O Ibovespa subiu 0,2% na quarta-feira, 16 de julho de 2025, fechando a 135.511 pontos, impulsionado pela expectativa pelas vendas do varejo de junho nos Estados Unidos e pela temporada de resultados do segundo trimestre de 2025. O mercado global operou com cautela após rumores sobre a possível demissão do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, negados por Donald Trump, aliviando as bolsas americanas. No Brasil, o dólar fechou a R$ 5,56, com alta de 0,1%, enquanto a curva de juros futuros se abriu devido à indefinição sobre o IOF e à aprovação da reforma do Imposto de Renda. Ações do Pão de Açúcar (PCAR3) dispararam 10,7% com aumento de participação acionária, enquanto a Usiminas caiu 4,5%. O foco desta quinta-feira, 17 de julho, está nos balanços de empresas como Netflix e TSMC, além do CPI da Zona do Euro.
A estabilidade dos mercados globais reflete a recuperação após especulações sobre o Fed. No Brasil, a aprovação do governo Lula cresceu, segundo pesquisas recentes, mas tensões políticas persistem.
- Principais eventos no mercado hoje:
- Divulgação das vendas no varejo dos EUA de junho.
- Balanços do 2T25 de Netflix, Pepsico e TSMC.
- CPI da Zona do Euro.
- IGP-10 de julho no Brasil, com expectativa de deflação.
Investidores mantêm atenção em indicadores econômicos e resultados corporativos, que ditam o ritmo das bolsas.
Vendas no varejo e balanços globais
As vendas no varejo de junho nos Estados Unidos, divulgadas hoje, são um dos principais indicadores monitorados pelo mercado. Espera-se um avanço de 0,1% em relação a maio, após sinais de resiliência na economia americana. A produção industrial cresceu 0,3% em junho, superando previsões, enquanto os preços ao produtor (PPI) ficaram estáveis, apesar da pressão inflacionária causada por tarifas anunciadas por Trump.
A temporada de resultados do 2T25 ganha força, com balanços de gigantes como Netflix, Pepsico e TSMC. A Netflix, que divulgará seus números após o fechamento do mercado, é observada por sua base de assinantes e receitas publicitárias. A TSMC, líder em semicondutores, é crucial para o setor de tecnologia, enquanto a Pepsico reflete o consumo global.
- Indicadores e balanços em destaque:
- Vendas no varejo dos EUA: expectativa de alta de 0,1%.
- Netflix: foco em assinantes e receita de anúncios.
- TSMC: desempenho em chips para IA e eletrônicos.
- Pepsico: reflexo do consumo em bens não duráveis.
Esses dados influenciam a percepção sobre a economia global e as decisões de política monetária.
Na Europa, o CPI da Zona do Euro, também divulgado hoje, é monitorado para avaliar pressões inflacionárias. As bolsas europeias operam em alta, com o Stoxx 600 subindo 0,7%, impulsionado por resultados de empresas como Novartis e Volvo.
Cenário político e fiscal no Brasil
No Brasil, a aprovação da reforma do Imposto de Renda pela comissão especial da Câmara, com isenção de lucros e dividendos até 2025, aqueceu o mercado. A votação em plenário, prevista para agosto, mantém a atenção dos investidores. A proposta eleva a faixa de isenção para R$ 5 mil, beneficiando a classe média, mas gera debates sobre o impacto fiscal.
O Senado aprovou a PEC 66, liberando R$ 12,4 bilhões para precatórios e benefícios como licença-maternidade para autônomas. A decisão do STF, validando o aumento do IOF exceto para operações de risco sacado, reduz a arrecadação prevista em R$ 1,2 bilhão, impactando o ajuste fiscal do governo Lula.
- Medidas fiscais recentes:
- Reforma do IR com isenção até R$ 5 mil.
- PEC 66 libera R$ 12,4 bilhões para precatórios.
- IOF validado pelo STF, com exceção de risco sacado.
- IGP-10 de julho com projeção de deflação.
O cenário político doméstico, aliado à aprovação do governo, influencia a curva de juros e o câmbio.
A curva de juros futuros abriu, com o DI jan/26 a 14,94% e o DI jan/31 a 13,89%, refletindo incertezas fiscais. O dólar, cotado a R$ 5,56, mantém-se estável, mas sensível a decisões do STF e tensões comerciais globais.
Desempenho do Ibovespa e empresas
O Ibovespa interrompeu uma sequência de sete quedas, fechando com alta de 0,2% a 135.511 pontos. O destaque foi o Pão de Açúcar (PCAR3), que subiu 10,7% após cinco membros da família Coelho Diniz aumentarem sua participação para 17,7% das ações ordinárias. A Usiminas (USIM5) caiu 4,5% após revisão de recomendação para neutra, impactada pela menor demanda por aço.
Outras empresas, como Bemobi (BMOB3), projetam crescimento de dois dígitos na receita do 2T25, com EBITDA ajustado de R$ 58 milhões. A Positivo (POSI3), por outro lado, enfrenta resultados fracos devido à queda em vendas de smartphones e menor receita de projetos públicos.
- Movimentações no Ibovespa:
- Pão de Açúcar (PCAR3): +10,7% com aumento acionário.
- Usiminas (USIM5): -4,5% após revisão de recomendação.
- Bemobi (BMOB3): projeção de receita robusta.
- Positivo (POSI3): resultados pressionados por consumo.
O mercado aguarda os balanços do 2T25 de empresas como Marcopolo, que deve se beneficiar da recuperação de exportações.
Mercados globais e tensões comerciais
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e Nasdaq 100 operam estáveis, com alta de 0,1%, após recuperação na quarta-feira. A negação de Trump sobre a demissão de Powell aliviou temores, mas a incerteza persiste. As Treasuries de dois anos fecharam a 3,89%, e as de dez anos a 4,46%, refletindo expectativas de juros elevados.
Na Europa, as negociações comerciais com os EUA, com tarifas de 30% previstas para 1º de agosto, seguem no radar. Na Ásia, o CSI 300 subiu 0,7%, enquanto o Nikkei avançou apesar das tarifas de 25% impostas pelos EUA. A China enfrenta pressão inflacionária, mas mantém otimismo com resultados corporativos.
- Movimentos nos mercados globais:
- S&P 500 e Nasdaq 100: +0,1% nos futuros.
- Stoxx 600: +0,7% com resultados de Novartis e Volvo.
- CSI 300: +0,7% na China.
- Nikkei: alta apesar de tarifas americanas.
As tarifas de Trump, incluindo 50% sobre produtos brasileiros, seguem como risco para o comércio global.
Setor de renda fixa e fundos imobiliários
A renda fixa sentiu a pressão da abertura da curva de juros, com o IFIX caindo 0,12%. Fundos de tijolo e papel registraram desvalorizações, com destaques positivos para VGIR11 (+1,6%) e negativos para HCTR11 (-2,0%). A proposta de Lira exclui LCI e LCA do imposto mínimo, aliviando o setor.
A Auren, após seu Investor Day, destacou a necessidade de flexibilidade em geração de energia, com integração da AES Brasil prevista até o fim de 2025. A Neoenergia vendeu participação em eólica, enquanto a Castrolanda teve rating elevado para A+.br pela Moody’s Local.
- Destaques da renda fixa:
- IFIX: queda de 0,12% com alta de juros.
- VGIR11: alta de 1,6% no IFIX.
- Auren: integração com AES Brasil até 2025.
- Neoenergia: venda de ativos eólicos.
O setor enfrenta volatilidade, mas mantém atratividade para investidores conservadores.
Setor de bens de capital e energia
No setor de bens de capital, a Marcopolo projeta resultados sólidos no 2T25, com exportações em alta. A Randon anunciou aumento de capital de R$ 76 a 200 milhões, reduzindo alavancagem. A Embraer enfrenta riscos com as tarifas de Trump, comparadas ao impacto da pandemia, mas mantém acordos com a Flexjet.
No setor de energia, a PRIO recebeu parecer favorável do Ibama para a Licença Prévia do projeto Wahoo, com potencial início de produção em 2026. A Auren destacou a volatilidade dos preços de energia, apostando em comercialização para mitigar riscos.
- Destaques setoriais:
- Marcopolo: recuperação de exportações no 2T25.
- Randon: aumento de capital para desalavancagem.
- PRIO: Licença Prévia para Wahoo em 2025.
- Embraer: riscos com tarifas de Trump.
Esses setores refletem a busca por estabilidade em um cenário de incertezas globais.

