A partir de domingo, 6 de julho de 2025, o Rio de Janeiro será palco da Cúpula do Brics, reunindo 11 países-membros e dez parceiros sob a presidência brasileira. O evento, no Museu de Arte Moderna (MAM), destaca o Brasil como líder na articulação do Sul Global, com discussões sobre saúde global, energia, comércio e governança multilateral. Líderes de nações como China, Índia e Rússia participam do encontro, que busca maior equidade em organismos internacionais. Após o G20 em 2024, o Rio reafirma seu protagonismo diplomático. A cúpula, que se estende até segunda-feira, prioriza a cooperação e o fortalecimento de instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento.
O Brics, fundado por Brasil, Rússia, Índia e China, expandiu-se e hoje representa 39% da economia mundial. A agenda brasileira para 2025 inclui temas como mudança climática e inteligência artificial, consolidando o grupo como uma voz influente.
- Países-membros: Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia, Irã.
- Países-parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão, Vietnã.
- Foco principal: Ampliar influência do Sul Global em ONU, FMI e Banco Mundial.
História e formação do grupo
O Brics nasceu em 2001, em um estudo do economista Jim O’Neil, da Goldman Sachs, que apontou o potencial econômico de Brasil, Rússia, Índia e China. A formalização ocorreu em 2006, com reuniões ministeriais. Em 2011, a África do Sul integrou o grupo, completando o acrônimo. Em 2024, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes aderiram, seguidos pela Indonésia em 2025.
A Cúpula de Kazan, na Rússia, em 2024, criou a categoria de países-parceiros, permitindo a participação de nações como Nigéria e Vietnã, que não votam nas deliberações. Mais de 30 países manifestaram interesse em ingressar, evidenciando a relevância crescente do grupo na geopolítica.
Peso econômico e demográfico
Os 11 membros do Brics representam 48,5% da população global, cerca de 3,8 bilhões de pessoas, e 39% do PIB mundial. No comércio, o grupo responde por 23% das transações globais. Em 2024, 36% das exportações brasileiras foram para países do Brics, e 34% das importações vieram dessas nações, destacando sua importância para o Brasil.
Na energia, o Brics produz 43,6% do petróleo e 36% do gás natural mundiais. O grupo também controla 72% das reservas de terras raras, minerais cruciais para tecnologias como eletrônicos e energia renovável, reforçando sua relevância estratégica.
Agenda brasileira na cúpula
O Brasil, como presidente rotativo, definiu prioridades claras para a cúpula. A saúde global é um dos pilares, com foco em cooperação para vacinas e prevenção de pandemias. O comércio e os investimentos buscam reduzir barreiras e atrair recursos para infraestrutura. A mudança climática e a governança da inteligência artificial também estão em pauta.
- Saúde global: Cooperação em pesquisa e acesso a medicamentos.
- Comércio: Acordos para facilitar exportações e investimentos.
- Clima: Projetos de energia limpa e redução de emissões.
- IA: Diretrizes éticas para uso responsável.
A reforma de instituições multilaterais, como ONU e FMI, é outro objetivo, visando maior representatividade do Sul Global. O Brasil também propõe fortalecer a estrutura interna do Brics, com debates sobre sua organização.
Novo Banco de Desenvolvimento
Fundado em 2015, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ou Banco do Brics, financia infraestrutura e projetos sustentáveis. Sediado em Xangai, já aprovou 120 projetos, totalizando US$ 39 bilhões. A ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, reeleita em 2025, lidera a instituição.
Países não membros, como Uruguai e Bangladesh, participam do NDB. A Colômbia expressou interesse em aderir, enquanto os fundadores do Brics são os principais depositantes. O banco é essencial para reduzir a dependência de instituições como o Banco Mundial.
Arranjo Contingente de Reservas
O Arranjo Contingente de Reservas (ACR) é um fundo de US$ 100 bilhões para apoiar membros fundadores em crises financeiras. A China contribui com US$ 41 bilhões, Brasil, Índia e Rússia com US$ 18 bilhões cada, e a África do Sul com US$ 5 bilhões. Novos membros podem solicitar adesão, ampliando a proteção econômica do grupo.
O que é o Sul Global
O Sul Global reúne países em desenvolvimento, muitos com passado colonial e desafios socioeconômicos. Apesar do nome, inclui nações do hemisfério Norte, como China e Rússia. O Brics é uma plataforma para essas nações reivindicarem maior influência global, promovendo reformas em organismos internacionais.
A cúpula no Rio destaca a diversidade do Sul Global, com países de diferentes regiões e culturas. A cooperação Sul-Sul, que prioriza os interesses desses países, é um dos pilares do grupo, visando reduzir a dependência de potências ocidentais.
- Características: Economias diversificadas, desafios sociais, busca por autonomia.
- Metas: Reformas em ONU, FMI e OMC; maior peso geopolítico.
- Cooperação: Projetos em saúde, energia e tecnologia.
Possibilidades de expansão
Não há planos imediatos para nova expansão, segundo a presidência brasileira. Candidaturas são avaliadas individualmente, com decisões por consenso. O interesse de mais de 30 nações reflete o apelo do Brics, mas o foco atual é integrar os novos membros e parceiros.
A categoria de país-parceiro, criada em 2024, permite maior inclusão sem alterar a estrutura decisória. Países como Nigéria e Vietnã, recém-admitidos, já participam ativamente, ampliando o alcance do grupo.
Cúpulas anteriores no Brasil
O Brasil sediou cúpulas do Brics em Brasília (2010 e 2019) e Fortaleza (2014). O Rio, escolhido para 2025, reforça a capacidade do país em eventos diplomáticos. O MAM, que abrigou o G20 em 2024, foi selecionado por sua infraestrutura no Parque do Flamengo.
Em 2025, a presidência brasileira realizou mais de 200 reuniões preparatórias, presenciais e virtuais, para alinhar as discussões iniciadas em Kazan, na Rússia, em 2024.
Energia e tecnologia em foco
O Brics lidera a produção de petróleo (43,6%) e gás natural (36%) e detém 72% das reservas de terras raras, vitais para a indústria tecnológica e a transição energética. A cúpula no Rio discute o uso sustentável desses recursos e a cooperação em energias renováveis.
A inteligência artificial também é destaque, com propostas para um marco regulatório global. O Brasil defende diretrizes que equilibrem inovação e segurança, refletindo a relevância da tecnologia na agenda do grupo.

