Duílio Monteiro Alves é alvo de investigação por R$ 86 mil em gastos pessoaisPor Maria
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O Corinthians enfrenta uma crise administrativa agravada por denúncias de uso indevido do cartão corporativo por ex-presidentes, com destaque para Duílio Monteiro Alves, que liderou o clube entre 2021 e 2023. Revelado em 22 de julho de 2025, em São Paulo, um relatório aponta que Duílio gastou R$ 86.524,62 em 176 compras pessoais, incluindo cigarros, tadalafila e serviços de lavanderia, durante 36 dias de sua gestão. As informações, vazadas por um perfil anônimo nas redes sociais, também indicam irregularidades na gestão de Andrés Sanchez, com despesas de R$ 9.416 em Tibau do Sul (RN) e R$ 6.980,40 em Fernando de Noronha em 2020. O Conselho Deliberativo do clube abriu investigações formais, e a Polícia Civil apura o furto de documentos financeiros ocorrido em 31 de maio de 2025. As denúncias intensificaram a instabilidade política no Parque São Jorge, com conselheiros exigindo punições.
A crise ganhou força após o vazamento de faturas e notas fiscais que detalham gastos pessoais de Duílio, como medicamentos para disfunção erétil e itens de barbearia, e de Andrés, que já ressarciu R$ 15 mil ao clube. A torcida, liderada pela Gaviões da Fiel, cobra transparência e punições severas, enquanto o Conselho de Orientação (Cori) analisa possíveis sanções, incluindo a expulsão de conselheiros.
- Gastos de Duílio: R$ 86.524,62 em 36 dias, incluindo tadalafila e cigarros.
- Gastos de Andrés: R$ 9.416 em Tibau do Sul e R$ 6.980,40 em Fernando de Noronha.
- Investigação: Conselho Deliberativo unifica pedidos para apuração formal.
- Furto de documentos: Boletim de ocorrência registrado após confusão em 31 de maio.
Detalhes dos gastos de Duílio Monteiro Alves
O relatório que expôs os gastos de Duílio Monteiro Alves durante sua gestão no Corinthians detalha 176 transações realizadas em 36 dias, totalizando R$ 86.524,62. As compras incluem itens como cerveja, cigarros, tadalafila (medicamento para disfunção erétil), serviços de lavanderia e até um cachorro de pelúcia. Notas fiscais com o nome e CPF de Duílio e de seu motorista, Denílson, indicam endereços residenciais, sugerindo uso pessoal.
Entre os gastos, destaca-se R$ 32.580 em sete notas emitidas pelo “Oliveira Minimercado”, registrado no Jardim Ângela, a 35 km da sede do Corinthians. Moradores do endereço negaram a existência do estabelecimento, que, até dias antes das emissões, operava como “Oliveira Obras de Alvenaria”, levantando suspeitas de irregularidades.
Outros itens, como dois aparelhos de barbear BaByliss (R$ 3.000) e serviços de barbearia (R$ 171), reforçam a natureza pessoal das despesas. O relatório também aponta adiantamentos de R$ 80 mil à presidência, com repasses em espécie de R$ 30 mil, R$ 20 mil e R$ 30 mil em outubro de 2021. Duílio alega manipulação de documentos e promete medidas judiciais.
Gastos de Andrés Sanchez e reembolso
Andrés Sanchez, presidente do Corinthians entre 2007-2011 e 2018-2020, também é alvo de investigações por gastos pessoais com o cartão corporativo. Em dezembro de 2020, ele usou R$ 9.416 em Tibau do Sul (RN), incluindo hospedagem, passeio de barco e refeições. Outra fatura, de janeiro de 2020, aponta R$ 6.980,40 em Fernando de Noronha, sem relação com atividades do clube. Andrés admitiu o uso indevido, alegando confusão com seu cartão pessoal do mesmo banco (Santander) e ressarciu R$ 15 mil, com juros e correção, em 12 de julho de 2025.
O ex-presidente justificou que o departamento financeiro não o alertou sobre as despesas na época. Conselheiros criticaram a falta de fiscalização pelo Conselho Fiscal, presidido por João de Oliveira, advogado de Andrés, a partir de 2021. O caso gerou pedidos de expulsão de Andrés do quadro associativo, com votação marcada para 9 de agosto de 2025.
- Gastos em Tibau do Sul: R$ 9.416, incluindo hospedagem e passeio de barco.
- Gastos em Fernando de Noronha: R$ 6.980,40, sem vínculo com o clube.
- Reembolso: R$ 15 mil pagos por Andrés em 12 de julho de 2025.
- Punição em debate: Possível expulsão do quadro associativo.
Furto de documentos e investigação policial
A apuração dos gastos foi dificultada pelo furto de documentos financeiros do Corinthians, ocorrido em 31 de maio de 2025, durante uma confusão no Parque São Jorge envolvendo o presidente afastado Augusto Melo. Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Civil investiga o caso. Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo, solicitou a preservação de registros dos últimos sete anos, mas foi informado do sumiço de arquivos cruciais.
O clube busca segundas vias das faturas junto ao banco Santander, enquanto a Comissão de Ética unifica os pedidos de investigação para agilizar o processo. A ausência de documentos levanta suspeitas de tentativa de obstrução, especialmente após o tumulto que exigiu intervenção do Batalhão de Choque da Polícia Militar. A diretoria interina, liderada por Osmar Stabile, reforça o compromisso com a transparência.
Reação da torcida e conselheiros
A torcida organizada Gaviões da Fiel emitiu nota exigindo investigações rigorosas e punições para Duílio e Andrés. Protestos foram convocados no Parque São Jorge, refletindo a insatisfação com a gestão financeira do clube. Conselheiros de oposição, como o Movimento Corinthians Grande, protocolaram pedidos para desligar Andrés do Conselho Deliberativo, enquanto a situação de Duílio, também conselheiro vitalício, será avaliada pela Comissão de Ética.
A crise intensifica a instabilidade política no Corinthians, agravada pelo impeachment de Augusto Melo, acusado de crimes como lavagem de dinheiro no caso Vai de Bet. A Assembleia de Sócios, marcada para 9 de agosto, decidirá o futuro da gestão, com possíveis eleições indiretas caso o impeachment seja confirmado.
- Protestos: Gaviões da Fiel convoca atos no Parque São Jorge.
- Investigações: Comissão de Ética analisa casos de Duílio e Andrés.
- Impeachment: Assembleia de 9 de agosto pode definir novo presidente.
- Crise política: Oposição critica falta de transparência no clube.
Medidas para maior transparência
O Corinthians anunciou medidas para evitar novos casos de uso indevido do cartão corporativo. Entre as ações, estão a revisão das políticas de uso, com limite de R$ 5 mil mensais para despesas sem aprovação prévia do Conselho Fiscal, e a implementação de um sistema digital de monitoramento de gastos. O clube também planeja treinamentos para dirigentes e funcionários sobre governança corporativa.
A diretoria interina solicitou auditorias externas para revisar as contas de 2018 a 2025, abrangendo as gestões de Andrés, Duílio e Augusto Melo. A expectativa é que os resultados sejam apresentados até outubro de 2025, com detalhes públicos para sócios e torcedores. Essas iniciativas buscam restaurar a confiança da Fiel, abalada por sucessivas denúncias.
- Limite de gastos: R$ 5 mil mensais sem aprovação do Conselho Fiscal.
- Auditoria externa: Contas de 2018 a 2025 serão revisadas até outubro.
- Monitoramento digital: Novo sistema para rastrear despesas.
- Treinamento: Dirigentes aprenderão sobre governança corporativa.
Histórico de crise no Corinthians
O Corinthians vive um dos períodos mais conturbados de sua história administrativa. Além das denúncias contra Duílio e Andrés, o presidente afastado Augusto Melo enfrenta acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso Vai de Bet, com inquérito em andamento na Polícia Civil. A gestão de Melo, iniciada em 2024, foi marcada por reprovação de contas e tentativas de retomada do poder, como o incidente de 31 de maio.
A chapa Renovação & Transparência, liderada por Andrés e Duílio por 16 anos, enfrenta críticas por falta de fiscalização. O Conselho Fiscal, responsável por monitorar os cartões corporativos, é acusado de negligência, especialmente sob a presidência de João de Oliveira, aliado de Andrés. A torcida exige mudanças estruturais para evitar novos escândalos financeiros.






