Mulher em Franca (SP) desvenda golpe do amor e passado criminoso de namorado por tatuagem no braço

Thiago Cristiano Boch

Thiago Cristiano Boch - Arquivo pessoal

A revelação de um sobrenome tatuado no braço de um companheiro foi o detalhe crucial para que uma mulher em Franca (SP) confirmasse estar vivendo um golpe. A auxiliar de laboratório de 36 anos, que denunciou Thiago Cristiano Boch após perder R$ 15 mil, afirma ter descoberto o histórico do namorado ao pesquisar na internet.

Ela utilizou o primeiro nome do então parceiro, que era a única informação disponível, e o sobrenome familiar que identificou na tatuagem.

“Joguei Thiago Boch no Google e logo apareceram reportagens sobre ele, com mais de 20 casos de estelionato contra mulheres em Minas Gerais e na Paraíba”, contou a vítima.

O registro oficial do caso, categorizado como estelionato, foi feito na Polícia Civil de Franca em 19 de junho. Até o momento da última atualização desta notícia, o suspeito ainda não havia sido localizado ou detido pelas autoridades.

A reportagem tentou contato com a defesa de Thiago Boch, porém não obteve retorno até a conclusão desta apuração.

Como o “golpe do amor” se desenvolveu na relação em Franca

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher conheceu o indivíduo por meio de um aplicativo de relacionamento, e o namoro teve início em abril. O padrão do “golpe do amor”, também conhecido como “golpe do Don Juan”, frequentemente envolve o estelionatário que cria uma conexão emocional e ganha a confiança da vítima para, em seguida, começar a solicitar vantagens financeiras. Esse modus operandi é uma tática conhecida em diversos registros de fraude amorosa.

À polícia, a mulher relatou ter emprestado ao namorado o dinheiro que guardava para uma viagem pessoal. Além disso, ela alugou um veículo em seu próprio nome para que ele pudesse trabalhar como motorista de aplicativo.

O homem teria prometido que faria a devolução dos valores assim que recebesse o montante referente à venda de uma propriedade de seu pai, localizada no Paraná.

A desconfiança da mulher começou a aumentar quando o casal viajou para a cidade da família dele no Paraná, no início de junho. Durante a estadia, ele teria entrado em contradição em várias histórias contadas e se recusava a informar seu sobrenome completo.

A descoberta decisiva da tatuagem e os momentos de maior desconfiança

No dia 12 de junho, durante uma nova viagem ao interior do Paraná com o namorado, a percepção de que algo estava errado se tornou ainda mais forte para a vítima.

Ela relatou que, no decorrer dessa viagem, o suspeito utilizou o cartão dela para realizar pagamentos e ainda pediu dinheiro emprestado. Em um dos episódios mais preocupantes, ele a deixou sozinha no hotel após fazê-la consumir bebida alcoólica em um bar.

“Ele não parava de repor meu copo, e fiquei muito tonta no barzinho. Quando fomos embora, ele disse que iria a algum lugar e voltaria. Subi para o quarto passando muito mal. Fiz videochamadas para ele, e ele falava que já estava chegando, mas demorou demais. Isso era pouco depois da meia-noite e ele só chegou por volta das 3h45 da manhã”, descreveu.

No dia seguinte, ao verificar seu aplicativo bancário, a mulher notou a falta de R$ 5 mil em sua conta, além de outros gastos que haviam sido debitados.

Apesar das evidências crescentes, ela continuou na companhia do namorado pelos dias subsequentes. Em 16 de junho, depois de um almoço com o suspeito e o pai dele, eles retornaram ao hotel, onde conversavam no terraço. Foi nesse momento que ela percebeu um sobrenome tatuado no braço do parceiro.

“Eu sempre via as tatuagens dele, mas nunca tinha parado para ler. Perguntei de quem era aquele nome, e ele respondeu que era do pai dele. Ele nunca quis me passar o nome completo, tentei de várias formas e não conseguia. Foi então que decorei o nome do pai dele que estava na tatuagem.”

Ao realizar a pesquisa online pelo nome do namorado em conjunto com o sobrenome Boch, que estava gravado na tatuagem, a mulher constatou que o homem era alvo de investigações por denúncias semelhantes de estelionato na Paraíba e em Santa Catarina.

Veja Também