Atropelamento na pista de Viracopos mata trabalhador e afeta operações

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Aeroporto de Viracopos tem voos atrasados e cancelados na manhã desta quarta-feira Foto: Aeroporto de Viracopos tem voos atrasados e cancelados na manhã desta quarta-feira - Foto: Reprodução/ TV Globo

Um grave acidente na madrugada desta quarta-feira, 2 de julho de 2025, resultou na morte de Rodrigo Augusto Lucena Barros, um técnico de 46 anos, atropelado durante trabalhos de manutenção na pista do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). O incidente, ocorrido por volta da 1h50, envolveu um veículo Ford Courier de uma empresa terceirizada que avaliava as condições de atrito da pista. A colisão levou ao fechamento do terminal para pousos e decolagens por cerca de duas horas, entre 5h e 6h26, causando cancelamentos e atrasos em diversos voos. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo, enquanto a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV) lamenta o ocorrido e promete apoio às investigações. O acidente expõe desafios de segurança em operações noturnas no aeroporto.

O trabalhador, contratado pela empresa terceirizada Potiron, realizava manutenção essencial para a operação da pista. Segundo o boletim de ocorrência, o motorista do veículo afirmou que não viu a vítima, que estaria fora do alcance dos faróis e sem colete refletivo em condições ideais de visibilidade. Uma testemunha corroborou a versão, mas a Polícia Civil aguarda laudos periciais e imagens de câmeras de segurança para esclarecer os fatos.

A tragédia gerou impactos imediatos no tráfego aéreo, com a Azul Linhas Aéreas, principal operadora de Viracopos, reportando a alternância de dez voos para outros aeroportos, como Congonhas e Cumbica, e o cancelamento de outros dez. Passageiros relataram confusão e falta de informações no saguão do terminal durante a manhã.

  • Impactos operacionais: Nove voos cancelados e 12 atrasados até o início da manhã.
  • Medidas da Azul: Voos extras foram programados para minimizar transtornos.
  • Investigações: Perícia no local e análise de imagens estão em andamento.

Detalhes do acidente
A dinâmica do atropelamento revela condições desafiadoras no ambiente de trabalho noturno. O veículo Ford Courier, utilizado para testes de atrito na pista, fez um retorno na cabeceira da pista de partida quando colidiu com Rodrigo Barros. O motorista relatou que a iluminação era insuficiente e que o técnico não estava visível. A vítima sofreu politraumatismo, com lesões graves na cabeça e abdômen, conforme constatado pelo médico que atendeu a ocorrência. Apesar do socorro imediato, o óbito foi confirmado no local às 2h03.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames, e a área do acidente passou por perícia técnica. A Setec, empresa responsável pela remoção, atuou no local. A Polícia Civil registrou o caso na delegacia do Aeroporto de Viracopos, e o motorista foi liberado após depoimento, mas pode ser responsabilizado caso os laudos apontem negligência.

Aeroporto de Viracopos
Aeroporto de Viracopos – Foto: Reprodução/ TV Globo

Resposta da concessionária
A Aeroportos Brasil Viracopos emitiu nota oficial lamentando o ocorrido e reforçando seu compromisso com as investigações. A concessionária informou que as operações foram suspensas temporariamente para garantir a segurança e permitir a atuação das autoridades. O terminal foi reaberto às 6h26, mas os reflexos do fechamento se estenderam ao longo do dia.

A ABV destacou que orienta todas as empresas terceirizadas a seguirem normas rígidas de segurança, mas o acidente levanta questões sobre a eficácia dessas medidas em operações noturnas. A empresa não detalhou se revisará protocolos ou adotará novas diretrizes após o incidente.

Impactos no tráfego aéreo
O fechamento da pista por duas horas gerou um efeito cascata nas operações do aeroporto, um dos mais movimentados do país. A Azul, que utiliza Viracopos como seu principal hub, foi a companhia mais afetada. Além dos dez voos desviados para outros terminais, a empresa cancelou cinco partidas e cinco chegadas programadas para o início da manhã.

No saguão, a movimentação foi intensa, com filas nos balcões de atendimento. Passageiros relataram dificuldades para obter informações sobre remarcações. Um viajante entrevistado pela EPTV, afiliada da TV Globo, afirmou que seu voo para Brasília, previsto para as 6h, foi cancelado sem aviso prévio, obrigando-o a buscar alternativas por conta própria.

  • Voos desviados: Congonhas e Cumbica receberam aviões redirecionados.
  • Cancelamentos: Dez voos afetados diretamente pelo fechamento.
  • Assistência: Azul promete cumprir a Resolução 400 da Anac para suporte aos passageiros.
  • Painel de voos: Atrasos e cancelamentos dominaram as informações no terminal.

Segurança no trabalho em Viracopos
O acidente reacende o debate sobre a segurança dos trabalhadores em ambientes aeroportuários. Dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) apontam que os acidentes de trabalho em Viracopos cresceram 62% em 2024, com 47 casos registrados contra 29 em 2023. Atropelamentos por veículos, como empilhadeiras, e quedas de andaimes são as principais causas no terminal de cargas, enquanto tropeços e entorses predominam em áreas externas.

A morte de Rodrigo Barros não é um caso isolado. Em abril de 2025, o Ministério Público do Trabalho (MPT) realizou uma audiência coletiva com empresas que operam no aeroporto para discutir melhorias na gestão de saúde e segurança. Uma das medidas anunciadas foi a criação de um formulário eletrônico para notificação de acidentes, visando agilizar o registro e a análise de ocorrências.

Investigações em andamento
A Polícia Civil conduz o inquérito para apurar as responsabilidades pelo atropelamento. Além dos laudos periciais, as imagens das mais de 1.600 câmeras de segurança do aeroporto serão analisadas. A ausência de colete refletivo e a iluminação insuficiente são pontos centrais da investigação, que também avalia se houve falhas na sinalização ou na coordenação entre as equipes.

O caso foi registrado como homicídio culposo, sem intenção de matar. Dependendo dos resultados da perícia, o motorista pode enfrentar acusações formais. A empresa terceirizada Potiron, empregadora da vítima, não se pronunciou até o momento.

Histórico de incidentes em Viracopos
O Aeroporto de Viracopos tem enfrentado desafios relacionados à segurança operacional. Em 2024, o terminal registrou 97 ocorrências aeronáuticas, um aumento de 12,2% em relação a 2023, segundo a CBN Campinas. Embora a maioria não envolva acidentes graves, o crescimento preocupa autoridades.

Outros incidentes recentes incluem um Boeing cargueiro que estourou pneus em dezembro de 2024, fechando a pista por duas horas, e uma suspeita de bomba em junho de 2025, que interditou parte do terminal. Esses episódios reforçam a necessidade de revisões constantes nos protocolos de segurança.

Medidas para os passageiros
A Azul Linhas Aéreas informou que está oferecendo assistência aos passageiros afetados, conforme determina a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A companhia disponibilizou voos extras para reduzir os transtornos, mas os impactos na malha aérea devem persistir ao longo do dia.

Passageiros foram orientados a consultar o status de seus voos diretamente com a companhia ou no painel do aeroporto. A concessionária ABV também recomendou contato com as empresas aéreas para esclarecimentos sobre remarcações e reembolsos.

Condições de trabalho noturno
O trabalho noturno em pistas de aeroportos envolve riscos inerentes, como baixa visibilidade e alta pressão por prazos. Especialistas apontam que a falta de iluminação adequada e a ausência de equipamentos de proteção individual, como coletes refletivos, são fatores comuns em acidentes do tipo.

O Sindicato Nacional dos Aeroportuários, por meio de seu diretor Alberto Carvalho, já havia alertado para a gravidade dos acidentes no terminal de cargas de Viracopos, onde casos como atropelamentos por empilhadeiras resultaram em lesões graves, incluindo a amputação de uma perna em um incidente recente.

Próximos passos
As investigações devem esclarecer se houve falhas humanas, estruturais ou de procedimento no acidente. O MPT acompanha o caso de perto, e novas reuniões com empresas terceirizadas podem ser convocadas para discutir medidas preventivas. Enquanto isso, o aeroporto retoma suas operações, mas a tragédia deixa um alerta sobre a necessidade de reforçar a segurança no trabalho.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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