Polícia suspeita de plano para concretar corpo de empresário em Interlagos

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Empresario interlagos Foto: Empresario interlagos

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Júnior, encontrado em 3 de junho de 2025 dentro de um buraco de obra no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital. A suspeita é que o corpo seria concretado para ocultar o crime, mas o plano falhou quando um trabalhador descobriu o cadáver. A vítima, de 36 anos, participava de um evento de motocicletas no local e desapareceu após ser visto pela última vez às 21h do dia 30 de maio. A investigação aponta que o responsável pelo crime conhecia a rotina do autódromo, já que o corpo foi deixado em uma área restrita. A causa da morte foi asfixia, possivelmente por um golpe como mata-leão, e a polícia apura um possível conflito com seguranças do evento.

A descoberta do corpo chocou os funcionários da obra. Um trabalhador, ao notar algo estranho no buraco, inicialmente pensou se tratar de um boneco, mas a presença de uma aliança na mão da vítima revelou a gravidade da situação. O caso ganhou contornos complexos com a análise do carro de Adalberto, onde foram encontradas manchas de sangue humano, e a ausência de itens como calça e tênis no corpo. A esposa do empresário, Fernanda Dândalo, relatou que ele enviou uma mensagem às 19h48 do dia do desaparecimento, informando que iria para casa, mas o celular foi desligado logo após.

Policia Civil
Policia civil – Foto: Tânia Rego/Arquivo/Agência Brasil

O evento de motocicletas, parte do Festival Interlagos 2025, reuniu milhares de pessoas entre 29 de maio e 1º de junho. Adalberto, dono de uma rede de óticas em Osasco e Barueri, era conhecido como piloto amador de kart e optometrista. A polícia mapeou o trajeto dele no autódromo, utilizando câmeras de segurança e depoimentos, para entender como ele chegou ao local onde foi encontrado.

  • Principais pontos da investigação:
  • Corpo encontrado em buraco de 1,5 metro de profundidade.
  • Suspeita de ocultação com concretagem.
  • Manchas de sangue no carro da vítima.
  • Ausência de calça e tênis no corpo.

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Polícia aponta crime planejado na morte de empresário em Interlagos (130 caracteres)

Detalhes da descoberta do corpo

O corpo de Adalberto foi localizado em uma área isolada por tapumes, próxima ao kartódromo de Interlagos. O buraco, com cerca de 40 centímetros de diâmetro e 1,5 metro de profundidade, fazia parte de uma obra da prefeitura. Um funcionário, ao inspecionar o local, exclamou que havia um “boneco” no fundo, mas a percepção mudou ao notar a aliança na mão da vítima. O resgate, conduzido pelo Corpo de Bombeiros, foi registrado em vídeo e exigiu o uso de cordas devido à profundidade do local.

A posição do corpo, de cabeça para baixo, intrigou os investigadores. A ausência de marcas nas paredes do buraco sugere que Adalberto não tentou sair, indicando que ele já estava morto ou desacordado quando foi colocado ali. A perícia constatou que o empresário usava apenas cueca e uma jaqueta, sem calça, tênis ou meias, o que levantou hipóteses sobre o que aconteceu entre o evento e o momento do crime.

Causa da morte e laudos periciais

A causa da morte foi confirmada como asfixia, com escoriações no pescoço apontando para a possibilidade de um golpe como mata-leão. Exames do Instituto Médico Legal (IML) não identificaram fraturas ou sinais de trauma grave, apenas lesões superficiais. A polícia aguarda laudos toxicológicos e necroscópicos para determinar se Adalberto foi dopado ou sofreu algum tipo de violência antes de ser colocado no buraco.

Um detalhe que chamou a atenção foi o tempo de decomposição do corpo. Segundo um médico legista, o cadáver apresentava pouco inchaço, incompatível com o período de quatro dias desde o desaparecimento. Isso sugere que Adalberto pode ter morrido entre a noite de 30 de maio e 1º de junho, e não imediatamente após ser visto pela última vez.

Investigação foca em seguranças

A Polícia Civil interrogou oito dos cerca de 70 seguranças que trabalhavam no evento de motocicletas. A principal linha de investigação aponta para um possível conflito entre Adalberto e um ou mais seguranças. O empresário estacionou seu carro em uma área restrita e, ao deixar o evento, cruzou cercas e tapumes, o que pode ter gerado um confronto. A delegada Ivalda Aleixo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que a pessoa que colocou o corpo no buraco conhecia bem o autódromo, já que a área era de acesso restrito.

  • Suspeitas levantadas:
  • Conflito com seguranças após acesso a área restrita.
  • Conhecimento interno do autódromo pelo responsável.
  • Possível uso de golpe mata-leão.

Manchas de sangue e pistas no carro

A análise do carro de Adalberto revelou manchas de sangue em pelo menos quatro pontos. A polícia solicitou um exame de confronto genético para confirmar se o material pertence ao empresário. O veículo, estacionado no kartódromo, foi apreendido para novas perícias. A presença de sangue, combinada com a ausência de lesões graves no corpo, levanta a possibilidade de que o crime tenha ocorrido em outro local antes de o corpo ser levado ao buraco.

A câmera acoplada ao capacete de Adalberto, que poderia conter imagens dos últimos momentos dele, não foi encontrada. A família espera que registros armazenados na nuvem possam esclarecer o caso, mas até o momento não há novidades sobre esse material.

Depoimentos e inconsistências

Rafael Aliste, amigo que acompanhava Adalberto no evento, prestou novos depoimentos após a polícia identificar inconsistências em suas declarações. Ele afirmou que ambos consumiram cerveja e maconha oferecida por desconhecidos, o que deixou Adalberto “mais agitado que o normal”. Rafael relatou que se despediu do amigo por volta das 21h15, quando Adalberto saiu em direção ao estacionamento. A delegada Ivalda Aleixo afirmou que Rafael “não contou tudo” e será ouvido novamente.

A esposa de Adalberto, Fernanda Dândalo, também foi ouvida. Ela forneceu detalhes sobre a rotina do marido e confirmou que ele não tinha inimigos conhecidos. Fernanda relatou que, na noite do desaparecimento, recebeu uma mensagem às 19h48, mas não obteve resposta após tentar contato às 21h12, indicando que o celular já estava desligado.

Contexto do evento

O Festival Interlagos 2025, realizado entre 29 de maio e 1º de junho, atraiu milhares de entusiastas de motocicletas. Adalberto, apaixonado por esportes a motor, participava como piloto amador e frequentava eventos semelhantes. Câmeras do autódromo registraram sua chegada às 12h30 do dia 30, vestindo boné, camiseta preta, calça jeans e tênis. Ele enviou vídeos para amigos e familiares durante o evento, mostrando-se animado.

A organização do festival informou que forneceu imagens de câmeras de segurança e está colaborando com as investigações. No entanto, não há registros divulgados do momento em que Adalberto deixou o evento ou caminhou até o estacionamento.

Histórico de ameaças

Um episódio anterior envolvendo Adalberto e Fernanda chamou a atenção dos investigadores. Em 18 de março de 2025, o casal registrou um boletim de ocorrência contra um vizinho em Alphaville, bairro nobre de Barueri. Segundo Fernanda, o vizinho, aparentemente embriagado, os ameaçou com uma faca e disse que não terminariam a obra de sua residência. A esposa do vizinho também teria feito ameaças. Embora não haja conexão confirmada com o crime, a polícia apura se o caso pode estar relacionado.

Trajeto mapeado

A polícia elaborou um croqui em 3D, utilizando a técnica de espelhamento, para reconstruir o trajeto de Adalberto no autódromo. O mapeamento indica que ele circulou pelo evento, saiu por uma área externa e tentou cortar caminho para chegar ao estacionamento. A linha de investigação sugere que ele pode ter sido abordado ao cruzar uma área restrita, o que resultou no confronto fatal.

  • Pontos mapeados:
  • Local do evento de motocicletas.
  • Trajeto externo com cercas e tapumes.
  • Estacionamento do kartódromo.
  • Buraco da obra onde o corpo foi encontrado.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil aguarda os resultados de laudos toxicológicos, necroscópicos e de confronto genético para avançar no caso. Os investigadores também analisam a vida pessoal e os relacionamentos de Adalberto, buscando possíveis motivações para o crime. Novos depoimentos de seguranças e organizadores do evento estão agendados, e a polícia revisa imagens de câmeras de segurança para identificar movimentações suspeitas.

A ausência de sinais de roubo, já que o corpo foi encontrado com carteira, celular e chave do carro, descartou a hipótese de latrocínio. A investigação segue focada em esclarecer como e por que Adalberto foi colocado no buraco, e se o plano de ocultação envolveu mais de uma pessoa.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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