Ford Ranger híbrida plug-in substitui diesel na Europa com 50 km de autonomia elétricaPor Maria
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A Ford anunciou a substituição do motor 2.0 turbodiesel da Ranger por uma versão híbrida plug-in (PHEV) na Europa, com início previsto para 2026. A mudança, que marca o fim da produção do propulsor diesel no continente, ocorre em resposta às rigorosas metas de emissões da União Europeia. A nova Ranger PHEV, equipada com um motor 2.3 EcoBoost a gasolina e um elétrico de 75 kW, entrega 279 cv e 70,3 kgfm de torque, superando a versão V6 diesel. A picape, que roda até 50 km no modo elétrico, será produzida em Silverton, na África do Sul, com entregas a partir de 2025. A estratégia reflete a aposta da Ford em eletrificação, mirando eficiência e sustentabilidade sem comprometer a robustez característica da Ranger.
A transição ocorre em um momento de transformação no mercado automotivo europeu, onde a pressão por veículos menos poluentes é crescente. A Ranger PHEV mantém a capacidade de reboque de 3.500 kg e carga de até 1.000 kg, atendendo às demandas de trabalho pesado. A decisão de descontinuar o diesel 2.0 EcoBlue, presente em diversas versões da picape, desde a básica XL até a esportiva Raptor, sinaliza uma mudança significativa na linha da Ford.
- Principais diferenciais da Ranger PHEV:
- Autonomia elétrica de até 50 km no ciclo WLTP.
- Sistema Pro Power Onboard, com tomadas de até 6,9 kW na caçamba.
- Tração 4×4 com caixa de transferência de dupla velocidade.
- Bateria de 11,8 kWh, recarregável em menos de quatro horas.
A nova versão híbrida plug-in foi apresentada na IAA Transportation 2024, em Hannover, Alemanha, consolidando a Ford como pioneira entre montadoras tradicionais no segmento de picapes médias eletrificadas.
Por que abandonar o diesel?
A descontinuação do motor 2.0 turbodiesel na Europa está diretamente ligada às metas de emissões da União Europeia, que se tornam mais rígidas a cada ano. A Ford optou por substituir o propulsor, popular em diversas configurações da Ranger, para evitar multas elevadas. O motor diesel, embora eficiente, não atende aos padrões de emissões exigidos sem ajustes custosos.
A Ranger PHEV surge como uma alternativa estratégica, combinando um motor a gasolina com um elétrico para reduzir emissões sem sacrificar desempenho. A picape híbrida entrega mais torque que a versão V6 diesel, com 70,3 kgfm contra 61,2 kgfm, e mantém a robustez necessária para o trabalho pesado. A Ford também preservou o sistema de tração 4×4, com um motor elétrico integrado à transmissão automática de 10 marchas, garantindo versatilidade em terrenos variados.
O movimento da Ford reflete uma tendência maior no mercado europeu, onde outras montadoras, como a Toyota com a Hilux híbrida, também investem em eletrificação. A escolha pelo híbrido plug-in, em vez de um modelo totalmente elétrico, equilibra sustentabilidade e praticidade, especialmente para usuários que dependem da picape para longas distâncias.
Características técnicas da Ranger PHEV
A nova Ranger híbrida plug-in combina um motor 2.3 EcoBoost a gasolina, que sozinho gera 270 cv, com um motor elétrico de 75 kW (102 cv). A potência combinada de 279 cv posiciona a PHEV como uma das versões mais potentes da linha Ranger, superando até o motor 3.0 V6 turbodiesel de 250 cv.
A bateria de 11,8 kWh permite uma autonomia elétrica de até 50 km, ideal para deslocamentos urbanos com zero emissões. A recarga completa, utilizando um carregador monofásico de 16 amperes, leva menos de quatro horas. A picape oferece quatro modos de condução elétrica:
- Auto EV: Otimiza o uso entre motor elétrico e a combustão para maior eficiência.
- EV Now: Prioriza o modo 100% elétrico.
- EV Later: Preserva a carga da bateria para uso futuro.
- EV Charge: Usa o motor a gasolina para recarregar a bateria durante o trajeto.
Outro destaque é o sistema Pro Power Onboard, que transforma a Ranger em uma fonte de energia móvel. Com tomadas de 2,3 kW ou 6,9 kW na caçamba, a picape pode alimentar ferramentas, eletrodomésticos ou equipamentos de camping, aumentando sua versatilidade.
Versões e preços na Europa
A Ranger PHEV estará disponível nas versões XLT, Wildtrak e na edição especial Stormtrak, exclusiva para o modelo híbrido. A Stormtrak traz acabamento em cinza Chill Grey, rodas de 18 polegadas, sistema de som B&O com 10 alto-falantes, faróis de LED matriciais e câmeras 360°.
Os preços na Europa começam em € 53.181 (cerca de R$ 325.703) para a versão XLT e € 62.225 (R$ 381.128) para a Wildtrak. A Stormtrak, com itens de luxo e design diferenciado, deve ter valores superiores, ainda não divulgados. As primeiras entregas estão previstas para o segundo trimestre de 2025, com produção na fábrica de Silverton, na África do Sul.
A Ford aposta na variedade de configurações para atender diferentes públicos, desde trabalhadores que precisam de robustez até consumidores que valorizam tecnologia e conforto. A inclusão de itens como suspensão revisada e tração e-4WD reforça a capacidade off-road da picape, mesmo com a eletrificação.

Produção em Silverton e alcance global
A fábrica de Silverton, na África do Sul, é o coração da produção da Ranger PHEV. Modernizada para integrar a fabricação do modelo híbrido, a planta recebeu uma nova linha de montagem capaz de produzir até 62 mil baterias por ano. A unidade exporta para mais de 100 mercados, incluindo Europa, Austrália e Nova Zelândia, o que levanta especulações sobre a possível chegada da PHEV a outros países.
A produção da Ranger híbrida começou no final de 2024, com foco inicial no mercado europeu. A escolha da África do Sul como polo de fabricação reflete a estratégia global da Ford de centralizar a produção de picapes em instalações estratégicas. A planta sul-africana também produz a Ranger convencional, exportada para diversos continentes.
Embora a Ford não tenha confirmado a chegada da Ranger PHEV ao Brasil, a crescente demanda por veículos eletrificados no país, impulsionada por modelos como a BYD Shark e a futura Hilux híbrida, pode influenciar decisões futuras. No Brasil, a Ranger é produzida em Pacheco, na Argentina, com motores a diesel, mas a modernização da fábrica argentina abre espaço para especulações sobre versões híbridas.
Reação do mercado europeu
A substituição do motor diesel pela versão híbrida plug-in gerou debates entre consumidores e especialistas na Europa. O motor 2.0 EcoBlue, com 170 cv, era amplamente utilizado por sua eficiência e confiabilidade, especialmente em versões de entrada como a XL. A decisão de descontinuá-lo reflete a pressão regulatória, mas também levanta questões sobre a aceitação da PHEV entre consumidores tradicionais.
Por outro lado, a Ranger PHEV atrai quem busca inovação. A autonomia elétrica de 50 km é suficiente para trajetos urbanos, enquanto o sistema Pro Power Onboard agrega praticidade para trabalhadores e aventureiros. A Ford também destaca a economia de combustível em relação às versões diesel, embora números exatos de consumo ainda não tenham sido divulgados.
A concorrência no segmento de picapes médias na Europa é acirrada, com modelos como a Toyota Hilux e a Nissan Frontier também explorando eletrificação. A Ford, no entanto, sai na frente ao oferecer a primeira picape média híbrida plug-in de uma montadora tradicional, um diferencial que pode atrair novos consumidores.
Tecnologia e design da Stormtrak
A edição Stormtrak, exclusiva da Ranger PHEV, eleva o padrão de acabamento da picape. Além da pintura Chill Grey, a versão traz detalhes como grade em colmeia, saídas de ar nos para-lamas e adesivos decorativos. O interior conta com uma tela vertical de 12 polegadas para a central multimídia SYNC 4, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
A tecnologia embarcada inclui assistências à condução, como controle de cruzeiro adaptativo e manutenção de faixa, além de um painel de instrumentos digital de 12,4 polegadas. A suspensão, ajustada para o peso extra da bateria, mantém o conforto e a capacidade off-road, enquanto o sistema de tração e-4WD garante desempenho em terrenos desafiadores.
Comparação com rivais
A Ranger PHEV enfrenta concorrentes como a BYD Shark, que oferece 430 cv, mas é voltada para mercados fora da Europa. A Toyota Hilux, principal rival da Ranger, prepara uma versão híbrida para 2025, mas sem detalhes confirmados. A Nissan Frontier também sinaliza eletrificação, mas ainda não apresentou um modelo híbrido plug-in.
A Ford se destaca pela integração do motor elétrico à transmissão, preservando o sistema 4×4 mecânico, uma vantagem técnica em relação a rivais com sistemas híbridos menos robustos. A capacidade de reboque de 3.500 kg e a carga útil de 1.000 kg equiparam a Ranger PHEV às versões a combustão, um feito notável para uma picape híbrida.
Sustentabilidade e regulamentações
A adoção da Ranger PHEV alinha a Ford às metas de neutralidade de carbono na Europa até 2035. A montadora planeja oferecer apenas veículos eletrificados na região a partir de 2026, com modelos 100% elétricos dominando a gama de passageiros até 2030. A Ranger híbrida é um passo intermediário, combinando eficiência com a praticidade exigida por usuários de picapes.
As regulamentações da União Europeia, que impõem limites rígidos de emissões de CO2, foram decisivas para a substituição do motor diesel. A Ford optou por investir em tecnologias híbridas em vez de adaptar o 2.0 EcoBlue, uma escolha que reduz custos e antecipa tendências de mercado. A possibilidade de rodar 50 km com zero emissões também isenta a Ranger PHEV de restrições em zonas de baixa emissão em cidades europeias.
Expectativas para outros mercados
Embora o foco inicial da Ranger PHEV seja a Europa, Austrália e Nova Zelândia, a produção em Silverton abre portas para exportações globais. Mercados como o Brasil, onde a eletrificação de picapes ganha força, podem receber a versão híbrida no futuro. A Ford já importa modelos eletrificados, como a Maverick Hybrid e o Mustang Mach-E, o que sugere interesse em expandir a oferta no país.
A chegada da BYD Shark e a confirmação de uma Hilux híbrida no Brasil aumentam a pressão para que a Ford traga a Ranger PHEV. A fábrica de Pacheco, na Argentina, poderia ser adaptada para produzir a versão híbrida, aproveitando a modernização recente da planta. Por enquanto, a Ranger brasileira segue com motores 2.0 e 3.0 diesel, mas o mercado local observa atentamente os movimentos da Ford.







