Na manhã de 18 de julho de 2025, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para publicar uma mensagem de cunho religioso, horas após seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) em Brasília. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na imposição de medidas cautelares severas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições como recolhimento noturno e proibição de acesso às redes sociais. A operação, que incluiu buscas na residência do ex-presidente e na sede do Partido Liberal (PL), foi motivada por suspeitas de crimes como obstrução de Justiça e atentado à soberania nacional. Michelle optou por uma mensagem de fé, citando um versículo bíblico, enquanto aliados e opositores reagiam intensamente ao episódio, que ganhou destaque nacional e internacional.
A mensagem postada por Michelle no Instagram, “Senhor, Te amarei e Te louvarei por todos os dias da minha vida. Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor!”, reflete sua postura de apoio ao marido em meio às turbulências judiciais. A escolha de um tom religioso, sem menção direta à operação, foi interpretada como uma forma de demonstrar resiliência e manter a base de apoio do casal mobilizada. A operação da PF apreendeu cerca de US$ 14 mil, R$ 8 mil e um pendrive na residência de Bolsonaro, além de seu celular, intensificando o clima de tensão política.
O cenário político brasileiro foi abalado pelas medidas impostas a Bolsonaro, que enfrenta um processo por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. A decisão de Moraes, que também proíbe Bolsonaro de se comunicar com seu filho Eduardo, deputados investigados e representantes de embaixadas, foi vista como um marco nas investigações que cercam o ex-presidente.
- Principais medidas impostas a Jair Bolsonaro:
- Uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento 24 horas.
- Recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 7h, e integral nos fins de semana.
- Proibição de acesso às redes sociais.
- Restrição de contato com embaixadas e outros investigados.
Contexto da operação da PF
A operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã de 18 de julho foi autorizada pelo STF em resposta a indícios de que Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, estariam articulando ações nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras. O inquérito, aberto em 11 de julho, investiga possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e atentado à soberania nacional. Segundo a decisão de Alexandre de Moraes, as ações de Bolsonaro e Eduardo teriam como objetivo interferir no julgamento da ação penal que apura a suposta trama golpista de 2022.
As buscas realizadas na casa de Bolsonaro, no bairro Jardim Botânico, em Brasília, e na sede do PL resultaram na apreensão de valores em espécie e um pendrive escondido em um banheiro, o que levantou suspeitas sobre tentativas de ocultar informações. A PF também recolheu documentos relacionados a uma ação movida pela plataforma Rumble contra Moraes nos EUA, indicando possíveis articulações internacionais. O ex-presidente negou qualquer intenção de fugir do Brasil ou buscar refúgio em embaixadas, mas a imposição da tornozeleira foi justificada pelo STF como medida para evitar esse risco.
A reação de Bolsonaro foi marcada por indignação. Em coletiva à imprensa, ele classificou as medidas como uma “suprema humilhação” e afirmou que nunca considerou deixar o país. A defesa do ex-presidente, liderada pelo advogado Celso Vilardi, expressou “surpresa e indignação” com as restrições, destacando que Bolsonaro sempre colaborou com a Justiça.
Reações políticas e sociais
A operação da PF gerou intensas reações no cenário político brasileiro. Parlamentares da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, classificaram as medidas como uma tentativa de “humilhação proposital” e um ataque à liberdade. Flávio chegou a comparar a proibição de contato entre Jair e Eduardo Bolsonaro a um “símbolo de ódio” do STF. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, chamou a decisão de “ato absurdo de perseguição política”, enquanto o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que “não há crime, não há prova, apenas delírio”.
Por outro lado, governistas celebraram a ação. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ironizou nas redes sociais, sugerindo que a tornozeleira dificultaria planos de fuga e fazendo referência às investigações sobre joias supostamente desviadas durante o governo Bolsonaro. No ambiente virtual, memes e comentários irônicos sobre a tornozeleira eletrônica dominaram as redes, especialmente entre críticos do ex-presidente, com hashtags como “tornozeleira” e “sextou” ganhando destaque.
- Reações marcantes à operação:
- Flávio Bolsonaro: “Cicatrizes nas nossas almas” pela proibição de contato com Eduardo.
- Luiz Marinho: “Plano de fuga ficou mais difícil” com a tornozeleira.
- Romeu Zema: “Perseguição política” contra Bolsonaro.
- Sóstenes Cavalcante: “Não há crime, apenas tentativa de calar milhões”.
Envolvimento de Eduardo Bolsonaro e o tarifaço de Trump
Um dos pontos centrais da decisão de Alexandre de Moraes é a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado licenciado, que está no país desde o início de 2025, teria articulado pressões junto ao governo de Donald Trump para impor sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o próprio Moraes. A investigação da PF aponta que Jair Bolsonaro financiou essas ações com uma remessa de R$ 2 milhões, admitida pelo ex-presidente em depoimento. As articulações culminaram no anúncio de Trump, em 9 de julho, de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificada, em parte, pelo julgamento de Bolsonaro no STF.
Moraes classificou essas ações como um “atentado à soberania nacional”, destacando que pai e filho buscavam submeter o STF à influência de um governo estrangeiro. A carta publicada por Trump no Truth Social, na véspera da operação, reforçou a narrativa de pressão externa, ao criticar o “tratamento injusto” dado a Bolsonaro. O ex-presidente, por sua vez, negou que Eduardo tenha articulado diretamente o tarifaço, afirmando que o filho apenas mantém “bom relacionamento” com autoridades americanas.
O inquérito também menciona a possibilidade de fuga como justificativa para as medidas cautelares. Em novembro de 2024, Bolsonaro havia declarado ao UOL que não descartava buscar refúgio em uma embaixada caso fosse condenado. Esse histórico, aliado à atuação de Eduardo nos EUA, levou o STF a reforçar as restrições.
Impacto nas redes sociais e apoio de Michelle
A mensagem de Michelle Bolsonaro, postada horas após a operação, foi vista como uma tentativa de mobilizar a base bolsonarista, que permanece ativa nas redes sociais. A escolha de um versículo bíblico reforça a estratégia do casal de se comunicar com apoiadores por meio de valores religiosos, uma marca de sua trajetória política. Aliados, como a influenciadora Iane Menezes, compartilharam mensagens de apoio, citando versículos como “os humilhados serão exaltados” para reforçar a narrativa de perseguição.
Enquanto Jair Bolsonaro está proibido de acessar redes sociais, Michelle assume um papel central na comunicação com os apoiadores. Sua postagem, feita enquanto ainda estava de pijama, segundo relatos, reflete a rapidez com que buscou reagir ao impacto da operação. A mensagem foi amplamente compartilhada, com aliados destacando a “resiliência” da ex-primeira-dama.
- Elementos da mensagem de Michelle:
- Citação bíblica: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”.
- Tom de apoio: Resiliência frente às medidas contra Jair.
- Mobilização: Postagem amplificada por aliados nas redes.
Cenário jurídico e próximos passos
A operação da PF ocorre às vésperas de um julgamento crucial no STF, que pode resultar na condenação de Jair Bolsonaro por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de 2022, com penas que, somadas, podem ultrapassar 43 anos de prisão. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou suas alegações finais na semana anterior, reforçando a acusação de que Bolsonaro liderou a trama antidemocrática. A Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, começou a analisar a decisão de Moraes em 18 de julho, em sessão virtual que se estende até 21 de julho.
A maioria dos ministros, incluindo Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, já votou pela manutenção das medidas cautelares, indicando que a tornozeleira e as restrições permanecerão em vigor. A defesa de Bolsonaro tem 15 dias para apresentar suas alegações finais no processo principal, mas o clima é de crescente tensão, com aliados alertando para o impacto político de uma eventual condenação.
O ex-presidente, que já teve o passaporte retido desde fevereiro de 2024, enfrenta um cerco judicial que inclui outras investigações, como a suposta apropriação de joias sauditas. A operação de 18 de julho reforça a pressão sobre Bolsonaro, que segue como uma figura central no debate político brasileiro.
- Próximos passos no caso:
- Julgamento na Primeira Turma do STF até 21 de julho.
- Prazo de 15 dias para alegações finais da defesa.
- Possível julgamento do processo principal em setembro.
- Risco de condenação por até 43 anos de prisão.
Repercussão internacional e tensão com os EUA
A operação contra Bolsonaro ganhou destaque na imprensa internacional, com veículos como BBC e Reuters destacando o uso da tornozeleira e o risco de prisão. A menção ao tarifaço de Trump intensificou o debate sobre a interferência externa no Judiciário brasileiro. A decisão de Moraes cita uma frase de Machado de Assis para reforçar a defesa da soberania nacional: “A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional”.
A relação entre Bolsonaro e Trump, reforçada pela atuação de Eduardo nos EUA, coloca o Brasil em uma posição delicada no cenário diplomático. O presidente Lula, em pronunciamento, classificou as tarifas de Trump como “chantagem inaceitável” e criticou a oposição por “trair a pátria”. O embate entre os poderes brasileiros e as pressões externas deve continuar a influenciar o desenrolar do caso.
A mensagem de fé de Michelle Bolsonaro, nesse contexto, serve como um contraponto emocional às restrições impostas ao ex-presidente. Enquanto o STF avança nas investigações, a ex-primeira-dama mantém o discurso religioso que conecta o casal a milhões de apoiadores, em um momento de incerteza política e jurídica.
