Ônibus voltam a circular em Florianópolis após paralisação do transporte coletivo

ônibus

ônibus - Foto: wsfurlan/istockphoto.com

Na manhã desta quinta-feira, 12 de junho de 2025, Florianópolis enfrentou uma paralisação do transporte coletivo que deixou moradores sem ônibus a partir das 4h. A greve, aprovada pelo Sintraturb na noite anterior, afetou empresas como Transol e Canasvieiras, além da plataforma A do Ticen. O movimento foi suspenso após negociações, com a retomada dos serviços a partir das 9h e normalização prevista até 10h30. A paralisação gerou transtornos, mas a prefeitura autorizou transportes alternativos para minimizar impactos. A ação reflete tensões entre trabalhadores e empresas, com reivindicações por reajustes salariais e melhores condições.

A mobilização pegou muitos moradores desprevenidos. Pontos de ônibus ficaram lotados, e trabalhadores enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho. A decisão de interromper a greve veio após pressão de autoridades e usuários, com o sindicato optando por paralisações esporádicas em vez de uma greve geral.

Uber Onibus – Foto: Alexey Boldin / Shutterstock.com

Principais impactos da paralisação:

  • Bloqueio total das operações das empresas Transol e Canasvieiras.
  • Suspensão da plataforma A do Terminal de Integração do Centro (Ticen).
  • Atrasos e superlotação em linhas que operaram parcialmente.
  • Flexibilização de atividades em universidades como UFSC e Udesc.

Reivindicações dos trabalhadores
O Sintraturb, que representa motoristas e cobradores da Grande Florianópolis, justificou a paralisação como uma resposta à falta de acordo com as empresas. As negociações, que se arrastam há semanas, envolvem demandas econômicas e trabalhistas. Os trabalhadores pedem um reajuste salarial que contemple o INPC de 5,32% de 2024, além de uma compensação de 4,83% por perdas durante a pandemia e um aumento real de 5%.

Outro ponto central é a reintegração de cobradores, cuja função foi reduzida nos últimos anos. Durante a pandemia, cerca de 2,5 mil trabalhadores do transporte coletivo foram demitidos, segundo o sindicato. A categoria alega que a ausência de cobradores sobrecarrega motoristas, que acumulam funções de dirigir e cobrar passagens.

A proposta das empresas, representadas pelo SETUF, inclui um reajuste de 6% nos salários, 10% no vale-alimentação (elevando-o a R$ 1.258,00) e 8% na gratificação por dupla função. Apesar de superarem a inflação, as ofertas foram consideradas insuficientes pelos trabalhadores, que buscam ganhos reais e a recomposição de perdas históricas.

Resposta da prefeitura
A Prefeitura de Florianópolis agiu rapidamente para mitigar os efeitos da paralisação. Além de autorizar vans privadas como transporte alternativo, a Guarda Municipal foi mobilizada para garantir a circulação de veículos e o direito de ir e vir da população. A administração municipal destacou a importância do transporte coletivo para a cidade e prometeu monitorar a situação ao longo do dia.

A prefeitura também informou que as empresas já incorporaram o reajuste do INPC aos salários, mesmo sem um acordo fechado. Essa medida visa reduzir a tensão nas negociações, mas não foi suficiente para evitar a paralisação relâmpago.

Impactos na rotina dos moradores
A interrupção do transporte coletivo gerou transtornos significativos. No Ticen, filas se formaram desde o início da manhã, com passageiros aguardando a retomada dos serviços. Muitos optaram por aplicativos de transporte ou caronas, enquanto outros enfrentaram longos deslocamentos a pé.

Comerciantes do centro da cidade relataram atrasos na abertura de lojas, já que funcionários não conseguiram chegar a tempo. A situação também afetou estudantes, com a UFSC e a Udesc flexibilizando atividades acadêmicas, dispensando avaliações e registros de frequência para minimizar prejuízos.

Histórico de paralisações na região
A Grande Florianópolis tem um histórico de mobilizações no transporte coletivo. Em 2024, uma paralisação de três horas, entre 4h e 7h, também pegou a população de surpresa. Na ocasião, os trabalhadores protestaram contra a demora nas negociações salariais e a redução de cobradores. A greve foi suspensa após uma assembleia, mas deixou claro o descontentamento da categoria.

Em 2022, outra paralisação afetou 65% das linhas, com bloqueios nas garagens da Transol e Canasvieiras. O movimento, que durou cerca de 24 horas, foi motivado por atrasos no pagamento de encargos trabalhistas e dificuldades financeiras das empresas, agravadas pela pandemia.

Negociações em andamento
As discussões entre o Sintraturb e o SETUF continuam, com uma nova assembleia prevista para os próximos dias. O sindicato dos trabalhadores informou que as paralisações esporádicas seguirão como estratégia de pressão, mas descartou, por ora, uma greve geral. A decisão reflete a tentativa de equilibrar as reivindicações com a necessidade de manter o diálogo com as empresas e a prefeitura.

Os trabalhadores destacam que o setor de transporte coletivo na Grande Florianópolis enfrenta desafios estruturais, como a recuperação judicial de algumas empresas e a queda de receita durante a pandemia. Apesar disso, a categoria argumenta que os motoristas e cobradores são os mais prejudicados, com salários defasados e condições de trabalho desgastantes.

Medidas emergenciais adotadas
Para evitar transtornos maiores, a prefeitura implementou medidas paliativas durante a paralisação:

  • Autorização de vans privadas para cobrir rotas do transporte coletivo.
  • Reforço da Guarda Municipal nos terminais e pontos de ônibus.
  • Comunicação com universidades para flexibilizar atividades acadêmicas.
  • Monitoramento em tempo real da retomada das operações.

Essas ações ajudaram a reduzir o impacto da paralisação, mas não evitaram críticas de moradores, que cobram maior planejamento para evitar paralisações surpresa.

Demanda por cobradores
A questão dos cobradores permanece como um dos pontos mais sensíveis nas negociações. A redução gradual dessa função, iniciada durante a pandemia, gerou protestos recorrentes. O Sintraturb alega que a dupla função dos motoristas compromete a segurança e a qualidade do serviço, além de aumentar o desgaste físico e mental dos profissionais.

As empresas, por outro lado, defendem a modernização do sistema, com maior uso de cartões eletrônicos e pagamento digital. Durante a pandemia, medidas como a suspensão do pagamento em dinheiro e a limitação da capacidade dos ônibus aceleraram a transição para um modelo com menos cobradores.

Panorama do transporte coletivo
O transporte coletivo na Grande Florianópolis enfrenta desafios que vão além das negociações salariais. A frota de ônibus foi reduzida nos últimos anos, e muitas empresas operam com margens financeiras apertadas. A prefeitura tem oferecido subsídios para manter o sistema funcionando, mas a insatisfação de usuários e trabalhadores persiste.

A paralisação de 12 de junho expôs, mais uma vez, a fragilidade do sistema. Enquanto as negociações não chegam a um acordo definitivo, a população permanece refém de interrupções esporádicas, que afetam a mobilidade e a economia local.

Próximos passos nas negociações
O Sintraturb planeja manter a pressão com paralisações pontuais, enquanto busca um acordo que contemple as principais demandas da categoria. A prefeitura, por sua vez, deve mediar as conversas entre trabalhadores e empresas, com o objetivo de evitar novas interrupções.

A retomada total das operações, confirmada às 10h30 desta quinta-feira, trouxe alívio aos moradores, mas a possibilidade de novas paralisações mantém a população em alerta. A situação exige diálogo contínuo e soluções de longo prazo para garantir a estabilidade do transporte coletivo na região.

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