Jaé substitui Riocard em agosto: onde o novo bilhete do Rio não será aceito

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Jaé Rio de janeiro Foto: Jaé Rio de janeiro - Foto: OlegDoroshin / shutterstock

A partir de 2 de agosto de 2025, o cartão Jaé será o único meio de pagamento aceito nos transportes municipais do Rio de Janeiro, como ônibus, BRTs, VLTs, vans e os populares “cabritinhos”, substituindo o Riocard. A transição, anunciada pela Prefeitura do Rio, ocorre em duas fases: a primeira, a partir de 5 de julho, beneficia usuários com gratuidade, enquanto a segunda abrange todos os passageiros. A mudança, porém, não inclui modais estaduais como metrô, trens e barcas, gerando dúvidas entre os cariocas. A iniciativa busca maior transparência na gestão do transporte público, mas a falta de integração com sistemas estaduais levanta questões sobre praticidade para quem depende de múltiplos modais.

A adoção do Jaé é um marco na modernização do sistema de bilhetagem carioca. Com o novo cartão, a Prefeitura assume o controle da arrecadação tarifária, prometendo dados em tempo real sobre passageiros e receita. A mudança ocorre após anos de críticas ao Riocard, acusado de falta de transparência. Apesar dos avanços, a necessidade de dois cartões para integrações intermunicipais preocupa usuários.

  • Benefícios do Jaé: Pagamento via QR Code, recarga instantânea e acúmulo de créditos de diferentes empregadores.
  • Limitações: Não aceito em metrô, trens, barcas ou linhas intermunicipais.
  • Transição: Empresas devem cadastrar funcionários até julho para evitar transtornos.

O processo de substituição do Riocard pelo Jaé exige planejamento dos passageiros, especialmente daqueles que cruzam os limites municipais em seus deslocamentos diários.

Fases da implementação do Jaé
A transição para o Jaé ocorre em etapas bem definidas. A partir de 5 de julho, beneficiários de gratuidade, como idosos, estudantes da rede pública e pessoas com deficiência, só poderão acessar o transporte municipal com o novo cartão. Escolas municipais distribuirão cartões gratuitos aos alunos, enquanto idosos podem solicitá-los pelo aplicativo sem custo de entrega. A Secretaria Municipal de Transportes recomenda que o cadastro seja feito com antecedência, já que a emissão do cartão físico pode levar até 20 dias úteis.

A segunda fase, iniciada em 2 de agosto, torna o Jaé obrigatório para todos os usuários dos modais municipais. O Riocard deixa de ser aceito em ônibus, BRTs, VLTs, vans e cabritinhos, mas continua válido em modais estaduais. A prefeitura alerta que saldos do Riocard não serão transferidos, orientando os passageiros a gastarem os créditos antes da mudança. A estratégia visa evitar transtornos, mas a falta de clareza sobre a integração intermunicipal gera incertezas.

ônibus
ônibus – Foto: wsfurlan/istockphoto.com

Onde o Jaé não será aceito
O novo sistema de bilhetagem é exclusivo para modais sob gestão municipal, deixando de fora importantes meios de transporte no Rio de Janeiro. Essa limitação impacta diretamente quem depende de deslocamentos que combinam modais municipais e estaduais.

  • Metrô: O Jaé não é aceito nas estações do MetrôRio, que continuam operando com o Riocard.
  • Trens: A SuperVia, responsável pelos trens urbanos, também não aceita o Jaé.
  • Barcas: As linhas de barcas, que conectam Rio e Niterói, seguem exclusivas ao Riocard.
  • Ônibus intermunicipais: Viagens entre municípios da região metropolitana exigem o Riocard.

Essa divisão obriga passageiros a manterem dois cartões, especialmente para integrações tarifárias do Bilhete Único Intermunicipal (BUI), que permite descontos em viagens entre modais estaduais e municipais dentro de um período de três horas.

Funcionamento da integração tarifária
O Jaé mantém as regras do Bilhete Único Carioca (BUC), que permite até três viagens consecutivas em modais municipais em até três horas, desde que uma delas seja no BRT e todas sigam o mesmo sentido. Sem o BRT, a integração é limitada a duas viagens. A novidade é a praticidade do sistema digital, que elimina a necessidade de validar recargas ou desvincular cartões, com créditos disponíveis imediatamente após o pagamento.

No entanto, a integração com modais estaduais permanece um desafio. Passageiros que utilizam o Bilhete Único Intermunicipal precisam usar o Riocard em trens, metrô ou barcas e o Jaé em modais municipais, passando ambos nos validadores para garantir o desconto. A Secretaria Municipal de Transportes informou que negocia com o governo estadual para simplificar o processo, mas não há prazo para um acordo.

Desafios para os passageiros
A obrigatoriedade de dois cartões para deslocamentos intermunicipais é uma das principais críticas à implementação do Jaé. Cerca de 100 mil passageiros, equivalente a 3,5% dos usuários do transporte público no Rio, utilizam o Bilhete Único Intermunicipal. A falta de integração plena pode aumentar custos e complicar a rotina de quem vive em cidades como Niterói, São Gonçalo ou Duque de Caxias e trabalha no Rio.

Outro ponto de atenção é a adaptação das empresas. A secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, reforçou a necessidade de empregadores cadastrarem seus funcionários no sistema Jaé com antecedência. O processo, gratuito e online, permite a emissão de cartões de vale-transporte, mas pode demorar até um mês. A prefeitura estima que 3 milhões de usuários precisarão migrar para o novo sistema, o que exige planejamento para evitar filas e atrasos.

Vantagens do sistema Jaé
O Jaé traz inovações que prometem facilitar o uso do transporte público. O aplicativo, disponível para Android e iOS, permite recargas via PIX, cartão de crédito ou boleto, com saldo disponível instantaneamente. Em caso de perda do cartão físico, o passageiro pode usar o QR Code gerado pelo aplicativo até receber uma nova via. Além disso, o sistema permite acumular créditos de diferentes empregadores em uma única conta, simplificando a gestão do vale-transporte.

A prefeitura destaca que o Jaé aumenta a transparência no sistema de transporte. Com o controle da arrecadação tarifária, o município terá acesso a dados em tempo real sobre o fluxo de passageiros, possibilitando um planejamento mais eficiente de linhas e horários. A medida é vista como um avanço em relação ao Riocard, que enfrentava críticas por atrasos na entrega de informações e falta de clareza financeira.

Pontos de atendimento e cadastro
Para facilitar a transição, a Prefeitura do Rio ampliou os pontos de atendimento do Jaé. Além do aplicativo, os passageiros podem solicitar cartões em máquinas de autoatendimento localizadas em estações de BRT e VLT ou em 11 lojas físicas espalhadas pela cidade, incluindo:

  • Barra da Tijuca: Terminais Alvorada e Jardim Oceânico.
  • Taquara: Avenida Nelson Cardoso, 905, loja 107.
  • Botafogo: Sede da Rioluz, Rua Voluntários da Pátria, 169.
  • Cidade Nova: Centro Administrativo São Sebastião.

Dois pontos temporários foram criados nas Naves do Conhecimento de Engenho de Dentro e Padre Miguel, funcionando de segunda a sexta, das 9h às 18h, sem necessidade de agendamento. A prefeitura recomenda que os pedidos sejam feitos online para agilizar o processo, mas o atendimento presencial é uma opção para quem enfrenta dificuldades com o aplicativo.

Adiamentos e polêmicas
A implementação do Jaé enfrentou quatro adiamentos desde o anúncio inicial, em julho de 2023. Originalmente prevista para 2024, a transição foi postergada devido à falta de integração com modais estaduais e mudanças na estrutura societária da empresa responsável pelo sistema. O último adiamento, anunciado em janeiro de 2025, fixou a data de 1º de julho, mas a prefeitura optou por antecipar para agosto após resolver disputas judiciais entre as empresas Billing Pay e Autopass, responsáveis pela operação e tecnologia do Jaé.

A tensão entre a prefeitura e o governo estadual também marcou o processo. A secretária Maína Celidonio cobrou a instalação de validadores do Jaé nas estações do MetrôRio, enquanto o estado propôs um novo modelo de bilhetagem integrada, ainda em discussão judicial. As divergências atrasaram a unificação dos sistemas, mantendo a necessidade de dois cartões para muitos passageiros.

Próximos passos para os usuários
Com a proximidade da obrigatoriedade do Jaé, os cariocas precisam se preparar para a mudança. A prefeitura orienta que os passageiros baixem o aplicativo Jaé, criem uma conta e solicitem o cartão com antecedência. Empresas devem acessar o site oficial para cadastrar funcionários e garantir a emissão dos cartões de vale-transporte.

Para quem já possui o Riocard, a recomendação é utilizar o saldo restante até 1º de agosto, já que os créditos não serão transferidos. Passageiros com dúvidas podem buscar atendimento nas lojas físicas ou nos pontos temporários, onde equipes estão preparadas para orientar sobre o cadastro e o uso do sistema. A transição, embora desafiadora, é vista como um passo para modernizar o transporte público carioca, mas sua eficácia dependerá da adesão dos usuários e da resolução das questões de integração.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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