Mãe com bebê presa em portas do metrô de SP expõe falhas na Linha 5-Lilás

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Mãe com bebê de colo fica presa entre portas do metrô

Mãe com bebê de colo fica presa entre portas do metrô - Foto: Reprodução Record

Uma mãe segurando seu bebê no colo viveu momentos de tensão na manhã de 8 de maio de 2025, na estação Borba Gato, localizada na Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo. O incidente, que ganhou repercussão nas redes sociais, ocorreu quando a passageira ficou presa entre as portas do trem e da plataforma, em um horário de grande movimentação. Passageiros que presenciaram a cena agiram rapidamente, acionando o botão de emergência e ajudando a liberar a mulher, que, felizmente, não sofreu ferimentos graves. O caso, no entanto, reacendeu o debate sobre a segurança nas operações da ViaMobilidade, concessionária responsável pela linha, especialmente após outros acidentes recentes na mesma linha.

A Linha 5-Lilás, que conecta o Capão Redondo à Chácara Klabin, tem enfrentado críticas recorrentes devido a falhas em seus sistemas de segurança. O incidente com a mãe e o bebê não foi isolado, mas parte de uma série de ocorrências que levantam questionamentos sobre a eficácia dos sensores de portas e a manutenção das plataformas. A ViaMobilidade, em nota oficial, afirmou que a passageira tentou retornar à plataforma após os sinais visuais e sonoros de fechamento das portas, o que teria causado o acidente. A empresa destacou que os sensores de obstrução funcionaram, reabrindo as portas automaticamente.

No entanto, a resposta da concessionária não acalmou os ânimos dos usuários, que relatam superlotação e falhas frequentes na linha. O caso ganhou ainda mais destaque por ocorrer apenas dois dias após a morte de Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, na estação Campo Limpo, também na Linha 5-Lilás. Para esclarecer os detalhes do incidente com a mãe e o bebê, é importante analisar os seguintes pontos:

  • Horário do incidente: O acidente ocorreu por volta das 8h47, em um momento de pico, com plataformas lotadas.
  • Resposta imediata: Passageiros acionaram o botão de emergência, e uma funcionária da ViaMobilidade desligou o sistema para permitir a liberação da passageira.
  • Condição da passageira: A mãe e o bebê não sofreram escoriações, mas o susto gerou comoção entre os presentes.
  • Histórico da linha: A Linha 5-Lilás registrou outros incidentes graves, incluindo a morte de um passageiro dias antes.

Reações dos passageiros

A comoção na estação Borba Gato foi imediata. Vídeos gravados por testemunhas mostram a tensão no momento em que a passageira ficou presa, com pessoas gritando e correndo para ajudar. Um passageiro, que preferiu não se identificar, relatou que a cena foi desesperadora, especialmente por envolver uma criança. Outro usuário, em entrevista a um portal de notícias, criticou a falta de seguranças na plataforma no momento do incidente, apontando que a presença de funcionários poderia ter evitado o acidente. A superlotação, segundo ele, também contribuiu para a confusão.

Relatos nas redes sociais reforçam a insatisfação com a operação da Linha 5-Lilás. Muitos passageiros compartilharam experiências pessoais de situações semelhantes, como portas fechando antes do tempo previsto ou falhas nos avisos sonoros. Um vídeo amplamente divulgado mostra uma funcionária da ViaMobilidade desligando o botão de emergência, enquanto vozes ao fundo comentam sobre o risco de novos acidentes. A indignação dos usuários se intensificou com a lembrança do caso de Lourivaldo Ferreira, que perdeu a vida em circunstâncias parecidas.

Histórico de incidentes na Linha 5-Lilás

A Linha 5-Lilás, privatizada em 2018 e operada pela ViaMobilidade, tem um histórico de incidentes que colocam em xeque a segurança de suas operações. Em 6 de maio de 2025, apenas dois dias antes do acidente com a mãe e o bebê, Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, de 35 anos, morreu após ficar preso no espaço entre o trem e a plataforma na estação Campo Limpo. O passageiro, que tentava embarcar durante o horário de pico, foi arrastado pelo trem, que partiu mesmo com ele preso. A tragédia chocou a cidade e levou o Ministério Público de São Paulo a abrir uma investigação sobre a segurança da linha.

Outro caso semelhante ocorreu em março de 2025, na Linha 2-Verde, operada pelo Metrô de São Paulo. Uma mulher ficou presa entre a porta de segurança e o vagão na estação Vila Prudente, mas, naquela ocasião, o trem não se moveu, e a passageira foi resgatada sem ferimentos. Esses incidentes, embora com desfechos diferentes, apontam para uma vulnerabilidade comum: a ausência de sensores de presença no espaço entre as portas do trem e da plataforma em algumas linhas. A ViaMobilidade informou que planeja instalar esses sensores até fevereiro de 2026, mas a demora na implementação tem sido alvo de críticas.

Foto: Diogo Moreira/MCW – Governo do Estado de São Paulo

  • Privatização em 2018: A Linha 5-Lilás passou para a gestão da ViaMobilidade, que prometeu melhorias na infraestrutura.
  • Portas de plataforma: Instaladas em todas as estações desde 2022, elas visam evitar quedas, mas não impedem acidentes no vão.
  • Casos anteriores: Além do acidente fatal de maio, outros incidentes menores foram registrados, como portas fechando sobre passageiros.
  • Investigações em curso: O Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado cobram esclarecimentos sobre a segurança da linha.

Funcionamento das portas de plataforma

As portas de plataforma, conhecidas como Platform Screen Doors (PSD), foram introduzidas na Linha 5-Lilás em 2022 com o objetivo de aumentar a segurança e evitar quedas acidentais nos trilhos. O sistema, sincronizado com as portas dos trens, é equipado com sensores que detectam obstruções, impedindo que o trem parta se as portas não estiverem completamente fechadas. No entanto, o espaço entre a porta do trem e a da plataforma, conhecido como “vão”, não possui sensores de presença em todas as estações, o que representa um risco em momentos de grande fluxo de passageiros.

No caso da mãe com o bebê, a ViaMobilidade afirmou que os sensores de obstrução funcionaram corretamente, reabrindo as portas quando a passageira ficou presa. Mesmo assim, a empresa admitiu que a passageira tentou acessar a plataforma após o início do fechamento das portas, o que sugere uma falha na comunicação dos avisos sonoros e visuais. Especialistas apontam que a superlotação das plataformas, comum no horário de pico, pode dificultar a percepção desses alertas, aumentando o risco de acidentes.

Críticas à ViaMobilidade

A gestão da ViaMobilidade tem sido alvo de questionamentos desde a privatização da Linha 5-Lilás. Passageiros relatam problemas como trens lotados, atrasos frequentes e falta de funcionários nas estações. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo, em nota, responsabilizou a concessionária pelo acidente de 6 de maio e criticou a ausência de sensores no vão entre as portas. A entidade também apontou que a limpeza imediata do local do acidente fatal, antes da chegada da perícia, pode ter comprometido a investigação.

Usuários da linha, em entrevistas a veículos de imprensa, descreveram a operação como caótica, especialmente nas estações Campo Limpo, Santo Amaro e Borba Gato. Uma passageira, identificada como Daniela dos Santos, afirmou que a falta de organização nas plataformas contribui para situações de risco. A superlotação, segundo ela, torna difícil o embarque e desembarque, especialmente para pessoas com crianças ou mobilidade reduzida. A ViaMobilidade, por sua vez, destacou que realiza campanhas regulares para orientar os passageiros sobre os procedimentos de segurança.

Medidas anunciadas pela concessionária

Após a morte de Lourivaldo Ferreira e o incidente com a mãe e o bebê, a ViaMobilidade anunciou medidas para reforçar a segurança na Linha 5-Lilás. A empresa informou que está desenvolvendo um projeto para instalar sensores de presença no vão entre as portas do trem e da plataforma, com conclusão prevista para fevereiro de 2026. Até lá, barreiras físicas, como hastes metálicas, serão colocadas nas plataformas para reduzir o risco de acidentes. O presidente da concessionária, Francisco Pierrini, afirmou que essas barreiras poderiam ter evitado a tragédia de 6 de maio.

Além disso, a ViaMobilidade prometeu intensificar as campanhas de conscientização, reforçando a importância de não tentar embarcar ou desembarcar após os sinais de fechamento das portas. A empresa também informou que está colaborando com as autoridades para apurar as circunstâncias dos incidentes. No entanto, a demora na implementação dos sensores e a ausência de medidas imediatas para aliviar a superlotação têm gerado desconfiança entre os passageiros.

  • Sensores de presença: Serão instalados em todas as estações até fevereiro de 2026.
  • Barreiras físicas: Hastes metálicas serão colocadas como solução temporária.
  • Campanhas educativas: A ViaMobilidade planeja ampliar os alertas visuais e sonoros.
  • Colaboração com autoridades: A empresa registrou boletins de ocorrência para os dois incidentes.

Superlotação nas plataformas

A superlotação é um problema recorrente na Linha 5-Lilás, especialmente nas estações localizadas na zona sul de São Paulo. Durante o horário de pico, entre 7h e 9h, as plataformas ficam lotadas, dificultando o fluxo de passageiros. Relatos apontam que a falta de trens em intervalos regulares contribui para o acúmulo de pessoas, aumentando o risco de acidentes. No dia do incidente com a mãe e o bebê, a estação Borba Gato estava particularmente cheia, o que pode ter dificultado a percepção dos avisos de fechamento das portas.

A ViaMobilidade informou que as terças e quintas-feiras são dias de maior fluxo na linha, mas não detalhou medidas específicas para gerenciar a superlotação. Passageiros sugerem que a concessionária aumente a frequência dos trens e melhore a sinalização nas plataformas. Um estudo da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), realizado em 2024, indicou que a Linha 5-Lilás transporta cerca de 600 mil passageiros por dia, um número que sobrecarrega a infraestrutura atual.

Papel dos sensores de segurança

A ausência de sensores de presença no vão entre as portas do trem e da plataforma é uma das principais críticas à operação da Linha 5-Lilás. Diferentemente de outras linhas, como a 1-Azul e a 3-Vermelha, operadas pelo Metrô de São Paulo, a Linha 5-Lilás depende exclusivamente de sensores de obstrução, que detectam apenas se as portas estão fechadas. Essa limitação foi apontada como um fator determinante no acidente fatal de 6 de maio e no incidente com a mãe e o bebê.

Moacyr Duarte, especialista em análise de risco, afirmou que o espaço entre as portas do trem e da plataforma na Linha 5-Lilás é maior do que em outros metrôs internacionais, o que aumenta o risco de acidentes. Ele destacou que a instalação de sensores de presença e barreiras físicas é uma prática comum em sistemas metroviários de países como Japão e Coreia do Sul. A ViaMobilidade, em resposta, reconheceu a ausência desses sensores, mas afirmou que o sistema atual atende aos padrões nacionais e internacionais.

  • Comparação internacional: Metrôs de Tóquio e Seul possuem sensores de presença em todos os vãos.
  • Padrões atuais: A Linha 5-Lilás segue normas brasileiras, mas carece de tecnologia avançada.
  • Custo dos sensores: A instalação em todas as estações exige um investimento significativo.
  • Manutenção: A ViaMobilidade realiza verificações diárias, mas falhas pontuais persistem.

Envolvimento das autoridades

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu uma investigação para apurar a segurança da Linha 5-Lilás após a morte de Lourivaldo Ferreira. O órgão solicitou esclarecimentos à ViaMobilidade sobre a manutenção das portas de plataforma e a ausência de sensores de presença. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) também notificou a concessionária, exigindo respostas em cinco dias. A investigação ganhou novo fôlego com o incidente de 8 de maio, que reforçou a necessidade de medidas urgentes.

A Artesp, responsável pela fiscalização do transporte no estado, lamentou os incidentes e informou que acompanha as ações da ViaMobilidade. A agência destacou que um processo sancionatório será instaurado para avaliar as circunstâncias dos acidentes. O deputado estadual Guilherme Cortez, do PSOL, entrou com uma representação no Ministério Público pedindo a revogação da concessão da Linha 5-Lilás, alegando negligência por parte da concessionária.

Relatos de testemunhas

Testemunhas do incidente na estação Borba Gato descreveram um cenário de pânico e solidariedade. Um passageiro, identificado como Bruno Moreira, afirmou que a mãe parecia confusa no momento em que ficou presa, possivelmente por não ter ouvido os avisos sonoros. Ele destacou a rapidez dos outros usuários em acionar o botão de emergência, o que evitou um desfecho mais grave. Outra testemunha, uma mulher que estava no trem, relatou que o barulho das portas fechando foi seguido por gritos, o que gerou uma onda de nervosismo.

Os relatos reforçam a percepção de que a superlotação e a falta de clareza nos avisos contribuíram para o acidente. Um vídeo gravado na plataforma mostra a funcionária da ViaMobilidade chegando ao local minutos após o incidente, enquanto passageiros comentavam sobre a repetição de casos na linha. A cena, segundo testemunhas, lembrou o desespero vivido na estação Campo Limpo dias antes.

Ações propostas pelos passageiros

Diante dos incidentes, os passageiros da Linha 5-Lilás têm usado as redes sociais para propor melhorias na operação do metrô. Muitos sugerem a instalação imediata de sensores de presença, enquanto outros pedem mais funcionários nas plataformas durante o horário de pico. Uma petição online, criada após a morte de Lourivaldo Ferreira, solicita que a ViaMobilidade reveja os procedimentos de segurança e aumente a frequência dos trens.

Além disso, usuários defendem a criação de campanhas educativas mais eficazes, com mensagens claras sobre os riscos de tentar embarcar após os sinais de fechamento. A superlotação, apontada como um fator recorrente, também é alvo de críticas, com passageiros exigindo um plano emergencial para aliviar o fluxo nas estações. A ViaMobilidade ainda não respondeu diretamente às propostas dos usuários, mas informou que está aberta ao diálogo com a comunidade.

  • Mais trens: Passageiros pedem redução nos intervalos entre os trens no horário de pico.
  • Sinalização clara: Avisos sonoros e visuais precisam ser mais perceptíveis em meio à multidão.
  • Presença de funcionários: A falta de seguranças nas plataformas foi citada em vários relatos.
  • Petição online: Criada após o acidente fatal, já conta com milhares de assinaturas.

Planejamento para o futuro

A ViaMobilidade enfrenta pressão crescente para implementar mudanças na Linha 5-Lilás. Além dos sensores de presença, a concessionária anunciou que está revisando os procedimentos operacionais para evitar novos incidentes. A instalação de barreiras físicas, embora temporária, é vista como uma solução paliativa, mas especialistas alertam que ela não substitui a necessidade de tecnologia avançada. A empresa também informou que está investindo em treinamentos para os funcionários, com foco em situações de emergência.

A Artesp, por sua vez, prometeu intensificar a fiscalização sobre a ViaMobilidade, especialmente após os incidentes de maio. A agência destacou que a concessionária deve cumprir as metas estabelecidas no contrato de privatização, que incluem melhorias na infraestrutura e na segurança. O Ministério Público, em paralelo, analisa a possibilidade de recomendar medidas específicas, como a antecipação da instalação dos sensores.

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