Julgamento de Diddy ganha força com advogado de celebridades na seleção do júri
Mark Geragos, advogado de celebridades como Michael Jackson e Chris Brown, apareceu no tribunal federal de Manhattan na segunda-feira, dia 5 de maio de 2025, durante o início da seleção do júri para o julgamento de Sean “Diddy” Combs. A presença do renomado defensor, que não está oficialmente na equipe jurídica, gerou especulações entre promotores, que apontaram seu possível envolvimento como conselheiro do réu. Combs enfrenta acusações graves, incluindo tráfico sexual, conspiração para extorsão e transporte para prostituição, em um caso que pode resultar em prisão perpétua. O julgamento, iniciado com a escolha dos jurados, marca um momento crucial na carreira do magnata do hip-hop.
A seleção do júri, que começou no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, atraiu atenção devido à notoriedade do caso e à complexidade das acusações contra Combs. O processo, conduzido pelo juiz Arun Subramanian, busca formar um painel de 12 jurados e seis suplentes, com interrogatórios rigorosos para garantir imparcialidade. O julgamento, previsto para durar pelo menos oito semanas, envolve testemunhas-chave, como a ex-namorada de Combs, Cassie Ventura, e evidências como um vídeo de 2016 que mostra o rapper agredindo Ventura em um hotel.
- Acusações principais: Tráfico sexual, conspiração para extorsão e transporte para prostituição.
- Duração estimada: Mínimo de oito semanas, com declarações iniciais marcadas para 12 de maio.
- Local do julgamento: Tribunal Daniel Patrick Moynihan, em Manhattan.
- Pena possível: Prisão perpétua, caso condenado por todas as acusações.
Presença de Mark Geragos no tribunal
A aparição de Mark Geragos no tribunal pegou os promotores de surpresa, que registraram em uma carta ao juiz Subramanian a possibilidade de ele atuar como conselheiro de Combs. Geragos, que já defendeu figuras como Jussie Smollett e os irmãos Menendez, afirmou estar presente apenas para apoiar sua filha, Teny Geragos, que integra oficialmente a equipe de defesa. Ele negou qualquer envolvimento formal, destacando sua amizade com Combs. A promotoria, no entanto, pediu que, caso Geragos esteja aconselhando o réu, ele siga as mesmas restrições impostas aos demais advogados, incluindo evitar comentários públicos sobre o caso.
Na terça-feira, dia 6 de maio, Geragos foi visto novamente no tribunal, mas sem assumir um papel ativo nas audiências. Sua presença, mesmo que informal, adiciona uma camada de intrigue ao já midiático julgamento. O advogado é conhecido por sua habilidade em casos de alto perfil, o que levanta questões sobre sua influência nos bastidores, mesmo sem uma posição oficial.
Reforço na equipe jurídica de Combs
Além da presença de Geragos, Combs reforçou sua defesa com outros advogados de peso às vésperas do julgamento. Na sexta-feira, dia 2 de maio, Xavier Donaldson, advogado de Nova York, foi oficialmente integrado à equipe após participar de conferências pré-julgamento. Donaldson traz experiência em casos criminais complexos, o que pode ser crucial para enfrentar as acusações detalhadas no documento de 17 páginas apresentado pela promotoria.
Na semana do julgamento, Combs também contratou Brian Steel, de Atlanta, que defendeu o rapper Young Thug em um caso de extorsão, e Nicole Westmoreland, que representou uma co-ré no mesmo processo. A adição desses profissionais indica uma estratégia robusta para combater as alegações, que incluem décadas de suposto comportamento abusivo. A equipe jurídica, liderada por Marc Agnifilo, argumenta que as atividades sexuais descritas pela promotoria, como os eventos chamados “Freak Offs”, foram consensuais.
- Novos advogados: Xavier Donaldson, Brian Steel e Nicole Westmoreland.
- Líder da defesa: Marc Agnifilo, com experiência em casos de celebridades.
- Argumento principal: Atividades sexuais eram consensuais, sem coerção ou violência.
Processo de seleção do júri
A escolha dos jurados, iniciada em 5 de maio, é um dos aspectos mais delicados do julgamento devido à ampla cobertura midiática do caso. O juiz Subramanian conduz interrogatórios individuais para avaliar o conhecimento prévio dos candidatos sobre as acusações e garantir que possam julgar com imparcialidade. Até o final da terça-feira, dia 6, 35 jurados haviam sido qualificados, com a meta de alcançar 45 até quarta-feira, dia 7.
Muitos candidatos admitiram ter visto o vídeo de segurança de 2016, no qual Combs aparece agredindo Cassie Ventura em um hotel de Los Angeles. Um jurado em potencial descreveu o vídeo como a imagem de “uma pessoa hostil e raivosa”, mas afirmou ser capaz de manter a imparcialidade. A notoriedade do caso, amplificada por reportagens e redes sociais, torna a seleção um desafio, já que o tribunal busca evitar preconceitos.
O processo inclui questionários detalhados, com perguntas sobre a capacidade dos jurados de avaliar depoimentos de artistas de hip-hop, trabalhadores sexuais e pessoas envolvidas com drogas. Cada lado, defesa e promotoria, pode eliminar candidatos com base em respostas que sugiram viés, garantindo um painel final equilibrado.
Acusações contra Sean Combs
Sean Combs enfrenta cinco acusações federais, detalhadas em um documento que descreve um padrão de comportamento abusivo entre 2004 e 2024. A promotoria alega que o rapper usou sua influência como fundador da Bad Boy Records para manipular mulheres, forçando-as a participar de eventos sexuais prolongados, conhecidos como “Freak Offs”. Esses encontros, segundo os promotores, envolviam drogas, profissionais do sexo e filmagens, muitas vezes sem consentimento pleno.
Os promotores também acusam Combs de liderar uma organização criminosa, com funcionários e associados que facilitavam os abusos. Atos de violência, como espancamentos, sequestros e até um suposto incêndio criminoso, estão entre as alegações. Combs, que se declarou inocente, nega qualquer coerção, com sua defesa enfatizando que as relações eram consensuais e que as acusações distorcem sua vida pessoal.
- Período das acusações: De 2004 a 2024, abrangendo duas décadas.
- Eventos centrais: “Freak Offs”, descritos como maratonas sexuais com coerção.
- Evidências: Vídeos, mensagens de texto e testemunhos de ex-funcionários.
- Testemunha-chave: Cassie Ventura, ex-namorada de Combs, deve depor.
Papel de Cassie Ventura no caso
Cassie Ventura, ex-parceira de Combs, emerge como uma figura central no julgamento. Em 2023, ela entrou com uma ação civil contra o rapper, alegando mais de uma década de abusos, incluindo estupro em 2018. Embora o processo tenha sido resolvido fora dos tribunais, seu depoimento é aguardado com grande expectativa. Um vídeo de 2016, parcialmente admitido como evidência, mostra Combs agredindo Ventura, reforçando as alegações de violência.
A ação de Ventura abriu caminho para outras denúncias, com mais de cem pessoas, entre homens e mulheres, movendo processos civis contra Combs por agressão sexual. A promotoria planeja chamar quatro mulheres, não identificadas publicamente, para testemunhar no julgamento criminal. Essas testemunhas, junto com Ventura, devem detalhar o suposto padrão de manipulação e violência descrito na acusação.
Evidências apresentadas pela promotoria
A promotoria, liderada por Emily Johnson, baseia seu caso em uma combinação de testemunhos, mensagens de texto, registros bancários e imagens de câmeras de segurança. Além do vídeo de Ventura, os promotores planejam apresentar gravações de voz que, segundo eles, comprovam a conspiração criminosa. Pelo menos um ex-funcionário de Combs deve testemunhar contra ele, detalhando o papel da equipe do rapper em facilitar os abusos.
Durante buscas em 2024 nas propriedades de Combs em Los Angeles e Miami, agentes federais apreenderam computadores, celulares e documentos que corroboram as acusações. A promotoria também destaca o uso de oportunidades na indústria do entretenimento como ferramenta de coerção, com promessas de carreira em troca de obediência. A defesa, por sua vez, contesta a interpretação dessas evidências, argumentando que as interações foram voluntárias.
Reações no tribunal
O comportamento de Combs no tribunal tem sido observado de perto. Durante a seleção do júri, ele se levantou para cumprimentar os candidatos, vestindo roupas civis, como um suéter azul-marinho e calça cinza, após permissão do juiz. Sua postura, segundo relatos, é de atenção, sentado entre seus advogados enquanto acompanha os interrogatórios. A presença de familiares, incluindo sua mãe e filhos, em audiências anteriores, também foi notada, com Combs soprando beijos para eles em outubro de 2024.
Os promotores, por outro lado, mantêm uma abordagem rigorosa, enfatizando a gravidade das acusações. A carta enviada ao juiz sobre Mark Geragos reflete a preocupação com qualquer tentativa de influenciar a percepção pública do caso. O juiz Subramanian, conhecido por sua imparcialidade, proibiu dispositivos eletrônicos na sala de audiência e determinou que o julgamento não será transmitido online, embora seja aberto ao público.
- Restrições no tribunal: Sem dispositivos eletrônicos ou transmissão online.
- Vestimenta de Combs: Roupas civis, em vez de uniforme prisional.
- Familiares: Mãe e filhos estiveram presentes em audiências anteriores.
- Juiz: Arun Subramanian, com foco em imparcialidade.
Contexto do julgamento na indústria musical
O julgamento de Combs ocorre em um momento de escrutínio crescente sobre abusos na indústria do entretenimento. Diferentemente de Hollywood, que enfrentou o movimento #MeToo com denúncias contra figuras como Harvey Weinstein, a indústria musical tem escapado de grandes condenações, com exceção do caso de R. Kelly, condenado a mais de 30 anos por crimes sexuais. O caso de Combs pode marcar uma mudança, com organizações culturais e fãs debatendo seu legado como fundador da Bad Boy Records.
A coincidência do início do julgamento com o Met Gala, evento onde Combs era uma figura proeminente, destaca o contraste entre sua antiga imagem de glamour e sua situação atual. Até 2023, ele frequentava o tapete vermelho do Metropolitan Museum of Art, mas agora enfrenta acusações que podem encerrar sua carreira. O caso também levanta questões sobre a responsabilidade de funcionários e associados de celebridades em casos de abuso.
Desafios da seleção do júri
A notoriedade de Combs complica a escolha de jurados imparciais. A ampla cobertura midiática, incluindo posts em redes sociais e reportagens detalhando as acusações, aumenta o risco de preconceitos. O juiz Subramanian enfatizou a necessidade de jurados capazes de avaliar as evidências sem influência externa, mas a familiaridade com o vídeo de Ventura dificulta essa tarefa.
Na terça-feira, dia 6, candidatos foram questionados sobre sua exposição a artistas de hip-hop e temas como trabalho sexual e uso de drogas. Alguns admitiram reconhecer nomes de celebridades associados ao caso, como Kanye West e Kid Cudi, mencionados em questionários com 190 figuras públicas. A defesa e a promotoria trabalham para eliminar jurados que demonstrem viés, garantindo um painel final equilibrado.
- Questionário: Inclui 190 nomes de figuras públicas ligadas ao caso.
- Temas sensíveis: Hip-hop, trabalho sexual e uso de drogas.
- Meta: 12 jurados e 6 suplentes, com 45 candidatos qualificados.
Histórico de Combs e Bad Boy Records
Sean Combs, conhecido como Puff Daddy e P. Diddy, construiu uma fortuna desde os anos 1990 com a Bad Boy Records, lançando artistas como Notorious B.I.G. e Mary J. Blige. Além da música, ele investiu em moda e bebidas, consolidando sua imagem como magnata. Suas festas luxuosas atraíam celebridades, mas as acusações sugerem que esses eventos escondiam um sistema de exploração.
A Promotoria descreve a Bad Boy Records como parte de uma “empresa criminosa” que facilitava os abusos. Funcionários, incluindo seguranças e assistentes, teriam desempenhado papéis ativos, desde organizar os “Freak Offs” até ocultar o comportamento de Combs. A defesa contesta essa narrativa, afirmando que a estrutura da empresa era típica de uma operação de entretenimento, sem intenções criminosas.
Próximos passos do julgamento
Com a seleção do júri prevista para concluir na quarta-feira, dia 7, as declarações iniciais estão marcadas para 12 de maio. A promotoria planeja apresentar seu caso ao longo de três semanas, chamando dezenas de testemunhas, enquanto a defesa estima uma semana para suas argumentações. Combs, que permanece detido no Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, pode optar por testemunhar, uma decisão que Agnifilo descreveu como uma chance de apresentar sua versão.
O julgamento, conduzido no tribunal Daniel Patrick Moynihan, seguirá um cronograma rigoroso, com medidas para limitar influências externas. A promotoria busca provar que Combs liderava uma rede criminosa, enquanto a defesa aposta na consensualidade das interações. O desfecho do caso dependerá da força das evidências e da imparcialidade do júri, em um processo que continua a atrair atenção global.
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