encontrando brechas, como fez o Mushuc Runa, que explorou contra-ataques e jogadas de bola parada com precisão.
Ataque milionário não rende
Se a defesa falha, o ataque também não entrega o esperado. Com Gabigol, Dudu e Matheus Pereira, o Cruzeiro montou um trio ofensivo que, em teoria, deveria ser letal. Na prática, porém, a produção é tímida. Contra o Mushuc Runa, Gabigol marcou de pênalti, mas não foi suficiente para evitar a derrota. Dudu, apagado, pouco criou, enquanto Matheus Pereira, acertou 73 passes, não conseguiu ser decisivo nas jogadas finais.
Em cinco jogos com Leonardo Jardim, o ataque marcou apenas cinco gols, uma média de um por partida. A falta de entrosamento entre os jogadores é visível, assim como a dificuldade em converter o domínio territorial em chances reais. O time finaliza, em média, 9,8 vezes por jogo, mas a precisão deixa a desejar. Contra o Mushuc Runa, por exemplo, poucas tentativas levaram perigo real ao goleiro Formento.
A comparação com o adversário é constrangedora. O Mushuc Runa, com um ataque liderado por Orejuela, Simisterra e Penilla, foi mais eficiente, mesmo com menos posse de bola e um elenco bem menos badalado. A vitória equatoriana mostrou que, no futebol, organização e determinação podem superar o talento individual quando este não é bem aproveitado.
Torcida cobra mudanças urgentes
Mesmo sem público no Mineirão, por conta de uma punição devido ao uso de sinalizadores em 2024, a insatisfação da torcida cruzeirense ecoou nas redes sociais. Frases como “um dos piores jogos que já assisti” e pedidos pela demissão de Leonardo Jardim dominaram as conversas entre os torcedores. A derrota para um time como o Mushuc Runa, visto como zebra antes da partida, foi a gota d’água para muitos.
A relação entre torcida e clube já vinha abalada desde o Campeonato Mineiro, quando o time não conseguiu engrenar. As duas vitórias consecutivas com o interino Wesley Carvalho, no início do ano, foram o ponto alto da temporada até agora, mas o desempenho caiu drasticamente com a chegada de Jardim. A diretoria, pressionada por Pedro Lourenço, terá de agir rápido para evitar que a turbulência se transforme em uma crise irreversível.
Os próximos jogos serão um teste de fogo. Além do confronto com o Palestino na Sul-Americana, o Cruzeiro enfrenta desafios no Brasileirão, onde precisa somar pontos para não se afastar do pelotão de cima. A torcida, mesmo à distância, espera uma resposta em campo que devolva a confiança em um projeto que prometia muito, mas até agora entregou pouco.
Calendário dos próximos desafios
O Cruzeiro não terá tempo para lamentar. Os próximos compromissos exigirão uma reação imediata, tanto na Sul-Americana quanto no Brasileirão. Confira as datas e adversários que o time enfrentará nas próximas semanas:
- 13 de abril: Cruzeiro x Botafogo, às 16h, pelo Brasileirão
- 20 de abril: Atlético-MG x Cruzeiro, às 18h, pelo Brasileirão
- 24 de abril: Palestino x Cruzeiro, às 21h30, pela Sul-Americana
- 27 de abril: Cruzeiro x Corinthians, às 16h, pelo Brasileirão
Reação ou crise à vista?
Após a derrota para o Mushuc Runa, o Cruzeiro se vê em uma encruzilhada. A lanterna do grupo E da Sul-Americana coloca em xeque a capacidade do time de se recuperar na competição continental. Com seis pontos de desvantagem para o líder e apenas quatro rodadas pela frente, a margem de erro é mínima. Uma vitória contra o Palestino, no Chile, será essencial para manter viva a esperança de classificação.
Fora de campo, a pressão sobre Leonardo Jardim e a diretoria só aumenta. Pedro Lourenço, que investiu pesado no elenco, deixou claro seu descontentamento com os resultados. As contratações de peso, como Gabigol e Dudu, foram feitas para recolocar o Cruzeiro entre os protagonistas do futebol sul-americano, mas o desempenho atual está longe disso. A falta de padrão tático e os erros recorrentes em campo sugerem que ajustes profundos são necessários, seja na comissão técnica ou na postura dos jogadores.
O ambiente no clube já sente os efeitos da turbulência. A sequência de três derrotas seguidas reacendeu debates sobre a gestão da SAF e a escolha de Leonardo Jardim como treinador. Enquanto isso, o Mushuc Runa, com sua vitória histórica, segue firme na liderança do grupo, enfrentando o Unión de Santa Fe no dia 23 de abril, em Quito. Para o Cruzeiro, o caminho é mais tortuoso, e o próximo passo será decisivo para definir o rumo da temporada.
Curiosidades sobre o confronto
O jogo entre Cruzeiro e Mushuc Runa trouxe alguns fatos interessantes que marcaram a noite no Mineirão. Veja abaixo algumas curiosidades que ajudam a entender o contexto da partida:
- Primeira vitória equatoriana em Belo Horizonte pela Sul-Americana
- Mushuc Runa disputou apenas seu quarto jogo internacional na história
- Cruzeiro não vence há três jogos, pior sequência em 2025
- Gabigol marcou seu primeiro gol de pênalti pelo Cruzeiro







