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Marcelo D2 e BNegão lideram fim do Planet Hemp após 30 anos com turnê histórica

A banda Planet Hemp
Foto: A banda Planet Hemp — Foto: Ronaldo Land / Divulgação

Após mais de 30 anos incendiando palcos com sua mistura única de rap, rock e ativismo, o Planet Hemp anunciou o fim de sua trajetória e uma turnê de despedida intitulada A última ponta. Formada em 1993 no Rio de Janeiro, a banda carioca liderada por Marcelo D2 e BNegão marcou gerações com letras provocadoras e engajadas, especialmente sobre a legalização da cannabis. A série de 10 shows, que começa em Salvador no dia 13 de setembro de 2025 e termina em São Paulo no Allianz Parque em 15 de novembro, promete celebrar a história do grupo. A decisão, tomada em plena consciência, reflete o desejo de encerrar um ciclo vitorioso, segundo os integrantes. A turnê, produzida pela 30e, terá ingressos à venda a partir de 18 de junho.

A notícia pegou fãs de surpresa, mas também despertou curiosidade sobre como o grupo planeja se despedir. Em coletiva de imprensa, Marcelo D2 destacou a trajetória improvável da banda, que começou com shows para sete pessoas e agora culmina em grandes arenas. A última ponta, nome inspirado na faixa “Queimando Tudo” de 1997, simboliza resistência e celebração.

Para entender o peso desse anúncio, é preciso voltar ao início. O Planet Hemp surgiu no underground carioca, unindo músicos com afinidades musicais e ideológicas. A banda enfrentou censuras, prisões e hiatos, mas sempre manteve sua essência contestadora.

  • Datas confirmadas da turnê: Salvador (13/9), Recife (20/9), Curitiba (3/10), Porto Alegre (4/10), Florianópolis (12/10), Goiânia (17/10), Brasília (18/10), Belo Horizonte (31/10), Rio de Janeiro (8/11) e São Paulo (15/11).
  • Produção: A turnê é organizada pela 30e, responsável por grandes eventos como as despedidas de Natiruts e Sepultura.
  • Ingressos: Venda começa em 18 de junho, às 12h, pelo site da Eventim, exceto em Salvador, onde será pela Sympla.

Raízes de um movimento

No início dos anos 1990, o Rio de Janeiro fervilhava com a efervescência cultural do underground. Foi nesse cenário que Marcelo D2 e Skunk, unidos por uma camiseta dos Dead Kennedys, fundaram o Planet Hemp. A banda rapidamente se destacou por sua abordagem direta, misturando rap, rock, psicodelia e hardcore. Após a morte de Skunk em 1994, BNegão assumiu os vocais, consolidando a formação clássica que conquistaria o Brasil.

O primeiro álbum, Usuário (1995), trouxe hits como “Legalize Já” e “Mantenha o Respeito”, que venderam 150 mil cópias e colocaram a banda no centro do debate sobre a descriminalização da cannabis. Apesar do sucesso, o grupo enfrentou resistência. Em 1997, durante um show em Brasília, os integrantes foram presos por apologia às drogas, um episódio que marcou sua trajetória. “Foi um caminho difícil, com morte e prisão, mas terminamos rindo”, afirmou D2 na coletiva de imprensa.

A banda continuou a inovar com Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997), que alcançou Disco de Platina, e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), antes de se separar em 2001. Reuniões esporádicas ocorreram em 2003, 2010 e entre 2012 e 2016, mas o retorno mais consistente veio em 2018, culminando no álbum Jardineiros (2022), que venceu dois Grammy Latinos em 2023.

A última ponta: o que esperar dos shows

A turnê A última ponta promete ser uma celebração da discografia do Planet Hemp, com setlists que revisitam os quatro álbuns de estúdio e sucessos ao vivo, como os registrados em MTV ao Vivo: Planet Hemp (2001). Segundo Marcelo D2, os shows terão participações especiais de artistas que cruzaram a trajetória da banda, como Pitty, Criolo e Tropkillaz, que já colaboraram em projetos recentes.

Os concertos serão realizados em grandes arenas, como a Farmasi Arena no Rio de Janeiro e o Allianz Parque em São Paulo, marcando a evolução do grupo que começou em pequenos palcos underground. “Vamos fazer shows mais longos, com músicas que ficaram de fora do DVD Baseado em Fatos Reais”, prometeu D2, referindo-se ao registro audiovisual lançado em 2024.

  • Destaques esperados nos shows:
    • Repertório com clássicos como “Queimando Tudo”, “Legalize Já” e “Dig Dig Dig”.
    • Participações de artistas convidados, ainda não totalmente revelados.
    • Produção visual e sonora reforçada, com elementos que celebram os 30 anos da banda.
    • Setlist expandida, incluindo faixas menos tocadas ao vivo.

A escolha dos locais reflete a abrangência do Planet Hemp, que conquistou fãs em todo o Brasil. Cidades como Recife, Goiânia e Florianópolis, menos frequentes em turnês anteriores, garantem que a despedida alcance diferentes públicos.

Impacto cultural do Planet Hemp

O Planet Hemp não foi apenas uma banda, mas um símbolo de resistência cultural. Suas letras abordaram temas como racismo, desigualdade e repressão policial, sempre com um tom irônico e subversivo. A defesa da legalização da cannabis, embora polêmica, abriu espaço para debates que ganharam força nas últimas décadas. “A gente se tornou artistas que acreditam no que fazem e com a sensação de mudar o mundo”, disse BNegão na coletiva.

O grupo também influenciou gerações de músicos brasileiros, de rappers a bandas de rock. Nomes como Criolo, Emicida e até artistas do funk carioca citam o Planet Hemp como referência. O álbum Jardineiros, lançado após 22 anos sem material inédito, mostrou que a banda ainda tinha fôlego para inovar, com participações de Black Alien, MC Carol e Trueno.

Além da música, o Planet Hemp moldou a estética e a atitude do underground brasileiro. Suas capas de álbuns, clipes e shows sempre trouxeram uma identidade visual marcante, misturando elementos do hip hop americano com a brasilidade do samba e do reggae.

Por que encerrar agora?

A decisão de encerrar as atividades foi planejada há pelo menos dois anos, segundo Marcelo D2. Após o sucesso de Jardineiros e a celebração dos 30 anos com shows memoráveis, como no Rock in Rio 2024, o grupo sentiu que era o momento de fechar o ciclo. “A gente precisava terminar numa vibe legal, como amigos, rindo da nossa história”, afirmou o vocalista.

BNegão complementou, destacando o caráter agridoce da despedida. “É um momento de celebração com o público e com os colegas de banda, mas também de reconhecer que fizemos o que tínhamos que fazer”, disse. A escolha de uma turnê extensa, com 10 cidades, reflete o desejo de se conectar uma última vez com os fãs que acompanharam o grupo desde o início.

Legado para a música brasileira

O fim do Planet Hemp marca o encerramento de uma era, mas seu legado está garantido. A banda abriu caminhos para o rap nacional, que hoje domina as paradas com artistas como Djonga e Baco Exu do Blues. Sua coragem em abordar temas tabus, como a legalização da cannabis, ajudou a normalizar discussões que antes eram marginalizadas.

Os prêmios recentes, como o Grammy Latino e o BTG Pactual de Melhor Lançamento de Rock em 2024, reforçam a relevância do grupo. O show no Rock in Rio 2024, descrito como uma correção histórica pelo festival, consolidou a importância do Planet Hemp no cenário cultural brasileiro.

  • Conquistas recentes do Planet Hemp:
    • Dois Grammy Latinos em 2023 por Jardineiros.
    • Prêmio BTG Pactual de Melhor Lançamento de Rock em 2024.
    • Show histórico no Rock in Rio 2024, com participação de Pitty e BaianaSystem.
    • Lançamento do DVD Baseado em Fatos Reais: 30 Anos de Fumaça.

A turnê A última ponta será a chance final de ver o Planet Hemp ao vivo, com sua energia contagiante e mensagem de resistência. Para os fãs, é uma oportunidade de celebrar uma banda que transformou a música brasileira.

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