Alexandre morre em ‘A Viagem’: como o vilão se torna espírito obsessor na novela da Globo
A morte de Alexandre, interpretado por Guilherme Fontes, em “A Viagem”, novela reprisada no “Vale a Pena Ver de Novo” desde 12 de maio de 2025, é um dos momentos mais marcantes da teledramaturgia brasileira. O vilão, condenado por assassinato, encontra um fim trágico na prisão, desencadeando uma virada espiritual que define a trama escrita por Ivani Ribeiro. Exibida originalmente em 1994, a novela explora temas espíritas, como vida após a morte e redenção, com a morte de Alexandre servindo como ponto de partida para sua jornada como espírito obsessor. A cena, prevista para ir ao ar por volta de 16 de junho na reprise, promete emocionar tanto fãs nostálgicos quanto novos espectadores. Por que esse momento é tão crucial? Ele não apenas elimina o protagonista cedo, mas redefine a narrativa, mergulhando em questões de vingança e espiritualidade.
A trama começa com Alexandre, um jovem problemático, tentando roubar o cofre da empresa onde trabalha. Em um ato impulsivo, ele mata o tesoureiro Valdomiro e foge, mas é entregue à polícia por seu irmão Raul e seu cunhado Téo. Preso e condenado, o personagem vive momentos de tensão na cadeia, onde sua revolta só aumenta. A morte, porém, não é o fim para Alexandre, mas o início de sua influência sobrenatural, que atormenta diversos personagens.
- Cronologia inicial dos eventos:
- Alexandre comete o assassinato no primeiro capítulo.
- É preso após ser delatado por Raul e Téo.
- Na prisão, planeja vingança contra aqueles que considera traidores.
Essa sequência de acontecimentos estabelece o tom da novela, que mistura drama, suspense e espiritismo de forma inovadora.
O que leva Alexandre à prisão?
Alexandre Toledo, um playboy inconsequente, vive uma vida marcada por excessos, incluindo problemas com álcool e drogas. No primeiro capítulo, sua tentativa de roubar dinheiro da empresa onde trabalha culmina em tragédia. Confrontado por Valdomiro, o tesoureiro, ele dispara um tiro fatal. A fuga em uma moto pelas ruas do Rio de Janeiro é frenética, mas sua busca por ajuda o leva a Raul e Téo, que, em vez de protegê-lo, o entregam às autoridades. Esse ato de “traição” alimenta o ódio de Alexandre, que jura vingança mesmo antes de sua morte. A novela, ambientada em cenários realistas e com uma cidade cenográfica em Jacarepaguá, retrata com intensidade o desespero do personagem.
O julgamento de Alexandre, conduzido com a acusação liderada por Otávio Jordão, advogado interpretado por Antonio Fagundes, é outro momento pivotal. Otávio, amigo da vítima, garante uma condenação de 18 anos, selando o destino do vilão. A irmã de Alexandre, Diná, tenta defendê-lo, mas seus esforços são em vão. A tensão na prisão cresce, com Alexandre enfrentando hostilidades dos outros detentos, o que o leva ao momento fatídico na enfermaria.
A morte de Alexandre: detalhes da cena
Na prisão, Alexandre se envolve em uma briga com outros presos, resultando em ferimentos que o levam à enfermaria. Sozinho, ele aproveita um momento de distração do médico para acessar o armário de medicamentos. Em um ato de desespero, ingere uma quantidade excessiva de analgésicos, causando uma overdose. A cena, descrita como impactante, mostra o personagem sucumbindo lentamente, com a câmera capturando sua angústia. Horas depois, ele é encontrado morto em sua cela. A família, incluindo Dona Maroca, sua mãe, e Diná, sua irmã, recebe a notícia com choque e dor. A sequência, prevista para o capítulo 39 na versão original, deve ser exibida em meados de junho na reprise de 2025, considerando a edição dos capítulos.
- Elementos visuais da cena:
- Close-ups no rosto de Alexandre, destacando seu desespero.
- Iluminação fria na enfermaria, reforçando a atmosfera sombria.
- Silêncio estratégico, ampliando o impacto emocional.
- Transição para o velório, com o espírito de Alexandre aparecendo sem perceber que morreu.
A produção de “A Viagem” investiu em efeitos visuais para retratar o plano espiritual, com cenários como o Vale dos Suicidas, filmado em uma pedreira em Niterói, criando um contraste marcante com o “Nosso Lar”, representado por um campo de golfe em Petrópolis.
Por que Alexandre se torna um espírito obsessor?
Após sua morte, Alexandre não encontra paz. Segundo a doutrina espírita kardecista, que embasa a novela, sua overdose é considerada um ato suicida, levando-o ao Vale dos Suicidas, um plano espiritual de sofrimento. Lá, ele é atormentado por culpa e ódio, recusando a ajuda de espíritos superiores. Sua revolta o transforma em um espírito obsessor, capaz de influenciar os vivos. A novela explora essa transição com maestria, mostrando Alexandre aparecendo em seu próprio velório, tentando, sem sucesso, agredir Raul e Téo. O médium Dr. Alberto, interpretado por Cláudio Cavalcanti, é o primeiro a perceber a presença maligna, alertando sobre os perigos que o espírito representa.
A influência de Alexandre se estende a vários personagens. Ele provoca discórdia no casamento de Raul, manipula Téo para se tornar agressivo e interfere na vida de Otávio, causando sua morte em um acidente de carro no capítulo 107. Até Diná, que sempre o defendeu, sofre com as consequências de suas ações espirituais. A narrativa espírita, inspirada em obras como “Nosso Lar” de Chico Xavier, dá profundidade à trama, abordando temas como obsessão e redenção.
A jornada espiritual no Vale dos Suicidas
O Vale dos Suicidas, descrito como um lugar de escuridão e angústia, é um dos cenários mais icônicos de “A Viagem”. Alexandre passa grande parte da novela nesse ambiente, cercado por sombras e lamentos. A produção utilizou efeitos de fumaça e iluminação dramática para criar uma atmosfera opressiva, que contrasta com a serenidade do Nosso Lar, para onde ele eventualmente é conduzido. A jornada de Alexandre no Vale reflete sua resistência em aceitar sua morte e abandonar o desejo de vingança. A novela destaca a importância do perdão, mostrando como o ódio mantém o espírito preso a um ciclo de sofrimento.
A interação de Alexandre com outros espíritos, como os que vagam pelo Vale, reforça a mensagem espírita da trama. Sua recusa inicial em seguir para um plano superior é um reflexo de sua personalidade impulsiva e rancorosa, características que o definiram em vida. A direção de Wolf Maya, aliada ao texto de Ivani Ribeiro, transforma essas cenas em momentos de grande impacto emocional.
A redenção de Alexandre: caminho para o Nosso Lar
A transformação de Alexandre é gradual e envolve a intervenção de personagens como Diná e Otávio, que, após suas próprias mortes, tentam resgatá-lo. Diná, vítima de um ataque cardíaco no capítulo 145, e Otávio, morto no acidente provocado por Alexandre, unem-se no Nosso Lar para convencer o vilão a abandonar sua vingança. As reuniões mediúnicas conduzidas por Dr. Alberto desempenham um papel crucial, com mensagens que começam a abalar a determinação de Alexandre. A novela enfatiza que a redenção é possível, mas exige esforço e aceitação.
- Passos para a redenção:
- Reconhecimento da própria morte e dos erros cometidos.
- Aceitação da ajuda de mentores espirituais, como Diná e Otávio.
- Abandono do desejo de vingança contra Raul, Téo e outros.
- Transição do Vale dos Suicidas para o Nosso Lar.
No final da trama, Alexandre é informado que está pronto para reencarnar, simbolizando sua evolução espiritual. Essa resolução reforça a mensagem central da novela: o perdão e a busca pela luz são caminhos para a paz.
Reações da família à morte de Alexandre
A morte de Alexandre abala profundamente sua família. Dona Maroca, interpretada por Yara Cortes, enfrenta a dor de perder o filho caçula, enquanto Diná, vivida por Christiane Torloni, lida com culpa por não ter conseguido salvá-lo. Raul, interpretado por Miguel Falabella, e Téo, por Maurício Mattar, também são afetados, especialmente quando percebem a presença espiritual de Alexandre. A novela retrata essas reações com sensibilidade, destacando os laços familiares e as consequências das escolhas de cada personagem. A cena do velório, com o espírito de Alexandre vagando entre os vivos, é particularmente memorável, capturando a mistura de luto e tensão que define a trama.
A reprise de 2025 tem reacendido debates sobre a construção do personagem. Nas redes sociais, espectadores destacam a atuação de Guilherme Fontes, que, aos 27 anos, entregou um vilão complexo e carismático. A audiência inicial de 17,3 pontos na reestreia, com picos de 19, mostra que “A Viagem” continua relevante, especialmente por sua abordagem pioneira do espiritismo.
A influência de Alexandre nos vivos
Como espírito obsessor, Alexandre exerce uma influência devastadora. Ele manipula Téo, transformando-o em uma versão mais agressiva de si mesmo, o que prejudica seu relacionamento com Lisa, ex-namorada de Alexandre. Raul enfrenta problemas no casamento com Andrezza, enquanto Otávio é levado à morte em um acidente orquestrado pelo espírito vingativo. Até personagens secundários, como Tato, filho de Otávio, são afetados, com Alexandre incentivando comportamentos rebeldes. A novela usa esses eventos para explorar como os vivos podem ser influenciados por energias negativas, um conceito central na doutrina espírita.
A habilidade de Alexandre em causar caos é reforçada pela direção de Wolf Maya, que utiliza efeitos visuais sutis para sugerir sua presença. A trilha sonora, com nomes como Julio Iglesias e Toni Braxton, também amplifica o impacto emocional dessas cenas, criando uma atmosfera única.
Legado de ‘A Viagem’ na teledramaturgia
“A Viagem” se destaca como uma das novelas mais reprisadas da Globo, superando até “Escrava Isaura”. Sua abordagem ousada do espiritismo, combinada com um elenco estelar, incluindo nomes como Christiane Torloni, Antonio Fagundes e Andréa Beltrão, garantiu seu lugar na história da TV brasileira. A reprise de 2025, disponível também no Globoplay com episódios restaurados no formato original 4:3, tem atraído uma nova geração de espectadores. A novela inspirou um aumento na procura por centros espíritas em 1994, e sua relevância persiste, com debates nas redes sociais sobre a construção de Alexandre e os temas espirituais.
A produção, com 50 cenários e uma cidade cenográfica, impressiona pela escala. A escolha de eliminar o protagonista no capítulo 39 foi inovadora, desafiando as convenções das novelas da época. A trama, que mistura suspense, drama e espiritualidade, continua a emocionar, com a morte de Alexandre servindo como um marco narrativo que redefine o gênero.
Curiosidades sobre a produção
- Escolha do elenco: Guilherme Fontes foi escalado rapidamente após “Mulheres de Areia”, mostrando versatilidade ao interpretar o oposto de seu papel anterior.
- Cenários espirituais: O Vale dos Suicidas foi filmado em uma pedreira, enquanto o Nosso Lar usou um campo de golfe, criando contrastes visuais marcantes.
- Trilha sonora: A trilha internacional vendeu mais de 600 mil cópias, com artistas como Elton John e The Pretenders.
- Impacto cultural: A novela aumentou o interesse pelo espiritismo no Brasil, com centros espíritas registrando maior procura em 1994.
A reprise de “A Viagem” no “Vale a Pena Ver de Novo” reforça seu status como um clássico, com a morte de Alexandre permanecendo como um dos momentos mais lembrados da teledramaturgia.
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