O Corinthians vive dias de intensa movimentação nos bastidores após a demissão de Ramón Díaz, ocorrida na quinta-feira, 17 de abril de 2025, após uma derrota por 2 a 0 para o Fluminense, na Neo Química Arena. A saída do treinador argentino, que não conseguiu emplacar resultados consistentes, abriu espaço para especulações sobre o próximo comandante do clube. A diretoria alvinegra, liderada pelo presidente Augusto Melo e pelo diretor Fabinho Soldado, trabalha contra o tempo para definir um novo técnico antes do confronto contra o Racing, do Uruguai, pela Copa Sul-Americana, marcado para 24 de abril. Entre os nomes cotados, Tite surge como o favorito, enquanto Dorival Júnior, inicialmente visto como plano A, perde força nas negociações.
A busca por um novo treinador reflete a urgência do Corinthians em retomar o caminho das vitórias. O clube, que enfrenta desafios dentro e fora de campo, incluindo uma dívida bilionária, aposta em um nome de peso para trazer estabilidade. Tite, ídolo corintiano e com histórico vitorioso no clube, é visto como a solução ideal para corrigir problemas táticos, especialmente na defesa, que sofreu 12 gols nas últimas cinco partidas do Campeonato Brasileiro. A ligação emocional do treinador com o Timão, onde conquistou títulos como a Libertadores de 2012 e o Mundial de Clubes no mesmo ano, pesa a favor de sua contratação.
Dorival Júnior, por outro lado, teve seu nome ventilado com força logo após a demissão de Díaz. O treinador, que deixou a Seleção Brasileira em março de 2025 após uma passagem sem brilho, era apontado como uma opção viável por sua experiência em clubes como Flamengo e São Paulo. Contudo, a falta de avanços nas conversas e a demora em dar uma resposta clara ao clube irritaram parte da diretoria, que passou a priorizar Tite. A torcida, dividida, demonstra apoio a ambos os nomes, mas a preferência por Tite cresce à medida que as negociações avançam.
Por que Tite é o favorito?
Tite, cujo nome completo é Adenor Leonardo Bacchi, tornou-se a principal aposta do Corinthians por diversos fatores. Sua história no clube é marcada por conquistas expressivas, incluindo o Campeonato Brasileiro de 2011 e 2015, além dos títulos internacionais mencionados. O treinador, que está sem clube desde sua saída do Flamengo em setembro de 2024, demonstrou interesse em ouvir a proposta do Timão, mesmo tendo planos iniciais de assumir um time na Arábia Saudita. A diretoria alvinegra vê nele a capacidade de reorganizar o elenco e implementar um sistema defensivo mais sólido, algo que Ramón Díaz não conseguiu.
A escolha por Tite também reflete a necessidade de um líder que conheça a pressão de comandar o Corinthians. Durante sua passagem anterior, entre 2010 e 2016, o técnico enfrentou momentos de crise e conseguiu superá-los, conquistando a confiança da torcida. Sua experiência com elencos estrelados, como o atual, que conta com jogadores como Memphis Depay, é outro ponto a favor. A diretoria acredita que Tite pode extrair o melhor do atacante holandês, que chegou ao clube com status de grande contratação, mas ainda não rendeu o esperado, com apenas dois gols em sete jogos no Brasileirão.
Além disso, a relação de Tite com o Corinthians vai além do campo. O treinador é visto como um símbolo de identificação com a torcida, que o reverencia por suas conquistas e postura profissional. A diretoria aposta que sua volta pode reacender o entusiasmo dos torcedores, que lotaram a Neo Química Arena em 85% dos jogos da temporada, mas demonstram insatisfação com os resultados recentes. Uma reunião entre Tite e os dirigentes está marcada para os próximos dias, com a expectativa de que um acordo seja selado antes do duelo pela Sul-Americana.
- Histórico vitorioso: Tite conquistou seis títulos pelo Corinthians, incluindo Libertadores e Mundial.
- Conhecimento do clube: Sua passagem anterior garante familiaridade com a pressão e a cultura corintiana.
- Apoio da torcida: Enquetes mostram que 68% dos torcedores aprovam seu retorno.
- Capacidade tática: Especialista em sistemas defensivos, pode corrigir falhas do elenco atual.
A trajetória de Dorival Júnior no radar do Timão
Dorival Júnior, embora tenha perdido terreno nas negociações, ainda é considerado uma alternativa viável pelo Corinthians. O treinador, que já comandou Santos, Palmeiras, São Paulo e Flamengo, tem um currículo respeitável, com destaque para a Libertadores de 2022 e a Copa do Brasil de 2023. Sua passagem pela Seleção Brasileira, iniciada em janeiro de 2024 e encerrada em março de 2025, foi marcada por críticas, mas seu trabalho em clubes é amplamente reconhecido. No Flamengo, por exemplo, ele alcançou uma média de 1,9 pontos por jogo, demonstrando capacidade de gerenciar elencos competitivos.
O interesse do Corinthians em Dorival começou antes mesmo da demissão de Ramón Díaz. Contatos informais foram feitos na sexta-feira, 18 de abril, mas as conversas não evoluíram para uma proposta oficial. O treinador, que manifestou desejo antigo de trabalhar no Timão, pediu tempo para avaliar a oferta, o que gerou desconforto na diretoria. Alguns dirigentes interpretaram a demora como falta de interesse, enquanto outros acreditam que Dorival aguardava uma possível proposta do Santos, clube onde também é ídolo. A derrota do Santos para o São Paulo no fim de semana, no entanto, enfraqueceu essa possibilidade.
Apesar do apoio de parte da torcida, que em enquete do site Meu Timão deu 62% de aprovação a Dorival, sua contratação enfrenta obstáculos. A falta de contato direto com o treinador e a ausência de uma negociação formal indicam que o Corinthians já voltou suas atenções para Tite. Mesmo assim, Dorival permanece como plano B, especialmente por sua habilidade em trabalhar com jovens talentos, como o meia Gabriel Moscardo, que retornou de lesão e é visto como peça-chave para o futuro do clube.
Os desafios do próximo treinador
O novo técnico do Corinthians terá pela frente uma missão complexa. O clube ocupa a 12ª posição no Campeonato Brasileiro, com 15 pontos em 10 rodadas, e enfrenta dificuldades para engatar uma sequência de vitórias. Na Copa Sul-Americana, a situação é mais confortável, com o time na liderança de seu grupo, mas a partida contra o Racing será um teste crucial. Além disso, o elenco apresenta desequilíbrios, com uma defesa vulnerável e um ataque que depende excessivamente de Memphis Depay, que, apesar do talento, ainda não se adaptou completamente ao futebol brasileiro.
A pressão da torcida é outro fator que o próximo treinador precisará administrar. Os corintianos, conhecidos por sua paixão e exigência, cobram resultados imediatos, especialmente após a frustrante passagem de Ramón Díaz, que venceu apenas 45% dos jogos que disputou. A diretoria, por sua vez, busca um comandante capaz de implementar um projeto de médio a longo prazo, mas sem abrir mão de vitórias no curto prazo. Esse equilíbrio será fundamental para evitar novas crises no Parque São Jorge.
Internamente, o Corinthians também enfrenta desafios financeiros. A dívida do clube, que ultrapassa R$ 1,2 bilhão, limita investimentos em contratações e exige que o treinador maximize o potencial do elenco atual. Jogadores como Yuri Alberto, que marcou cinco gols no Brasileirão, e Matheuzinho, titular na lateral direita, serão peças importantes para o próximo comandante. A capacidade de integrar jovens da base, como o zagueiro João Pedro, também será um diferencial na escolha do técnico.
- Campeonato Brasileiro: 12ª colocação, com 15 pontos em 10 jogos.
- Copa Sul-Americana: Líder do grupo, com duas vitórias em dois jogos.
- Elenco: Mistura de estrelas como Memphis Depay e jovens promissores como Gabriel Moscardo.
- Finanças: Dívida de R$ 1,2 bilhão exige gestão eficiente do elenco atual.
O impacto da escolha na temporada
A definição do novo treinador terá reflexos diretos na temporada do Corinthians. Com a Copa Sul-Americana como principal objetivo, o clube precisa de um comandante que traga organização tática e motive o elenco para jogos decisivos. O duelo contra o Racing, na quinta-feira, 24 de abril, será o primeiro grande teste. Uma vitória pode consolidar a liderança do grupo e dar confiança para a sequência da competição, enquanto um tropeço pode aumentar a pressão sobre a diretoria e o interino Orlando Ribeiro, que comanda o time temporariamente.
No Campeonato Brasileiro, o Corinthians busca se aproximar do G-6, zona de classificação para a Libertadores. A distância para o sexto colocado, atualmente o Athletico Paranaense, é de cinco pontos, o que torna a recuperação possível, mas dependente de uma arrancada nas próximas rodadas. Tite, com sua experiência em competições nacionais, é visto como o nome ideal para liderar essa virada, enquanto Dorival, com seu estilo ofensivo, poderia trazer um futebol mais vistoso, mas menos seguro defensivamente.
A torcida, que tem comparecido em peso aos jogos, com média de 38 mil pagantes por partida na Neo Química Arena, espera um treinador que honre a tradição do clube. A escolha entre Tite e Dorival, ou até mesmo uma surpresa como Luís Castro, que também foi sondado, definirá o rumo do Corinthians em 2025. A diretoria, ciente da importância do momento, trabalha com cautela para evitar decisões precipitadas, mas a expectativa é de que o anúncio ocorra antes do fim da semana.
Cronograma das próximas etapas
O Corinthians segue um planejamento claro para definir seu novo treinador. A diretoria estabeleceu prazos e metas para garantir que o escolhido esteja no comando antes de jogos cruciais. Abaixo, um resumo das próximas etapas:
- 22 a 23 de abril: Reuniões com Tite e possíveis contatos com outros técnicos, como Dorival Júnior.
- 24 de abril: Jogo contra o Racing, pela Sul-Americana, com Orlando Ribeiro como interino.
- 25 a 26 de abril: Anúncio oficial do novo treinador, caso as negociações avancem.
- 27 de abril: Estreia do novo técnico contra o Sport, pelo Brasileirão, na Ilha do Retiro.
Outros nomes no radar
Embora Tite e Dorival sejam os principais cotados, o Corinthians não descarta outras opções. Luís Castro, português que comandou o Botafogo e o Al-Nassr, foi sondado, mas sua contratação é considerada improvável devido ao alto custo e à falta de identificação com o clube. Fábio Carille, outro ex-treinador do Timão, também teve seu nome ligado ao cargo, mas a prioridade é um perfil mais experiente e com currículo recente de conquistas. A diretoria, ciente da necessidade de agradar a torcida, evita nomes menos expressivos, como Jair Ventura, que chegou a ser especulado, mas não ganhou força.
A escolha do novo treinador também passa por questões políticas internas. Augusto Melo, que enfrenta críticas por decisões administrativas, como o aumento da dívida, vê na contratação de Tite uma forma de recuperar prestígio junto aos torcedores. Fabinho Soldado, responsável pelas negociações, adota uma postura reservada, evitando vazamentos para não comprometer as tratativas. A blindagem no CT Joaquim Grava reflete o cuidado com que o clube conduz o processo, especialmente após polêmicas envolvendo contatos prematuros com Dorival.
O histórico de treinadores do Corinthians mostra que nomes de peso, como Tite e Mano Menezes, conseguiram resultados expressivos, enquanto apostas menos conhecidas, como Tiago Nunes, enfrentaram dificuldades. Essa memória influencia a diretoria, que busca um técnico com experiência em grandes clubes e capacidade de lidar com a pressão da Fiel. A escolha final, seja Tite, Dorival ou um outsider, marcará o início de um novo capítulo na temporada alvinegra.
O peso da torcida na decisão
A torcida do Corinthians, conhecida como Fiel, desempenha um papel central na busca pelo novo treinador. Com uma média de 38 mil torcedores por jogo na Neo Química Arena, os alvinegros são um dos públicos mais apaixonados do Brasil. Enquetes realizadas por veículos como Meu Timão e ESPN mostram que Tite tem a preferência de 68% dos torcedores, enquanto Dorival conta com 62% de aprovação. A rejeição a nomes menos expressivos, como interinos ou técnicos sem histórico no clube, é alta, com 75% dos torcedores exigindo um comandante de renome.
A pressão da torcida se reflete nas redes sociais, onde hashtags como #VoltaTite e #DorivalNoTimão ganharam força nos últimos dias. Jogadores como Memphis Depay, que já criticou a imprensa por especulações, também sentem o peso das cobranças. O holandês, que custou R$ 40 milhões aos cofres do clube, é alvo de expectativas altas, e o próximo treinador terá a missão de integrá-lo ao sistema tático. A relação entre torcida, elenco e treinador será crucial para o sucesso do projeto em 2025.
A diretoria, ciente do impacto da escolha, busca um nome que una o elenco e os torcedores. Tite, por sua história, é visto como o candidato ideal para essa missão, mas Dorival, com seu estilo carismático, também tem potencial para conquistar a Fiel. A decisão, que deve ser anunciada nos próximos dias, promete ser um marco na temporada do Corinthians, que busca recuperar seu protagonismo no futebol brasileiro.

