Lareira ecológica explode e incendeia cozinha e sala em residência do RS

Lareira ecológica explode em residência

Lareira ecológica explode em residência - Foto: Corpo de Bombeiros de Taquara RS

Uma explosão de uma lareira ecológica provocou um incêndio em uma residência no bairro Fogão Gaúcho, em Taquara, cidade do Vale do Paranhana, no Rio Grande do Sul, neste domingo, 29 de junho de 2025. O incidente, atendido pelo Corpo de Bombeiros local, ocorreu durante o abastecimento do equipamento com álcool, quando as chamas saíram do controle. Apesar dos danos materiais, que atingiram a cozinha e a sala da casa, ninguém ficou ferido. O caso reforça os riscos associados ao uso inadequado de lareiras ecológicas, equipamentos populares no inverno gaúcho, mas que exigem cuidados específicos para evitar acidentes graves.

Os bombeiros chegaram rapidamente ao local, controlando o fogo e evitando que as chamas se espalhassem para outros cômodos ou imóveis vizinhos. A ocorrência, embora sem vítimas, trouxe à tona a necessidade de reforçar orientações de segurança para o uso desses dispositivos.

Casos semelhantes têm ocorrido com frequência no Brasil, especialmente durante os meses mais frios, quando o uso de lareiras ecológicas aumenta. Para esclarecer os riscos, especialistas apontam:

  • O abastecimento incorreto é a principal causa de acidentes.
  • A falta de ventilação adequada pode gerar acúmulo de gases perigosos.
  • O uso de combustíveis inadequados eleva o risco de explosões.

Riscos do abastecimento inadequado
O abastecimento de lareiras ecológicas é um dos momentos mais críticos no uso desses equipamentos. Quando o álcool é adicionado a um reservatório ainda quente, o vapor do combustível pode inflamar, causando explosões ou chamas descontroladas. Em Taquara, o incidente ocorreu exatamente nesse contexto, conforme relatado pelos bombeiros. O tenente Vagner Silveira da Silva, do Corpo de Bombeiros de Taquara, destacou que líquidos combustíveis, como o álcool, são altamente voláteis, o que exige extrema cautela durante o manuseio.

A recomendação é esperar pelo menos 30 minutos após o uso da lareira para realizar qualquer recarga. Esse intervalo permite que o reservatório esfrie completamente, reduzindo o risco de ignição acidental. Além disso, o uso de álcool específico para lareiras ecológicas, e não de produtos comuns como os vendidos em postos de gasolina, é essencial para garantir a segurança.

Popularidade e perigos no inverno
As lareiras ecológicas têm ganhado espaço nas residências brasileiras, especialmente no Sul do país, onde o inverno é mais rigoroso. Seu design moderno, facilidade de instalação e apelo estético as tornam uma escolha atraente para aquecer ambientes. No entanto, a praticidade vem acompanhada de riscos que, se não observados, podem levar a acidentes graves.

No Rio Grande do Sul, o uso desses equipamentos dispara entre maio e agosto, período em que as temperaturas caem significativamente. Dados do Corpo de Bombeiros do estado indicam que os chamados relacionados a incêndios domésticos aumentam em cerca de 15% durante o inverno, com uma parcela significativa ligada ao uso inadequado de aquecedores e lareiras.

Lareira ecológica incendeia casa – Foto: Corpo de Bombeiros de Taquara RS

Cuidados essenciais para uso seguro
Para evitar acidentes como o ocorrido em Taquara, especialistas reforçam a importância de seguir protocolos rigorosos ao operar lareiras ecológicas. Algumas medidas práticas incluem:

  • Nunca reabastecer o equipamento enquanto ele estiver quente ou com chamas ativas.
  • Garantir que o ambiente tenha ventilação adequada para evitar o acúmulo de monóxido de carbono.
  • Utilizar apenas combustíveis recomendados pelo fabricante.
  • Manter crianças, animais de estimação e objetos inflamáveis a uma distância segura.
  • Evitar o uso prolongado em ambientes pequenos e fechados.

O engenheiro de segurança do trabalho Demétrio Neto alerta que a falta de ventilação pode levar à redução de oxigênio no ambiente, aumentando o risco de intoxicação por gases. Ele recomenda a instalação de detectores de monóxido de carbono em residências que utilizam esses equipamentos.

Casos recentes no Brasil
O incidente em Taquara não é isolado. Em maio de 2025, o ex-zagueiro Lúcio, pentacampeão mundial pela seleção brasileira, sofreu queimaduras em quase 20% do corpo após um acidente com uma lareira ecológica na casa de amigos, no Distrito Federal. O caso ganhou repercussão nacional e trouxe à tona a necessidade de maior conscientização sobre o uso correto desses dispositivos. Lúcio recebeu alta hospitalar em junho, mas o episódio serviu como alerta para os riscos envolvidos.

Outros casos semelhantes foram registrados em diferentes regiões do país. Em São Paulo, por exemplo, um incêndio em um apartamento no bairro de Moema, em 2024, foi atribuído ao uso incorreto de uma lareira à álcool. Felizmente, também não houve vítimas, mas os danos materiais foram significativos.

Importância da manutenção e qualidade do equipamento
Além do manuseio correto, a qualidade da lareira ecológica e sua manutenção regular são fatores determinantes para a segurança. Equipamentos de baixa qualidade ou com defeitos no reservatório de combustível podem apresentar vazamentos, aumentando o risco de acidentes.

Os bombeiros orientam que os consumidores adquiram lareiras certificadas por órgãos como o Inmetro, que atestam a conformidade com normas de segurança. Também é recomendado verificar periodicamente o estado do equipamento, especialmente antes do início do inverno, para identificar possíveis danos ou desgastes.

Ações dos bombeiros em Taquara
No caso de Taquara, a atuação rápida do Corpo de Bombeiros foi crucial para conter o incêndio. As equipes chegaram ao bairro Fogão Gaúcho minutos após o chamado, utilizando técnicas de combate a incêndios domésticos para controlar as chamas. A operação evitou que o fogo se alastrasse para outras áreas da residência ou para imóveis vizinhos, minimizando os prejuízos.

Os bombeiros também realizaram uma vistoria no local para identificar as causas do incidente. A análise preliminar apontou que o abastecimento inadequado foi o fator desencadeante, reforçando a necessidade de campanhas educativas sobre o uso seguro de lareiras ecológicas.

Prevenção como prioridade
A prevenção continua sendo a melhor estratégia para evitar acidentes com lareiras ecológicas. Além das orientações técnicas, os especialistas destacam a importância de educar os usuários sobre os riscos envolvidos. Campanhas promovidas por órgãos como o Corpo de Bombeiros e associações de segurança do trabalho têm buscado informar a população sobre boas práticas, especialmente em regiões onde o uso desses equipamentos é mais comum.

No Rio Grande do Sul, algumas prefeituras têm incluído orientações sobre o uso de lareiras ecológicas em programas de prevenção a incêndios domésticos. Essas iniciativas, embora ainda em fase inicial, já mostram resultados positivos, com a redução de ocorrências em algumas cidades.

Alternativas seguras para aquecimento
Para quem busca alternativas às lareiras ecológicas, o mercado oferece opções como aquecedores elétricos e a gás, que apresentam menor risco de incêndio quando utilizados corretamente. Esses equipamentos, embora possam ter um custo inicial mais elevado, são considerados mais seguros para uso em residências com crianças ou animais de estimação.

Outra opção é o uso de lareiras tradicionais a lenha, desde que instaladas por profissionais qualificados e em ambientes com chaminés adequadas. No entanto, elas exigem manutenção constante e cuidados específicos para evitar o acúmulo de fuligem e outros riscos.

Legislação e normas de segurança
No Brasil, a regulamentação para a fabricação e comercialização de lareiras ecológicas ainda é limitada. Embora o Inmetro exija certificação para alguns modelos, não há uma legislação específica que obrigue os fabricantes a incluir alertas detalhados ou manuais de instrução padronizados. Essa lacuna tem sido alvo de discussão entre órgãos de defesa do consumidor e associações de segurança.

Em alguns estados, como o Rio Grande do Sul, tramitam projetos de lei que buscam estabelecer normas mais rígidas para o uso de lareiras ecológicas em residências. As propostas incluem a obrigatoriedade de treinamentos para revendedores e a inclusão de alertas visíveis nos pontos de venda.

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