Ronaldinho e campeões mundiais levam o Brasil à Índia em evento milionárioPor Jeronimo Santos
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A chegada de Ronaldinho Gaúcho ao saguão do hotel em Chennai, no sul da Índia, marcou o início de uma jornada inesquecível. Eram 6h30 da manhã, e o astro, visivelmente exausto após uma longa viagem desde Londres, surpreendeu a todos ao escolher uma macarronada como primeira refeição do dia. O episódio, narrado com bom humor pelo organizador Ricardo Ximenes, foi apenas a abertura de um evento de cinco dias que reuniu campeões mundiais das Copas de 1994 e 2002, como Rivaldo, Lúcio, Edmilson e Dunga, em uma missão que combinou futebol, nostalgia e impacto social. O jogo festivo, que atraiu 23 mil torcedores ao Estádio Jawaharlal Nehru, terminou com vitória brasileira por 2 a 1 contra o All Stars da Índia, mas o evento foi muito além do placar.
Essa viagem, organizada pela Brazil Soccer Academy, não foi apenas um amistoso. Envolveu a inauguração de uma escolinha de futebol, um jantar beneficente e um investimento estimado em um milhão de dólares. A iniciativa trouxe à tona a força do futebol brasileiro em mercados onde o esporte luta para competir com a popularidade do crícket, como na Índia. Além disso, revelou uma indústria consolidada que movimenta cachês de até 150 mil dólares para ex-jogadores, mobilizando logística complexa e atraindo multidões.
O impacto da presença de nomes como Ronaldinho foi imediato. Crianças vestindo camisas personalizadas, seguranças reforçados e ingressos que custavam até 200 dólares – o equivalente a um salário mínimo local – mostraram o magnetismo dos craques. Para os ex-jogadores, a experiência foi uma oportunidade de reviver momentos de glória, reencontrar colegas e contribuir para causas sociais, enquanto para os organizadores, tratou-se de um empreendimento estratégico que reforça o Brasil como referência global no futebol.
- Nostalgia em campo: O jogo festivo reuniu campeões mundiais em um estádio que raramente lota para futebol.
- Impacto social: A inauguração de uma escolinha e o jantar beneficente beneficiaram crianças em vulnerabilidade.
- Investimento milionário: Cerca de um milhão de dólares foi mobilizado para passagens, cachês e logística.
- Cachês altos: Jogadores receberam entre 5 mil e 150 mil dólares, com Ronaldinho como principal atração.
Uma indústria de eventos esportivos globais
Organizar um evento como o de Chennai exige meses de planejamento e uma rede de contatos que vai além das fronteiras. A Brazil Soccer Academy, comandada por Ricardo Ximenes, opera há duas décadas nesse mercado, levando ex-jogadores brasileiros a destinos tão diversos quanto Vietnã, Quênia e Síria. A empresa atua em duas frentes: eventos comerciais, que atraem patrocinadores e grandes públicos, e iniciativas humanitárias, como jogos beneficentes em regiões afetadas por desastres naturais. Na Índia, o projeto mesclou essas duas vertentes, com um amistoso de alto nível e ações voltadas para crianças carentes.
A escolha da Índia como destino não foi aleatória. O país, apaixonado por crícket, tem investido na popularização do futebol, especialmente após a criação da Indian Super League, que atraiu nomes como Alessandro Del Piero e Marco Materazzi. A presença de lendas brasileiras, portanto, serviu como catalisador para reacender o interesse pelo esporte. O Estádio Jawaharlal Nehru, com capacidade para 40 mil pessoas, foi palco de um espetáculo que mobilizou até o exército indiano para garantir a segurança dos atletas, tamanha era a multidão que se aglomerava do lado de fora.
Para os ex-jogadores, o evento foi mais do que uma oportunidade financeira. Paulo Sérgio, tetracampeão em 1994, destacou a emoção de reencontrar colegas e compartilhar histórias de suas carreiras. A logística, que incluiu voos em classe executiva, hotéis de luxo e até acompanhantes para alguns atletas, reforçou o caráter premium da experiência. Contudo, o verdadeiro diferencial, segundo Ximenes, é a confiança: os jogadores só aceitam participar de eventos com organizadores confiáveis, evitando riscos de inadimplência, algo que já ocorreu em outros projetos.
A logística por trás do espetáculo
Planejar uma viagem com tantas estrelas do futebol exige precisão. Cada detalhe, desde a emissão de vistos até a segurança no estádio, foi cuidadosamente orquestrado. O investimento total, próximo a um milhão de dólares, cobriu passagens aéreas, hospedagem, alimentação e cachês que variaram de 5 mil a 150 mil dólares por jogador. Ronaldinho, como principal atração, provavelmente esteve na faixa mais alta, embora Ximenes não revele valores exatos. A organização também custeou a presença de familiares e acompanhantes, aumentando a complexidade da operação.
A agenda foi intensa. Após a chegada em Chennai, os atletas participaram da inauguração da Football Pro Soccer Academy, uma escolinha destinada a formar jovens talentos. Cerca de 100 crianças, selecionadas para o evento, tiveram a chance de tirar fotos e receber autógrafos de Ronaldinho e Rivaldo, que cortaram a faixa de abertura. Uma das crianças, segundo Ximenes, usava uma camisa personalizada com o nome “Dinho”, inspirada no uniforme que marcou os primeiros anos de Ronaldinho no Grêmio.
O jantar beneficente, realizado no dia seguinte, reuniu 150 convidados dispostos a pagar 2 mil reais por ingresso. O evento, que contou com a presença de Ronaldinho e outros craques, arrecadou fundos para uma organização local que apoia crianças em situação de vulnerabilidade. A alta culinária contrastou com a macarronada matinal do astro, mas a atmosfera de celebração foi a mesma. Para os organizadores, o jantar foi uma oportunidade de atrair patrocinadores e reforçar a dimensão filantrópica do projeto.
- Inauguração marcante: A escolinha de futebol abriu portas para 100 crianças, com Rivaldo e Ronaldinho como protagonistas.
- Jantar de gala: Ingressos a 2 mil reais financiaram ações sociais, com 150 participantes.
- Segurança reforçada: O exército indiano foi mobilizado para proteger os atletas de multidões.
- Logística complexa: Vistos, voos e hospedagem custaram cerca de 250 mil dólares.
O jogo que parou Chennai
O ponto alto da viagem foi o amistoso entre as Lendas do Brasil e o All Stars da Índia, realizado no Estádio Jawaharlal Nehru. Com capacidade para 40 mil pessoas, o local é mais conhecido por jogos de crícket, que chegam a atrair 80 mil torcedores. Para o futebol, no entanto, lotações máximas são raras. A presença de Ronaldinho mudou esse cenário: 23 mil ingressos foram vendidos, com preços que variavam de 100 a 200 dólares, valores altos para os padrões locais, equivalentes a um salário mínimo indiano.
A chegada de Ronaldinho ao estádio, em uma BMW de luxo, foi um evento à parte. Multidões se aglomeraram do lado de fora, e a segurança precisou ser reforçada para garantir a entrada dos atletas. Dentro do campo, o jogo de dois tempos de 35 minutos foi marcado pela nostalgia. Viola, campeão em 1994, abriu o placar aos 43 minutos do primeiro tempo. Bibiano Fernandes empatou para a Índia aos 44 minutos do segundo tempo, mas Ricardo Oliveira garantiu a vitória brasileira por 2 a 1 aos oito minutos da etapa final. Cada toque de Ronaldinho era acompanhado por aplausos, e bolas lançadas à arquibancada marcaram o encerramento.
O impacto do jogo foi além do placar. Para a Índia, onde o crícket reina absoluto, a presença de lendas brasileiras reacendeu o interesse pelo futebol. A Indian Super League, criada em 2014, já trouxe nomes como Roberto Carlos e Nicolas Anelka, mas eventos como esse têm o potencial de inspirar uma nova geração de torcedores e jogadores. Para os ex-craques, o amistoso foi uma chance de reviver a emoção de estar em campo, ainda que sem a intensidade dos tempos de profissional.
O impacto social e cultural
Além do espetáculo esportivo, o evento teve uma forte dimensão social. A inauguração da Football Pro Soccer Academy representou um passo concreto para a formação de jovens atletas em Chennai. A escolinha, que atenderá crianças de comunidades carentes, foi planejada para oferecer treinamento de qualidade e oportunidades de desenvolvimento. A presença de ídolos como Ronaldinho e Rivaldo durante a abertura inspirou os jovens, muitos dos quais sonham em seguir carreira no futebol.
O jantar beneficente, por sua vez, reforçou o compromisso com causas sociais. Os 150 convidados, que incluíam empresários e líderes locais, contribuíram para financiar projetos de apoio a crianças em vulnerabilidade. A organização indiana beneficiada, cujo nome não foi divulgado, trabalha com educação e saúde infantil, áreas críticas em um país onde milhões de jovens enfrentam condições precárias. A combinação de esporte e filantropia, segundo Ximenes, é o que torna esses eventos únicos.
Culturalmente, o amistoso ajudou a aproximar Brasil e Índia. O futebol brasileiro, com sua história de títulos e craques, é admirado no país asiático, mas a popularidade do crícket ainda domina. A presença de campeões mundiais, especialmente Ronaldinho, criou um momento de conexão entre as duas nações. Crianças com camisas personalizadas, faixas de apoio e pedidos de autógrafos mostraram que o carisma dos brasileiros transcende fronteiras.
- Formação de talentos: A escolinha atenderá crianças carentes, com foco em treinamento e inclusão.
- Arrecadação beneficente: O jantar levantou fundos para educação e saúde infantil.
- Conexão cultural: O evento aproximou Brasil e Índia por meio do futebol.
- Inspiração jovem: A presença de Ronaldinho motivou uma nova geração de torcedores.
A Brazil Soccer Academy e sua missão global
A Brazil Soccer Academy, responsável pelo evento, é uma peça central nessa indústria de eventos esportivos. Fundada há 20 anos, a empresa já organizou jogos em mais de 30 países, de nações africanas como Burundi e Uganda a regiões afetadas por conflitos, como Síria e Iraque. Sua missão combina negócios e impacto social, com projetos que vão desde amistosos comerciais até iniciativas em campos de refugiados. Em 2019, por exemplo, Ximenes adotou uma menina síria que perdeu os pais na guerra, um reflexo do compromisso pessoal que ele traz para o trabalho.
Na frente comercial, a empresa é procurada por instituições internacionais que buscam capitalizar a fama de ex-jogadores brasileiros. Cada evento exige meses de planejamento, com visitas prévias ao local e negociações com patrocinadores. A Índia, com sua economia em crescimento e interesse crescente pelo futebol, foi um destino estratégico. O investimento de um milhão de dólares, segundo Ximenes, foi coberto por contratantes locais, que também lucraram com a venda de ingressos e patrocínios.

A escolha dos jogadores é outro aspecto crucial. Além de Ronaldinho, nomes como Rivaldo, Lúcio e Dunga foram selecionados por sua relevância histórica e apelo global. A presença de campeões mundiais, especialmente da Copa de 2002, garantiu o sucesso do evento. Para os atletas, a participação é uma chance de manter viva a conexão com o futebol, além de receber cachês significativos. A confiança na organização, no entanto, é fundamental, já que muitos já enfrentaram problemas com promessas não cumpridas em outros eventos.
Os desafios de eventos internacionais
Realizar um evento como o de Chennai não é isento de desafios. A logística, que envolve voos internacionais, vistos e segurança, exige coordenação impecável. Na Índia, a multidão de fãs que se aglomerou fora do estádio criou um cenário de tensão, exigindo a intervenção do exército. A alta demanda por ingressos, que custavam até 200 dólares, também gerou críticas, já que o valor era inacessível para grande parte da população local.
Outro desafio é a agenda dos ex-jogadores. Muitos, como Ronaldinho, têm compromissos frequentes em eventos semelhantes ao redor do mundo. Coordenar datas e garantir a presença de tantas estrelas em um único projeto é uma tarefa complexa. A Brazil Soccer Academy limita-se a dois ou três eventos por ano, justamente para manter a qualidade e evitar imprevistos. A escolha de destinos também requer cuidado: países com infraestrutura limitada ou instabilidade política podem complicar a execução.
Apesar disso, o sucesso do evento na Índia reforçou o potencial desse mercado. A Indian Super League, que já atraiu craques aposentados, continua a crescer, e iniciativas como essa podem consolidar o futebol como um esporte de massa no país. Para os organizadores, o desafio agora é replicar o modelo em outros mercados emergentes, como Vietnã e Indonésia, onde o futebol também ganha espaço.

- Logística desafiadora: Multidões e segurança exigiram reforço militar.
- Ingressos caros: Preços de até 200 dólares limitaram o acesso de muitos fãs.
- Agenda apertada: Coordenar ex-jogadores com compromissos globais é complexo.
- Mercado promissor: A Índia é um destino estratégico para eventos esportivos.
O legado do evento em Chennai
O amistoso em Chennai deixou marcas duradouras. Para a cidade, foi uma rara oportunidade de ver lendas do futebol em ação, algo que o crícket, apesar de sua dominância, não pode oferecer. O Estádio Jawaharlal Nehru, que raramente atinge sua capacidade máxima em jogos de futebol, viveu um momento histórico com os 23 mil torcedores que vibraram com Ronaldinho e companhia. A vitória por 2 a 1, com gols de Viola e Ricardo Oliveira, foi apenas parte do espetáculo.
A Football Pro Soccer Academy, inaugurada durante a visita, já começou a operar, atendendo crianças de comunidades carentes. O projeto, que conta com apoio de patrocinadores locais, tem o potencial de formar uma nova geração de jogadores em um país onde o futebol ainda é um esporte secundário. A presença de ídolos como Rivaldo, que cortou a faixa de abertura, deu visibilidade à iniciativa e atraiu interesse de organizações esportivas.
O jantar beneficente, por sua vez, reforçou a importância de eventos que combinam esporte e responsabilidade social. Os fundos arrecadados estão sendo usados para melhorar as condições de vida de crianças em Chennai, com foco em educação e saúde. Para os ex-jogadores, a experiência foi uma chance de deixar um legado além do campo, algo que Paulo Sérgio destacou como um dos pontos altos da viagem.
O futuro dos eventos com lendas brasileiras
A indústria de eventos com ex-jogadores brasileiros está em expansão. Além da Índia, países como China, Japão e Emirados Árabes têm mostrado interesse em receber amistosos com craques aposentados. A Brazil Soccer Academy já negocia novos projetos, com Ximenes revelando que, durante o voo de volta de Chennai, conversava com cinco potenciais contratantes. A meta é manter o ritmo de dois a três eventos por ano, garantindo qualidade e impacto.
Para os ex-jogadores, esses eventos são uma forma de permanecer conectados ao futebol e aos fãs. Ronaldinho, que continua a atrair multidões onde quer que vá, é o grande trunfo dessa indústria. Sua presença garante ingressos esgotados e atenção global, mas nomes como Rivaldo, Lúcio e Dunga também têm apelo significativo, especialmente em mercados onde o futebol brasileiro é sinônimo de excelência.
O sucesso na Índia também abre portas para parcerias futuras. A Indian Super League, que já investiu em craques estrangeiros, pode se beneficiar de eventos como esse para atrair novos torcedores. Além disso, a combinação de esporte e filantropia, como visto no jantar beneficente e na escolinha, é um modelo que pode ser replicado em outros países, ampliando o impacto social do futebol.
- Novos destinos: China, Japão e Emirados Árabes são potenciais alvos.
- Ronaldinho como ímã: O astro garante multidões e visibilidade global.
- Parcerias estratégicas: A Indian Super League pode ganhar com eventos semelhantes.
- Impacto duradouro: A filantropia fortalece a imagem do futebol brasileiro.
Cronograma do evento em Chennai
A viagem das lendas brasileiras à Índia foi cuidadosamente planejada, com uma agenda que equilibrou compromissos esportivos, sociais e comerciais. Abaixo, os principais momentos do evento:
- Dia 1: Chegada dos jogadores em Chennai, com Ronaldinho surpreendendo ao pedir macarronada no café da manhã.
- Dia 2: Inauguração da Football Pro Soccer Academy, com Rivaldo e Ronaldinho cortando a faixa.
- Dia 3: Jantar beneficente com 150 convidados, arrecadando fundos para crianças carentes.
- Dia 4: Amistoso contra o All Stars da Índia, com vitória brasileira por 2 a 1.
- Dia 5: Retorno dos jogadores ao Brasil, com negociações para novos eventos já em andamento.







