Moradia subterrânea em Pequim: trabalhadores vivem em túneis e tubulações para fugir de aluguéis altos na ChinaPor Luís Henrique Costa
4 min de leitura
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A crise de moradia subterrânea em Pequim empurra trabalhadores rurais e operários de baixa renda para poços de manutenção, túneis de aquecimento e galerias subterrâneas devido à alta dos preços imobiliários na China. O custo de habitações regulares na capital consome a maior parte dos ganhos da mão de obra migrante.
Esses espaços subterrâneos abrigam indivíduos conhecidos socialmente pelo termo tribo dos ratos, que reúne operários atraídos por vagas de emprego em grandes centros urbanos. A busca por acomodações em dutos de serviços públicos reflete a necessidade extrema de cortar despesas de subsistência diária para enviar recursos aos parentes em províncias distantes.
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Condições físicas dos abrigos subterrâneos na capital chinesa
Os poços e dutos utilizados como abrigo abrigam tubulações de aquecimento central que aquecem o solo durante os rigorosos invernos da região norte. Em muitos pontos, os dutos mantêm o ambiente aquecido artificialmente, embora exponham os ocupantes ao perigo de queimaduras causadas por vazamentos de vapor em alta pressão.
O espaço físico de cada galeria não ultrapassa poucos metros quadrados, com altura que impede os moradores de ficarem em pé. Camas improvisadas com cobertores velhos dividem espaço com fios elétricos expostos, pequenos fogareiros e recipientes para água potável coletada em banheiros públicos das redondezas.
A ausência de janelas, saneamento e ventilação adequada gera acúmulo de umidade, vapores tóxicos e riscos constantes de inundações em períodos de chuvas pesadas. O acesso a essas estruturas ocorre por tampas de bueiro pesadas, levantadas discretamente à noite para evitar denúncias de moradores vizinhos.
Ficha do perfil das habitações e condições operacionais
- Tipo de espaço: poços de inspeção de aquecimento urbano, galerias pluviais desativadas e porões antiaéreos convertidos
- Dimensões médias: áreas que variam entre 2 m² e 6 m², com teto frequentemente abaixo de 1,5 metro de altura
- Riscos imediatos: inalação de monóxido de carbono, queimaduras por tubulações de vapor quente e asfixia
- Custo de ocupação: custo nulo em poços públicos ou tarifas simbólicas repassadas a intermediários ilegais em porões
O papel do sistema hukou na exclusão residencial
A migração de milhões de pessoas do campo para metrópoles como Pequim e Xangai esbarra no sistema de registro residencial hukou, vigente no país desde a década de 1950. A classificação civil rural impede o acesso igualitário a programas habitacionais subsidiados, escolas públicas para dependentes e assistência de saúde plena em municípios onde a pessoa não possui registro de nascimento urbano.
Sem a permissão para pleitear moradia social do governo municipal, os trabalhadores informais aceitam atividades operacionais com salários limitados. O rendimento mensal médio dessa faixa de trabalhadores gira em torno de valores que inviabilizam o aluguel de um apartamento padrão ou quitinete regular nas zonas centrais.
As autoridades de Pequim fecharam dezenas de acessos a galerias e soldaram tampas de bueiros ao longo de inspeções de segurança contra incêndio e ordenamento da paisagem urbana. Muitos residentes desalojados migraram para bairros periféricos distantes ou buscaram novas aberturas clandestinas em tubulações ainda acessíveis.
Contexto histórico e marcos da moradia no subsolo urbano
- Anos 1960 e 1970: construção maciça de abrigos antiaéreos subterrâneos durante o período da Guerra Fria
- Década de 1980 e 1990: liberação de espaços subterrâneos para armazenamento civil, depósitos e moradias temporárias baratas
- Início do século 21: rápida valorização imobiliária em Pequim e chegada expressiva de trabalhadores rurais sem hukou local
- Anos recentes: intensificação de campanhas estatais para erradicar acomodações informais abaixo do nível da rua
O impacto econômico e os caminhos da assistência
A pressão exercida pelo mercado imobiliário em áreas metropolitanas impõe desafios à governança pública municipal, que busca balancear o crescimento urbano e a demanda contínua por mão de obra na construção civil, limpeza e entregas rápidas. Sem habitações populares conectadas às regiões com oferta de trabalho, as fendas na infraestrutura urbana permanecem como último recurso para os grupos mais vulneráveis.















