SUS avança com Implanon: 500 mil mulheres terão acesso gratuito a implante contraceptivo

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Implanon anticoncepcional Foto: Implanon anticoncepcional - Foto: WiP-Studio/shutterstock.com

A partir do segundo semestre de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) começará a oferecer gratuitamente o Implanon, um implante contraceptivo subdérmico de alta eficácia, em uma iniciativa que promete transformar o planejamento reprodutivo no Brasil. Anunciada pelo Ministério da Saúde em julho de 2025, a medida prevê a distribuição de 1,8 milhão de dispositivos até 2026, beneficiando inicialmente 500 mil mulheres. O método, que custa até R$ 4 mil na rede privada, já é aplicado em Campinas (SP) desde 2022, com 2,8 mil implantes realizados até julho de 2025. A ação visa ampliar o acesso a métodos contraceptivos de longa duração, reduzir gestações não planejadas e promover a saúde reprodutiva, especialmente para mulheres em vulnerabilidade social. O investimento de R$ 245 milhões reforça o compromisso com a autonomia feminina e a redução da mortalidade materna.

O Implanon, um pequeno bastão de 4 cm inserido sob a pele do braço, libera o hormônio etonogestrel, que impede a ovulação e engrossa o muco cervical, dificultando a passagem de espermatozoides. Diferentemente de outros métodos, ele não exige uso diário ou intervenções frequentes, garantindo praticidade. Em Campinas, a procura pelo implante cresceu significativamente, com destaque para adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos.

  • Benefícios do Implanon: Alta eficácia (taxa de falha inferior a 1%), longa duração de até três anos e reversibilidade.
  • Público prioritário: Adolescentes, mulheres em situação de vulnerabilidade e aquelas com contraindicações a outros métodos.
  • Disponibilidade local: Centros de Saúde de Campinas já aplicam o método, com avaliação médica obrigatória.

A iniciativa nacional do SUS se soma a esforços locais, como o de Campinas, que serve como modelo para a implementação em outras regiões. A ampliação do acesso ao Implanon representa um marco na saúde pública brasileira, alinhando o país a padrões internacionais de contracepção moderna.

Incorporação do Implanon no SUS

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do Implanon ao SUS em julho de 2025, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A portaria que oficializa a oferta será publicada em breve, com prazo de 180 dias para que estados e municípios organizem a aquisição, distribuição e aplicação do método. O investimento de R$ 245 milhões garantirá a compra de 1,8 milhão de unidades até 2026, com 500 mil previstas para 2025.

SUS
SUS – Foto: Andrzej Rostek/Shutterstock.com

A capacitação de profissionais de saúde é um dos pilares da implementação. Equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) passarão por treinamentos teóricos e práticos para realizar a inserção e remoção do implante. A Secretaria de Atenção Primária à Saúde coordenará a distribuição, priorizando regiões com maior vulnerabilidade social, como o Norte e o Nordeste, onde o acesso a serviços de saúde reprodutiva é historicamente limitado.

O Implanon se junta ao DIU de cobre como método contraceptivo de longa duração (LARC, na sigla em inglês) oferecido pelo SUS. Esses métodos são considerados mais eficazes por não dependerem da adesão diária da usuária, ao contrário de pílulas ou injetáveis. A medida reforça a política de planejamento familiar prevista na Constituição Federal e na Lei nº 9.263/1996, que assegura o direito à informação e ao acesso a métodos contraceptivos.

Experiência de Campinas como referência

Campinas destaca-se como pioneira na oferta do Implanon na rede pública, com 2,8 mil implantes aplicados desde 2022. Segundo Miriam Nóbrega, coordenadora da área da Saúde da Mulher, o município prioriza adolescentes e mulheres em situação de vulnerabilidade, como aquelas em situação de rua, com dependência química ou vivendo com HIV/AIDS. No entanto, qualquer mulher pode buscar avaliação nos Centros de Saúde.

A procura pelo método cresceu ano a ano:

  • 2022: 34 implantes.
  • 2023: 451 implantes.
  • 2024: 1.325 implantes.
  • 2025 (até julho): 1.053 implantes.

A maioria das usuárias está na faixa de 15 a 24 anos, refletindo a demanda por métodos práticos e de longa duração entre jovens. A inserção do Implanon é realizada com anestesia local, em um procedimento rápido e indolor, que leva menos de um minuto. Após três anos, o implante é removido, e a mulher pode optar por um novo dispositivo ou outro método contraceptivo.

Além do Implanon, Campinas oferece o DIU de cobre e o DIU hormonal Mirena, ampliando as opções de contracepção de longa duração. A experiência do município servirá como base para a expansão nacional, demonstrando a viabilidade de implementar o método em larga escala.

Benefícios e desafios do Implanon

O Implanon é reconhecido por sua alta eficácia, com uma taxa de falha inferior a 1%, superando métodos como a laqueadura e a vasectomia. Sua praticidade é um diferencial: uma vez inserido, não exige manutenção, eliminando o risco de esquecimento associado a pílulas anticoncepcionais. O método é reversível, permitindo que a fertilidade retorne rapidamente após a remoção, o que o torna ideal para mulheres que desejam adiar a gravidez sem comprometer planos futuros.

Entre os benefícios destacados por especialistas estão:

  • Não interfere na amamentação ou nas relações sexuais.
  • Reduz cólicas menstruais em muitas usuárias.
  • Pode ser usado por mulheres com contraindicações a estrogênio.
  • Não causa perda de massa óssea.

No entanto, o método apresenta desafios. Alterações no padrão menstrual são comuns, com cerca de 40% das usuárias relatando ausência de menstruação (amenorreia) após o período de adaptação. Outras podem enfrentar sangramentos irregulares, dores de cabeça, sensibilidade mamária ou variações de humor. Esses efeitos variam de acordo com o organismo, exigindo acompanhamento médico para avaliar a adaptação.

Outros métodos contraceptivos no SUS

O SUS oferece uma variedade de métodos contraceptivos gratuitos, garantindo opções para diferentes necessidades. Além do Implanon e do DIU de cobre, estão disponíveis:

  • Preservativos masculino e feminino, únicos com proteção contra infecções sexualmente transmissíveis.
  • Anticoncepcionais orais combinados e de progestagênio.
  • Injetáveis hormonais mensais e trimestrais.
  • Laqueadura tubária e vasectomia, para quem opta por métodos permanentes.

A escolha do método deve ser feita com orientação médica, considerando o perfil de saúde e as preferências da usuária. Em Campinas, por exemplo, o DIU hormonal Mirena é oferecido em algumas unidades, enquanto o Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) disponibiliza o Implanon quando há verba específica, complementando a oferta municipal.

Público-alvo e critérios de acesso

O Implanon é indicado para mulheres em idade reprodutiva, com prioridade para grupos vulneráveis. Em Campinas, os critérios incluem:

  • Adolescentes de 10 a 18 anos.
  • Mulheres com contraindicações a estrogênio.
  • Portadoras de transtornos mentais graves.
  • Mulheres vivendo com HIV/AIDS ou dependência química.
  • Profissionais do sexo e mulheres em situação de rua.

No contexto nacional, o Ministério da Saúde seguirá parâmetros da Atenção Primária, considerando idade, número de partos, comorbidades e desejo reprodutivo. A ampliação do acesso visa reduzir desigualdades, especialmente para mulheres de baixa renda, que dependem do SUS para cuidados de saúde.

Saúde reprodutiva e autonomia feminina

A incorporação do Implanon reflete o compromisso do SUS com a saúde reprodutiva e os direitos reprodutivos, definidos na Conferência do Cairo de 1994, da qual o Brasil é signatário. Esses direitos incluem a liberdade de decidir sobre a reprodução, o acesso à informação e a métodos contraceptivos seguros. A oferta de um método de alta eficácia e baixo custo fortalece a autonomia das mulheres, permitindo maior controle sobre o planejamento familiar.

Dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) indicam que 80% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva utilizam contraceptivos modernos, mas apenas 4,4% optam pelo DIU, enquanto 58% usam pílulas orais. A introdução do Implanon pode diversificar essas escolhas, reduzindo a dependência de métodos que exigem adesão diária.

Formação de profissionais e logística

A implementação do Implanon no SUS exige esforços logísticos e de capacitação. O treinamento de médicos e enfermeiros é essencial para garantir a aplicação correta do implante, que requer técnica específica. Em Campinas, a capacitação começou em 2022, permitindo a expansão do programa. No âmbito nacional, o Ministério da Saúde planeja estratégias de formação em todas as regiões, com foco na Atenção Primária.

A distribuição dos 1,8 milhão de dispositivos até 2026 será coordenada pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde, com prioridade para áreas de maior vulnerabilidade. A logística inclui a aquisição dos implantes, armazenamento adequado e entrega às UBS, garantindo que o método chegue a todas as regiões do país.

Avanços na redução da mortalidade materna

A oferta do Implanon está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que incluem a redução da mortalidade materna. No Brasil, a taxa de mortalidade materna em 2022 foi de 57,7 óbitos por 100 mil nascidos vivos, com disparidades significativas: 46,5 para mulheres brancas e 100,4 para mulheres negras. O Ministério da Saúde estima que o acesso ao Implanon pode reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, com uma queda de 50% entre mulheres negras, ao prevenir gestações não planejadas de alto risco.

A iniciativa também aborda a gravidez na adolescência, que representa 12,3% dos partos no Brasil, com taxas mais altas no Norte (19,7%) e Nordeste (14,9%). Métodos de longa duração, como o Implanon, são especialmente eficazes para esse público, oferecendo proteção prolongada sem a necessidade de intervenções frequentes.

Disponibilidade em outras regiões

Além de Campinas, outras cidades já utilizam o Implanon em programas locais. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o método é oferecido desde 2020 por meio do Protocolo Estadual de Atenção à Saúde Reprodutiva, com 23.012 unidades de implantes e DIUs distribuídas entre 2023 e 2024. A experiência estadual reforça a viabilidade de expandir o método para todo o país, com ajustes regionais para atender às demandas locais.

O Caism, em Campinas, também desempenha um papel importante, oferecendo o Implanon quando há recursos disponíveis. A unidade depende de doações e verbas específicas, mas mantém um fluxo constante de atendimento para mulheres interessadas em métodos de longa duração.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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