Rapper Oruam foge após confronto com polícia em operação no Rio de JaneiroPor Carolina Costa
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Rapper Oruam, conhecido no cenário do trap brasileiro, tornou-se alvo de uma operação policial na noite de segunda-feira, 21 de julho de 2025, em sua residência no bairro nobre do Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), visava cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor suspeito de roubo, que estaria na casa do artista. Durante a abordagem, Oruam e amigos reagiram com violência, atirando pedras e xingando os agentes, o que resultou na fuga do rapper e do menor para o Complexo da Penha. Após o episódio, o cantor publicou vídeos nas redes sociais desafiando as autoridades, enquanto a Polícia Civil anunciou que ele será indiciado por crimes como associação ao tráfico e ligação com a facção Comando Vermelho.
A operação policial no Joá marcou mais um capítulo polêmico na trajetória de Oruam, filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, líder preso do Comando Vermelho. A ação expôs tensões entre o artista e as forças de segurança, levantando questões sobre sua relação com a criminalidade.
- Objetivo da operação: Cumprir mandado contra um menor suspeito de roubo.
- Reação de Oruam: Ataques com pedras e xingamentos contra policiais.
- Desfecho: Fuga para o Complexo da Penha e vídeos desafiando autoridades.
Contexto da operação policial
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a operação no Joá foi desencadeada após denúncias de que um adolescente, apontado como segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, estava na residência de Oruam. A ação, liderada pelo delegado Moysés Santana, ocorreu em uma viatura descaracterizada para evitar resistência inicial. No momento em que o menor saiu da casa, acompanhado de quatro pessoas, os agentes anunciaram a apreensão, mas foram surpreendidos por Oruam e outros oito indivíduos que, da varanda, iniciaram um confronto.
O delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil, destacou que o rapper será indiciado por seis crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, lesão corporal, resistência qualificada, dano ao patrimônio público e desacato. A ação resultou em um policial ferido e danos a uma viatura, além da prisão de um homem no local. Oruam, no entanto, conseguiu escapar junto com o menor procurado.
- Motivo da busca: Localizar um menor ligado ao tráfico.
- Crimes imputados: Tráfico, associação ao tráfico, entre outros.
- Resultado imediato: Fuga do rapper e prisão de um suspeito.
- Local da operação: Mansão de Oruam no Joá, Zona Oeste do RJ.
Reação de Oruam nas redes sociais
Após a fuga, Oruam utilizou as redes sociais para relatar sua versão dos fatos, publicando vídeos nos stories do Instagram. Nas gravações, ele afirmou que mais de 20 viaturas cercaram sua casa e acusou o delegado Moysés Santana de apontar uma arma para ele. “Eu estava saindo no portão, botou a pistola na minha cara, tentou me prender”, disse o rapper, visivelmente exaltado. Em outro vídeo, já no Complexo da Penha, ele desafiou as autoridades: “Quero ver vocês virem me pegar aqui no complexo. Não vai me pegar, sabe por quê? Porque vocês peidam!”
Os vídeos também mostraram a casa de Oruam revirada, com móveis e objetos danificados, o que ele atribuiu à ação policial. O rapper reforçou sua identidade como filho de Marcinho VP, utilizando o nome do pai como forma de intimidação. “Tudo que conquistei foi com minha música”, declarou, negando envolvimento direto com atividades criminosas.
Histórico de polêmicas do rapper
Oruam, cujo nome verdadeiro é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, já esteve envolvido em outras controvérsias com a polícia. Em fevereiro de 2025, ele foi detido por abrigar Yuri Pereira Gonçalves, um foragido da Justiça, em sua residência. Na ocasião, a operação também foi conduzida pela DRE, e os agentes encontraram uma pistola 9mm com kit-rajada. Oruam foi liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência, mas o caso reforçou as suspeitas sobre sua ligação com o Comando Vermelho.
Dias antes, o rapper havia sido autuado por direção perigosa após realizar manobras arriscadas na Barra da Tijuca, pagando uma fiança de R$ 60.720 para ser liberado. Outro episódio marcante ocorreu em dezembro de 2024, quando ele foi investigado por disparar uma arma em um condomínio em Igaratá, São Paulo, embora tenha afirmado que usou munição de borracha.
- Fevereiro 2025: Preso por abrigar foragido na mesma residência.
- Dezembro 2024: Investigado por disparo de arma em São Paulo.
- Barra da Tijuca: Detido por direção perigosa e liberado após fiança.
- Ligação familiar: Filho de Marcinho VP, líder do Comando Vermelho.
Ligação com o Comando Vermelho
A Polícia Civil destacou que a operação de julho de 2025 é a segunda em menos de seis meses a encontrar suspeitos ligados ao Comando Vermelho na casa de Oruam. O delegado Felipe Curi classificou o rapper como um “marginal faccionado”, apontando que os vídeos postados por ele no Complexo da Penha configuram uma confissão de sua ligação com a facção. A menção ao pai, Marcinho VP, preso desde 1996, reforça a narrativa policial de que Oruam mantém laços com a organização criminosa.
A trajetória do rapper, que acumula 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify e 9,1 milhões de seguidores no Instagram, reflete a complexidade de sua posição. Criado em um ambiente marcado pela violência e exclusão, Oruam transformou sua realidade em música, mas suas ações públicas, como a exibição de tatuagens em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, alimentam as acusações de apologia ao crime.
Impacto na carreira e na imagem pública
A nova polêmica pode afetar a trajetória de Oruam, um dos nomes mais promissores do trap brasileiro. Sua participação no Lollapalooza 2024, quando usou uma camiseta pedindo “liberdade” para seu pai, já havia gerado debates sobre a linha entre expressão artística e apologia. Agora, com o indiciamento por crimes graves, o rapper enfrenta o desafio de manter sua base de fãs enquanto lida com processos judiciais.
A reação nas redes sociais foi imediata, com apoiadores defendendo Oruam e criticando suposta perseguição policial, enquanto outros condenaram sua postura desafiadora. A ausência de um pronunciamento oficial de sua defesa até o momento deixa o caso em aberto, com desdobramentos esperados nos próximos dias.
- Repercussão: Divisão entre fãs e críticos nas redes sociais.
- Carreira: Sucesso com 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
- Lollapalooza 2024: Camiseta em apoio ao pai gerou controvérsia.
- Desafios legais: Indiciamento por seis crimes pode impactar imagem.
Cenário do crime organizado no Rio
O caso de Oruam reflete a complexa relação entre cultura, criminalidade e segurança pública no Rio de Janeiro. O Comando Vermelho, uma das maiores facções do estado, mantém influência em diversas comunidades, incluindo o Complexo da Penha, para onde o rapper fugiu. A operação no Joá expõe os esforços da Polícia Civil em combater a presença de criminosos em áreas nobres, mas também levanta questões sobre o uso da força e a abordagem em casos de alta visibilidade.
A DRE, especializada em repressão ao tráfico, tem intensificado operações contra alvos ligados ao Comando Vermelho, com foco em desmantelar redes de apoio logístico. A presença de suspeitos na casa de Oruam reforça a tese policial de que o rapper atua como um ponto de conexão entre a facção e setores da sociedade.
- Comando Vermelho: Facção dominante em comunidades do RJ.
- Complexo da Penha: Área de forte influência do grupo criminoso.
- DRE: Unidade policial focada em repressão ao tráfico de drogas.
- Operações: Intensificação de ações contra redes de apoio à facção.
Próximos passos judiciais
Oruam deve responder pelos crimes imputados em um processo que será acompanhado de perto pela mídia e pelo público. A Polícia Civil informou que as investigações continuam, com foco em identificar outros envolvidos na confusão no Joá. A ausência de mandado de prisão contra o rapper no momento da operação sugere que ele não foi detido, mas sua fuga e os vídeos desafiadores podem agravar sua situação legal.
O caso também reacende o debate sobre a criminalização de artistas de periferias e a relação entre suas obras e o contexto social em que vivem. Enquanto Oruam nega envolvimento direto com o crime, sua proximidade com figuras ligadas ao Comando Vermelho mantém as autoridades em alerta.







