Rio Jacuí atinge marca histórica e alerta Grande Porto Alegre para enchentes
A cheia do Rio Jacuí, uma das maiores já registradas, avança pelo Rio Grande do Sul, inundando cidades como Cachoeira do Sul e ameaçando a Grande Porto Alegre. Em 20 de junho de 2025, o rio alcançou 25,38 metros em Cachoeira do Sul, 7,38 metros acima do normal, segundo a Defesa Civil Municipal. A situação, agravada por chuvas persistentes, preocupa autoridades e moradores, especialmente no Vale do Rio Pardo, na Região Carbonífera e no delta do Guaíba. O pico de vazão ainda não chegou a Porto Alegre, o que intensifica os alertas para inundações. A MetSul Meteorologia prevê piora nas próximas horas, com risco de alagamentos em áreas urbanas e rurais.
A gravidade da cheia mobilizou equipes de emergência em diversos municípios. Em Cachoeira do Sul, a sexta maior enchente da história local forçou a evacuação de áreas ribeirinhas. A Defesa Civil estadual monitora o avanço das águas, enquanto prefeituras reforçam barreiras e orientam a população. A cheia do Jacuí, principal contribuinte do Guaíba, pode elevar o nível do lago em Porto Alegre, impactando bairros insulares e cidades próximas, como Eldorado do Sul.
- Principais áreas afetadas: Cachoeira do Sul, Rio Pardo, São Jerônimo, Charqueadas, Triunfo e Eldorado do Sul.
- Nível do rio em Cachoeira: 25,38 metros, com tendência de elevação.
- Previsão: Agravamento nas próximas horas, com pico de vazão esperado no delta do Guaíba.
A situação exige atenção redobrada, já que chuvas na Metade Norte do estado continuam alimentando os rios. A combinação de altos volumes de precipitação e o represamento causado por ventos do quadrante Sul aumenta o risco de inundações em áreas urbanas.
Situação crítica em Cachoeira do Sul
Cachoeira do Sul enfrenta uma das piores enchentes de sua história. O Rio Jacuí, que corta o município, ultrapassou a marca de 25 metros, inundando ruas, casas e áreas rurais. A Defesa Civil local informou que o nível do rio segue subindo, impulsionado por chuvas contínuas na região central do estado. Em maio de 2024, o Jacuí atingiu 29,55 metros, o maior registro histórico, o que torna a cheia atual especialmente preocupante.
Moradores de bairros próximos ao rio, como Marina e Cristo Rei, foram orientados a deixar suas casas. Abrigos foram montados em escolas e ginásios, acolhendo dezenas de famílias. A prefeitura intensificou a comunicação com a população, utilizando redes sociais e alertas sonoros para informar sobre os riscos. A cheia já comprometeu estradas vicinais, dificultando o acesso a comunidades rurais e o transporte de suprimentos.
Avanço da cheia pelo Vale do Rio Pardo
No Vale do Rio Pardo, a situação se deteriora rapidamente. Em Rio Pardo, o Jacuí alcançou mais de 14 metros no final de 19 de junho, ante 12,5 metros no início do dia. No ano passado, o rio chegou a 24 metros, inundando a ponte que conecta a cidade. Autoridades locais temem que o nível atual supere marcas anteriores, já que o pico de vazão ainda está a caminho.
A cheia afetou áreas ribeirinhas e propriedades agrícolas, com relatos de perdas de plantações e gado. A Cooperativa de Produtores de Arroz (Coparroz) reportou alagamentos em lavouras, o que pode impactar a economia local. A prefeitura de Rio Pardo decretou estado de emergência, mobilizando equipes para reforçar barreiras e auxiliar na retirada de moradores de áreas de risco.
- Medidas emergenciais em Rio Pardo:
- Construção de barreiras com sacos de areia.
- Interdição de ruas próximas ao rio.
- Abertura de abrigos para desabrigados.
- Monitoramento constante do nível do rio.
Região Carbonífera sob alerta
A Região Carbonífera, que inclui cidades como São Jerônimo, Charqueadas e Triunfo, enfrenta o avanço das águas do Jacuí. Em São Jerônimo, o rio superou a cota de inundação por 1,23 metro na madrugada de 20 de junho, segundo a MetSul. A tendência é de elevação nos próximos dias, o que pode agravar os alagamentos em áreas urbanas e rurais.
A prefeitura de Charqueadas interditou acessos próximos ao rio e orientou moradores a evitar deslocamentos desnecessários. Em Triunfo, a cheia ameaça comunidades ribeirinhas, com relatos de ruas alagadas e casas inundadas. A Defesa Civil estadual enviou equipes para apoiar os municípios, distribuindo lonas, cobertores e alimentos para os afetados.
Risco iminente no delta do Guaíba
O delta do Jacuí, ponto de encontro com o Guaíba, é uma das áreas mais vulneráveis à cheia. Eldorado do Sul, localizada no delta, já registra inundações em bairros próximos ao rio. A cidade, que sofreu com enchentes devastadoras em 2024, teme novos alagamentos de grande proporção. O pescador Bernardo Galzinski, morador da Ilha da Pintada, relatou que a água começou a subir na manhã de 19 de junho, alcançando ruas e quintais.
A MetSul alerta que o pico de vazão do Jacuí deve chegar ao delta nos próximos três a quatro dias, elevando o nível do Guaíba. A situação é agravada pelo represamento causado por ventos do quadrante Sul, que dificultam o escoamento das águas para a Lagoa dos Patos. Bairros insulares de Porto Alegre, como o Arquipélago, estão em alerta máximo, com risco de inundações em ruas e residências.
Chuvas intensas alimentam a cheia
As chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o início da semana são o principal fator por trás da cheia do Jacuí. Na Metade Norte do estado, onde estão as nascentes do rio, os acumulados de precipitação variam entre 100 mm e 200 mm, com picos de 400 mm em algumas áreas. Cidades como Passo Fundo e Cruz Alta, próximas às nascentes, registraram chuvas intensas, contribuindo para o aumento do volume do rio.
A previsão da MetSul indica que a instabilidade deve persistir até o final de semana, com risco de chuvas moderadas a fortes na região central e leste do estado. A combinação de solo encharcado e novos volumes de chuva eleva a probabilidade de deslizamentos e novos alagamentos, especialmente em áreas já saturadas.
Medidas de prevenção em Porto Alegre
Em Porto Alegre, a prefeitura intensificou o monitoramento do Guaíba e do delta do Jacuí. Equipes do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) inspecionam comportas e diques, garantindo a funcionalidade do sistema de contenção de cheias. A Defesa Civil municipal emitiu alertas para moradores de áreas insulares, como Ilha da Pintada e Ilha do Pavão, recomendando a retirada de pertences de locais baixos.
A cidade, que enfrentou a maior enchente de sua história em maio de 2024, com o Guaíba atingindo 5,33 metros, está em estado de vigilância. Embora o nível atual do Guaíba esteja em cerca de 1,5 metro, a chegada do pico de vazão do Jacuí pode elevar a cota para níveis de cheia, entre 2 e 3 metros, nos próximos dias.
Impactos econômicos e sociais
A cheia do Jacuí já causa prejuízos significativos no Rio Grande do Sul. Em áreas rurais, lavouras de arroz, milho e soja foram inundadas, afetando a produção agrícola. Pequenos produtores relatam dificuldades para salvar o gado, com estradas alagadas impedindo o transporte. Em áreas urbanas, o comércio local enfrenta interrupções, especialmente em cidades como Cachoeira do Sul e Rio Pardo, onde ruas centrais estão bloqueadas.
A situação também gera impactos sociais, com centenas de famílias desalojadas. Abrigos temporários operam no limite, e organizações não governamentais auxiliam na distribuição de donativos. A solidariedade entre os moradores tem sido um ponto positivo, com voluntários ajudando na limpeza de casas e na entrega de mantimentos.
- Principais prejuízos registrados:
- Perda de plantações em áreas ribeirinhas.
- Interrupção de estradas e pontes.
- Danos a residências e comércios.
- Aumento da demanda por abrigos e assistência social.
Ações do governo estadual
O governo do Rio Grande do Sul mobilizou recursos para enfrentar a crise. A Defesa Civil estadual coordena ações com os municípios, enviando equipes de resgate e suprimentos para as áreas mais afetadas. O governador Eduardo Leite anunciou a liberação de verbas emergenciais para reconstrução de infraestrutura danificada, como pontes e estradas.
Reuniões diárias entre autoridades estaduais e municipais avaliam a evolução da cheia e planejam medidas de mitigação. O Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS colabora com análises técnicas, fornecendo dados sobre a vazão do Jacuí e o comportamento do Guaíba. A prioridade é garantir a segurança da população e minimizar os danos materiais.
Histórico de cheias no Jacuí
O Rio Jacuí tem um longo histórico de cheias que marcaram o Rio Grande do Sul. Em 1941, a maior enchente registrada no estado elevou o Guaíba a 4,76 metros, inundando Porto Alegre e cidades vizinhas. Mais recentemente, em 2023 e 2024, cheias históricas do Jacuí e de outros rios contribuintes do Guaíba causaram devastação, com milhares de desabrigados e prejuízos bilionários.
A cheia atual, embora não alcance os níveis de 2024, é considerada uma das mais graves dos últimos anos. A repetição de eventos extremos levanta debates sobre a necessidade de obras de infraestrutura, como barragens e sistemas de drenagem, para reduzir os impactos das enchentes no futuro.
Monitoramento e previsões futuras
A MetSul Meteorologia mantém equipes em campo para monitorar o avanço da cheia. Modelos hidrológicos indicam que o Jacuí deve continuar subindo em pontos entre Cachoeira do Sul e Porto Alegre até o início da próxima semana. A previsão de ventos do quadrante Sul, que represam o Guaíba, agrava o cenário, especialmente em Eldorado do Sul e nas ilhas de Porto Alegre.
Autoridades recomendam que a população acompanhe os boletins meteorológicos e evite áreas próximas a rios e arroios. Aplicativos de monitoramento, como o da Defesa Civil, fornecem atualizações em tempo real sobre o nível dos rios e os alertas de inundação.
Solidariedade em tempos de crise
Em meio à adversidade, a solidariedade se destaca. Em Cachoeira do Sul, voluntários organizam mutirões para ajudar na limpeza de casas inundadas. Em Rio Pardo, igrejas e associações comunitárias arrecadam roupas e alimentos para os desabrigados. A mobilização reflete o espírito de união que caracteriza o povo gaúcho em momentos de crise.
A cheia do Jacuí, embora desafiadora, reforça a importância da preparação e da cooperação entre governo, sociedade civil e comunidade científica. As próximas horas serão decisivas para determinar a extensão dos danos e a resposta das autoridades.
Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração








