Greve de ônibus paralisa Grande Florianópolis a partir de 12 de junho

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ônibus - Foto: wsfurlan/istockphoto.com

A partir desta quinta-feira, 12 de junho de 2025, a Grande Florianópolis enfrenta uma greve de motoristas e cobradores que pode interromper o transporte público em sete cidades: Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu, Governador Celso Ramos, Santo Amaro da Imperatriz e São Pedro de Alcântara. A decisão, aprovada na noite de quarta-feira, 11 de junho, em assembleia do Sintraturb, resulta da rejeição de propostas patronais e busca atender demandas como reajuste salarial, mais cobradores e melhorias no plano de saúde. A paralisação, que pode ser total ou parcial, não tem horário definido para começar, mas promete impactar a rotina de milhares de moradores. O movimento reflete a insatisfação da categoria com as condições de trabalho e a falta de acordo com as empresas e administrações municipais.

A assembleia, realizada próxima ao Terminal de Integração do Centro (Ticen), reuniu trabalhadores em um debate acalorado que durou horas. A rejeição às propostas do Setuf, sindicato que representa as empresas de transporte, marcou o fim de um período de negociações iniciadas em 30 de maio, quando a categoria entrou em estado de greve. Durante esse período, os serviços não foram interrompidos, mas a tensão entre trabalhadores e empregadores cresceu. Ricardo Freitas, dirigente do Sintraturb, destacou que a paralisação é uma resposta à falta de avanços nas negociações.

  • Principais reivindicações dos trabalhadores:
    • Reajuste salarial de 6%.
    • Aumento de 10% no vale-alimentação, elevando o valor a R$ 1.258 mensais.
    • Incremento de 8% na gratificação para motoristas que também atuam como cobradores.
    • Contratação de mais cobradores para reduzir a sobrecarga de trabalho.
    • Melhorias no plano de saúde oferecido aos funcionários.

O movimento grevista, embora centrado no transporte público, ocorre em um momento de outras paralisações na região, como a greve de servidores municipais em São José, iniciada em 10 de junho, o que amplia os desafios para a mobilidade urbana.

Histórico de tensões no transporte público

O transporte público na Grande Florianópolis tem um longo histórico de conflitos trabalhistas. Nos últimos 17 anos, a região registrou pelo menos 15 greves de ônibus, muitas motivadas por demandas salariais e condições de trabalho. Em 2014, uma paralisação sem aviso prévio deixou cerca de 400 mil pessoas sem transporte, causando caos no trânsito e prejuízos ao comércio local. Naquele ano, a demissão de 350 cobradores, prevista por um novo sistema de catracas, foi o estopim do movimento, uma questão que volta à tona na greve atual.

Em 2024, uma paralisação de três horas, entre 4h e 7h, pegou passageiros desprevenidos e elevou os preços de corridas por aplicativos de transporte. A assembleia realizada em maio daquele ano resultou na aceitação de uma proposta de 9% de reajuste salarial e no ticket alimentação, evitando uma greve maior. Contudo, a reintegração de cobradores demitidos durante a pandemia permaneceu como uma demanda não atendida, reacendendo o debate em 2025.

A sobrecarga de motoristas, que muitas vezes acumulam a função de cobrar passagens, é uma queixa recorrente. Durante a pandemia, empresas reduziram o número de cobradores, com aval das autoridades públicas, o que gerou desgaste físico e mental para os motoristas. O Sintraturb argumenta que a volta de 330 cobradores, especialmente em linhas escolares e de áreas de difícil acesso, é essencial para melhorar a operação do sistema.

Demandas detalhadas da categoria

A pauta de reivindicações do Sintraturb reflete as condições enfrentadas por motoristas e cobradores no dia a dia. O reajuste salarial de 6% visa compensar a inflação acumulada e garantir ganho real, enquanto o aumento no vale-alimentação, que passaria a R$ 1.258, busca aliviar o impacto do custo de vida. A gratificação para motoristas que também cobram passagens, com incremento de 8%, é outra demanda central, já que a dupla função tem sido uma prática comum desde a redução de cobradores.

Além disso, os trabalhadores pedem melhorias no plano de saúde, que, segundo o sindicato, apresenta limitações na cobertura e dificuldades de acesso. A contratação de mais cobradores é uma bandeira histórica, especialmente em linhas de morro e para transporte de estudantes e pessoas com deficiência, onde a ausência de um segundo funcionário dificulta o atendimento.

  • Impactos da dupla função, segundo o Sintraturb:
    • Maior risco de acidentes devido à distração dos motoristas.
    • Aumento do estresse e da fadiga entre os trabalhadores.
    • Redução na qualidade do atendimento aos passageiros.
    • Demora no embarque, especialmente em horários de pico.

A falta de cobradores também afeta os passageiros, que enfrentam filas maiores e atrasos. Em linhas de difícil acesso, como as que atendem comunidades em áreas de morro, a ausência de um cobrador sobrecarrega o motorista, que precisa gerenciar o pagamento e a direção simultaneamente.

Reações das empresas e do poder público

O Setuf, que representa as empresas de transporte, posicionou-se contra a paralisação, argumentando que as negociações ainda estavam em andamento. Na última semana, representantes do Setuf e do Sintraturb se reuniram, mas a proposta apresentada foi considerada insuficiente pelos trabalhadores. As empresas alegam que os reajustes pedidos elevariam os custos operacionais, impactando as tarifas de ônibus, pagas diretamente pelos usuários e empregadores.

A prefeitura de Florianópolis, por sua vez, tem atuado como mediadora, aportando subsídios para manter o funcionamento do transporte público, especialmente após os impactos da pandemia. Em nota, a administração municipal destacou a expectativa de um desfecho positivo nas negociações, mas não detalhou medidas específicas para evitar transtornos à população.

Em São José, a greve de servidores municipais, iniciada em 10 de junho, já provoca reflexos no atendimento público, embora os serviços essenciais, como saúde e educação, tenham sido mantidos. A paralisação no transporte pode agravar a situação, dificultando o deslocamento de trabalhadores e estudantes.

Áreas afetadas pela paralisação

A greve abrange sete municípios da Grande Florianópolis, impactando diretamente a mobilidade de milhares de pessoas. Florianópolis, como centro econômico e turístico, deve ser a cidade mais afetada, com terminais como o Ticen e o Titri operando de forma limitada ou paralisada. Em Palhoça e São José, onde o transporte intermunicipal é essencial, a interrupção pode sobrecarregar vias já congestionadas.

  • Municípios impactados:
    • Florianópolis: principal hub de transporte, com grande fluxo de passageiros.
    • São José: enfrenta greve simultânea de servidores municipais.
    • Palhoça: depende de linhas intermunicipais para acesso ao trabalho.
    • Biguaçu: linhas regionais podem ser suspensas.
    • Governador Celso Ramos, Santo Amaro da Imperatriz e São Pedro de Alcântara: menor frota, maior impacto proporcional.

A paralisação também afeta trabalhadores de áreas rurais e comunidades periféricas, que dependem exclusivamente do transporte público para acessar serviços essenciais, como saúde e educação.

Histórico de negociações e paralisações

As negociações entre Sintraturb e Setuf têm sido marcadas por impasses. Em 2022, uma greve foi aprovada, mas suspensa após acordo mediado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SC). Na ocasião, as empresas aceitaram reduzir a jornada de trabalho e aumentar o vale-alimentação, mas questões como a reintegração de cobradores permaneceram sem solução.

Em 2019, uma paralisação planejada foi evitada após acordo que garantiu reajuste de 6,3% e melhorias no plano de saúde. Contudo, a remoção gradual de cobradores continuou sendo um ponto de atrito, com as empresas defendendo a modernização do sistema e os trabalhadores exigindo a preservação de empregos.

A pandemia intensificou os conflitos, com demissões de cobradores e aumento da dupla função. O Sintraturb critica a falta de diálogo com as empresas e as autoridades públicas, que, segundo o sindicato, priorizaram a redução de custos em detrimento da qualidade do serviço.

Alternativas para os passageiros

Com a possibilidade de paralisação total ou parcial, os moradores da Grande Florianópolis buscam alternativas para manter a rotina. Aplicativos de transporte, como Uber e 99, já registraram aumento na demanda em paralisações anteriores, mas os preços elevados em horários de pico limitam o acesso para muitos. Caronas solidárias e o uso de bicicletas também são opções, especialmente em Florianópolis, onde ciclovias têm sido expandidas.

A prefeitura anunciou a possibilidade de um plano de contingência, com veículos escolares e de turismo para atender linhas prioritárias, como ocorreu em 2019. No entanto, a capacidade desses serviços é limitada e não substitui a frota regular.

  • Opções para os passageiros:
    • Aplicativos de transporte: mais caros em horários de pico.
    • Caronas: organizadas informalmente ou por aplicativos.
    • Bicicletas: viáveis em trajetos curtos e com infraestrutura.
    • Transporte emergencial: sujeito à disponibilidade de veículos.

Demandas por cobradores e qualidade do serviço

A reintegração de cobradores é uma das questões mais sensíveis da greve. Durante a pandemia, cerca de 330 cobradores foram demitidos, e as empresas passaram a operar com motoristas desempenhando dupla função. O Sintraturb argumenta que a medida compromete a segurança e a eficiência do transporte, especialmente em linhas que atendem comunidades vulneráveis.

Os trabalhadores destacam que a presença de cobradores agiliza o embarque, reduz o estresse dos motoristas e melhora o atendimento a idosos, pessoas com deficiência e crianças. Em linhas escolares e da Apae, a ausência de cobradores é particularmente problemática, já que o motorista precisa lidar com situações que exigem atenção extra.

Mobilidade urbana em xeque

A greve expõe os desafios da mobilidade urbana na Grande Florianópolis, onde o transporte público é essencial para conectar áreas residenciais, comerciais e industriais. A dependência de ônibus, aliada à falta de alternativas como metrô ou trens, torna a região vulnerável a paralisações. Nos últimos anos, investimentos em ciclovias e corredores exclusivos de ônibus avançaram, mas não foram suficientes para reduzir a pressão sobre o sistema.

A paralisação também reacende o debate sobre o modelo de concessão do transporte público. Críticas ao Consórcio Fênix, que opera grande parte das linhas, incluem a falta de transparência nos custos e a resistência em atender demandas trabalhistas. O Sintraturb defende que os subsídios públicos sejam condicionados a melhorias no serviço e na valorização dos trabalhadores.

Próximos passos da greve

A continuidade da greve depende de novas negociações, que podem ser mediadas pelo TRT-SC, como em paralisações anteriores. O Sintraturb mantém a possibilidade de suspender o movimento caso as empresas apresentem uma proposta que atenda às reivindicações. Enquanto isso, os trabalhadores planejam assembleias diárias para avaliar o andamento da paralisação e os impactos na população.

A prefeitura e o governo estadual acompanham a situação, mas ainda não anunciaram medidas concretas para mitigar os efeitos da greve. A expectativa é que as partes cheguem a um acordo antes que a paralisação cause transtornos prolongados, como ocorreu em greves históricas na região.

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