Trump pressiona fim do programa nuclear do Irã enquanto guerra com Israel se intensifica

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trump - Foto: @Potus

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a retórica contra o Irã em 17 de junho de 2025, exigindo o fim total de seu programa nuclear e descartando negociações para um cessar-fogo na guerra com Israel, que já dura cinco dias. Em declarações a bordo do Air Force One, após deixar o G7 no Canadá, Trump afirmou que Teerã deve abandonar completamente suas atividades de enriquecimento de urânio, enquanto Israel mantém uma ofensiva aérea que devastou instalações nucleares e militares iranianas. O conflito, que deixou pelo menos 24 mortos em Israel e mais de 220 no Irã, eleva temores de uma escalada regional. A ação israelense, batizada de Operação Leão Ascendente, visa neutralizar o que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu chama de “ameaça existencial” do programa nuclear iraniano. A postura de Trump reflete um alinhamento com Israel, mas também pressiona aliados ocidentais em meio a negociações nucleares paralisadas.

A guerra, iniciada em 13 de junho, marcou um ponto de inflexão nas tensões históricas entre Irã e Israel, com ataques diretos substituindo a chamada “guerra nas sombras”. As declarações de Trump ocorrem em um momento crítico, com Israel intensificando bombardeios contra alvos estratégicos em Teerã, incluindo a sede da emissora estatal iraniana, e o Irã retaliando com mísseis que atingiram Tel Aviv e outras cidades. A comunidade internacional, incluindo a ONU e a AIEA, expressa preocupação com o risco de uma crise nuclear e humanitária.

  • Mortes confirmadas: Pelo menos 24 em Israel e 220 no Irã, com milhares de feridos.
  • Alvos atingidos: Instalações nucleares de Natanz e Isfahan, bases militares e mídia estatal iraniana.
  • Reação global: Pedidos de contenção da ONU, condenações de China e Rússia, apoio condicional da França.

A ausência de Trump no G7, justificada por ele como necessidade de monitoramento direto da crise, sinaliza a gravidade do momento. O presidente afirmou que prefere acompanhar os desdobramentos na Sala de Situação da Casa Branca, evitando comunicações por celular devido a preocupações com segurança.

Contexto da ofensiva israelense

Israel justificou os ataques como uma resposta preventiva à suposta proximidade do Irã em desenvolver uma arma nuclear. Netanyahu afirmou que relatórios de inteligência, ainda não divulgados, indicavam que Teerã estava a dias de alcançar capacidade nuclear. Essa narrativa, porém, contrasta com avaliações recentes da inteligência americana. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, informou ao Congresso meses atrás que o Irã não retomou seu programa de armas nucleares, suspenso em 2003. Trump, no entanto, desconsiderou essa avaliação, insistindo que o Irã estava “muito próximo” de obter uma bomba.

Os bombardeios israelenses, iniciados na madrugada de 13 de junho, destruíram partes do complexo nuclear de Natanz e danificaram instalações em Isfahan, além de eliminar figuras-chave do alto comando militar iraniano, como o chefe do Estado-Maior, Ali Shadmani, e seu antecessor. A operação, que envolveu mais de 200 caças e 330 munições, foi descrita como a maior ofensiva contra o Irã desde a guerra Irã-Iraque nos anos 1980. O Mossad, serviço de inteligência israelense, também desempenhou um papel crucial, sabotando defesas aéreas iranianas e operando drones a partir de uma base secreta próxima a Teerã.

A resposta iraniana veio horas depois, com o lançamento de mais de 150 mísseis balísticos e 100 drones na Operação Promessa Verdadeira III. Apesar da interceptação de grande parte dos projéteis pelo sistema Domo de Ferro, com apoio americano, alguns mísseis atingiram alvos civis em Tel Aviv, Peta Tikva e Herzliya, deixando crateras e prédios danificados. Uma família israelense-americana em Peta Tikva relatou o terror de um ataque que destruiu sua casa, forçando-os a buscar refúgio em um abrigo.

Reações internacionais e riscos nucleares

A escalada do conflito gerou alarme global. O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu moderação máxima, destacando a preocupação com ataques a instalações nucleares. Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), classificou os bombardeios como “profundamente preocupantes” devido ao risco de vazamentos radioativos. A AIEA confirmou danos em quatro unidades do complexo nuclear de Isfahan, embora sem indícios de contaminação até o momento.

A China condenou a violação da soberania iraniana, enquanto a Rússia, aliada de Teerã, prometeu monitorar a situação. A França reafirmou o direito de Israel à defesa, mas pediu desescalada. Os Estados Unidos, por sua vez, negaram envolvimento direto nos ataques, mas reposicionaram navios no Mediterrâneo Oriental como precaução contra possíveis retaliações iranianas a bases americanas na região.

  • Ameaças iranianas: Teerã alertou que bases dos EUA, Reino Unido e França podem ser alvos se houver apoio a Israel.
  • Impacto econômico: Preços do petróleo subiram, e rotas marítimas no Estreito de Ormuz enfrentam risco de interrupção.
  • Evacuações: Israel ordenou a saída de 300 mil pessoas em Teerã; milhares de iranianos tentam deixar grandes cidades.

O Irã, por sua vez, suspendeu negociações nucleares com os EUA enquanto os ataques persistirem e ameaçou bloquear inspeções da AIEA, alegando vazamentos de informações para Israel. Parlamentares iranianos também sugeriram acelerar o enriquecimento de urânio, o que poderia intensificar a crise.

O papel de Trump na crise

A postura de Trump reflete uma estratégia de pressão máxima sobre o Irã, alinhada com o governo de Netanyahu. Ao descartar um cessar-fogo, o presidente sinalizou apoio tácito à continuidade dos ataques israelenses, que já destruíram cerca de 30% dos lançadores de mísseis iranianos, segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF). Trump também emitiu um alerta controverso, sugerindo que os 10 milhões de habitantes de Teerã evacuassem imediatamente, sem esclarecer o motivo.

A bordo do Air Force One, Trump evitou detalhar planos militares, mas indicou que poderia enviar emissários como Steve Witkoff ou o vice-presidente JD Vance para negociações com o Irã, dependendo dos desdobramentos. Ele também enfatizou que qualquer ataque iraniano contra forças americanas resultaria em uma resposta dura, reforçando a dissuasão militar dos EUA na região.

A decisão de Trump de deixar o G7 prematurely foi criticada por aliados como o presidente francês Emmanuel Macron, que interpretou a saída como um esforço para negociar um cessar-fogo. Trump negou a alegação, afirmando que sua presença em Washington era necessária para lidar com questões “muito maiores”. Analistas sugerem que o presidente busca centralizar o controle da crise, evitando comunicações vulneráveis e monitorando de perto as ações de Israel e do Irã.

Impacto humanitário e tensões regionais

A guerra tem causado devastação em ambos os lados. No Irã, milhares de civis foram deslocados, e cidades como Teerã e Isfahan enfrentam interrupções no fornecimento de energia e água. Um vídeo capturado em Isfahan mostrou uma explosão massiva, com motoristas em pânico tentando fugir. Autoridades iranianas relataram que a maioria das vítimas são civis, incluindo mulheres e crianças atingidas em áreas residenciais.

Em Israel, sirenes de alerta ecoam diariamente, e escolas foram fechadas. O ataque a Peta Tikva, que matou quatro pessoas, expôs vulnerabilidades no sistema Domo de Ferro, embora a maioria dos mísseis iranianos tenha sido interceptada. A população israelense vive sob constante ameaça, com muitos estocando alimentos e buscando abrigos.

  • Danos em Israel: Prédios residenciais e infraestrutura elétrica atingidos, com 63 feridos em Tel Aviv.
  • Danos no Irã: 329 feridos e 78 mortos confirmados em 13 de junho, com números possivelmente maiores.
  • Envolvimento regional: Drones iranianos interceptados pela Jordânia; mísseis Houthi atingem a Cisjordânia.

A participação de aliados regionais do Irã, como os Houthis no Iêmen, adiciona complexidade ao conflito. Um míssil balístico disparado pelos Houthis atingiu Hebrom, na Cisjordânia, ferindo cinco palestinos, o que pode inflamar tensões com a Palestina. A Jordânia, por sua vez, interceptou drones iranianos em seu espaço aéreo, alegando preocupações com a segurança civil.

Perspectivas diplomáticas em xeque

As negociações nucleares entre Irã e EUA, que pareciam progredir antes dos ataques, estão agora suspensas. Uma fonte citada pela CBS News revelou que Teerã sinalizou disposição para discutir um novo acordo nuclear por meio de mediadores no Catar e em Omã, mas apenas após o fim dos bombardeios israelenses. A postura de Trump, no entanto, sugere pouca disposição para diálogo imediato, com o presidente afirmando que não está “no clima para negociar”.

A comunidade internacional teme que a escalada militar comprometa décadas de esforços para conter o programa nuclear iraniano. A resolução da AIEA em maio de 2025, que condenou o Irã por violar obrigações nucleares, intensificou as tensões, culminando nos ataques israelenses. A suspensão de inspeções da AIEA pelo Irã pode dificultar a verificação de suas atividades nucleares, aumentando o risco de uma corrida armamentista na região.

A guerra também ameaça desestabilizar o Oriente Médio, com possíveis reflexos globais. A alta nos preços do petróleo já afeta economias dependentes de energia, e a interrupção de rotas marítimas no Estreito de Ormuz poderia agravar a crise. A Rússia, que se beneficia do aumento do petróleo, pode ganhar influência econômica, enquanto os EUA enfrentam o desafio de equilibrar apoio a Israel com a contenção de um conflito regional.

O futuro do conflito depende das próximas ações de Israel e do Irã, bem como da capacidade de Trump de influenciar os desdobramentos. Por enquanto, a retórica beligerante de ambos os lados sugere que a guerra está longe de um desfecho, com civis em Israel e no Irã pagando o preço mais alto.

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