Localizados no bairro Colônia, na Zona Leste de São Paulo, os restos mortais de uma mulher e seu antigo parceiro foram reconhecidos dias depois de um incidente de sequestro envolvendo o filho dela em Guaianases.
As apurações indicam que o ex-parceiro, nomeado Hamilton, idealizou o plano para afastar o garoto da tutela da mãe, Carolyn, motivado por desconfianças de que a criança estivesse sofrendo maus-tratos.
Hamilton, que teve um relacionamento com Carolyn, nutria grande afeto pelo menino. Depois do término, ele soube de possíveis situações de abuso e, então, concebeu a ideia de sequestrar a criança.
Para concretizar a ação, Hamilton recrutou Lucas, detido em 19 de junho no Centro de São Paulo, após ser identificado por agentes da polícia durante uma ronda.
Em seu testemunho, Lucas relatou que ele e Hamilton foram retirados à força de um táxi por populares do bairro, logo depois da falha na tentativa de sequestro, e subsequentemente agredidos pela população. Lucas escapou da violência e sobreviveu.
Os cadáveres de Carolyn e Hamilton apresentavam indícios de agressão física e estrangulamento. A Polícia Civil apura a possível conexão de um “tribunal do crime” com o falecimento do casal. Essas “justiças” paralelas, promovidas por facções criminosas como o PCC, representam um grave desafio à ordem pública e à soberania do estado, impondo penas arbitrárias sem qualquer garantia de defesa.
A investigação está a cargo do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que busca determinar a autoria dos homicídios e a eventual participação de outras pessoas no crime.
Pronunciamento da secretaria de segurança pública sobre o caso
As apurações continuam por meio de um inquérito policial conduzido pela 1ª Delegacia de Proteção à Pessoa do DHPP. Os dois corpos, encontrados na sexta-feira, dia 19, no bairro Colônia, foram confirmados como sendo da genitora da criança e de um dos indivíduos envolvidos na ocorrência. Na semana anterior, outro suspeito foi detido e indiciado pela polícia do 44º Distrito Policial (Guaianases) por tentativa de rapto da criança. A Justiça decretou sua prisão temporária. Outras diligências estão em curso para o esclarecimento total dos acontecimentos.
Detalhes sobre a prisão de um dos envolvidos no crime
Um dos indivíduos detidos pela participação na tentativa de sequestro do menor em Guaianases confessou o ato e revelou que estava em fuga, temendo por sua vida. A declaração foi gravada por uma câmera acoplada ao corpo de um policial militar.
Em uma patrulha pelo Centro na sexta-feira, 19, agentes policiais identificaram o homem, cuja identidade não foi revelada. A abordagem ocorreu na Rua Apa, na área de Santa Cecília.
O suspeito não ofereceu resistência à prisão, declarando aos oficiais que esperava ser encontrado pelas autoridades. Conforme sua versão, a ampla divulgação do vídeo do sequestro nas redes sociais fez com que ele passasse a temer represálias da população.
“Eu estava escondido porque a população tentou me matar. Foi uma caminhada que ninguém teve ciência de qual eram as ideias. Eu fiquei um dia, quase dois dias dentro de um córrego. Consegui sair ontem à noite. Eu vim para cá para isso mesmo. Só não ia me entregar na delegacia nunca”, declarou aos policiais.
Detalhes da tentativa de sequestro do menino em Guaianases
Câmeras de segurança registraram o instante em que um transeunte evitou o rapto de uma criança em Guaianases, ocorrido na terça-feira anterior, dia 16.
Conforme informações da SSP, dois indivíduos entraram em um táxi e indicaram o percurso ao motorista. Ao atingirem a Rua Moreira Neto, um dos suspeitos desembarcou do veículo.
As gravações exibem o homem se aproximando de um menino que pedalava uma bicicleta. Posteriormente, ele agarra a criança pelos braços e tenta inseri-la à força no táxi. A intervenção de um pedestre, que notou a cena, impediu a continuidade da ação.
Segundo a SSP, os criminosos tentaram escapar com o táxi, mas o condutor desligou o motor do veículo. Os dois foram então retirados do carro e agredidos pela população local.

