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Nova autópsia de Juliana Marins pode esclarecer morte e levar caso a cortes internacionais

Juliana Marins
Foto: Juliana Marins - Foto: Instagram

A família da publicitária Juliana Marins, de 26 anos, morta após uma queda no Monte Rinjani, na Indonésia, conseguiu autorização para uma nova autópsia no Brasil, prevista para esta terça-feira, 1º de julho de 2025, no Rio de Janeiro. O procedimento, solicitado pela Defensoria Pública da União (DPU), visa esclarecer a causa e o momento exato da morte, além de investigar possíveis omissões no resgate pelas autoridades indonésias. O caso, que gerou comoção nacional, pode ser levado a cortes internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), caso se confirmem falhas graves. O corpo de Juliana chegou ao Brasil após entraves no traslado, e a perícia deve ocorrer em até seis horas após o desembarque, no Instituto Médico-Legal (IML) do Rio.

A tragédia, ocorrida em 21 de junho de 2025, chocou familiares e amigos, que apontam negligência no socorro à jovem. A Defensoria Pública da União acionou a Justiça Federal para garantir a nova análise, enquanto a Polícia Federal foi solicitada a abrir um inquérito. A família, inconformada com a condução do caso na Indonésia, busca respostas sobre o que aconteceu nos momentos finais de Juliana.

Juliana Marins
Juliana Marins – Foto: Reprodução
  • Principais dúvidas levantadas pela família:
    • Qual foi o momento exato da morte de Juliana?
    • Houve omissão ou atraso no resgate pelas autoridades indonésias?
    • A primeira autópsia, realizada em Bali, omitiu informações cruciais?

O pedido de uma nova perícia reflete a desconfiança dos familiares em relação ao laudo indonésio, que apontou trauma contundente como causa da morte, mas não esclareceu detalhes sobre o horário do óbito.

Desconfiança sobre o laudo inicial
A autópsia realizada em Bali, no Hospital Bali Mandara, concluiu que Juliana Marins morreu devido a um trauma contundente, com fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa, resultando em danos internos e hemorragia intensa. O médico legista Ida Bagus Putu Alit estimou que a morte ocorreu cerca de 20 minutos após os ferimentos, descartando hipotermia ou inanição. No entanto, a família questiona a precisão dessas informações, especialmente porque o legista divulgou o laudo em uma coletiva de imprensa antes de informá-los diretamente.

Mariana Marins, irmã de Juliana, descreveu a situação como um “absurdo”. Segundo ela, a falta de comunicação e o descaso das autoridades indonésias marcaram todo o processo, desde o resgate até a entrega do laudo. A família também critica a agência de buscas e resgates da Indonésia, a Basarnas, que declarou Juliana morta na terça-feira, 24 de junho, enquanto o legista apontou a morte para quarta-feira, 25 de junho, entre 1h e 13h. Essa contradição reforça a necessidade de uma nova perícia no Brasil.

A Defensoria Pública da União, por meio da defensora Taísa Bittencourt, argumenta que a nova autópsia é essencial para esclarecer as circunstâncias da morte dentro do ordenamento jurídico brasileiro. O procedimento busca confirmar se houve omissão de socorro, o que poderia levar a responsabilizações civis e criminais.

Detalhes da tragédia no Monte Rinjani
Juliana Marins, natural de Niterói, no Rio de Janeiro, era publicitária formada pela UFRJ e apaixonada por aventuras. No dia 21 de junho, ela escalava o Monte Rinjani, o segundo vulcão mais alto da Indonésia, quando caiu em um barranco na trilha Cemara Nunggal, a mais de 2.600 metros de altitude. A jovem estava acompanhada por um guia local e um grupo de cinco pessoas, mas, segundo relatos da família, foi deixada sozinha pelo guia após expressar cansaço.

O terreno acidentado e as condições climáticas adversas dificultaram o resgate, que levou quatro dias para ser concluído. Imagens captadas por um drone de turistas espanhóis mostraram Juliana ainda com movimentos horas após a queda, o que alimentou a esperança de que ela pudesse ter sobrevivido por mais tempo. No entanto, o corpo só foi recuperado na quarta-feira, 25 de junho, após esforços de equipes locais e voluntários, como o alpinista Abdul Agam, que foi elogiado pela família.

A operação de resgate enfrentou críticas severas. Mariana Marins afirmou que o guia abandonou Juliana, seguindo para o cume sem garantir sua segurança. Além disso, a família apontou falhas na logística, como cordas inadequadas e demora na mobilização de equipamentos apropriados.

Entraves no traslado do corpo
A repatriação do corpo de Juliana foi marcada por dificuldades. Inicialmente, a companhia aérea Emirates cancelou um voo previsto para o domingo, 29 de junho, alegando falta de espaço no bagageiro. A empresa ofereceu uma alternativa com conexão em São Paulo, mas a confirmação do traslado só ocorreu na segunda-feira, 30 de junho. O corpo foi transportado para Dubai em 1º de julho e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde chegou na manhã desta terça-feira.

A Prefeitura de Niterói, em conjunto com o Gabinete de Gestão Integrada de Segurança (GGIM), apoiou a família no processo, que contou com a intermediação da Defensoria Pública da União. A Advocacia-Geral da União (AGU) também se comprometeu a agilizar a nova autópsia, atendendo a uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Possíveis desdobramentos internacionais
A Defensoria Pública da União destacou que, caso a nova autópsia confirme omissões graves por parte das autoridades indonésias, o caso poderá ser levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington. A CIDH é um órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que atua na promoção e proteção de direitos humanos, podendo recomendar reparações ou mudanças em práticas estatais.

A família de Juliana busca não apenas esclarecer a morte, mas também responsabilizar possíveis culpados. A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso, e a DPU solicitou a instauração de um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente e do resgate.

  • Questões que a nova autópsia pode responder:
    • Confirmação do horário exato da morte.
    • Identificação de lesões não relatadas na primeira perícia.
    • Evidências de omissão ou negligência no socorro.

Reação das autoridades indonésias
Pela primeira vez, uma autoridade política da Indonésia se pronunciou sobre o caso. Lalu Muhamad Iqbal, governador da província de Sonda Ocidental, onde fica o Monte Rinjani, admitiu, em um vídeo publicado no sábado, 28 de junho, que houve falta de estrutura durante a tentativa de resgate. Ele anunciou uma revisão nos procedimentos de salvamento para evitar novos incidentes.

Apesar disso, a família de Juliana considera a resposta insuficiente. A ausência de contato direto com as autoridades locais, como a polícia, a prefeitura de Lombok ou o Ministério do Turismo, reforçou a percepção de descaso. O Parque Nacional de Rinjani, onde ocorreu o acidente, também foi criticado por manter suas atividades normalmente durante as buscas.

Apoio da comunidade e comoção nacional
A morte de Juliana gerou grande mobilização nas redes sociais, com mensagens de apoio à família e críticas à condução do caso na Indonésia. Uma vaquinha virtual foi criada para ajudar o alpinista Abdul Agam, que participou do resgate, mas a campanha foi suspensa após questionamentos sobre a taxa cobrada pela plataforma.

Mariana Marins agradeceu publicamente aos voluntários e à comunidade que se solidarizou com a família. Em uma carta emocionada, ela escreveu: “Tentei mover uma montanha lá na Indonésia por você. Desculpa não ter sido suficiente, irmã.” A jovem se tornou um símbolo da luta por justiça e da necessidade de melhorias na segurança em trilhas de alto risco.

Organização da nova perícia
A nova autópsia será realizada no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Federal, que se colocou à disposição para o transporte do corpo. A Justiça Federal de Niterói marcou uma audiência para esta terça-feira, às 15h, com a participação da DPU e do governo do Rio de Janeiro, para definir os detalhes do procedimento.

A AGU destacou que a decisão de antecipar a perícia tem caráter humanitário, visando atender às demandas da família com celeridade. A rápida deterioração do corpo, devido ao embalsamamento com validade limitada, torna o prazo de seis horas após o desembarque essencial para preservar evidências.

Segurança em trilhas de montanha
O caso de Juliana Marins reacendeu o debate sobre a segurança em trilhas de alta complexidade, como a do Monte Rinjani. Galih Donikara, um experiente alpinista indonésio, sugeriu a instalação de barreiras, cordas e cercas em pontos perigosos, além de treinamentos para guias e socorristas. Ele defendeu a criação de procedimentos operacionais padrão para resgates de emergência.

O Monte Rinjani, conhecido por sua trilha desafiadora, atrai milhares de turistas anualmente, mas carece de infraestrutura adequada em alguns trechos. As regras do parque, revisadas em março de 2025, exigem que grupos de escaladores sejam acompanhados por guias e carregadores, mas a tragédia expôs falhas na fiscalização e na preparação para emergências.

Cronologia dos eventos

  • 21 de junho: Juliana cai na trilha Cemara Nunggal, às 6h30 (horário local).
  • 23 de junho: Drone localiza Juliana imóvel, mas resgate é interrompido pelo mau tempo.
  • 25 de junho: Corpo é recuperado após quatro dias de buscas.
  • 26 de junho: Autópsia é realizada em Bali, apontando trauma contundente.
  • 1º de julho: Corpo chega ao Brasil, e nova autópsia é agendada no Rio.

A família de Juliana segue aguardando os resultados da perícia, que podem trazer respostas sobre a tragédia e abrir caminho para investigações mais amplas.