Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

O Cuiabá voltou a cobrar publicamente o Corinthians, em tom irônico, pelo atraso no pagamento de uma dívida de R$ 18,5 milhões referente à transferência do volante Raniele, realizada em janeiro de 2024. A cobrança, feita por meio de uma postagem nas redes sociais na noite de 17 de julho de 2025, destacou o fim do prazo para o pagamento da primeira parcela de um plano de quitação aprovado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O clube mato-grossense, que disputa a Série B, enfrenta dificuldades financeiras devido ao não cumprimento do acordo, segundo o presidente Cristiano Dresch. A situação expõe a crise financeira do Corinthians, que, além do Cuiabá, acumula dívidas com outros clubes brasileiros, como Santos, Grêmio e Atlético-MG. A postagem, que viralizou rapidamente, reacendeu o debate sobre a gestão financeira de grandes clubes no futebol brasileiro.

A tensão entre os clubes começou quando o Corinthians adquiriu 60% dos direitos econômicos de Raniele por 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 13,4 milhões na cotação da época). O acordo previa o pagamento em quatro parcelas, mas o clube paulista atrasou a segunda, de 400 mil euros (R$ 2,4 milhões), com vencimento em 31 de julho de 2024. A cláusula contratual estipulava multa de 30% sobre a parcela atrasada e a antecipação de todas as parcelas restantes, elevando a dívida a cerca de R$ 18,5 milhões. O caso foi levado à CNRD, que aprovou um plano de pagamento em 24 parcelas trimestrais, com a primeira devida em 17 de julho de 2025, mas o Corinthians não efetuou o pagamento, gerando nova cobrança pública do Cuiabá.

  • Histórico da negociação: O Corinthians pagou apenas a entrada de 800 mil euros em janeiro de 2024, vinculada à liberação do jogador.
  • Impacto financeiro: O atraso compromete a gestão do Cuiabá, que depende dos valores para manter suas operações na Série B.
  • Reação pública: A postagem do Cuiabá no X, com tom irônico, gerou grande repercussão entre torcedores e críticas à gestão corintiana.

Detalhes da dívida e atritos entre os clubes

A negociação de Raniele, um dos pilares do Corinthians na temporada de 2024, foi inicialmente celebrada como um reforço estratégico para o meio-campo do clube. O jogador, que disputou 48 partidas em 2024, sendo titular em 45, tornou-se peça fundamental sob o comando do ex-técnico António Oliveira. Contudo, o não pagamento das parcelas acordadas gerou insatisfação no Cuiabá, que desde agosto de 2024 acionou a CNRD para cobrar o valor integral, incluindo a multa contratual. O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, expressou sua frustração em diversas entrevistas, classificando a postura do Corinthians como “ridícula” e sugerindo que o clube estaria “dando um golpe no futebol brasileiro” ao contratar jogadores de alto custo, como Memphis Depay, enquanto deixa de honrar compromissos com clubes menores.

O plano de pagamento aprovado pela CNRD, que divide a dívida em 24 parcelas trimestrais até 2031, foi recebido com indignação pelo Cuiabá. Dresch criticou a ausência de juros no acordo, afirmando que a decisão incentiva o “calote” e prejudica clubes com menos recursos financeiros. Ele chegou a sugerir que outros clubes evitem negociar com o Corinthians, alertando para o risco de inadimplência. A postagem irônica do Cuiabá, publicada em 17 de julho de 2025, reforçou a cobrança: “Faltam 3 horas e 54 minutos para o fim do dia 17 de julho e até agora NADA. Estamos aguardando… Já faz mais de 365 dias que estamos aguardando!!!”.

  • Valor total da dívida: Aproximadamente R$ 18,5 milhões, incluindo multa de 30% sobre a parcela atrasada.
  • Parcelamento: 24 parcelas trimestrais, com a primeira vencida em 17 de julho de 2025.
  • Críticas de Dresch: O presidente do Cuiabá acusou a CNRD de falta de neutralidade e favorecimento a clubes maiores.
  • Impacto no Corinthians: A crise financeira do clube é agravada por dívidas com outros clubes, como Santos e Flamengo.

Outros clubes devedores do Cuiabá

Além do Corinthians, o Cuiabá enfrenta problemas com outros grandes clubes brasileiros que acumulam dívidas por transferências de jogadores. Segundo Cristiano Dresch, o clube mato-grossense tem cerca de R$ 40 milhões a receber, envolvendo quatro equipes da Série A e B. A situação expõe a fragilidade financeira de alguns gigantes do futebol brasileiro e a dificuldade de clubes menores em garantir o cumprimento de acordos.

  • Santos: Deve R$ 16,3 milhões pela transferência do zagueiro Joaquim, hoje no Tigres, do México.
  • Atlético-MG: Tem uma dívida de R$ 4,6 milhões referente à compra do atacante Deyverson.
  • Grêmio: Deve R$ 700 mil pela venda do volante Pepê ao Vitória.
  • Ações na CNRD: O Cuiabá acionou a CBF para cobrar todos os clubes, mas os processos são demorados, podendo levar anos.

A soma dessas pendências compromete a saúde financeira do Cuiabá, que disputa a Série B e depende desses recursos para manter sua estrutura competitiva. Dresch destacou que o clube, organizado como Sociedade Anônima do Futebol (SAF), cumpre rigorosamente seus compromissos financeiros, mas enfrenta dificuldades quando clubes maiores descumprem acordos.

Repercussão e possíveis consequências

A cobrança pública do Cuiabá gerou grande repercussão nas redes sociais, com torcedores de diversos clubes comentando a situação. Alguns criticaram a gestão do Corinthians, enquanto outros apontaram para a necessidade de maior rigor nas regras da CBF para evitar inadimplências. Dresch sugeriu a criação de uma norma que proíba clubes de escalarem jogadores cujas parcelas de transferência estejam atrasadas, uma medida que poderia pressionar equipes a honrarem seus compromissos.

Se o Corinthians não cumprir o plano de pagamento, o Cuiabá planeja acionar novamente a CNRD, o que pode resultar em um transfer ban, impedindo o clube paulista de registrar novos jogadores. No entanto, especialistas consultados por portais esportivos indicam que o processo para chegar a essa penalidade é longo, podendo levar até dois anos, e envolve recursos na Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem (CBMA), com custos elevados de cerca de R$ 100 mil. Essa possibilidade, embora remota, preocupa a diretoria corintiana, que enfrenta outras dívidas, como com o Flamengo, por jogadores como Matheuzinho e Hugo Souza.

  • Reação nas redes: A postagem do Cuiabá recebeu milhares de interações, com apoio de torcedores de clubes menores.
  • Risco de transfer ban: O Corinthians pode ser punido caso não regularize a dívida após recursos na CNRD e CBMA.
  • Proposta de Dresch: Impedir a escalação de jogadores com parcelas atrasadas para forçar o cumprimento de acordos.
  • Outras dívidas do Corinthians: Pendências com Flamengo e outros clubes agravam a crise financeira.

Gestão financeira no futebol brasileiro

A disputa entre Cuiabá e Corinthians reflete um problema maior no futebol brasileiro: a falta de responsabilidade financeira de alguns clubes. O Corinthians, que gastou mais de R$ 170 milhões em contratações em 2024, incluindo nomes como Memphis Depay, enfrenta dificuldades para arcar com compromissos anteriores. A contratação do holandês, com salário estimado em R$ 4 milhões por mês, foi citada por Dresch como exemplo de má gestão, já que o clube prioriza novos investimentos enquanto deixa dívidas em aberto.

O Cuiabá, por sua vez, busca se posicionar como exemplo de gestão responsável, mas sofre com a dependência de receitas de transferências. A SAF do clube, comandada por Dresch, investe em planejamento financeiro, mas a inadimplência de outros clubes compromete seus projetos. A situação também levanta questionamentos sobre a atuação da CNRD, criticada por Dresch por supostamente favorecer clubes maiores. Ele chegou a afirmar que, em um cenário com regras mais rígidas, o Corinthians “já estaria rebaixado” por sua gestão financeira.

  • Gastos do Corinthians: Mais de R$ 170 milhões em contratações em 2024, apesar das dívidas.
  • Modelo SAF do Cuiabá: Clube mantém compromissos em dia, mas depende de receitas de transferências.
  • Críticas à CNRD: Dresch acusa o órgão de falta de imparcialidade e de incentivar o “calote”.
  • Impacto no futebol: A inadimplência de grandes clubes prejudica equipes menores e a competitividade.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  2. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  3. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  4. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  5. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

  6. Benefícios

    13º salário 2026: empresas devem pagar 1ª parcela até 30 de novembro no Brasil com metade do rendimento sem desconto

  7. EUA

    Eleição para governador nos EUA: Keisha Lance Bottoms vence na Geórgia e Byron Donalds fatura a Flórida

  8. EUA

    Donald Trump vai deixar a presidência dos EUA? derrota republicana no Congresso não cassa o mandato do presidente

  9. EUA

    Eleição nos EUA: Trump esvazia agenda pública após democratas confirmarem série de vitórias no Congresso

  10. EUA

    Eleição para o Senado na Carolina do Sul: Annie Andrews lidera apuração sobre Darline Graham e ameaça hegemonia republicana nos EUA

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.