Programa Pé-de-meia oferece até R$ 9.200 a jovens de escolas públicas
O programa Pé-de-meia, iniciativa do Governo Federal, garante até R$ 9.200 a estudantes de baixa renda do ensino médio público, promovendo a permanência escolar e combatendo a evasão. Lançado em 2024, o projeto beneficia jovens de 14 a 24 anos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com pagamentos mensais, anuais e bônus por participação no Enem. As parcelas são depositadas em contas automáticas da Caixa Econômica Federal, acessíveis pelo aplicativo Jornada do Estudante. A quarta parcela de 2025 começou a ser paga em 23 de junho, reforçando o apoio a milhões de alunos.
Com foco na redução das desigualdades educacionais, o programa já alcança cerca de 4 milhões de estudantes, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa é vista como um marco para transformar a realidade de jovens em vulnerabilidade social, incentivando a conclusão do ensino médio e a participação em exames nacionais. Para receber o benefício, é essencial manter frequência escolar mínima de 80% e dados atualizados no CadÚnico.
Os valores são distribuídos ao longo dos três anos do ensino médio, com parcelas que podem ser sacadas imediatamente e outras retidas como poupança até a formatura. O programa também contempla estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), com critérios específicos de idade e pagamento. A seguir, os principais pontos do Pé-de-meia:
- Público-alvo: Estudantes de 14 a 24 anos no ensino médio regular ou de 19 a 24 anos na EJA, de famílias com renda per capita de até meio salário-mínimo.
- Pagamentos: Incluem incentivos de matrícula, frequência, conclusão anual e participação no Enem.
- Objetivo: Reduzir a evasão escolar e promover inclusão educacional.
Elegibilidade para o Pé-de-meia
Os critérios para participar do programa são claros e visam atender jovens em situação de vulnerabilidade. Estudantes devem estar matriculados em escolas públicas, sejam municipais, estaduais, distritais ou federais, e pertencer a famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal por pessoa de até R$ 759, conforme o salário-mínimo de 2025. Além disso, é necessário ter CPF regularizado e manter frequência escolar de pelo menos 80% ao mês.
A inclusão no programa é automática, sem necessidade de inscrição. As redes de ensino enviam os dados de matrícula ao MEC, que cruza as informações com o CadÚnico para confirmar a elegibilidade. Estudantes da EJA, voltada para adultos que não concluíram o ensino médio na idade regular, também são contemplados, mas com faixa etária restrita entre 19 e 24 anos.
Outro ponto importante é a não cumulatividade com certos benefícios. Famílias unipessoais (estudantes que declararam morar sozinhos no CadÚnico) não são elegíveis. Além disso, o programa não interfere no recebimento do Bolsa Família, já que os valores do Pé-de-meia não contam no cálculo de renda familiar.
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Estrutura dos pagamentos
O Pé-de-meia funciona como uma poupança educacional, com valores pagos em diferentes momentos do ano letivo. O total de até R$ 9.200 por aluno é distribuído ao longo dos três anos do ensino médio, com parcelas que variam conforme o tipo de incentivo. Abaixo, os detalhes dos pagamentos:
- Incentivo-matrícula: R$ 200 pagos uma vez por ano, no início do ano letivo, após a confirmação da matrícula.
- Incentivo-frequência: R$ 1.800 anuais, divididos em nove parcelas de R$ 200, condicionados à frequência mínima de 80%.
- Incentivo-conclusão: R$ 1.000 por ano letivo concluído com aprovação, totalizando R$ 3.000, sacados apenas após a formatura.
- Incentivo-Enem: R$ 200 pagos em parcela única aos alunos do 3º ano que participarem dos dois dias do Exame Nacional do Ensino Médio.
Para estudantes da EJA, o incentivo-matrícula é de R$ 200 por ano, e o incentivo-frequência consiste em até quatro parcelas de R$ 225 por semestre, desde que a frequência mínima seja mantida. O incentivo-conclusão e o incentivo-Enem seguem as mesmas regras do ensino regular, com valores retidos até a certificação.
Os pagamentos são depositados em contas digitais abertas automaticamente pela Caixa Econômica Federal. Estudantes menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal para movimentar a conta, seja pelo aplicativo Caixa Tem ou em agências da Caixa.
Acesso aos valores
A gestão dos pagamentos é facilitada pelo aplicativo Jornada do Estudante, disponível para Android e iOS. Por meio dele, os beneficiários acompanham o saldo, o calendário de depósitos e eventuais pendências. O login é feito com o CPF do estudante e uma conta Gov.br, que pode ser de nível bronze.
A abertura da conta poupança é automática, eliminando a necessidade de o estudante comparecer a uma agência bancária. Para saques, o aplicativo Caixa Tem permite movimentações digitais, enquanto caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui oferecem opções presenciais. O incentivo-matrícula e o incentivo-frequência podem ser sacados imediatamente, enquanto o incentivo-conclusão e o incentivo-Enem ficam bloqueados até a obtenção do certificado de ensino médio.
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Estudantes que não recebem os valores esperados devem verificar possíveis inconsistências, como dados desatualizados no CadÚnico ou frequência insuficiente. A escola também pode ser consultada para corrigir informações de matrícula.
Calendário de pagamentos em 2025
O calendário de 2025 foi divulgado pelo MEC em 28 de fevereiro, com a primeira parcela do ano, referente à matrícula, paga entre 31 de março e 7 de abril. A quarta parcela de frequência, de R$ 200, começou a ser liberada em 23 de junho e segue até 30 de junho, conforme o mês de nascimento do estudante.
Para a EJA, os pagamentos seguem dois calendários distintos, um para cada semestre. No primeiro semestre de 2025, a parcela de matrícula foi paga em abril, enquanto as parcelas de frequência são liberadas ao longo dos meses, com base na assiduidade. Estudantes que ingressaram no programa após a expansão para o CadÚnico, em 2024, recebem os valores a partir das datas definidas para o ano letivo.
As redes de ensino têm até 9 de maio de 2025 para enviar dados de alunos que concluíram o ano letivo de 2024, garantindo o pagamento retroativo do incentivo-conclusão. O acompanhamento pelo aplicativo Jornada do Estudante é essencial para não perder prazos ou informações.
Benefícios para a educação
O Pé-de-meia vai além do suporte financeiro, promovendo uma cultura de acompanhamento escolar. A exigência de frequência mínima estimula a presença regular nas aulas, enquanto a participação em exames como o Enem e o Encceja (para a EJA) amplia as oportunidades de acesso ao ensino superior ou certificação.
Dados do MEC apontam que cerca de 480 mil jovens abandonam o ensino médio público anualmente, principalmente por questões financeiras. O programa busca reverter esse cenário, oferecendo uma rede de proteção que permite aos estudantes focarem nos estudos sem a pressão de contribuir para a renda familiar.
A iniciativa também é estratégica para o futuro do país. Ao aumentar os índices de conclusão do ensino médio, o Brasil pode melhorar sua força de trabalho qualificada e reduzir desigualdades sociais. O programa já beneficiou 4 milhões de alunos, com um investimento de R$ 6 bilhões liberado após decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2024.
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Expansão para licenciaturas
Em janeiro de 2025, o governo anunciou a criação do Pé-de-meia Licenciaturas, voltado para estudantes que ingressam em cursos de formação de professores pelo Sisu, Prouni ou Fies. O programa oferece R$ 700 sacáveis imediatamente e R$ 350 como poupança, liberada após o ingresso na rede pública de ensino dentro de cinco anos.
Essa expansão responde à demanda por professores na educação básica, especialmente em regiões com déficit de profissionais. Estudantes que participaram do Enem 2024 já puderam optar por cursos de licenciatura com o benefício, ampliando o alcance do Pé-de-meia para além do ensino médio.
A iniciativa reforça o compromisso do governo com a valorização da educação, incentivando jovens a seguirem carreiras docentes. As regras de elegibilidade são semelhantes às do ensino médio, com foco em alunos de baixa renda e alto desempenho acadêmico.
Como garantir o benefício
Para assegurar o recebimento do Pé-de-meia, os estudantes devem manter seus dados atualizados e cumprir os requisitos do programa. Abaixo, algumas orientações práticas:
- Atualizar o CadÚnico: Procurar o CRAS mais próximo para regularizar a inscrição da família.
- Manter frequência escolar: Garantir pelo menos 80% de presença mensal nas aulas.
- Verificar dados na escola: Confirmar que informações como CPF e matrícula estão corretas.
- Acompanhar pelo app: Usar o Jornada do Estudante para monitorar pagamentos e pendências.
- Participar do Enem: Estudantes do 3º ano devem realizar os dois dias de prova para receber o bônus.
Escolas também desempenham um papel crucial, enviando informações precisas ao MEC. Estudantes que enfrentam dificuldades, como bloqueio de parcelas, devem procurar a secretaria escolar ou o canal de atendimento do MEC pelo telefone 0800-616161.
Importância do acompanhamento
O sucesso do Pé-de-meia depende da colaboração entre estudantes, escolas e governo. A frequência escolar é monitorada mensalmente, e qualquer deslize pode resultar na suspensão de parcelas. Além disso, a aprovação anual é condição para o incentivo-conclusão, reforçando a importância do desempenho acadêmico.
O aplicativo Jornada do Estudante é uma ferramenta indispensável, oferecendo transparência sobre o andamento dos pagamentos. Ele também orienta sobre possíveis pendências, como dados incorretos ou falta de autorização para menores de idade.
A participação no Enem, especialmente no último ano do ensino médio, é outro diferencial. Além do bônus de R$ 200, a prova abre portas para o ensino superior, complementando os objetivos do programa. Estudantes da EJA que buscam certificação pelo Encceja também são incentivados a participar.
Histórias de transformação
O Pé-de-meia já impacta a vida de milhares de jovens. No Ceará, por exemplo, mais de 200 mil estudantes foram beneficiados, com um investimento de R$ 534,9 milhões. Ana Clara Ribeiro, de 16 anos, aluna de uma escola em tempo integral em Fortaleza, destaca que o programa trouxe tranquilidade para focar nos estudos.
No Distrito Federal, alunos do Centro de Ensino Médio Paulo Freire, como Maria Eduarda e Renzo, relatam que o incentivo financeiro ampliou seus horizontes, permitindo a compra de materiais escolares e a redução da pressão por trabalho precoce. Essas histórias ilustram o potencial do programa em transformar trajetórias educacionais.
A agricultora Maria do Socorro Oliveira, mãe de um estudante no interior do Ceará, considera o Pé-de-meia uma oportunidade única. Com o benefício, seu filho Efraim planeja cursar o ensino superior, algo que seus irmãos enfrentaram com mais dificuldades.

















