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Engenheiro Sergio Leite, ex-presidente da Usiminas, morre aos 70 anos em Ipatinga

Sergio Leite de Andrade
Foto: Sergio Leite de Andrade - Foto: Instagram

Ipatinga, 14 de julho de 2025 – O engenheiro metalúrgico Sergio Leite de Andrade, ex-presidente da Usiminas, faleceu nesta segunda-feira, aos 70 anos, deixando um legado de cinco décadas na indústria siderúrgica brasileira. A notícia foi confirmada por veículos locais, como o Diário do Aço e a Rádio Itatiaia Vale do Aço, mas a causa da morte e informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas pela família. Formado pela UFRJ e mestre pela UFMG, Leite ocupou diversos cargos executivos na Usiminas, incluindo a presidência entre 2016 e 2022, período marcado por desafios e conquistas. Sua trajetória é reconhecida como uma das mais relevantes para o setor do aço no Brasil, com contribuições que vão além da empresa, alcançando entidades como o Instituto Aço Brasil e a Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM).

A morte de Sergio Leite gerou comoção no Vale do Aço, região onde a Usiminas é um dos pilares econômicos e sociais. Ele foi um líder respeitado, conhecido por sua habilidade em conduzir a siderúrgica em momentos de crise.

  • Legado na Usiminas: Meio século de dedicação à maior siderúrgica de aços planos do Brasil.
  • Gestão em crise: Liderou a empresa em período de disputas societárias e instabilidade econômica.
  • Reconhecimento: Homenageado por sua competência e impacto na comunidade de Ipatinga.
Luto
Luto – Foto: Jacob Wackerhausen/Istock.com

Trajetória de um líder na siderurgia

Sergio Leite ingressou na Usiminas em 1976, iniciando uma carreira que o levaria a ocupar 15 diferentes posições dentro da empresa. Formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com mestrado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele trouxe uma visão técnica apurada que marcou sua ascensão. Antes de chegar à presidência, Leite foi vice-presidente comercial, um cargo estratégico que o colocou em contato direto com os desafios do mercado siderúrgico global. Sua experiência prévia em vendas e gestão foi essencial para sua indicação ao comando da empresa em 2016, em meio a um cenário de tensões entre os acionistas controladores, Nippon Steel e Ternium.

Durante seu mandato como presidente, de 2016 a 2022, Leite enfrentou um dos períodos mais desafiadores da história da Usiminas. A empresa atravessava disputas societárias, instabilidade econômica e pressão do mercado internacional. Sob sua liderança, a siderúrgica implementou um plano de reestruturação que incluiu cortes de custos, renegociação de dívidas e ajustes operacionais. Essas medidas resultaram em uma recuperação significativa, com o EBITDA ajustado crescendo 31% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2016, conforme reportado pela revista In The Mine.

Leite também foi responsável por fortalecer os laços da Usiminas com a comunidade de Ipatinga, promovendo iniciativas sociais e ambientais. Programas como o “Mobiliza pelos Caminhos do Vale” e “Mobiliza Todos pela Água” ganharam destaque em eventos internacionais, como o Congresso da Associação Latino-americana do Aço (Alacero), onde ele apresentou os avanços da empresa em sustentabilidade.

Contribuições além da Usiminas

Além de sua atuação na siderúrgica, Sergio Leite teve um papel ativo em entidades do setor. Ele presidiu o Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, onde defendeu a importância da indústria siderúrgica para a economia nacional, que já representou 25% do PIB e hoje está em cerca de 11%. Também integrou o Conselho de Administração da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM), sendo reconhecido como referência técnica e de governança.

  • Instituto Aço Brasil: Liderou debates sobre crescimento econômico e protecionismo global.
  • ABM: Contribuiu para avanços técnicos e de gestão no setor de metalurgia.
  • Homenagens: Recebeu o Título de Benemérito pela ALERJ em 2024 por sua trajetória.
  • Sustentabilidade: Promoveu iniciativas para redução de emissões, como o combate ao pó preto em Ipatinga.

Sua visão estratégica também se destacou em fóruns internacionais. Em 2019, Leite abriu a 60ª edição do Congresso da Alacero, em Buenos Aires, discutindo os desafios do mercado siderúrgico global, como o excesso de capacidade e o aumento do protecionismo. Ele enfatizou a necessidade de investimentos em infraestrutura no Brasil para impulsionar a demanda por aço, uma pauta que defendeu ao longo de sua carreira.

Reconhecimento e impacto local

A morte de Sergio Leite foi recebida com pesar em Ipatinga, onde ele era uma figura central não apenas na Usiminas, mas também na comunidade. Em 2024, o Grupo Raízes, que reúne pioneiros e lideranças da cidade, homenageou Leite por sua competência e pelos resultados alcançados durante sua gestão. Segundo o engenheiro aposentado Elísio Cacildo, ex-diretor da Agência de Desenvolvimento de Ipatinga, Leite foi essencial para reverter uma situação crítica na Usiminas, garantindo estabilidade econômica para a região.

A Usiminas, sob sua liderança, alcançou marcos históricos. Em 2021, Leite anunciou que aquele foi o melhor ano da história da empresa, com uma receita líquida de R$ 32,5 bilhões, a segunda maior em seis décadas. O lucro líquido de R$ 2,1 bilhões em 2022 também foi um dos maiores em 14 anos, consolidando a recuperação iniciada em 2016. Esses números refletem a capacidade de Leite em alinhar interesses de acionistas e implementar estratégias eficazes em momentos de crise.

Um período de desafios societários

A presidência de Sergio Leite na Usiminas foi marcada por um contexto de disputas entre os acionistas controladores, a japonesa Nippon Steel e a ítalo-argentina Ternium. Essas tensões começaram em 2014 e culminaram em mudanças na liderança da empresa. Leite assumiu o comando em 2016, com apoio da Ternium, em uma votação apertada no Conselho de Administração. Sua gestão foi interrompida brevemente em 2016 por uma decisão judicial que reconduziu Rômel Ervin de Souza ao cargo, mas Leite retornou em 2017 e permaneceu até 2022.

  • Disputa acionária: Conflito entre Nippon Steel e Ternium marcou sua gestão.
  • Recondução: Retornou à presidência em 2017 após decisão judicial.
  • Estabilidade: Promoveu acordos que reduziram conflitos internos na empresa.

Após deixar a presidência, Leite assumiu a vice-presidência de Assuntos Estratégicos e continuou como membro do Conselho de Administração. Sua transição para papéis estratégicos foi vista como uma forma de manter sua influência e expertise na empresa.

Legado na comunidade e na indústria

A trajetória de Sergio Leite também é marcada por sua ligação com Ipatinga e o Vale do Aço. Ele foi homenageado pelo Sicoob Vale do Aço em 2021, com a inauguração do Espaço Cooperativo Sergio Leite de Andrade, em Belo Horizonte, reconhecendo sua parceria de décadas com a cooperativa. Sua atuação também foi celebrada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), que lhe concedeu o Título de Benemérito em novembro de 2024, destacando sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social.

Leite dedicou atenção especial à responsabilidade social da Usiminas. A empresa investiu R$ 77 milhões em 2021 em projetos de esporte e cultura por meio do Instituto Usiminas, com planos de aumentar para R$ 89 milhões em 2022. Na área da saúde, ele destacou a importância do Hospital Márcio Cunha, gerido pela Fundação São Francisco Xavier, que foi reconhecido como um dos 20 melhores do Brasil.

Perspectivas para o futuro da Usiminas

A morte de Sergio Leite deixa um vazio na Usiminas e no setor siderúrgico brasileiro. Sua capacidade de liderar em momentos de crise, aliada à visão técnica e ao compromisso com a comunidade, tornou-o uma figura única. A siderúrgica enfrenta agora o desafio de manter o ritmo de crescimento que Leite ajudou a consolidar. Em 2023, a empresa anunciou a eleição de Marcelo Chara como novo presidente, mas a influência de Leite continuou por meio de sua atuação estratégica.

  • Investimentos: Usiminas planeja manter aportes de R$ 1,5 bilhão anuais.
  • Sustentabilidade: Projetos como a redução de partículas sedimentáveis seguem em andamento.
  • Legado social: Iniciativas comunitárias devem continuar como parte do DNA da empresa.

A comunidade de Ipatinga e o setor siderúrgico aguardam informações sobre as homenagens póstumas a Sergio Leite, cuja trajetória será lembrada como um marco na história da Usiminas e da indústria brasileira.